# Prostitutas nas escadas: Porta aberta para o crime

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- Published: 2011-02-27T16:34:48-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

[⌊Profissional do Sexo⌉⌊Profissional do Sexo⌉[Pros­ti­tutas co­brando hos­ped­agem
por hora e sem qualquer con­trole de quem en­tra e sai, es­tabele­ci­men­tos in­stala­dos
em sobrelo­jas e áreas res­id­en­ci­ais de Tag­uat­inga e Ceilândia favore­cem a
pros­tituição e o tráfico de dro­gas.

Fachada de­teri­orada, pros­ti­tutas nas es­ca­das ofere­cendo seus serviços, corre­dores
escuros. Acessos por ru­as toma­das por usuári­os de crack sem es­ta­cio­na­mento
privat­ivo. Nen­hum con­trole de quem en­tra e sai. Um quarto por R$ 9,99 as três
primeir­as hor­as, mas nada de lençóis limpos, ducha forte, ar-con­di­cion­ado, 
in­ter­net ou qualquer co­mod­id­ade.

Nes­sas condições, es­tabele­ci­men­tos autointit­u­la­dos hotéis, in­stala­dos 
em salas comer­ci­ais e imóveis res­id­en­ci­ais de Ceilândia e Tag­uat­inga, se
trans­form­aram em pon­tos para di­ver­sas prátic­as crim­ino­sas. Entre elas, a
ex­ploração da pros­tituição e o tráfico de dro­gas.

Por três di­as e três noites, o Cor­reio per­cor­reu o ro­teiro dos hotéis de baixo
preço e es­ta­dia relâmpago das duas mais pop­u­lo­sas cid­ades do Dis­trito Fed­er­al.

En­con­trou 23 negócios com tais ca­ra­c­terístic­as, nada at­rativas a in­teressa­d­os
em uma hos­ped­agem con­fortável e se­gura, à exceção do val­or. Pas­sando-se por
cli­entes, o repórter e a fotógrafa en­traram em quatro empreendi­men­tos. Não ap­resent­aram
iden­tidade em nen­hum nem pre­cis­aram dar nomes ou dizer as id­ades.

Nos de­mais, flag­raram o tráfico e o con­sumo de dro­gas na porta, além da venda
do corpo por mul­heres e **TRAV­ESTIS**.

Pros­tituição não é crime no Brasil. Mas a ex­ploração dela, sim. Con­vers­ando 
com pros­ti­tutas do centro de Tag­uat­inga, quatro delas rev­elaram haver um comércio
do sexo or­gan­iz­ado en­volvendo os hotéis e cafetões. As re­don­dezas de cada 
es­tabele­ci­mento são lotea­das por ho­mens que gan­ham comissão em cada pro­grama
real­iz­ado pelas mul­heres.

 Somente as pros­ti­tutas de um de­term­inado grupo pode fazer ponto em de­term­inado
loc­al.

 Nas áreas comer­ci­ais de Tag­uat­inga, além das es­qui­nas, as pros­ti­tutas se
ex­ibem nas es­ca­das de acesso aos hotéis, em que os quar­tos ficam na sobreloja.

Mui­tos começam a tra­bal­har no meio da tarde, quando as ru­as estão chei­as de
ped­es­tres. O serviço varia de R$ 10 a R$ 150, de­pend­endo do tipo, horário, dia
e duração do pro­grama. “Somos nós que mo­vi­mentamos esses hotéis. Sem a gente,
eles fecham”, comentou uma mul­h­er iden­ti­ficada como Priscila, 33 anos.

 Nos plantões em frente aos hotéis, a equipe do Cor­reio con­statou que, além do
corpo, as pros­ti­tutas ofere­cem dro­gas a quem passa pela rua. Comércio dis­putado
com trafic­antes bem vestidos. Eles batem ponto na en­trada dos hotéis di­ari­a­mente,
no fim da tarde. E ven­dem ma­conha, cocaína e crack nas calçadas, in­clus­ive aquelas
em frente à aven­ida mais mo­vi­mentada da cid­ade. Ali mesmo, ao lado da porta 
dos hotéis e de lo­jas, próximo a para­das de ônibus lota­das, usuári­os con­somem
os entor­pe­cen­tes. Os trafic­antes também en­travam e saíam dos hotéis a to­do
mo­mento.

 Ad­oles­cente morta

 Difer­ente­mente do que ocorre na maior­ia dos hotéis, os de baixo custo em Tag­uat­inga
e Ceilândia não co­bram diária. O serviço é por hora. Também não são ne­cessári­os
re­serva nem ap­resentação de doc­u­mento na re­cepção.

 Muito menos preenchi­mento de ficha.

Nos quatro vis­it­a­dos pela equipe do Cor­reio, os fun­cionári­os nem se­quer per­gun­taram
o nome dos repórteres.

Apen­as en­tregaram uma chave e apon­taram o corredor onde ficava o quarto.

Em um dos es­tabele­ci­men­tos, na QNM 8, em Ceilândia Norte, a en­trada co­in­cidia
com os fun­dos de um bar.

 E o mesmo homem que cui­dava do boteco fazia o pa­pel de ger­ente do hotel, onde
a per­manência custou R$ 10 a hora.

Serviço pago somente em din­heiro.

Prova de como a falta de iden­ti­ficação fa­cil­ita o crime nesses es­tabele­ci­men­tos
é o caso des­vendado na última terça-feira, quando poli­ci­ais bra­si­li­enses pren­deram
Jonath­an de Oli­veira Pereira, 19 anos, em Águas Lindas (GO).

 Ele con­fes­s­ou ter matado Raíssa Evelyn Miguel Dantas, 17 anos, em um hotel da
QNN 17 de Ceilândia, em 3 de fever­eiro. Mesmo tendo menos de 18 anos, a men­ina
en­trou sem di­ficuldade no hotel, acom­pan­hada por um homem, por volta das 23h.
Ela só chamou a atenção por de­mor­ar a sair do quarto, re­ser­vado por hora.

Ao ab­ri­r­em a porta com uma chave re­serva, fun­cionári­os a en­con­traram morta,
seminua, com o pescoço en­volvido pelo fio de um car­regador de ce­lu­lar.

 O del­eg­ado Neto Tav­ares, chefe da 19ª Del­ega­cia de Polícia (P Norte) e re­sponsável
pelo caso, descon­fia que o crime tenha sido mo­tivado por ciúmes. A vítima mantinha
rela­cio­na­men­tos com Jonath­an, mas ter­ia outro namor­ado.

 Além de Jonath­an, os poli­ci­ais da unid­ade também pren­deram Ig­or Ra­fael An­drade,
23 anos, sus­peito de ajudar na fu­ga do amigo. Jonath­an já tinha pas­sagens pela
polícia por porte ileg­al de arma e es­tava re­spondendo em liber­dade pelo crime
de formação de quad­rilha. Agora, se con­denado pelo as­sas­sinato de Raíssa, pode
pegar de 12 a 30 anos de ca­deia.

Após o crime, a polícia fechou o hotel. Mas a me­dida dur­ou duas se­m­an­as. O 
es­tabele­ci­mento voltou a fun­cion­ar com uma promoção para at­rair mais cli­entes.

Agora, co­bra R$ 17 por duas hor­as.

Pon­tos do sexo

Além das quadras CSA 1 e 2 – am­bas con­centram hotéis e boates de striptease – 
e da Praça do Relógio, também é con­hecido por ser­vir de loc­al para pro­gra­mas
sexuais em Tag­uat­inga, o Pistão Norte, onde as pros­ti­tutas es­per­am os cli­entes
nas para­das de ônibus, in­clus­ive pela manhã.

**COR­REIO BRAZI­LI­ENSE – DF | CID­ADES**

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