# Proximidade através do preconceito: Doação de sangue no Brasil e na Europa

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- Published: 2009-09-11T21:22:38-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
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 10 September 2009 as 6:32 pm 92 visualizações 2 Comentarios

 

Doar sanguepor Maria Augusta da Redação

 

Doação de sangue por homoafetivos gera polêmica na Europa e fica fora de discussão
no Brasil

 

Na última semana, a proibição de doação de sangue por homossexuais causou discussões
na Bélgica e em toda a Europa em relação aos direitos de gays, lésbicas e transgêneros.
E por mais discriminatória que tal proibição pareça, não é “apenas um caso” num 
país bastante distante geográfica e culturalmente do nosso. Essa (absurda) realidade
se repete não apenas em muitos outros países europeus (como França, Alemanha e Inglaterra),
mas, também, está muito mais próxima do que, às vezes, percebemos.

 

De acordo com a Resolução n° 153, de 14 de junho de 2004, presente no Regulamento
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alguns doadores podem ficar
impedidos de doar sangue por até um ano, quando expostos (dentre tantas outras) 
às seguintes situações:

 

    * Homens e ou mulheres que tenham feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas,
e os parceiros sexuais destas pessoas.

    * Pessoas que tenham feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos,
sem uso do **PRESERVATIVO**.

    * Pessoas que foram vítimas de estupro.

    * Homens que tiveram relações sexuais com outros homens e ou as parceiras sexuais
destes.

 

Este é apenas um trecho do Regulamento da Anvisa e, também, o mais discriminatório.
Em poucas linhas, conseguem discriminar garotos e garotas de programa, vítimas de
estupro e gays. Haverá quem ache normal a primeira proibição (para garotos(as) de
programa e seus parceiros), afinal, a hipocrisia ainda é grande e, certamente, surgirão
padrões de normalidade e aceitação relativos para todos os outros fatores.

 

Acabar com a restrição relativa aos gays era uma das 51 diretrizes previstas pelo
Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais (LGBT), a qual previa que o governo deveria rever a “restrição
da doação de sangue por parte da população LGBT e capacitar os profissionais de 
saúde das hemorredes para uma abordagem sem preconceito e discriminação”. Tal diretriz
foi aprovada por todos os representantes, inclusive o do Ministério da Saúde. Porém,
em meados de julho, mais uma vez, a única bandeira hasteada foi a do preconceito
e nada foi feito. Pelo contrário, quando chegou ao Programa Nacional de **DST**–**
AIDS** a diretriz foi barrada, sob o argumento de que a medida poderia colocar em
risco a qualidade do sangue. Dessa forma, restou apenas a capacitação dos profissionais
em relação à abordagem.

 

É, então, de se questionar: de que forma pode existir uma abordagem sem preconceito
se a própria lei apóia tal ação? Infelizmente, capacitação, tão simplesmente, não
funciona. É preciso assegurar direitos reais e não endossar um preconceito velado
e mascarado. E, além disso, ainda fica a dúvida: que diferença faz com quem o doador
se relaciona se com exames simples de sangue (e todo o processo de triagem já existente)
pode-se, facilmente, detectar quais doenças e restrições (reais) o doador tem? Por
preconceitos estúpidos, muitos pacientes que precisam de sangue (qualquer sangue,
sem importar de quem) sofrem pela espera e pela falta de doadores.

 

Talvez, quem leia, ainda se pergunte: e porque desenterrar um fato passado e que
nem tem relação com as lésbicas? Primeiro porque é preciso cobrar ações e reflexões.
Se deixarmos passar, simplesmente, não teremos nunca respeito e resultados. E, segundo,
porque o fato de não haver restrições para as lésbicas dentro dos termos da Constituição
não nos torna melhores aos olhos da lei. Raquel Platero, ativista espanhola e autora
de diversos livros ligados à sexualidade das mulheres, diria que o maior preconceito
em relação às lésbicas é justamente o fato de não aparecerem, pois o anonimato não
lhes traz, apenas, benefícios e menos complicações. Mas, sim, cria mais mitos e 
preconceitos e faz com que as políticas públicas ignorem as reais condições da vida
e do sexo entre mulheres.

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## **PARADA LÉSBICA**

  |   **Editoria:**  |   **Pág.**  |   **Dia / Mês/Ano:**  |  
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**11/Setembro/09**

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## Leia também

 * [Estados Unidos vão reavaliar a proibição de doação de sangue de gays](https://soropositivo.org/estados-unidos-vao-reavaliar-a-proibicao-de-doacao-de-sangue-de-gays/)
 * [Shopping realiza campanha para doação de sangue](https://soropositivo.org/shopping-realiza-campanha-para-doacao-de-sangue/)
 * [Hemorrede encerra doação de sangue](https://soropositivo.org/hemorrede-encerra-doacao-de-sangue/)

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