# Quando amor e medicina vencem medo e preconceito   28/11/2009

- Link: https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/
- Published: 2009-11-29T14:26:33-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

![Logotipo do Soropositivo.Org](https://soropositivo.org/wp-content/plugins/machina-
analytica-integrada/assets/logo-soropositivo.webp)

**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 13 dias.

### Tópicos Tratados Nesta Página

 * [O DIA ONLINE-RJ](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/#o-dia-onlinerj)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/#leia-tambem)
 * [Like this](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/#like-this)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/#relacionado)

 

Avanços da ciência dão a casais em que um tem HIV e o outro, não, o direito de sonhar

POR PÂMELA OLIVEIRA

 

 

Rio – Tereza conheceu Antônio há 18 anos. Dois anos depois, estavam namorando. Cristina
e André estão juntos há 6. Os dois casais quase tiveram suas histórias interrompidas
com a descoberta do HIV. Tereza, que recebeu o diagnóstico de **AIDS** na década
de 90, chegou a ter certeza de que morreria em pouco tempo, e temia perder Antônio,
que não tem o vírus. Cristina, abandonada pela família na emergência de um hospital
público após o diagnóstico, há 5 anos, enfrentou a desconfiança do marido, que queria
saber a origem da doença. Apesar da falta de explicação, André, que não tem o vírus,
esteve ao lado de Cristina por todas as noites em que ela esteve internada. E agora
divide com ela a felicidade de terem passado juntos a “pior fase”.

 

 

 

Ao descobrir que Tereza tinha HIV, Antônio teve medo de ter sido o responsável por
contaminá-laHoje, a formação de casais sorodiscordantes – como são chamados os pares
em que uma pessoa tem HIV e outra não – já não é impossível ou rara, segundo o Departamento
de **DST**, **AIDS** e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A ciência tem garantido
cada vez maior sobrevida aos pacientes com HIV e, junto com o amor, está vencendo
a batalha e permitindo aos casais o direito de fazer planos para o futuro. “Ele 
é a única pessoa que sabe que tenho o vírus. É o nosso segredo. Achamos melhor não
contar para nossas famílias para evitar preconceitos e mágoas. Minha mãe não entenderia”,
diz Tereza, 49 anos. “Eu não teria suportado tudo sem ele.

 

 

De repente, emagreci muito, perdi cabelo, e o médico disse que era **AIDS**. Estávamos
juntos e choramos muito, muitas vezes”.

 

 

PROJETO DE VIDA

 

 

Antonio, 68, conta que seu maior medo ao saber que Tereza estava com o vírus era
a possibilidade de ter sido a origem da contaminação. “Quando vi que meu resultado
era negativo, fiquei aliviado porque não tinha sido eu. Em nenhum momento pensei
em deixá-la. Passei a me sentir responsável por ela. Ela passou a ser meu projeto
de vida e é muito bom ver que ela está bem e que conseguimos”, diz. “Por mais de
uma vez eu achei que ela estava indo, mas felizmente estava errado. Agora, ela que
vai ter que cuidar de mim porque estou ficando velho”, brinca.

 

 

Cristina, 40, conta que estava saindo do coma após passar mal, quando soube que 
estava com **AIDS**. Além do abandono da família, enfrentou outro problema: seus
pais acusavam André de ter transmitido o vírus. “Não tive a oportunidade de escolher
para quem contaria. Minha mãe ficou meses sem falar comigo. Se não fosse o André,
eu teria ficado largada no hospital. Foi ele quem passou as noites ao meu lado, 
sentado num banco. Ele insistiu para que eu procurasse tratamento”.

 

 

A história de Ana Paula, 26 , é diferente. Há 8 anos, o ex-marido morreu com **AIDS**.
Ela fez o teste, que deu positivo. Depois de muitas decepções, encontrou João. “
Contei que tinha HIV e que não queria namorar. Estava cansada de ouvir os caras 
dizendo que não se importavam e sumirem depois. Mas João insistiu tanto que me dobrou”.

 

 

CAMISINHA é usada por 90% dos casais

 

 

A decisão de contar ao parceiro a descoberta ou a contaminação pelo HIV é um dos
momentos mais difíceis. Segundo os médicos, ela é permeada de medos, inseguranças
e dúvidas. “É uma decisão delicada. É diferente de falar que tem outra doença, como
o câncer, por exemplo, porque o HIV é transmissível sexualmente. Há medo do abandono,
de ser julgado. A gente tenta auxiliar a revelação porque pelo menos para o parceiro
sexual é importante”, afirma a psicóloga Sandra Filgueiras, que faz parte do projeto
de pesquisa de casais sorodiscordantes da Fundação Oswaldo Cruz.

 

 

O trabalho, que começou em 2000 e já conta com quase 100 casais, tem como objetivo
estudar quais os fatores que aumentam ou reduzem o risco de transmissão. “Cerca 
de 90% dos casais usam PRESERVATIVO de forma consistente, ou seja, em todas as relações
sexuais”, diz o psicólogo Nilo Fernandes, responsável pelo aconselhamento do projeto.
Geralmente, o paciente positivo tem mais medo de contaminar o outro. “O negativo
é quem costuma insistir para abrir mão do PRESERVATIVO quando sabe que a carga viral
do outro está baixa e acredita que tem menos risco de se infectar. Há casos em que
o casal já fez sexo antes de saber da doença e acredita que não vai pegar. Mas isso
não é garantia”, diz a o acadêmico de medicina Bruno Linhares, que faz parte do 
projeto de casais sorodiscordantes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe).

 

 

 

 

  |

## **O DIA ONLINE-RJ**** **

  |   **Editoria:**  |   **Pág.**  |   **Dia / Mês/Ano:**  |  
 |

  |

  |

**29/NOVEMBRO/09**

  |

## Leia também

 * [Quando amor e medicina vencem medo e preconceito 28/11/2009](https://soropositivo.org/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009/)
 * [A gravidez com menos ansiedade 28/11/2009](https://soropositivo.org/a-gravidez-com-menos-ansiedade-28-11-2009/)
 * [Santa Catarina e a Aids O balanço sobre a incidência da Aids 28/11/2009](https://soropositivo.org/santa-catarina-e-a-aids-o-balanco-sobre-a-incidencia-da-aids-28-11-2009/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

 * [  Email ](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/?subject=%5BShared%20Post%5D%20Quando%20amor%20e%20medicina%20vencem%20medo%20e%20preconceito%20%20%2028%2F11%2F2009&body=https%3A%2F%2Fsoropositivo.org%2Fen%2Fquando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2%2F&share=email)
 * [  Print ](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/#print?share=print)
 * [  WhatsApp ](https://soropositivo.org/en/quando-amor-e-medicina-vencem-medo-e-preconceito-28112009-2/?share=jetpack-whatsapp)

### Like this:

Like Loading…

### _Relacionado_