# São necessários rastreios mais intensivos para a TB nos doentes seropositivos da África do Sul

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- Published: 2010-10-01T11:01:35-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Michael Carter

 Investigadores da África do Sul reportam, na 1ª edição de Outubro do jornal _Clinical
Infectious Diseases_, que muitos casos de tuberculose (TB) em doentes que iniciam
a terapêutica para o VIH não serão detectados, se o rastreio da doença for baseado
nas linhas de orientação de 2006 da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os investigadores descobriram que 19% dos doentes não foram diagnosticados para 
a TB. Aplicando as actuais linhas de orientação da OMS para o rastreio apenas metade
destes doentes teria sido diagnosticado.

No entanto, uma combinação de testes de rastreio que inclui a verificação de outros
sintomas da infecção (febre, perda de peso, suores nocturnos, dispneia e dores no
peito), raio-X e exame bacteriológico da expectoração pode aumentar a taxa de detecção
para quase 100%.

“Deparamo-nos com um problema gravíssimo de tuberculose”, escrevem os investigadores.

Na África, a TB é a causa principal de doença e de morte entre os doentes com VIH.

As actuais linhas de orientação da OMS recomendam, que os doentes seropositivos 
com tosse persistente façam um esfregaço da expectoração para o bacilo álcool-ácido
resistente para testar a presença da TB. A OMS está a desenvolver novas linhas de
orientação para tornar mais intensiva a detecção da TB.

No entanto, muitos doentes com VIH têm um esfregaço de expectoração negativo para
a TB. Os investigadores hipotisaram, então, que seja necessária uma monitorização
mais intensa e conceberam um estudo que envolveu doentes que estavam prestes a iniciar
o tratamento para o VIH em Durban, África do Sul.

Para o estudo foram recrutados, entre Maio de 2007 e Maio de 2008, um total de 1
035 doentes.

Estes doentes tinham depressão imunológica grave e a média da contagem das células
CD4 foi apenas de 100 células/mm^(3).

No início do estudo, um total de 210 (20%) doentes já estava sob terapêutica para
a TB Estes doentes foram excluídos da análise ulterior e permaneceram no estudo 
825 doentes.

Um total de 158 (19%) destes doentes tinha evidência, no exame bacteriológico, de
TB pulmonar activa não diagnosticada anteriormente.

Se os investigadores baseassem o diagnóstico para a TB apenas na tosse persistente,
somente 52% destas infecções teria sido detectada.

A proporção dos doentes com tosse persistente que tinham TB foi de 25%.

Usando outros sintomas da TB (excluindo a tosse), os investigadores teriam sido 
capazes de detectar 72% dos casos. A especificidade destes sintomas foi de 44%.

Dos 158 doentes com exame da expectoração positivo para a TB, apenas 14 tiveram 
um esfregaço positivo para o bacilo álcool-ácido resistente. Isto significou que
apenas 9% dos casos de TB teria sido detectado, se os investigadores baseassem o
diagnóstico nesta técnica, dada a frequência muito elevada de esfregaços negativos
para a TB nas pessoas com VIH. No entanto, o rastreio para o bacilo álcool-ácido
teve uma especificidade de 88%.

A maioria (83%) dos doentes com exame bacteriológico positivo para a TB tinha um
raio-X de torax anormal. No entanto, os resultados anormais do raio-X torácico tinham
apenas uma especificidade de 35% para a TB, indicando que se os médicos usassem 
apenas este método de diagnóstico para a TB, muitas pessoas sem TB seriam testadas
ou tratadas desnecessariamente.

Os diagnósticos por PCR teriam sido capazes de detectar 50% dos casos da TB.

Os investigadores calcularam, que, combinando o rastreio da tosse e do bacilo álcool-
ácido resistente, teriam conseguido diagnosticar 56% dos casos de TB no seu estudo.

No entanto, os investigadores demonstraram que verificando uma gama mais vasta de
sintomas e não apenas a tosse, o raio-X e o teste do bacilo álcool-ácido resistente
poderiam chegar a detectar 93% dos casos de TB. Acrescentando um rastreio com a 
PCR a taxa de detecção subiu para 96%.

Rastreios mais intensivos seriam comportáveis. Os investigadores calcularam que 
usando as linhas de orientação da OMS, o custo do diagnóstico de cada caso de TB
foi de 240 dólares, aumentando para 300 usando métodos de rastreio mais intensivos.
Portanto, o custo adicional para identificar todos os casos de TB (custo por caso
diagnosticado para além da tosse) foi de 60 dólares por caso.

Os investigadores acreditam que o seu estudo teve implicações clínicas e “mostra
a necessidade de baixar drasticamente o limiar do rastreio da tuberculose e melhorar
a capacidade de rastreio e diagnóstico para as pessoas infectadas com o VIH, que
vivem em regiões onde a tuberculose é endémica”.

Concluem, que “um rastreio exacto para a tuberculose com a microscopia e exame bacteriológico
da expectoração, quando as pessoas procuram os cuidados de saúde deve ser considerado,
independentemente dos sintomas, nas populações como as da África do Sul onde a tuberculose
e o VIH são ambos comuns e mortais”.

### Referência

 Bassett IV et al. _Intensive tuberculosis screening for HIV-infected patients starting
antiretroviral therapy in Durban, South Africa_. Clinical Infectious Diseases, 51:
823-29, 2010.

### Tradução

 [_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

_**FONTE [AIDSMAP](https://soropositivo.org/en/sao-necessarios-rastreios-mais-intensivos-para-a-tb-nos-doentes-seropositivos-da-africa-do-sul/index.php?option=com_weblinks&view=weblink&id=12&catid=19)**

## Leia também

 * [As linhas de orientação para o tratamento da sífilis em doentes com o VIH baseiam-se em “evidências” pouco fundamentadas](https://soropositivo.org/as-linhas-de-orientacao-para-o-tratamento-da-sifilis-em-doentes-com-o-vih-baseiam-se-em-evidencias-pouco-fundamentadas/)
 * [Linhas de orientação para aumentar os níveis de adesão](https://soropositivo.org/linhas-de-orientacao-para-aumentar-os-niveis-de-adesao/)
 * [Doentes a fazer o tratamento para a TB podem ser por um período mais longo potencialmente mais infecciosos do que se pensava](https://soropositivo.org/doentes-a-fazer-o-tratamento-para-a-tb-podem-ser-por-um-periodo-mais-longo-potencialmente-mais-infecciosos-do-que-se-pensava/)

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