# #soropositivoorg : As interacções medicamentosas são ainda comuns no tratamento do VIH e passam muitas vezes despercebidas

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- Published: 2010-08-13T21:12:42-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 12 dias.

Michael Carter

 De acordo com um grupo de investigadores de Liverpool, no Reino Unido, num trabalho
publicado na edição de 15 de Maio da _Clinical Infectious Diseases_, as interacções
clinicamente significativas são comuns entre as pessoas a fazer tratamento ARV, 
além de que muitas vezes passam ainda despercebidas junto dos médicos.

### Temas Tratados Nesta Página

 * [Referência](https://soropositivo.org/en/soropositivoorg-as-interaccoes-medicamentosas-sao-ainda-comuns-no-tratamento-do-vih-e-passam-muitas-vezes-despercebidas/#referencia)
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Os investigadores detectaram a presença de interacções medicamentosas clinicamente
significativas em 27% dos doentes, sendo que, destas, mais de um terço passavam 
despercebidas aos médicos.

“As interacções clinicamente significativas envolvendo ARVs são frequentes… e o 
seu reconhecimento por parte dos médicos é necessário de forma a conseguir uma prescrição
segura e eficaz”, referem os investigadores.

Muitos fármacos ARVs interagem não apenas com outros fármacos ARVs, como também 
com outros medicamentos prescritos no tratamento de outros problemas de saúde.

Uma interacção que passe despercebida pode ter consequências sérias, resultando 
ou em níveis do medicamento insuficientes para manter o controlo do VIH, ou em níveis
elevados, conduzindo ao aparecimento de efeitos adversos.

Embora habitualmente se considere que as interacções clinicamente significativas
nas pessoas com VIH são comuns, nenhum estudo anterior procurou avaliar até que 
ponto elas são reconhecidas e detectadas pelos médicos.

Foi, assim, neste contexto que um grupo de investigadores do _Royal Liverpool University
Hospital_ procurou reunir uma série de dados sobre interacções medicamentosas potencialmente
graves, observadas nos doentes que frequentavam a consulta de VIH do hospital no
verão de 2008.

Para serem incluídos no estudo, os doentes tinham de estar a tomar pelo menos um
medicamento ARV.

A cada médico foi entregue um questionário estruturado, onde era pedido que se registasse
não apenas os ARVs, como todos os outros medicamentos utilizados por cada doente,
o que incluía não só os prescritos por um profissional de saúde, como também os 
medicamentos de venda livre e as drogas recreativas. Era depois pedido ao médico
que identificasse todas as interacções potencialmente significativas e que afirmasse
se tinha procedido a alguma modificação na dosagem ou usado algum tipo de monitorização
dos medicamentos.

O estudo incluía ainda a recolha de dados demográficos sobre os doentes, assim como
as suas cargas virais.

O estudo envolveu um total de 159 doentes, dos quais 56% eram homens. A idade média
dos doentes era de 41 anos. A carga viral era indetectável (inferior a 40 cópias/
ml) em 66% dos doentes.

Foram identificadas interacções potencialmente significativas em 43 doentes (27%).
A análise inicial dos investigadores mostrou que os homens (p = 0.029), as pessoas
caucasianas (p = 0.043) e as que tomavam um inibidor da protease (p < 0.001) apresentavam
um maior risco de interacções.

Na posterior análise multivariada, a associação das interacções com a terapêutica
utilizando um inibidor da protease manteve-se altamente significativa (OR = 10.59;
95% IC, 2.86-31.87, p < 0.001), achado que os investigadores consideraram “não surpreender”.

Também o factor “sexo masculino” permaneceu significativamente associado com um 
maior risco de interacções (OR = 3.03; 95% IC, 1.06-8.58, p = 0.038). Os investigadores,
contudo, recomendam que este achado seja tratado com precaução. Fizeram nomeadamente
notar que lhe faltava “plausibilidade biológica” e que não havia sido identificado
como factor de risco em nenhum outro estudo.

As interacções registadas podem ter resultado numa redução dos níveis dos ARVs em
cerca de 15% dos doentes.

Por outro lado, apenas 36% das interacções medicamentosas foram correctamente identificadas
pelos médicos responsáveis pelos tratamentos.

Foi observado um amplo espectro de interacções, incluindo as interacções com outros
ARVs, com antidepressivos, antibióticos, estatinas e drogas recreativas.

A monitorização terapêutica foi utilizada na abordagem de 26% dos doentes com interacções.
Os doentes a quem esta monitorização foi feita apresentaram uma probabilidade significativamente
maior de ver a dose da sua medicação alterada do que os doentes a quem ela não era
feita (OR = 3.25; 95% IC, 1.16-9.16, p = 0.015).

Os investigadores concluem: “Recomendamos que todos os médicos estejam alerta para
os riscos das interacções medicamentosas clinicamente significativas, que usem a
informação disponível sobre medicamentos e drogas e que os serviços de farmacologia
prestem uma ajuda na identificação das interacções clinicamente significativas e
procedam a uma auditoria regular das práticas prescritivas.”

### Referência

 Evans-Jones JG et al. _Recognition of risk of clinically significant drug interactions
among HIV-infected patients receiving antiretroviral therapy_. Clin Infect Dis 50:
1419-21, 2010.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

 

 

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## Leia também

 * [Começar o tratamento ARV mais cedo para reduzir o risco de endurecimento das artérias](https://soropositivo.org/comecar-o-tratamento-arv-mais-cedo-para-reduzir-o-risco-de-endurecimento-das-arterias/)
 * [#soropositivoorg : A maioria dos doentes portadores de VIH na América do Norte necessita de iniciar o tratamento no momento do diagnóstico](https://soropositivo.org/soropositivoorg-a-maioria-dos-doentes-portadores-de-vih-na-america-do-norte-necessita-de-iniciar-o-tratamento-no-momento-do-diagnostico/)
 * [Baixa percepção da necessidade de tratamento para o VIH associada à má adesão](https://soropositivo.org/baixa-percepcao-da-necessidade-de-tratamento-para-o-vih-associada-a-ma-adesao/)

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