# Um pequeno estudo sugere que a perda de massa óssea é um efeito secundário da terapêutica anti-retroviral (TAR)

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- Published: 2011-03-05T14:28:34-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Michael Carter

 

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 * [Referência](https://soropositivo.org/um-pequeno-estudo-sugere-que-a-perda-de-massa-ossea-e-um-efeito-secundario-da-terapeutica-anti-retroviral-tar/#referencia)
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![ossos-frageis](images/stories/2011/marco-2011/ossos-frageis.jpg "ossos-frageis")

 

Investigadores suíços relatam na edição _online_ do _Journal of Acquired Immune 
Deficiency Syndromes _que o aumento das alterações na massa óssea pode ser um efeito
da terapêutica anti-retroviral em geral, ao invés de estar relacionado com determinadas
classes de medicamentos ou agentes individuais.

 

Os investigadores escrevem que, “comparando com doentes infectados não tratados,
encontrámos um aumento nos marcadores de reabsorção bem como nos marcadores de formação
óssea”.

 

Em doentes com VIH foram observados o aumento da taxa de osteoporose e de fracturas.
As causas exactas são incertas. O VIH, por si só, parece causar aumento de perda
de massa óssea, mas os resultados de diversos estudos sugerem que isto pode ser 
igualmente um efeito secundário do tratamento com medicamentos anti-retrovirais,
muito especialmente o tenofovir (Viread^(®), também nas formulações Truvada^(®) 
e Atripla^(®)).

 

Graças ao sucesso da TAR, muitos doentes com infecção pelo VIH estão actualmente
a sobreviver até uma idade mais avançada e a perda de massa óssea pode, muito provavelmente,
tornar-se numa queixa comum, entre esta população. Para compreender melhor estas
causas, os investigadores de dois hospitais suíços desenharam um estudo transversal
envolvendo 113 doentes infectados pelo VIH.

 

Os marcadores de alteração e formação de massa óssea foram monitorizados nestes 
doentes. Para verificar se a TAR, classes específicas ou medicamentos individuais
eram a causa da perda de massa óssea, os doentes foram divididos em seis grupos 
de acordo com o historial do tratamento (sem TAR vs qualquer TAR; tratamento com
tenofovir vs tratamento com outros agentes; utilização de um Inibidor da Protease
vs terapêutica com um Inibidor Não Nucleósido da Transcriptase Reversa [INNTR]).

 

Cada doente forneceu uma amostra de urina e esta foi usada para monitorizar os níveis
de piridinolina, deoxipiridinolina e fosfatase alcalina óssea. Os doentes que iniciaram
terapêutica cederam uma amostra no início do estudo e outra, três a cinco meses 
depois.

 

A idade média dos doentes foi de 43 anos e a maioria (86) eram homens. O tenofovir
foi utilizado por 57 pessoas e 45 estavam a usar um INNTR.

 

Mais de metade dos doentes (61) tinha contagem de células CD4 acima das 350/mm^(
3). Contudo, não houve evidência de qualquer relação entre a contagem de células
CD4 e os marcadores de alteração óssea e metabolismo.

 

As taxas de renovação óssea eram significativamente mais elevadas entre os doentes
que estavam sob TAR, do que entre aqueles que não estavam (P < 0,001).

 

Aparentemente o aumento do metabolismo ósseo parece ser um efeito geral da TAR. 
Os investigadores não encontraram evidência significativa que quer o tenofovir, 
quer os inibidores da protease, pudessem ser associados a níveis mais elevados de
renovação óssea do que outros medicamentos ou classes de medicamentos anti-retrovirais.

 

Contudo, os investigadores sublinham que a amostra do seu estudo era pequena e comentam“
não podemos excluir completamente a ideia que um número maior de participantes pudesse
ter mostrado uma diferença significativa”.

 

Não obstante, acreditam que a contribuição de qualquer anti-retroviral para a perda
de massa óssea, comparada com o efeito global da TAR “pode ser baixa”.

 

As taxas de renovação óssea foram semelhantes para doentes que iniciaram terapêutica
e para aqueles que já estavam sob tratamento há mais de seis meses.

 

Os investigadores concluem que “o próprio tratamento anti-retroviral contribui para
aumentar a reabsorção óssea. Como o prosseguimento do processo metabólico, a capacidade
de compensação vai decrescendo à medida que os doentes se tornam mais velhos e a
formação óssea não acompanha o ritmo da reabsorção, resultando numa perda de massa
óssea total”.

### Referência

  

Piso RJ et al. _Makers of bone turnover are elevated in patients with antiretroviral
treatment independently of the substance used_. J Acquir Immune Defic Synr, online
edition: DOI: 10. 1097/QAI.0b013e31820cf010, 2011 (clique [aqui](http://journals.lww.com/jaids/Abstract/publishahead/Markers_of_bone_turnover_are_elevated_in_patients.98850.aspx)
para aceder gratuitamente ao abstract).

### Tradução

 [_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org)

 

 

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