# Violência Psicológica Contra a Mulher

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- Published: 2010-09-27T13:18:55-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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**DIÁRIO DO NORDESTE – CE | **

Mulher

27/09/2010

 

 ⌊simbolo_mulher-laco-aids⌉

Porque tantas mulheres ainda se submetem e sofrem tripla jornada de sofrimento e
agressões

Quando se fala em violência contra a mulher, logo vem à mente os tão visíveis e 
brutais atos físicos, certo? Porém, além de tapas, pontapés e espancamentos, há 
outro tipo de crime que machuca na mesma proporção que a agressão física e afeta
diretamente a saúde: a violência psicológica.

Caracterizado sobretudo por agressões verbais, esse tipo de violência silenciosa
representou este ano 62,79% das ameaças feitas junto ao Juizado de Violência Doméstica
e Familiar contra a Mulher, em Fortaleza. Em 2009, no mesmo período, o índice foi
de 59,09%.

A violência mental sofrida pelas mulheres é tamanha, reconhece a juíza titular do
Juizado da Mulher em Fortaleza, Rosa Mendonça, que muitas vezes elas são submetidas
a uma tripla jornada de sofrimento, já que lidam com agressões de patrões, marido
e filhos.

“É tão sutil, que a violência psicológica passa a fazer parte do cotidiano, chegando
a ser confundida por algumas mulheres, e até pelos homens, como brutalidade, ignorância,
estresse e estupidez”, esclarece Rosa Mendonça. Isso porque, por definição, violência
psicológica “é qualquer conduta que cause à mulher dano emocional e diminuição da
autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento”.

Ou, ainda, “que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões,
mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância
constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação
do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica
e à autodeterminação”, segundo estabelecido pela Convenção Interamericana para Prevenir,
Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (1994) e pela a Lei Maria da Penha(
1996).

Deixando marcas

Segundo a assistente social, pesquisadora e livre docente da Universidade Estadual
do Ceará, Maria do Socorro Osterne, “a violência psicológica pode se manifestar 
nas relações de gênero (entre namorados, noivos, amantes, conjugues ou qualquer 
parceiro íntimo), mas também entre pais e filhas, irmãos e irmãs, parentes, vizinhos”.
Mas não se limita às relações familiares, de “amizades” e vizinhança. Ocorre, costumeiramente,
no ambiente e nas relações de trabalho, na escola, na universidade, nos partidos
políticos, enfim, é fenômeno transversal ao conjunto das relações sociais, esclarece.

Como enumeram a juíza e a assistente social, as agressões psicológicas se concretizam
à medida que as mulheres, como muitas relatam ao Juizado da Mulher, são chamadas
de: loucas, burras, histéricas, malas sem alça. Ou, então, são ridicularizadas pelo
porte físico (gorda, magricela, pele e osso, relaxada, velha); criticadas em suas
condutas como mães, amantes, profissionais; culpadas por todos os problemas que 
acontecem em casa e com os filhos; são desvalorizadas pelos trabalhos domésticos;
ameaçadas de maus tratos; monitoradas com os horários; são proibidas de usar determinados
tipos de roupas e, ainda, os companheiros fazem-nas se sentirem culpadas.

Com isso, explica Maria do Socorro Osterne, as relações interpessoais ficam seriamente
comprometidas “à medida em que se constitui elemento inibidor da liberdade, de manifestação
e do direito de oportunidades e vida plena, além de uma sociabilidade respaldada
na ética da convivência”.

A partir dessas situações, existem consequências inevitáveis à saúde e ao bem estar
da mulher e de toda a família. Como exemplifica a juíza Rosa Mendonça, “a violência
não deixa marcas no corpo e não há exame de corpo de delito para atestar sua materialidade”.

Porém, como listam as especialistas, as mulheres submetidas à violência psicológica
apresentam quadros recorrentes de dores de cabeça, obesidade ou perda de peso acelerada,
problemas gástricos e digestivos, ginecológicos, cardíacos, fibromialgia, hipertensão
arterial, entre outros. “O temor provocado pela ameaça causa perturbação na mente,
na liberdade psíquica, impedindo completamente a livre determinação da vontade”,
conclui a juíza titular do Juizado da Mulher em Fortaleza.

Sintomas frequentes

Uso e abuso de substâncias psicoativas e álcool;

Desordens na alimentação;

Desinteresse pela vida;

Atitude de isolamento;

Irritabilidade;

Dificuldade de

Concentração;

Facilidade para chorar;

Distúrbios do sono;

Ansiedade;

Depressão;

Sentimento de culpa;

Síndrome do pânico.

Fique por dentro

Saúde em risco

A organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a violência contra a mulher como
problema de saúde pública, afinal, foi levado em consideração as consequências econômicas
e sociais, que interferem até no Produto Interno Bruto (PIB).

No tocante às consequências, a juíza Rosa Mendonça lembra que o Banco Mundial (BM)
e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) constataram que: um em cada cinco
dias de falta no trabalho, em todo o mundo, tem como causa a violência domiciliar
sofrida pelas mulheres; e que, a cada cinco anos, uma mulher que vive nessas condições
perde um ano de vida saudável.

O estudo indica que as mulheres, com idades entre 15 e 44 anos, perdem mais anos
de vida saudável, em função do estupro e da violência doméstica do que em decorrência
de câncer de mama, de colo do útero e problemas relacionados ao parto, doenças coronarianas,
respiratórias, **AIDS**, acidentes no trânsito ou a guerra.

JANINE MAIA

REPÓRTER

 

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