# Vírus HIV agente causador da aids, ganha força por conta de certos setores

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- Published: 2014-05-13T14:00:36-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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### Vírus HIV agente causador da AIDS, ganha força por conta de certos setores

Os números dos infetados com o vírus HIV, agente causador da aids, voltaram a assustar.
Há uns dias, o Ministério da Saúde estimou em 718 mil os portadores, com 20% deles(
140 mil pessoas) desconhecendo a contaminação. As estatísticas podem até ser maiores.

Entre os que se desconhecem como portadores do agente causador da aids, muitos hão
naturalmente porque não fazem o teste, por medo, preconceito, por acharem que não
estão nos grupos de riscos ou por absoluta ignorância. Entre os soropositivos, há
até aqueles que vagam por aí até há morte ou falência quase total sem que tenham
sido diagnosticados oficialmente. Também por ignorância, porém na maioria por descaso
no atendimento público – eis, então, um dos responsáveis.

O médico Veriano Terto Jr., professor da UFRJ e especialista em AIDS no sistema 
de saúde nacional, relatou ao jornal O Estado de S. Paulo(8/12) duas “maratonas 
macabras” registradas em hospitais cariocas. Em uma delas, um sujeito perambulou
por várias unidades já nos estertores da doença até ser internado de emergência,
enquanto na outra uma mulher soropositiva também bateu de porta em porta por dias
até ficar cega totalmente.

Em que pese a redução do número de mortos de 2001 a 2012 em 38,9%, segundo relatório
da UnAIDS (agência da ONU), obra da distribuição gratuita de retrovirais e que fez
do Brasil exemplo mundial, até por isso houve acomodação nas campanhas de prevenção.
Tanto que nesse período a agência da ONU observa o aumento dos infetados em 23,3%,
maior do que os 17,6% verificados mundialmente, incluído aí a epidemiológica África.
Precisa dizer mais?

Na soma dos responsáveis, prefeituras e os governos estaduais e federal – sobretudo
o último, com gordas somas para verbas publicitárias até de bobagens de cunho apenas
político -, também já co-responsáveis pela patética oferta de atendimento médico.

E agora, no afogadilho do desastre que pode reviver parte da epidemia dos anos de
1980-1990, corre-se com o aumento da distribuição dos remédios que ajudam a prolongar
a sobrevida e até estabilizar os pacientes, mas especialmente com a nova campanha“
Para viver melhor, é preciso saber”.

Obviamente, peças publicitárias com musiquinhas graciosas, simpáticas, sem a contundência
que o caso merece, como sempre acontece: doura-se a pílula como se todos fôssemos
cidadãos sujeitos a impactos psicológicos negativos.

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Melhor que nada, claro.

Colaborou para o relaxamento do alerta à população o conservadorismo dos políticos,
por atitudes, valores ou religião. Outros responsáveis, que na moeda de troca de
apoio – velado ou aberto – aos sucessivos governos federais, derrubaram estratégias
de combate à AIDS.

No Congresso Nacional, o avanço da bancada evangélica, que criminaliza o sexo, mais
ainda o de orientação homossexual, influenciou o governo a silenciar as campanhas
publicitárias e abandonar a distribuição do kit anti-AIDS. “Há um clima de pânico
conservador, que não pode falar mais nada que venha a irritar a bancada evangélica”,
resumiu Terto Jr., por 23 anos integrante da Associação Brasileira Interdisciplinar
da AIDS.

Primeiro, pensa-se em não desagradar os doutos legisladores – diga-se também os 
de outras orientações -, garantir uma mãozinha eleitoral e rezar para que o problema
não cresça. O vírus HIV não atendeu às preces.

Na ponta extrema, há os responsáveis diretos pela disseminação mais latente hoje.
Os que não se usam preservativos, seja por que não foram ou são atingidos pelas 
abordagens de prevenção, por ignorância ou por responsabilidade criminosa, sim.

Entre os idosos com mais de 60 anos, de ambos os sexos, a incidência cresceu substancialmente,
como reflexo, entre outros, da popularização das drogas contra a impotência. A possibilidade
de melhor qualidade de vida nessa idade, resultando no aumento das parcerias, aliou-
se ao desconhecimento dos métodos de prevenção ou à busca de testes preventivos –
neste caso por preconceito ou vergonha – ajudando a espalhar o vírus.

Mas o que voltou a preocupar é a expansão da incidência do vírus entre os homens
jovens, bissexuais e homossexuais. Com a maior liberdade de assumirem suas orientações
sexuais, um novo boom de pontos de encontros em cidades de qualquer porte, o apoio
e a legitimação a partir de grupos organizados e não-organizados, a doença também
fez escala novamente entre eles.

Nem de longe é o caso de voltar a estigmatizar a AIDS à comunidade LGTB, mas só 
não vê quem não quer. Nas contas do Ministério da Saúde lê-se: há 21 anos, 25,2%
dos homens entre 14 e 25 anos que faziam sexo com outros homens estavam infectados,
neste ano o percentual dobrou.

A maioria, como bem lembrou em artigo (O Estado de S. Paulo, 8/12) o psiquiatra 
Jairo Bouer, se afasta da proteção, do teste e mesmo do tratamento, por preconceito
e violência de parte da sociedade. Outra parte não foi atingida pelas risíveis ou
ausentes campanhas. Outra parte, independente do tamanho, é também responsável, 
porém consciente e, por que não, criminosa, pois na pressa do prazer, sob efeito
de álcool e drogas, relegam o preservativo.

Isso vale, também, para casais heteros. No cômputo geral, como lembrou a professora
da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Maria Martha Ferreira
Jeukens, em entrevista ao site IG,”no afã de ter prazer, as pessoas minimizam os
riscos que correm ao não usarem preservativos. Se você perguntar por aí, a maioria
das pessoas não usa camisinha”.

Portanto, se há uma epidemia se evidenciando na região de Porto Alegre, onde estão
15 das 20 cidades brasileiras mais afetadas pelo HIV, ou se no médio para pequeno
município de Araraquara, no interior de São Paulo, o número de mortes de janeiro
a julho superou o total de 2012, é porque o rastilho não se apagou.

E, com isso, não se vence uma das faces mais dolorosas: a transmissão vertical, 
de mãe para filho.

Diz-se que uma geração dura 30 anos. Em 2013 se completa 30 anos da descoberta da
doença.

 

 

Nota do Editor de Soropositivo Web Site:

Há muitas discussões sobre o modo heterodoxo com que tratamos a epidemia de HIV,
o **agente causador da AIDS**. Hoje eu vi, chocado, pessoas que defendem, como modelo
exemplar, a barbárie que se dá em Uganda, na perseguição sistemática de homossexuais,
inclusive com pena de morte!

Setores evangélicos do Brasil devem praticar onanismo ao pensar que tal estado de
coisabem que poderia acontecer aqui no Brasil (…). É a mesma sociedade hipócrita
que condena o aborto e discrimina a mãe solteira.

## Leia também

 * [Vírus HIV ganha força por obra de vários responsáveis](https://soropositivo.org/virus-hiv-ganha-forca-por-obra-de-varios-responsaveis/)
 * [Luta por leis ganha força](https://soropositivo.org/luta-por-leis-ganha-forca/)
 * [Novo teste detecta Aids em 20 minutos](https://soropositivo.org/novo-teste-detecta-aids-em-20-minutos/)

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