# Estabilidade do portador do vírus HIV

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- Published: 2012-09-05T15:21:34-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

> A “_AIDS_” ou SI­DA (Síndro­me da Imu­no­de­fi­ciência Ad­qui­ri­da) é uma do­ença
> cau­sa­da por um vírus de DNA, que se trans­mi­te de di­ver­sas for­mas: através
> da re­lação se­xu­al com pes­so­as in­fec­ta­das; através de trans­fusão de san­gue,
> es­tan­do es­te con­ta­mi­na­do; através de se­rin­gas reu­ti­li­za­das com san­gue
> de pes­so­as in­fec­ta­das, en­tre ou­tras pos­si­bi­li­da­des de con­ta­to en­tre
> o san­gue do in­divíduo e o san­gue con­ta­mi­na­do.
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> ### Table Of Content
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>  * [I – A AIDS – CON­CEI­TO E IN­TER­DIS­CI­PLI­NA­RI­DA­DE.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#i-a-aids-con%c2%adcei%c2%adto-e-in%c2%adter%c2%addis%c2%adci%c2%adpli%c2%adna%c2%adri%c2%adda%c2%adde)
>  * [II – A LE­GIS­LAÇÃO ES­TRAN­GEI­RA.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#ii-a-le%c2%adgis%c2%adlacao-es%c2%adtran%c2%adgei%c2%adra)
>  * [III – O DI­REI­TO PÁTRIO – AIDS – ES­TA­BI­LI­DA­DE.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#iii-o-di%c2%adrei%c2%adto-patrio-aids-es%c2%adta%c2%adbi%c2%adli%c2%adda%c2%adde)
>  * [IV – OPERÁRIO POR­TA­DOR E OPERÁRIO AIDÉTI­CO.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#iv-operario-por%c2%adta%c2%addor-e-operario-aideti%c2%adco)
>  * [V – DES­PE­DI­DA AN­TES DA CON­CESSÃO DE AUXÍLIO DO­ENÇA PE­LA PRE­VIDÊNCIA SO­CI­AL.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#v-des%c2%adpe%c2%addi%c2%adda-an%c2%adtes-da-con%c2%adcessao-de-auxilio-do%c2%adenca-pe%c2%adla-pre%c2%advidencia-so%c2%adci%c2%adal)
>  * [VI – CON­TRA­TO SUS­PEN­SO.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#vi-con%c2%adtra%c2%adto-sus%c2%adpen%c2%adso)
>  * [VII – APO­SEN­TA­DO­RIA POR IN­VA­LI­DEZ.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#vii-apo%c2%adsen%c2%adta%c2%addo%c2%adria-por-in%c2%adva%c2%adli%c2%addez)
>  * [VI­II – DO PRO­JE­TO DE LEI.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#vi%c2%adii-do-pro%c2%adje%c2%adto-de-lei)
>  * [IX – A REIN­TE­GRAÇÃO DO TRA­BA­LHA­DOR aidéti­co E A CIÊNCIA ACER­CA DA DO­ENÇA PE­LO EM­PRE­GA­DOR.](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#ix-a-rein%c2%adte%c2%adgracao-do-tra%c2%adba%c2%adlha%c2%addor-aideti%c2%adco%c2%a0e-a-ciencia-acer%c2%adca-da-do%c2%adenca-pe%c2%adlo-em%c2%adpre%c2%adga%c2%addor)
>  * [X – A ES­TA­BI­LI­DA­DE DO DO­EN­TE E DO POR­TA­DOR É RE­AL?](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#x-a-es%c2%adta%c2%adbi%c2%adli%c2%adda%c2%adde-do-do%c2%aden%c2%adte-e-do-por%c2%adta%c2%addor-e-re%c2%adal)
>  * [NO­TAS](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#no%c2%adtas)
>  * [RE­FERÊNCI­AS BI­BLI­O­GRÁFI­CAS](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#re%c2%adferenci%c2%adas-bi%c2%adbli%c2%ado%c2%adgrafi%c2%adcas)
>  * [Leia também](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#leia-tambem)
>  * [Relacionado](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3/#relacionado)

A Estabilidade do portador do vírus HIV

Nota Importante: O termo “[Aidético](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)”
é freqüentemente usado neste texto (se você clicar na palavra será levado ao final
do texto onde há uma breve explanação, de cunho pessoal, sobre o uso do termo).

Boa leitura.

Por Ma­ri­na Cor­dei­ro

SUMÁRIO: I – A AIDS – CON­CEI­TO E IN­TER­DIS­CI­PLI­NA­RI­DA­DE. II – A LE­GIS­LAÇÃO
ES­TRAN­GEI­RA. III – O DI­REI­TO PÁTRIO – AIDS – ES­TA­BI­LI­DA­DE. IV – OPERÁRIO
POR­TA­DOR E OPERÁRIO DO­EN­TE DE AIDS. V – DES­PE­DI­DA AN­TES DA CON­CESSÃO DE
AUXÍLIO DO­ENÇA PE­LA PRE­VIDÊNCIA SO­CI­AL. VI – CON­TRA­TO SUS­PEN­SO. VII – APO­SEN­TA­DO­RIA
POR IN­VA­LI­DEZ. VI­II – DO PRO­JE­TO DE LEI. IX – A REIN­TE­GRAÇÃO DO TRA­BA­LHA­DOR
ACO­ME­TI­DO PE­LA DO­ENÇA E A CIÊNCIA ACER­CA DA DO­ENÇA PE­LO EM­PRE­GA­DOR. X–
A ES­TA­BI­LI­DA­DE DO DO­EN­TE DE AIDS E DO POR­TA­DOR É RE­AL?

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### I – A AIDS – CON­CEI­TO E IN­TER­DIS­CI­PLI­NA­RI­DA­DE.

A “_AIDS_” ou SI­DA (Síndro­me da Imu­no­de­fi­ciência Ad­qui­ri­da) é uma do­ença
cau­sa­da por um vírus de DNA, que se trans­mi­te de di­ver­sas for­mas: através
da re­lação se­xu­al com pes­so­as in­fec­ta­das; através de trans­fusão de san­gue,
es­tan­do es­te con­ta­mi­na­do; através de se­rin­gas reu­ti­li­za­das com san­gue
de pes­so­as in­fec­ta­das, en­tre ou­tras pos­si­bi­li­da­des de con­ta­to en­tre
o san­gue do in­divíduo e o san­gue con­ta­mi­na­do.

Tal do­ença, ape­sar das di­ver­sas ten­ta­ti­vas no cam­po da me­di­ci­na, não 
pos­sui cu­ra, mas sim me­ros pa­li­a­ti­vos, ver­da­dei­ros co­quetéis de remédi­os,
dro­gas caríssi­mas. A **SI­DA**, co­mo me­re­ce ser re­co­nhe­ci­da em nos­sa língua
por­tu­gue­sa, cau­sa à imu­no­de­fi­ciência em to­do o sis­te­ma de de­fe­sa do
cor­po hu­ma­no, tor­nan­do-o fra­gi­li­za­do, e, sen­do as­sim, mais pro­pen­so
ao aces­so de agen­tes pre­ju­di­ci­ais, oca­si­o­nan­do, além do qua­dro ge­ral(
se­ja es­te ca­rac­te­ri­za­do pe­la fe­bre, do­res de ca­beça, per­da de pe­so),
al­gu­mas do­enças no esôfa­go, estôma­go, in­tes­ti­no, pulmões, e ou­tros órgãos
vi­tais.

Mui­tos de­vem se per­gun­tar por qual mo­ti­vo se tra­tar da SI­DA no cam­po do
di­rei­to. Ora, além de cons­ta­tar­mos ve­e­men­te­men­te a in­ter­dis­ci­pli­na­ri­da­de,
de­ve­mos lem­brar a que se pres­ta o di­rei­to, qual a sua fi­na­li­da­de; e, nu­ma
visão ti­da por mui­tos co­mo românti­ca, o di­rei­to se pres­ta a fa­ci­li­tar 
a vi­da em so­ci­e­da­de.

Nes­se di­a­pasão, faz-se mis­ter re­ve­lar que o [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
é ti­do ho­je co­mo pon­to de dis­cussão ao se de­pa­rar com a re­a­li­da­de da 
es­ta­bi­li­da­de no em­pre­go no cam­po das re­lações em­pre­gatíci­as do Di­rei­to
do Tra­ba­lho.

Os ques­ti­o­na­men­tos cer­ta­men­te ain­da con­ti­nu­am: e por que, não sen­do
a _AIDS_ uma do­ença que te­nha apa­re­ci­do ago­ra, so­men­te nes­ses últi­mos 
tem­pos, pas­sou-se a pro­cu­rar rei­vin­di­car, a bus­car os di­rei­tos tra­ba­lhis­tas
dos [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
s e dos por­ta­do­res do HIV? É in­du­bi­ta­vel­men­te sim­ples res­pon­der a es­te
ques­ti­o­na­men­to quan­do se apre­cia o fa­to de que até pou­co tem­po atrás o
[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
não pos­suía uma pre­sunção de con­ti­nuação de vi­da, acre­di­ta­va-se que es­sa,
na re­a­li­da­de, era pouquíssi­ma. Ho­je, os pa­li­a­ti­vos tra­zi­dos pe­la me­di­ci­na
le­vam a ve­ri­fi­car uma ex­pec­ta­ti­va de vi­da mai­or, e as­sim, pas­sa-se a
pro­cu­rar a per­se­cução dos di­rei­tos dos [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
s, dos por­ta­do­res de HIV, não só no cam­po do tra­ba­lho, co­mo também nos ou­tros
cam­pos do di­rei­to e da so­ci­e­da­de em si, vin­cu­lan­do to­dos os as­pec­tos
a ve­dação das práti­cas dis­cri­mi­natóri­as e pre­con­cei­tu­o­sas.

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### II – A LE­GIS­LAÇÃO ES­TRAN­GEI­RA.

A _AIDS_ não es­co­lhe lu­gar, pes­so­as, não há mais que es­tig­ma­ti­zar e se 
fa­lar em gru­pos de ris­co. Nes­se pa­ta­mar, há de se en­ten­der que em qual­quer
lu­gar do mun­do, se­ja o país con­si­de­ra­do de­sen­vol­vi­do ou não, há de se
de­pa­rar com a do­ença sem cu­ra.

Os Es­ta­dos Uni­dos bem sa­bem dis­so. Gas­tam mi­lhões de dóla­res por ano em 
pes­qui­sas de dro­gas bus­can­do a cu­ra do mal que afli­ge mi­lhões de ci­dadãos.
E no cam­po do Di­rei­to de Tra­ba­lho? Tra­zen­do a dis­cussão pa­ra a se­a­ra 
jurídi­ca, ve­ri­fi­que-se que os Es­ta­dos Uni­dos dis­cu­tem ca­so a ca­so pa­ra
que se dê uma de­cisão jurídi­ca. O que não pro­por­ci­o­na uma cer­ta se­gu­rança
pa­ra re­ve­lar co­mo se si­tu­am acer­ca da SI­DA e do em­pre­go. No en­tan­to,
em sua ge­ne­ra­li­da­de, sem aten­der as di­ver­sas le­gis­lações cri­a­das em 
um só país, em seus vári­os Es­ta­dos, a pro­teção ao tra­ba­lha­dor é re­gra, e
co­mo tal, tem seu caráter de igual­da­de en­tre tra­ba­lha­dor e em­pre­ga­dor.

A França, por sua vez, em 12 de ju­lho de 1990, apre­sen­tou a lei que então re­ve­la­va
a ino­vação. A par­tir des­se mo­men­to, ti­nha-se a cons­ta­tação de que as pes­so­as
es­ta­ri­am pro­te­gi­das por qual­quer ti­po de dis­cri­mi­nação, se­ja em razão
de saúde ou de in­ca­pa­ci­da­de ^([1]). Ve­ri­fi­que-se a uti­li­zação dos ter­mos:
_pro­te­gi­das e saúde, _mui­to bem sin­te­ti­za­dos pe­la le­gis­lação fran­ce­sa,
re­pre­sen­tan­do critéri­os de es­ta­bi­li­da­de e tra­zen­do a razão da ge­ne­ra­li­da­de
pa­ra o ter­mo do­ença.

Re­al­men­te, a le­gis­lação fran­ce­sa não abor­dou es­pe­ci­fi­ca­men­te a _AIDS_,
no en­tan­to trou­xe o ter­mo genéri­co do­ença, o que evi­den­ci­ou o be­nefício
de pro­teção no to­can­te à dis­cri­mi­nação, e, em as­sim sen­do, a des­pe­di­da
ar­bi­trária. ^([2]) Mui­tos dos dou­tri­na­do­res de­fen­dem es­ta te­se.

Se fos­se ana­li­sa­da a le­gis­lação fran­ce­sa à luz da le­gis­lação pátria, sob
es­sa ar­gu­men­tação in­ci­di­ria o princípio que bem as­se­gu­ra que so­men­te
não se po­de­ria apre­ci­ar o ter­mo do­ença e tra­zer os be­nefíci­os con­ti­dos
na nor­ma pa­ra o do­en­te e o por­ta­dor da AIDS, ca­so exis­tis­se uma lei es­pecífi­ca
que re­gu­la­men­tas­se tal do­ença. E, mes­mo as­sim, ca­so se ne­gas­se os be­nefíci­os
ao por­ta­dor ou ao [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito),
na lei es­pecífi­ca, de­ver-se-ia to­mar o tal acon­te­ci­men­to co­mo an­ti­no­mia
jurídi­ca e ob­ser­var em qual nor­ma os fins so­ci­ais são atin­gi­dos.

Des­sa ma­nei­ra, en­ten­de-se que a le­gis­lação fran­ce­sa tem co­mo te­se que
o do­en­te des­pe­di­do po­de­ria ser rein­te­gra­do ao em­pre­go, uma vez que ha­ve­ria
a questão da dis­cri­mi­nação.

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### III – O DI­REI­TO PÁTRIO – AIDS – ES­TA­BI­LI­DA­DE.

Mui­tos são os ar­gu­men­tos uti­li­za­dos pa­ra re­ve­lar se o do­en­te de AIDS
faz ou não jus à es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va ao em­pre­go.

A le­gis­lação bra­si­lei­ra ain­da é omis­sa no as­sun­to, não traz ex­pres­sa­men­te
se o por­ta­dor de tal do­ença de­ve ou não ter di­rei­to à es­ta­bi­li­da­de. E,
sen­do as­sim, al­guns re­ve­lam ser um ab­sur­do en­ten­der que o por­ta­dor da
SI­DA te­nha di­rei­to à es­ta­bi­li­da­de, vez que ha­ve­ria uma trans­gressão 
à re­gra res­tri­ti­va que elen­ca as “possíveis es­ta­bi­li­da­des”, se­jam es­tas
a es­ta­bi­li­da­de de­ce­nal ad­qui­ri­da, a es­ta­bi­li­da­de sin­di­cal, a es­ta­bi­li­da­de
da em­pre­ga­da ges­tan­te, a es­ta­bi­li­da­de do di­re­tor de co­o­pe­ra­ti­va
de em­pre­ga­dos, a es­ta­bi­li­da­de de mem­bro da CI­PA, a es­ta­bi­li­da­de do
em­pre­ga­do aci­den­ta­do.

Es­sa visão técni­ca é to­tal­men­te dis­cre­pan­te e por­que não di­zer inócua,
uma vez que o Di­rei­to não é um me­ro con­jun­to de leis, o Di­rei­to é um sis­te­ma
que de­ve an­dar de mãos da­das com a jus­tiça. Se­ria jus­to não ter o aco­me­ti­do
pe­la AIDS es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va ao em­pre­go, no país que se cha­ma Bra­sil?
Se­ria jus­to não ter tal es­ta­bi­li­da­de, se a qual­quer mo­men­to po­de­ria 
ser de­mi­ti­do e pa­go a ele uma cer­ta quan­tia co­mo for­ma de in­de­ni­zação,
ca­so fos­se sem jus­ta cau­sa? É to­tal­men­te visível que ele não en­con­tra­ria
um em­pre­go fa­cil­men­te, se­ja pe­la dis­cri­mi­nação que exis­te, mes­mo sen­do
ve­da­da, in­clu­si­ve não se per­mi­tin­do que se faça es­se ti­po de res­trição;
se­ja pe­la fal­ta de co­nhe­ci­men­to; se­ja pe­lo próprio mer­ca­do de tra­ba­lho;
se­jam pe­los di­as que o por­ta­dor te­ria de fal­tar ao tra­ba­lho por es­tar 
em mais uma cri­se na do­ença.

Ou­tro ar­gu­men­to bas­tan­te uti­li­za­do de for­ma a ne­gar a es­ta­bi­li­da­de
ao por­ta­dor do HIV é o princípio da igual­da­de. Diz o ar­ti­go 5º, ca­put, da
Cons­ti­tuição Fe­de­ral: “_To­dos são iguais pe­ran­te a lei, sem dis­tinção de
qual­quer na­tu­re­za, ga­ran­tin­do-se aos bra­si­lei­ros e aos es­tran­gei­ros
re­si­den­tes no País a in­vi­o­la­bi­li­da­de do di­rei­to à vi­da, à li­ber­da­de,
à igual­da­de, à se­gu­rança e à pro­pri­e­da­de, nos ter­mos se­guin­tes_“.(gri­fo
nos­so). Di­zem cer­tos dou­tri­na­do­res e ma­gis­tra­dos, que cons­ti­tui­ria 
uma de­si­gual­da­de ar­bi­trária con­ce­der es­ta­bi­li­da­de ao por­ta­dor do 
vírus HIV, em fa­ce de não ha­ver pre­ce­den­tes de se con­ce­der pa­ra por­ta­do­res
de ou­tras do­enças, co­mo é o ca­so da le­pra ^([3]).

Es­se ar­gu­men­to de­ve ser, sem som­bra de dúvi­das, mui­to bem ana­li­sa­do, 
mas não no sen­ti­do de fa­zer des­me­re­cer a es­ta­bi­li­da­de pa­ra o por­ta­dor
do HIV, e sim ino­van­do, ten­tan­do fa­zer com que também pas­sem a me­re­cer es­sa
es­ta­bi­li­da­de não só os por­ta­do­res do vírus HIV, alon­gan­do es­sa prer­ro­ga­ti­va
a por­ta­do­res de ou­tras do­enças si­mi­la­res.

Os que afir­mam a es­ta­bi­li­da­de fa­zem uso de ar­gu­men­tos con­trári­os aos
an­te­ri­o­res, e tra­zen­do a fa­ta­li­da­de re­al que a AIDS re­pre­sen­ta pa­ra
os que são por­ta­do­res e as con­seqüênci­as tra­zi­das pa­ra o res­to de su­as
vi­das.

A Me­di­ci­na e o Di­rei­to são ciênci­as que li­dam com vi­das, e dis­so os ci­en­tis­tas
da área jurídi­ca ja­mais po­derão es­que­cer. No ca­so da _AIDS_, por ex­em­plo,
a me­di­ci­na bus­ca, con­ce­de os pa­li­a­ti­vos e ten­ta a to­do cus­to co­nhe­cer
a cu­ra do mal tão mutável; já o Di­rei­to tem de pro­te­ger o por­ta­dor, sua vi­da,
sua dig­ni­da­de, seus di­rei­tos, o Di­rei­to não po­de con­ti­nu­ar ofe­re­cen­do
so­men­te os pa­li­a­ti­vos, co­mo é o ca­so da con­cessão que faz acer­ca do FGTS,
de­mons­tran­do que o do­en­te [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
po­de le­van­tar a qual­quer mo­men­to o seu fun­do de ga­ran­tia por tem­po de 
ser­viço, o Di­rei­to tem de ir também em bus­ca do ide­al da jus­tiça, de­ve for­ne­cer
ba­ses pa­ra a sa­tis­fação do ho­mem, o por­ta­dor do HIV ne­ces­si­ta de es­ta­bi­li­da­de
em­pre­gatícia, ele não po­de con­ti­nu­ar a mercê das even­tu­a­li­da­des.

Co­mo já fo­ra re­ve­la­do, há de se per­ce­ber que já exis­tem cer­tas pre­cauções
quan­to às ne­ces­si­da­des do por­ta­dor do HIV, in­clu­si­ve a Lei 7.670, em seu
ar­ti­go pri­mei­ro, per­mi­te que os por­ta­do­res da SI­DA le­van­tem os va­lo­res
cor­res­pon­den­tes ao FGTS, in­de­pen­den­te de res­cisão do con­tra­to in­di­vi­du­al
de tra­ba­lho, ou de qual­quer ou­tro ti­po de pecúlio a que o pa­ci­en­te te­nha
di­rei­to.

No en­tan­to, não se ne­ces­si­ta so­men­te de pa­li­a­ti­vos, es­tes não bas­tam.
Po­de ser co­lo­ca­da em pau­ta, in­clu­si­ve, a questão de ci­da­da­nia no for­ne­ci­men­to
a es­ta­bi­li­da­de ao [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito),
se­ria até mes­mo uma for­ma de di­ri­mir a questão da dis­cri­mi­nação e fal­ta
de res­pei­to com o ser hu­ma­no, se­ria mais uma bar­rei­ra que o ho­mem trans­pas­sa­ria
pa­ra que se che­gas­se à ver­da­dei­ra lógi­ca da existência do Di­rei­to, se­ja
es­ta tor­nar mais fácil as re­lações hu­ma­nas, sem que se ab­di­que do di­rei­to
à dig­ni­da­de. De­ve-se, pois, co­lo­car em pau­ta um me­ca­nis­mo efi­caz a ini­bir
a des­pe­di­da ar­bi­trária, e es­se me­ca­nis­mo, ao en­ten­di­men­to mais pon­de­ra­do,
se­ria jus­ta­men­te o di­rei­to à es­ta­bi­li­da­de no em­pre­go.

In­fe­liz­men­te, es­te gran­de país, e po­de-se até fa­lar em re­lação ao mun­do,
gi­ra em tor­no de pre­con­cei­to e dis­cri­mi­nação, e o por­ta­dor da “_AIDS_”
é aco­me­ti­do de dis­cri­mi­nações e pre­con­cei­tos. Não se po­de, por­tan­to,
dei­xar que is­so se per­faça aos ce­gos olhos da cúpu­la jurídi­ca e que, por fim,
não te­nha ele se­quer di­rei­to a um em­pre­go, e es­ta­bi­li­da­de a es­se em­pre­go.
E, se já se tor­na bas­tan­te difícil o operário en­ca­rar um cam­po de tra­ba­lho
de­vi­do às di­ver­sas exigênci­as do mun­do mo­der­no, se­jam es­tas co­mo di­ver­sas
qua­li­fi­cações, for­mações, en­tre ou­tros as­pec­tos, ima­gi­ne-se então pa­ra
o operário que ago­ra se co­lo­ca em pau­ta: o em­pre­ga­do por­ta­dor do Vírus 
HIV e o operário do­en­te.

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### IV – OPERÁRIO POR­TA­DOR E OPERÁRIO 󠀁[AIDÉTI­CO](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)󠁿.

Mui­tos de­vem es­tar se per­gun­tan­do se es­sa di­fe­ren­ciação de ter­mos per­ti­ne
ao as­sun­to ou não. To­tal­men­te apro­pri­a­da a análi­se dos ter­mos por­ta­dor
e do­en­te pro­pri­a­men­te di­to, vez que per­fa­zem du­as pos­si­bi­li­da­des 
do ca­so ora em pau­ta. Até o pre­sen­te mo­men­to, tra­tou-se do por­ta­dor do 
vírus HIV e do do­en­te co­mo ter­mos sinôni­mos, co­mo uma mes­ma re­a­li­da­de,
fa­zen­do in­clu­si­ve al­gu­mas afir­mações errône­as no que con­cer­ne ao por­ta­dor
ca­so se­ja le­va­da em con­ta a ver­da­dei­ra noção do ter­mo “por­ta­dor do vírus
HIV”.

Nes­te exa­to mo­men­to, faz-se mis­ter vis­lum­brar as ca­rac­terísti­cas própri­as
de ca­da um des­ses ter­mos e en­ten­der por­que a di­fe­ren­ciação en­tre eles 
faz-se tão ne­cessária pa­ra o Di­rei­to do Tra­ba­lho.

O por­ta­dor do vírus HIV, co­mo se re­ve­la em seu próprio ter­mo, é aque­le aco­me­ti­do
pe­lo vírus, mas que, no en­tan­to, ape­nas o por­ta cris­ta­li­za­do, em período
de in­cu­bação, que po­derá du­rar pou­co tem­po ou um período longínquo. Es­te 
pos­sui o vírus, mas os sin­to­mas físi­cos da do­ença ain­da não fo­ram ma­ni­fes­ta­dos.

O do­en­te pro­pri­a­men­te di­to, por sua vez, de­no­mi­na-se co­mo aque­le em 
que o período de in­cu­bação já pas­sou, ten­do o vírus agin­do em seu cor­po pron­ta­men­te,
pas­san­do a sen­tir os sin­to­mas da do­ença e sua ex­te­ri­o­ri­zação na for­ma
de in­fecções, e ou­tros pro­ble­mas de­cor­ren­tes da fra­gi­li­da­de cau­sa­da
pe­la imu­no­de­fi­ciência do seu cor­po.

As­sim, o por­ta­dor do vírus HIV le­va uma vi­da co­mo a de qual­quer in­divíduo
nor­mal, de­ven­do to­mar pre­cauções pa­ra não con­ta­mi­nar ou­tras pes­so­as 
e cui­da­dos com sua própria saúde. O seu tra­ba­lho não se tor­na pre­ju­di­ca­do
em ter­mos de ca­pa­ci­da­de, a em­pre­sa não so­fre com is­so, nem de­ve, na visão
mais dig­na, de­mi­ti-lo sem jus­ta cau­sa, pois oca­si­o­na­ria uma visível dis­cri­mi­nação
e até mes­mo abu­so de po­der, e fa­tal­men­te ten­der-se-ia pa­ra a questão da 
rein­te­gração.

Já o do­en­te de AIDS apre­sen­ta um qua­dro clíni­co di­fe­ren­ci­a­do, seus sin­to­mas
físi­cos são ve­ri­fi­ca­dos, a si­tuação é mais evi­den­ci­a­da que a do por­ta­dor,
uma vez que co­mo já está em fa­se mais avançada da do­ença, seu tra­ba­lho po­de
pas­sar a ser pre­ju­di­ca­do, pre­ju­di­can­do, em con­seqüência a em­pre­sa, pe­las
inúme­ras com­pli­cações da do­ença, bem co­mo pe­las possíveis fal­tas ao tra­ba­lho
pa­ra tra­ta­men­tos médi­cos. As­sim, mui­tos en­ten­dem que nes­se ca­so, não 
ha­ve­ria pos­si­bi­li­da­de do in­divíduo se man­ter no em­pre­go. No en­tan­to,
de­ve-se pen­sar na questão da fi­na­li­da­de so­ci­al da Lei e do Di­rei­to, de­ve-
se pen­sar pe­lo la­do da jus­tiça. Se­ria jus­to uma pes­soa nas con­dições de 
do­en­te, com o qua­dro médi­co agra­va­do, ser ti­ra­da in­jus­ta­men­te do em­pre­go
quan­do mais pre­ci­sa de­le, prin­ci­pal­men­te pa­ra pa­gar aos tra­ta­men­tos
e me­di­ca­men­tos? A Lei de In­tro­dução ao Códi­go Ci­vil per­fei­ta­men­te nos
as­se­gu­ra que a Lei de­ve bus­car o fim so­ci­al. E o fim so­ci­al pa­ra es­te
ca­so é a es­ta­bi­li­da­de.

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### V – DES­PE­DI­DA AN­TES DA CON­CESSÃO DE AUXÍLIO DO­ENÇA PE­LA PRE­VIDÊNCIA SO­CI­AL.

Par­tin­do-se da pre­mis­sa que os aba­los físi­cos da do­ença já se en­con­tram
e se vis­lum­bram, já ha­ven­do de­ter­mi­na­das fal­tas do em­pre­ga­do ao tra­ba­lho,
de­vi­do às do­enças que pas­sam a fra­gi­li­zar ain­da mais o do­en­te de AIDS,
e nos pri­mei­ros quin­ze di­as, an­tes de ha­ver a con­cessão por par­te da pre­vidência
do auxílio do­ença, o in­divíduo fos­se de­mi­ti­do pe­lo em­pre­ga­dor, le­van­ta-
se a temáti­ca.

Não se faz óbi­ce al­gum ao se fa­lar em período de in­ter­rupção do con­tra­to 
de tra­ba­lho nos quin­ze pri­mei­ros di­as do afas­ta­men­to que de­cor­re de do­ença.
Co­mo se fa­la em in­ter­rupção, fa­la-se em con­ta­gem de tem­po de ser­viço, per­cepção
de salário pa­go pe­la em­pre­sa. Re­ve­la AR­NAL­DO SÜSSE­KIND em sua obra Ins­ti­tuições
de Di­rei­to do Tra­ba­lho: “_No que tan­ge à en­fer­mi­da­de do em­pre­ga­do ou
in­ca­pa­ci­da­de bi­ológi­ca de na­tu­re­za pre­su­mi­da­men­te tran­sitória, se­ja
ou não re­sul­tan­te do tra­ba­lho, in­cum­be ao em­pre­ga­dor pa­gar-lhe o salário
in­te­gral du­ran­te os pri­mei­ros quin­ze di­as de afas­ta­men­to, con­fi­gu­ran­do-
se, nes­te ca­so, a in­ter­rupção da pres­tação de ser­viço”. ^([4])_ Nes­se pon­to,
pe­ca-se um pou­co ao uti­li­zar-se do ter­mo _pre­su­mi­da­men­te tran­sitória_,
uma vez que le­va aos lei­to­res a errônea tendência de pen­sar que ca­so não fos­se
a do­ença não se ca­rac­te­ri­za des­sa ma­nei­ra, não se po­de­ria atri­buir a 
in­ter­rupção do con­tra­to de tra­ba­lho. Por ou­tro la­do, em cer­tos ca­sos, 
é re­al a apli­cação do ter­mo, uma vez que as do­enças oriun­das com a imu­no­de­fi­ciência
do sis­te­ma de de­fe­sa do cor­po hu­ma­no são na mai­o­ria das ve­zes in­fecções
tran­sitóri­as. Des­sa for­ma, ve­ri­fi­que-se que o en­ten­di­men­to de­fen­di­do
é que a do­ença per­ce­bi­da pe­lo ins­ti­tu­to da in­ter­rupção do con­tra­to de
tra­ba­lho não é a _AIDS_ em si, mas sim as com­pli­cações, as ou­tras do­enças 
vin­das após a ela, uma vez que se lu­ta em fa­vor da es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va
do em­pre­go no em­pre­go, e não me­ra­men­te através de in­ter­rupção, sus­pensão,
apo­sen­ta­do­ria, en­tre ou­tros.

Re­ve­la ain­da SÜSSE­KIND em sua já ci­ta­da obra: “_Após es­se pra­zo, per­sis­tin­do
a in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o exercício da cor­res­pon­den­te função, cum­prirá ao
INSS a con­cessão do auxílio-do­ença”. ^([5])_ Mais uma vez, a ar­gu­men­tação tra­zi­da
ao de­sen­vol­ver des­ta ar­gu­men­tação é com­pro­va­da no di­zer que a in­ter­rupção
não se dará pe­la do­ença _AIDS_, mas sim pe­las ou­tras do­enças de­pois de sur­gi­das
de­vi­do a es­ta pri­mei­ra, já que pe­la própria análi­se do por­ta­dor do vírus
HIV, ve­ri­fi­cou-se que ele não é in­ca­paz pa­ra o exercício da função. E, ain­da
o do­en­te pro­pri­a­men­te di­to, es­te também não é in­ca­paz pa­ra o exercício
da função de­ter­mi­na­da, mas _está_ in­ca­paz du­ran­te al­gum tem­po por ter 
ad­qui­ri­do al­gu­ma do­ença, em vir­tu­de da fra­gi­li­zação de seu sis­te­ma 
imu­nológi­co.

As­sim, se o em­pre­ga­do fos­se de­mi­ti­do nos pri­mei­ros quin­ze di­as, não 
fa­ria _jus_ ao auxílio do­ença pa­go pe­la Pre­vidência So­ci­al, já que a sus­pensão
do con­tra­to de tra­ba­lho se­ria a par­tir do déci­mo sex­to dia, uma vez que 
não mais se tra­ta­ria de período de in­ter­rupção e a em­pre­sa não te­ria mais
que con­tar o período em que o tra­ba­lha­dor está sem de­sen­vol­ver su­as ati­vi­da­des
la­bo­rais co­mo tem­po de ser­viço, nem pa­gar o salário a es­te.

No­te-se, por­tan­to, que tal des­pe­di­da ci­ta­da an­te­ri­or­men­te, de­ve ser
ti­da co­mo uma des­pe­di­da ar­bi­trária, uma vez que fa­ria óbi­ce a ob­tenção
do be­nefício da Pre­vidência So­ci­al. Des­sa for­ma, ca­so a des­pe­di­da ocor­ra,
nes­sas con­dições, en­ten­de-se ser to­tal­men­te abran­gi­da pe­lo fenôme­no da
rein­te­gração.

No en­tan­to, de­ve-se ve­ri­fi­car a pos­si­bi­li­da­de des­te en­ten­di­men­to
não ser tão pacífi­co quan­to apa­ren­ta, uma vez que há aque­le pen­sa­men­to po­si­ti­vis­ta
de que até então ape­nas ha­ve­ria me­ra ex­pec­ta­ti­va de di­rei­to.

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### VI – CON­TRA­TO SUS­PEN­SO.

Mas, em es­tan­do o con­tra­to de tra­ba­lho sus­pen­so, o em­pre­ga­dor po­de­ria
se va­ler de seu po­der e de­mi­tir o em­pre­ga­do do­en­te? Lo­gi­ca­men­te não.
Co­mo não há exe­cução do con­tra­to de tra­ba­lho, ou se­ja, ele está sus­pen­so,
o em­pre­ga­dor não po­de­ria des­pe­dir o em­pre­ga­do nes­se período. E, em is­so
ocor­ren­do, en­ten­de-se pe­la rein­te­gração.

A sus­pensão do con­tra­to de tra­ba­lho vi­ria, no ca­so em pau­ta, com a con­cessão
do auxílio do­ença pe­la pre­vidência.

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### VII – APO­SEN­TA­DO­RIA POR IN­VA­LI­DEZ.

To­tal­men­te in­con­cebível nos di­ta­mes da es­ta­bi­li­da­de no ca­so do por­ta­dor
do vírus HIV e do do­en­te de _AIDS_. Ora, o do­en­te e o por­ta­dor têm ca­pa­ci­da­de
la­bo­ral, a do­ença não vem a di­mi­nuir es­sa ca­pa­ci­da­de, ex­ce­to quan­do
agra­va­da pe­las in­fecções. Mas, mes­mo nes­se ca­so, di­mi­nuin­do a ca­pa­ci­da­de,
não se fa­ria _jus _à apo­sen­ta­do­ria por in­va­li­dez, co­mo mui­tos en­ten­dem,
uma vez que a re­so­lução mais acer­ta­da se­ria o em­pre­ga­dor mo­di­fi­car a 
função do em­pre­ga­do ca­so is­so vi­es­se a ocor­rer. Ade­mais, o do­en­te de 
_AIDS_ e o por­ta­dor do vírus ne­ces­si­tam da con­vivência so­ci­al e pro­fis­si­o­nal,
e também não há ris­co de trans­missão da do­ença no lo­cal de tra­ba­lho, se to­ma­das
as de­vi­das pre­cauções. Além do mais, é de­ver da em­pre­sa, pos­si­bi­li­tar 
a in­for­mação aos operári­os de co­mo se pro­te­ger, bem co­mo a so­li­da­ri­e­da­de
só vi­ria a for­ti­fi­car a lu­ta pe­la acei­tação so­ci­al do [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito).

Com a apo­sen­ta­do­ria, o do­en­te per­de­ria to­dos os be­nefíci­os que o convívio
pro­fis­si­o­nal vi­ria a tra­zer à sua vi­da. Ade­mais, a apo­sen­ta­do­ria por
in­va­li­dez, de­ve tra­zer em sua es­tru­tu­ra a in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o tra­ba­lho
e a in­sus­cetível re­a­bi­li­tação, o que só vi­ria a ocor­rer pa­ra o [aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)
pro­pri­a­men­te di­to, e mes­mo as­sim, ten­do es­te com­pro­va­da­men­te pe­lo
seu qua­dro de agra­va­men­to da do­ença im­pos­si­bi­li­da­de de me­lho­ras, co­mo
aque­le que veio a ad­qui­rir um câncer sem pos­si­bi­li­da­des de re­troação, em
que se con­fi­gu­re a in­ca­pa­ci­da­de pa­ra qual­quer ti­po de ati­vi­da­de la­bo­ral.

### VI­II – DO PRO­JE­TO DE LEI.

Atu­al­men­te, en­con­tra-se em pau­ta, nes­te país, um Pro­je­to de Lei do se­na­dor
Júlio Cam­pos ^([6]), no sen­ti­do de pro­por­ci­o­nar mai­or se­gu­rança ao do­en­te
de AIDS em re­lação à ga­ran­tia, até que se­ja da­da a apo­sen­ta­do­ria por in­va­li­dez.

Um pro­je­to de lei que bus­que es­ta­bi­li­da­de pa­ra es­te do­en­te é um óti­mo
co­meço a que­brar as bar­rei­ras do pre­con­cei­to e da dis­cri­mi­nação. No en­tan­to,
após ter-se ana­li­sa­do o fa­tor apo­sen­ta­do­ria por in­va­li­dez, de­ve-se ob­ser­var
o pro­je­to com olhos críti­cos e en­ten­der que tal apo­sen­ta­do­ria só de­ve­ria
se dar quan­do se de­no­tas­se a in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o tra­ba­lho, nas con­dições
que fo­ram an­te­ri­or­men­te elen­ca­das. E, não acei­tar que a apo­sen­ta­do­ria
por in­va­li­dez ve­nha ape­nas a re­ti­rar do cam­po de tra­ba­lho um ser hu­ma­no
que pos­sua ple­nas con­dições la­bo­rais. De­ve-se aten­tar pa­ra que no fu­tu­ro
a própria lei não per­mi­ta ve­e­men­te­men­te dis­cri­mi­nação e pre­con­cei­to.

O pro­je­to, em si mes­mo, dispõe acer­ca da es­ta­bi­li­da­de do em­pre­ga­do por­ta­dor
do vírus HIV, ve­dan­do a des­pe­di­da ar­bi­trária.

De cer­to mo­do, ana­li­sa­do pe­lo âmbi­to cons­ti­tu­ci­o­nal, o pro­je­to já 
se en­con­tra atra­sa­do, uma vez que a lei cons­ti­tu­ci­o­nal já dispõe in­trin­se­ca­men­te
do caráter pro­te­ci­o­nis­ta de mo­do até mais am­plo que co­mo é tra­zi­do pe­lo
pro­je­to, mas que, no en­tan­to, os Kel­se­ni­a­nos, po­si­ti­vis­tas ex­tre­ma­dos,
não con­se­guem en­ten­der.

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### IX – A REIN­TE­GRAÇÃO DO TRA­BA­LHA­DOR 󠀁[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)󠁿 E A CIÊNCIA ACER­CA DA DO­ENÇA PE­LO EM­PRE­GA­DOR.

E, ao se fa­lar na questão da rein­te­gração do tra­ba­lha­dor ao em­pre­go sur­ge
uma no­va pro­blemáti­ca: qual­quer do­en­te ou por­ta­dor do vírus HIV que for 
des­pe­di­do po­derá ter di­rei­to à rein­te­gração?

Co­mo dis­sen­so em dis­cussão dou­trinária e ju­ris­pru­den­ci­al, a mai­o­ria 
re­ve­la que a rein­te­gração só po­derá ser ad­mi­ti­da quan­do o em­pre­ga­dor
ao tem­po da des­pe­di­da já ha­via si­do in­for­ma­do da do­ença, di­fe­ren­te 
do que ocor­re no ca­so da em­pre­ga­da ges­tan­te, que mes­mo o em­pre­ga­dor não
sa­ben­do da gra­vi­dez, ela faz _jus_ à rein­te­gração.

Se­gun­do as­se­gu­ra MAU­RO CÉSAR MAR­TINS DE SOU­ZA, “_ha­ven­do pro­va de que
o tra­ba­lha­dor é por­ta­dor da Síndro­me de De­fi­ciência Imu­nológi­ca Ad­qui­ri­da–
SI­DA (HIV re­a­gen­te) -, ou se­ja, so­ro­po­si­ti­vo aco­me­ti­do da AIDS, e que
o em­pre­ga­dor ti­nha prévio co­nhe­ci­men­to de tal do­ença, o mes­mo não po­de
ser dis­pen­sa­do, imo­ti­va­da­men­te, sob pe­na de ca­rac­te­ri­zar-se dis­cri­mi­nação”.
^([7])_

Des­sa for­ma, ob­ser­ve-se a ju­ris­prudência tra­zi­da por MAU­RO CÉSAR MAR­TINS
DE SOU­ZA: **_Rein­te­gração. Em­pre­ga­do por­ta­dor do vírus da AIDS. _**_Não 
obs­tan­te ine­xis­ta no or­de­na­men­to jurídi­co lei que ga­ran­ta a per­manência
no em­pre­go do por­ta­dor da Síndro­me da Imu­no­de­fi­ciência Ad­qui­ri­da – AIDS,
não se po­de con­ce­ber que o em­pre­ga­dor, mu­ni­do de po­der po­tes­ta­ti­vo 
que lhe é con­fe­ri­do, pos­sa des­pe­dir de for­ma ar­bi­trária e dis­cri­mi­natória
o em­pre­ga­do após to­mar ciência de que es­te é por­ta­dor do vírus HIV – Tal 
pro­ce­di­men­to afron­ta o princípio fun­da­men­tal da iso­no­mia ins­cul­pi­do
no ca­put do ar­ti­go quin­to da Cons­ti­tuição Fe­de­ral.”(gri­fo nos­so). _(TST,
nos ERR n° 205359/1995, Ac. da SB­DI 1, Rel.: Min. LE­O­NAR­DO SIL­VA, in DJU de
14/05/1999, p.43). ^([8])

De cer­ta mo­do, po­de-se di­zer que quan­do o em­pre­ga­dor não to­mou ciência 
da si­tuação do em­pre­ga­do, mes­mo que se­ja re­al­men­te mais en­tendível que
não se cons­ti­tui uma des­pe­di­da ar­bi­trária, tem-se pro­ce­di­do no sen­ti­do
de por acor­dos, se per­fa­zer a rein­te­gração, o que re­pre­sen­ta um gran­de 
avanço.

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### X – A ES­TA­BI­LI­DA­DE DO DO­EN­TE E DO POR­TA­DOR É RE­AL?

A es­ta­bi­li­da­de do do­en­te e do por­ta­dor do vírus HIV não po­de ser me­ra­men­te
ana­li­sa­da à luz da le­gis­lação, nem tam­pou­co em afir­mações ou ne­ga­ti­vas,
sem o vis­lum­bra­men­to de um es­tu­do mais apu­ra­do acer­ca do as­sun­to em te­la.

Diz a Cons­ti­tuição Fe­de­ral, no in­ci­so IV, do ar­ti­go 3º: “_Cons­ti­tu­em 
ob­je­ti­vos fun­da­men­tais da Repúbli­ca Fe­de­ra­ti­va do Bra­sil: pro­mo­ver
o bem de to­dos, sem pre­con­cei­tos de ori­gem, raça, se­xo, cor, ida­de e quais­quer
ou­tras for­mas de dis­cri­mi­nação_“. (gri­fo nos­so). Em meio a análi­se do ar­ti­go
da Lei Mai­or, de­ve-se crer na ori­gem cons­ti­tu­ci­o­nal da es­ta­bi­li­da­de,
vi­sa­da na si­tuação em pau­ta, uma vez que a es­ta­bi­li­da­de é a úni­ca for­ma
de mi­nar o pre­con­cei­to es­pecífi­co aos do­en­tes in­curáveis.

Nes­ses di­ta­mes, diz a Cons­ti­tuição Fe­de­ral em seu ar­ti­go 7º, I “_São di­rei­tos
dos tra­ba­lha­do­res ur­ba­nos e ru­rais, além de ou­tros que vi­sem à me­lho­ria
de sua con­dição so­ci­al: re­lação de em­pre­go pro­te­gi­da con­tra des­pe­di­da
ar­bi­trária ou sem jus­ta cau­sa, nos ter­mos de lei com­ple­men­tar, que pre­verá
in­de­ni­zação com­pen­satória, den­tre ou­tros di­rei­tos_“.(gri­fo nos­so). No
en­tan­to, ob­ser­ve-se a omissão de lei com­ple­men­tar que faça exe­cu­tar tal
nor­ma cons­ti­tu­ci­o­nal, uma vez que o dis­po­si­ti­vo abs­tra­to não é au­to-
aplicável.

Re­ve­la a lei 9.029/95, em­bo­ra não des­ti­na­da es­pe­ci­fi­ca­men­te ao aco­me­ti­do
por es­ta do­ença e ao por­ta­dor do seu vírus, que não po­de ha­ver rup­tu­ra da
re­lação de em­pre­go por ato dis­cri­mi­natório. En­ten­da-se des­sa for­ma que,
nes­se di­a­pasão, já se des­car­ta a pos­si­bi­li­da­de de des­pe­di­da ar­bi­trária,
pe­lo em­pre­ga­dor e se prevê a pron­ta rein­te­gração. Se­gun­do in­ci­ta o art.
4º da ci­ta­da lei nes­tes mol­des: “_O rom­pi­men­to da re­lação de tra­ba­lho 
por ato dis­cri­mi­natório, nos mol­des des­ta lei, fa­cul­ta ao em­pre­ga­do op­tar
en­tre: I – a re­ad­missão com res­sar­ci­men­to in­te­gral de to­do o período de
afas­ta­men­to, me­di­an­te pa­ga­men­to das re­mu­ne­rações de­vi­das, cor­ri­gi­das
mo­ne­ta­ri­a­men­te, acres­ci­das dos ju­ros le­gais; II – a per­cepção, em do­bro,
da re­mu­ne­ração do período de afas­ta­men­to, cor­ri­gi­da mo­ne­ta­ri­a­men­te
e acres­ci­da dos ju­ros le­gais_“. Co­mo se po­de in­fe­rir, a lei em pau­ta de­ve
ser apli­ca­da pa­ra ca­sos on­de se per­ce­ba a dis­cri­mi­nação não só pa­ra efei­tos
de con­ti­nuação do víncu­lo em­pre­gatício, mas também pa­ra ad­missão no em­pre­go.
Em sen­do as­sim, o por­ta­dor do vírus ou o do­en­te não po­de ser obri­ga­do a
pres­tar-se à re­a­li­zação de exa­mes que co­lo­que em pau­ta tal con­dição e, 
ain­da, não de­ve por even­tu­al con­dição de saúde ser dis­cri­mi­na­do, sob pe­na
da sanção an­te­ri­or­men­te des­cri­ta ser im­pos­ta.

No to­can­te ao por­ta­dor do vírus HIV, não há óbi­ce a man­tença do em­pre­go,
re­fe­ren­te ao seu es­ta­do de por­ta­dor. Is­to ca­rac­te­ri­za­ria uma dis­cri­mi­nação,
e sen­do as­sim ter-se-á a rein­te­gração ci­ta­da pe­la Lei 9.029/95. Além dis­so,
os Tri­bu­nais vêm en­ten­den­do que ca­so se faça o exa­me de­mis­si­o­nal e se
ob­ser­ve a existência da do­ença, a anu­lação da des­pe­di­da de­ve ser aten­di­da,
o que vem acon­te­cen­do ul­ti­ma­men­te.

Já ana­li­san­do o do­en­te pro­pri­a­men­te di­to, nes­se per­calço é que se de­ve
ser ain­da mais ati­nen­te à es­ta­bi­li­da­de no em­pre­go, tan­to é que se le­van­ta
a hipóte­se da ex­pec­ta­ti­va de di­rei­to aos be­nefíci­os do auxílio do­ença 
em re­ferência à sus­pensão do con­tra­to de tra­ba­lho, so­bre­ma­nei­ra que a 
dis­pen­sa sem jus­ta cau­sa é proi­bi­da por im­pe­dir a con­cessão dos di­rei­tos
pre­vi­den­ciári­os, se­jam es­tes a apo­sen­ta­do­ria (não de­fen­di­da nes­ta 
ar­gu­men­tação) e o auxílio-do­ença.

No en­tan­to, ape­sar de es­tar-se re­la­tan­do al­gu­mas hipóte­ses, a dis­cussão
em pau­ta de­ve­ria ter jus­ta­men­te co­mo pre­mis­sa à es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va
do do­en­te e do por­ta­dor co­mo au­ge e não as me­ras even­tu­a­li­da­des que 
po­dem ocor­rer.

To­dos de­vem se po­si­ci­o­nar a fa­vor da es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va, de mo­do
a im­pe­dir a des­pe­di­da ar­bi­trária. Ser a fa­vor da es­ta­bi­li­da­de re­la­ti­va,
que pos­si­bi­li­te a rein­te­gração do do­en­te quan­do for des­pe­di­do sem um
jus­to mo­ti­vo por par­te do em­pre­ga­dor. Não se po­de acei­tar que o in­di­vi­duo
se­ja des­pe­di­do sem um mo­ti­vo jus­to e que em tro­ca de seu em­pre­go re­ce­ba
uma me­ra in­de­ni­zação. E a dig­ni­fi­cação do tra­ba­lho hu­ma­no, on­de fi­ca­ria?
Pre­ci­sa-se do em­pre­go.

Co­men­tou-se ini­ci­al­men­te que vári­as são as te­ses fun­da­men­ta­das pe­los
dou­tri­na­do­res bra­si­lei­ros que se de­di­cam no as­sun­to, a ex­em­plo de Mau­ro
César Mar­tins: uns ten­dem a de­fen­der a ins­ta­bi­li­da­de do do­en­te de _AIDS_,
por fal­ta de am­pa­ro le­gal; ou­tros se re­fu­tam também na ins­ta­bi­li­da­de
des­te, só que to­man­do por ba­se o princípio da igual­da­de, já que do­en­tes 
de molésti­as, co­mo a han­seníase, nun­ca ti­ve­ram tal es­ta­bi­li­da­de (es­sa
te­se po­de ser apre­ci­a­da ti­da co­mo a igual­da­de de­si­gual – to­tal­men­te
des­pro­te­ci­o­nis­ta); há ain­da aque­les que fa­zem uma mes­cla­gem dos dois 
ar­gu­men­tos aci­ma ci­ta­dos e es­que­cem que es­te do­en­te é um ser hu­ma­no,
e es­que­cem o próprio princípio da igual­da­de ma­te­ri­al, le­van­do em con­ta
me­ra­men­te a igual­da­de for­mal e es­que­cen­do os fins so­ci­ais do Di­rei­to;
ain­da bem que exis­tem aque­les que lu­tam pe­la es­ta­bi­li­da­de des­ses in­divídu­os,
em­bo­ra al­guns com ar­gu­men­tos não tão bem es­tru­tu­ra­dos, co­mo é o ca­so
da­que­les que re­ve­lam que o por­ta­dor da SI­DA de­ve fa­zer _jus_ a es­ta­bi­li­da­de
que os ou­tros do­en­tes não fa­zem por se­rem aque­les aco­me­ti­dos de um mal 
mais gra­ve.

Na re­a­li­da­de, de­ve-se op­tar por en­ten­der que de­ve exis­tir a es­ta­bi­li­da­de
do por­ta­dor do vírus HIV, bem co­mo do do­en­te, e não só des­tes, mas também 
a de to­dos os por­ta­do­res de do­enças si­mi­la­res, pe­lo caráter de _cu­ra im­provável_,
_dis­cri­mi­nação_ e _pre­con­cei­to_. De­ve-se par­tir pa­ra a jus­tiça, de­ve-
se acei­tar o princípio da igual­da­de, mas da igual­da­de ma­te­ri­al, e não me­ra­men­te
da igual­da­de for­mal co­mo fa­zem tan­tos ma­gis­tra­dos no mo­men­to em que de­ci­dem.

Ho­je, a re­a­li­da­de de­ve se mo­di­fi­car e os ma­gis­tra­dos estão re­al­men­te
in­ter­pre­tan­do o sen­ti­do cor­re­to da Lei de In­tro­dução ao Códi­go Ci­vil,
quan­do es­te re­ve­la, em seu art.5º, o caráter de aten­di­men­to aos fins so­ci­ais
da lei na apli­cação des­ta. As de­cisões pas­sam a ser no sen­ti­do de pro­teção
ao tra­ba­lha­dor. O próprio STJ ter­mi­nou por cri­ar ju­ris­prudência no en­ten­di­men­to
de in­de­ni­zação pa­ra aque­les que ad­qui­ris­sem a do­ença em hos­pi­tais públi­cos,
o que já de­mons­tra um pro­fun­do avanço em questão de pro­teção e so­li­da­ri­e­da­de
hu­ma­na.

Nes­te pe­que­no de­sen­vol­ver de uma temáti­ca vol­ta­da pa­ra a pro­teção do 
tra­ba­lha­dor aco­me­ti­do pe­la do­ença su­pra­men­ci­o­na­da ou por­ta­dor do
vírus HIV, fo­ram ci­ta­das al­gu­mas for­mas de en­ten­di­men­to, al­gu­mas ex­tre­ma­men­te
vol­ta­das pa­ra o po­si­ti­vis­mo Kel­se­ni­a­no; ou­tras que op­tam, in­vo­lun­ta­ri­a­men­te,
por es­ta cor­ren­te an­te­ri­or ao de­fen­der uma igual­da­de for­mal, re­le­gan­do
ao se­gun­do pla­no a igual­da­de ma­te­ri­al.

Ad­mi­te-se que o en­ten­di­men­to mais hu­ma­no, e ao mes­mo tem­po mais co­ra­jo­so
nes­sa si­tuação de dis­cri­mi­nação é o de ga­ran­tir a es­ta­bi­li­da­de ao em­pre­ga­do
do­en­te de AIDS ou por­ta­dor do vírus HIV, e também aos do­en­tes ti­dos co­mo
in­curáveis, pois eles ne­ces­si­tam de pro­teção con­tra o de­sem­pre­go di­an­te
da si­tuação que são co­a­gi­dos a en­fren­tar to­dos os di­as. O mer­ca­do de tra­ba­lho
não per­mi­ti­ria, no âmbi­to das flexíveis re­lações em­pre­gatíci­as e das tendênci­as
mo­der­nas de mão de obra, a so­bre­vivência des­tes do­en­tes, que sem em­pre­go,
sem convívio so­ci­al, sem salário, sem con­dições de pa­gar tra­ta­men­tos, ter­mi­na­ri­am
também sem o di­rei­to a dig­ni­da­de hu­ma­na.

---

### NO­TAS

01. HENRY, Blai­se, IN SE­RO­PO­SI­TI­VITÉ, Si­da et Re­la­ti­ons de Tra­vail, p.
163, do li­vro LE SI­DA – AS­PECTS JURÍDI­QUES. _Apud Ma­ria das G. Oli­va Bo­ness,
A AIDS e o Con­tra­to de Tra­ba­lho, in Re­vis­ta do TRT-5ª Re­gião, 1998._

02. BO­NESS_, _Ma­ria das Graças G. Oli­va. _A AIDS e o Con­tra­to de Tra­ba­lho,
in _Re­vis­ta do TRT-5ª Re­gião, 1998.

03. DE SOU­ZA, Mau­ro César Mar­tins. Es­ta­bi­li­da­de pro­visória do tra­ba­lha­dor
[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito):
po­sição ju­ris­pru­den­ci­al e efe­ti­vi­da­de do pro­ces­so. GE­NE­SIS, Cu­ri­ti­ba,
17(99): 329-373 – março de 2001.

04. SÜSSE­KIND, Ar­nal­do. INS­TI­TUIÇÕES DE DI­REI­TO DO TRA­BA­LHO. Vol. 01, p.
507.

05. Ob. Cit., p. 507.

06. IN: [_www.se­na­do.gov.br/web/se­na­dor/lu­calc/1999/pro­je­tos/por­tahiv.html_](http://www.senado.gov.br/web/senador/lucalc/1999/projetos/portahiv.html)_._

07. DE SOU­ZA, Mau­ro César Mar­tins. Es­ta­bi­li­da­de pro­visória do tra­ba­lha­dor
[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito):
po­sição ju­ris­pru­den­ci­al e efe­ti­vi­da­de do pro­ces­so. GE­NE­SIS, Cu­ri­ti­ba,
17(99): 329-373 – março de 2001.

08. Ob. Cit.

---

### RE­FERÊNCI­AS BI­BLI­O­GRÁFI­CAS

BO­NESS_, _Ma­ria das Graças G. Oli­va. _A AIDS e o Con­tra­to de Tra­ba­lho, in
Re­vis­ta do TRT-5ª Re­gião, 1998_

DE SOU­ZA, Mau­ro César Mar­tins. Es­ta­bi­li­da­de pro­visória do tra­ba­lha­dor
[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito):
po­sição ju­ris­pru­den­ci­al e efe­ti­vi­da­de do pro­ces­so. GE­NE­SIS, Cu­ri­ti­ba,
17(99): 329-373 – março de 2001.

IN: [_www.se­na­do.gov.br/web/se­na­dor/lu­calc/1999/pro­je­tos/por­tahiv.html_](http://www.senado.gov.br/web/senador/lucalc/1999/projetos/portahiv.html)_._

SÜSSE­KIND, Ar­nal­do. INS­TI­TUIÇÕES DE DI­REI­TO DO TRA­BA­LHO. Vol. 01.

Au­to­res:

RO­CHA, Jólia Lu­ce­na da

[Es­ta­bi­li­da­de do por­ta­dor do vírus HIV](http://jus.com.br/revista/texto/4639/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv/1)

Nota do Editor de Soropositivo.Org:

A palavra (…) “[aidéti­co](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html#preconceito)”
foi repetida pelo menos meia dúzia de vezes no texto (um texto jurídico, redigido
por operadores de direito, pessoas supostamente esclarecidas (!!!)). Com poucos 
comandos eu poderia substituí-la por portador de HIV ou Doente de AIDS (que são 
as formas corretas e civilizadas de se referir a uma pessoa que vive estas condições),
coisa que não fiz para manter a “originalidade do pensamento” que, _per si_, é puro
em intenções!

Noto que as pessoas usam, algumas vezes, está mal-fadada palavra, sem a intençãode
ofender ou ferir e, assim, ferem e ofendem sem perceber.

O que pensar disso?

Nós, pessoas vivendo com HIV ou doentes de AIDS somos _susceptíveis em_ excesso?

Penso que não.

Afinal existe **Cadeirante, PODE, PNE, pessoa com diabete, pessoa com hepatite, 
pessoa pequena **e há muito tempo, e com justiça, não se usa “aleijado” (palavra
horrível, carregada de ranço discrminatório) ou “sifilítico”,  termo ignominioso
que cansei de ouvir em minha infância e por alguns anos de minha mocidade…

Acredito que o uso e o “desuso” das palavras esteja muito relacionado com a evolução
dos costumes e o depuramento de sentimentos, dois filhos legitimos da Educação, 
que só o Tempo concretiza.

A mim, resta dizer que a palavra é nociva, ruim, pejorativa, que reduz uma pessoa,
em sua integralidade, à sua condição de saúde (eu não sou AIDS, sou uma Pessoa Vivendo
Com AIDS) e que se você leu, ou aprendeu, este termo aqui, esqueça-o, ou desaprenda-
o, aqui mesmo, e troque-o pelos termos que sugeri ou, de outra forma, encontre maneiras
dignas de relacionar-se com seus semelhantes, filhos do mesmo Deus, que, em Sua 
Bondade, acende, indiscriminadamente, todos os dias, o Sol, para Todos …

Veja em que nível intelectual trafegam as pessoas que usam o termo [AIDÉTICO](http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120121211457AA9PKPO)-
Este cara sim, é um Aleijado Moral e, pior de tudo, é pensar que ele pode encontrar
uma mulher que, debalde todos os prognósticos, o ame, com a qual ele gerará um filho
ou filha *quando pouco* e o “educara” à sua imagem e semelhança! (o link abre em
outra janela)

Com isso encerro esta edição e aparecerei em tempo oportuno, se este site sobreviver
a mais um mês…

Leia Também: [AIDS E LEGALIDADE SONEGADA](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/aids-e-legalidade-sonegada.html)
um texto brilhante de Sandro Sardá![⌊Portar HIV não Significa Ter AIDS! Informe-se⌉](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv-3.html/portar-hiv-nao-significa-ter-aids/)

## Leia também

 * [Trinta e Quatro milhões de pessoas têm HIV no Mundo](https://soropositivo.org/trinta-e-quatro-milhoes-de-pessoas-tem-hiv-no-mundo/)
 * [Estabilidade do portador do vírus HIV](https://soropositivo.org/estabilidade-do-portador-do-virus-hiv/)
 * [AIDS progride com ação de vírus encontrado no intestino de macacos](https://soropositivo.org/aids-progride-com-acao-de-virus-encontrado-no-intestino-de-macacos/)

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