# “Estamos mais próximos da vacina contra a Aids

- Link: https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/
- Published: 2015-01-26T00:01:51-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 3 meses e 6 dias.

## “Estamos mais próximos da **vacina contra a AIDS**”, diz pesquisador de vacina brasileira 

![Vacina contra a AIDS](https://i0.wp.com/soropositivo.org/wp-content/uploads/2014/
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Há muito o que se trabalhar, e muito tempo para pesquisar e encontrar um meio de
encontrar uma vacna, quer seja ela apenas preventiva ou preventiva e curatica para
o HIV

 Os cientistas usaram uma versão mais agressiva do SIV para infectar um grupo de
[macacos](https://soropositivo.org/droga-contra-doenca-de-crohn-produz-carga-viral-indetectavel-de-longa-duracao-e-a-restauracao-de-celulas-t-sem-tarv-em-macacos/)-
rhesus. Após a doença se manifestar, os animais foram vacinados e metade deles não
teve melhoras, mas os demais foram “curados funcionalmente”, ou seja, não têm traços
detectáveis do vírus no corpo.Os cientistas explicam que a diferença dessa substância
é que ela usa um vírus (citamegalovirus, conhecido como CMV) para “entregar” a vacina
ao corpo. “Ela usa um agente persistente (CMV) como vetor da vacina. O CMV persiste
indefinitivamente no corpo em níveis muito pequenos (…) o que provê estimulação 
antigênica suficiente para o sistema imunológico manter altas frequências de células
T diferenciadas. Para usar uma analogia militar, este nível de estimulação imunológica
é o suficiente para manter armados soldados anti-SIV patrulhando todos os tecidos
nos quais células infectadas pelo SIV possam estar”, diz ao Terra Louis Picker, 
da Universidade da Oregon Health & Science University, nos Estados Unidos.Picker
explica que as demais vacinas não persistem no corpo e a quantidade de “tropas” 
anti-SIV diminui. O problema com o HIV e o seu “irmão” símio é que esses vírus mantêm“
reservas” que se manifestam após o sistema imunológico voltar ao normal. “Resumindo,
essa habilidade de manter células T efetoras anti-SIV em alta frequência é o porquê
de o vetor CMV ter extraído respostas imunológicas e ter uma habilidade única de‘
limpar’ um vírus causador da aids.”Apesar de metade dos macacos ter sido considerada
curada funcionalmente, o cientista afirma que isso pode ser devido ao uso de um 
vírus mais potente no estudo. “Nós usamos um SIV que causa aids em macacos em entre
um e dois anos de infecção – enquanto infecções não tratadas de HIV levam cerca 
de 10 ou 11 anos. As características deste vírus (chamado de SIVmac239) são muito
similares ao HIV, exceto por sua maior agressividade.” Os cientistas concluem que
o uso do CMV é um forte candidato para desenvolver uma vacina definitiva para a 
aids. “Em suma, a habilidade dos vetores de CMV de implementar vigilância antipatogênica
imune contínua, a longo prazo e potente faz deles candidatos promissores para estratégias
de vacina que pretendem prevenir e curar HIV/aids assim como outras infecções crônicas”,
diz o artigo assinado por Picker e colegas. FONTE: R7.com

### A vacina brasileira contra a Aids

### Cientistas da USP dão um passo importante e, pela primeira vez, o Brasil produz um imunizante com potencial para conter o avanço do HIV

 Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)

Encontrar uma vacina contra a Aids é uma das batalhas mais desafiadoras já travadas
pela ciência. O HIV, vírus causador da doença, ainda detém a vantagem por sua incrível
habilidade de se modificar e, assim, escapar da mira dos imunizantes em estudo. 
Na semana passada, a divulgação dos resultados positivos de um teste com uma nova
vacina deu mais fôlego às esperanças de se chegar, um dia, a uma substância capaz
de impedir a contaminação pelo vírus. E a boa notícia vem da Universidade de São
Paulo, resultado de um trabalho feito por pesquisadores brasileiros. O recurso, 
desenvolvido e fabricado por especialistas da Faculdade de Medicina (FMUSP), foi
ministrado a quatro macacos Rhesus da colônia do Instituto Butantan, em São Paulo.

 ⌊img1016piqure⌉ **PROMESSA Cunha Neto testa em macacos uma vacina feita com conjunto
de fragmentos do vírus HIV. A imunidade dos animais aumentou mais do que se esperava**

Os efeitos do imunizante, conhecido pela sigla HIVBr18, surpreenderam até mesmo 
o cientista que lidera o estudo, Edécio Cunha Neto, professor de imunologia da FMUSP.“
Não esperava uma resposta tão boa dos macacos quando abri o estudo. Eles tiveram
um aumento importante da imunidade”, diz o cientista. “No pior resultado, a imunidade
deles contra o HIV aumentou entre três e cinco vezes em relação a testes anteriores
com camundongos. No melhor, a capacidade de identificar o vírus e produzir anticorpos
específicos aumentou até dez vezes.” As defesas dos primatas têm grande semelhança
com o sistema imunológico humano. Além disso, esses animais são vulneráveis ao SIV,
vírus com características muito parecidas com as do HIV. “As boas respostas do organismo
dos macacos indicam que há maiores chances de dar certo também em humanos”, anima-
se o pesquisador.

Não é a primeira vez que na luta contra a Aids se produz uma vacina eficiente em
macacos. Mas o fármaco criado pela FMUSP é o único a reunir uma coleção tão grande
de fragmentos do vírus – os pesquisadores combinaram em um mesmo imunizante 18 pequenos
pedaços das proteínas (peptídeos) presentes no HIV. Isso qualifica a pesquisa brasileira.
Em outros estudos realizados por centros de pesquisas internacionais, avaliaram-
se conjuntos bem menores de proteínas do vírus. São esses peptídeos que provocam
o sistema de defesa a produzir anticorpos contra eles. O corpo aprende a reconhecer
o inimigo e a impedir seu avanço.

Outra especificidade do imunizante criado na universidade paulista é que as amostras
foram extraídas de regiões do HIV mais preservadas de mutações. Isso é uma forma
de dificultar tentativas do vírus de fugir do alcance da vacina usando suas mutações
como subterfúgio e também de fazer com que o imunizante funcione para um número 
maior de pessoas. “Testes feitos in vitro com amostras de sangue de 32 portadores
de HIV com condições genéticas e imunológicas bastante variadas mostraram que, em
mais de 90% dos casos, pelo menos um dos peptídeos foi reconhecido por células de
defesa do organismo”, conta Cunha Neto. O grupo desenvolveu então uma versão da 
vacina com fragmentos de todos os subtipos capazes de induzir respostas do organismo.

 **PERSPECTIVA O americano Fauci acredita que novos dados sobre o funcionamento 
do corpo e do vírus irão revigorar a busca da vacina**

Até o final de 2014, o estudo feito com os quatro animais será ampliado para um 
total de 28 macacos. Nessa fase, os cientistas irão testar outros meios para inserir
os fragmentos do HIV no organismo. A finalidade é escolher aquele que induzirá uma
resposta mais forte antes de começarem os estudos em humanos. “Até agora usamos 
um adenovírus (causa resfriado). Vamos experimentar outros vírus, como o da vacina
da febre amarela”, disse o especialista. Se tudo correr bem nesta etapa, a previsão
é de que os testes em humanos comecem em três anos. Serão feitos com uma população
saudável e com baixo risco de contrair o HIV. O objetivo é investigar a segurança
do fármaco, a resposta imunológica que provoca e por quanto tempo os anticorpos 
permanecem no organismo.

A criação de uma vacina contra a Aids feita totalmente no Brasil é um marco na história
da ciência nacional. É consenso: independentemente dos resultados finais que apresentará,
o imunizante é uma prova de que importantes descobertas podem ser feitas quando 
o País consegue unir pesquisadores capacitados e recursos (estes, por sinal, na 
maioria das vezes estão aquém do necessário). De saída, a ciência brasileira já 
ganhou mais conhecimento sobre o vírus, sobre as técnicas capazes de estudá-lo e
sobre as ferramentas usadas para criar uma vacina contra ele. É uma evolução e tanto.

Por outro lado, em relação às expectativas dirigidas ao desempenho final da vacina,
prevalece a cautela. E é normal que seja assim, visto que a experiência da FMUSP
se encontra ainda em etapa bastante preliminar. “O experimento com o grupo maior
de macacos pode trazer dados interessantes e indicar se o trabalho irá em frente”,
diz o virologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo. “Já vimos 
muitas vacinas não passarem das fases iniciais de estudos”, observa o infectologista
Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcellos, de São Paulo. O próprio responsável
pelo trabalho também é ponderado. “Os resultados com os macacos são promissores,
mas ainda existem muitas etapas a serem vencidas antes de realmente termos uma vacina
eficaz em humanos”, diz.

![IEpag74Aids.jpg](/wp-content/uploads/2014/04/mi_7862491112550369.jpg "Credito:")

Em artigo publicado recentemente na revista científica “The New England Journal 
of Medicine”, o cientista americano Anthony Fauci também se pergunta sobre o futuro
das vacinas. Um dos pioneiros na pesquisa da Aids, ele está à frente do Instituto
Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Em seu artigo, Fauci
comenta que o número de mortes e de pessoas infectadas pela Aids caiu cerca de um
terço no mundo todo em relação aos seus momentos de maior pico. “Essa diminuição
ocorreu sem uma vacina, o que coloca a questão se ela é necessária para acabar com
a pandemia”, afirma o especialista.

Para ele, medidas como a terapia antirretroviral, a distribuição constante de preservativos
e agulhas limpas, a prevenção da transmissão mãe-filho e as terapias preventivas
de pré-exposição feitas com os próprios medicamentos antirretrovirais permitiram
a redução do número de casos e mortes. Fauci defende, porém, que o mundo continue
a buscar uma vacina para reforçar ainda mais as defesas. Ela será particularmente
importante em lugares como muitos países africanos, onde a doença avança e faltam
recursos de prevenção e de tratamento. “É essencial, ainda que não seja fácil de
obter”, diz o pesquisador. “A única garantia de um final sustentado para a pandemia
de Aids é uma combinação da prevenção com a implantação de um fundo suficiente e
eficaz para a vacina de HIV”, argumenta o cientista. Fauci encerrou seu artigo convocando
a comunidade envolvida na luta contra o HIV a se comprometer com a busca da vacina.

**Fonte: ISTOÉ Independente**

Nota do editor de soropositivo.org: eu sempre fui cético quanto à descoberta de 
uma vacina contra a AIDS, mas desta vez tenho esperanças

## Leia também

 * [Cientistas NIH identificaram anticorpos potentes que neutralizam quase todas as cepas do HIV – Talvez mais próximos de uma vacina](https://soropositivo.org/cientistas-nih-identificaram-anticorpos-potentes-que-neutralizam-quase-todas-as-cepas-do-hiv-talvez-mais-proximos-de-uma-vacina/)
 * [Vacina contra HIV/aids ? Particularidades (Artigo)](https://soropositivo.org/vacina-contra-hiv-aids-particularidades-artigo/)
 * [Os cientistas dizem estar na iminência de encontrar a cura da infecção por HIV  e da vacina contra a AIDS](https://soropositivo.org/os-cientistas-dizem-que-eles-estao-na-iminencia-de-encontrar-a-cura-da-infeccao-por-hiv-e-da-vacina-vacina-contra-a-aids/)

**Leia também**

### Table Of Content

 * [“Estamos mais próximos da vacina contra a AIDS”, diz pesquisador de vacina brasileira ](https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/#estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids-diz-pesquisador-de-vacina-brasileira%c2%a0)
 * [A vacina brasileira contra a Aids](https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/#a-vacina-brasileira-contra-a-aids)
 * [Cientistas da USP dão um passo importante e, pela primeira vez, o Brasil produz um imunizante com potencial para conter o avanço do HIV](https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/#cientistas-da-usp-dao-um-passo-importante-e-pela-primeira-vez-o-brasil-produz-um-imunizante-com-potencial-para-conter-o-avanco-do-hiv)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/#relacionado)

 * [Estudo descobre uma nova vulnerabilidade no vírus para pesquisar uma vacina contra o HIV](https://soropositivo.org/estudo-descobre-uma-nova-vulnerabilidade-no-virus-para-pesquisar-uma-vacina-contra-o-hiv-2/)

### _Relacionado_

## Comments

### By: Sandra Regina

- Link: https://soropositivo.org/estamos-mais-proximos-da-vacina-contra-a-aids/comment-page-1/#comment-59
- Published: 2014-04-11T06:05:12-03:00

que maravilha!

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