# Factores de risco tradicionais e biomarcadores associados a doença   cardiovascular nas pessoas com VIH

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- Published: 2010-07-10T09:42:15-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

|  **Michael Carter**, Tuesday, June 29, 2010 |

 Segundo um estudo publicado na edição _online_ da revista _AIDS_, a história familiar
e o tabagismo constituem os factores preditivos mais fortes de doença cardiovascular
nas pessoas infectadas com VIH. Os investigadores também descobriram que os biomarcadores
associados à coagulação e disfunção endotelial (alterações das células que revestem,
por dentro, os vasos sanguíneos) se encontram associados de forma significativa 
a um risco aumentado de desfechos como o AVC e o ataque cardíaco.

 “Os nossos achados vêm apoiar uma abordagem agressiva que implique a identificação
de uma história familiar significativa e a intervenção sobre factores de risco tradicionais”,
comentam os investigadores, que sugerem ainda que os biomarcadores que indicam um
risco aumentado de doença cardiovascular devem ser monitorizados nos doentes de 
alto-risco.

 Um vasto corpo de pesquisa mostra hoje, de facto, que as pessoas com VIH apresentam
um risco aumentado de doença cardiovascular. Pensa-se que vários factores podem 
contribuir para esta situação, como a elevada prevalência dos factores de risco 
tradicionais, ou os efeitos secundários de alguns fármacos ARVs.

 O estudo de interrupção do tratamento SMART mostrou que as pessoas que faziam uma
paragem na sua terapêutica ARV apresentavam um risco maior de doenças não relacionadas
com o VIH, incluindo a doença cardiovascular. Análises posteriores mostraram, entretanto,
que biomarcadores como o D-dímero e a IL-6 se encontravam elevados nestas pessoas(
as que paravam a terapêutica), o que sugeria que a replicação do VIH se encontrava
de algum modo associada a inflamação e coagulação.

 Foi, pois, com o intuito de perceber melhor a contribuição destes factores de risco
no desenvolvimento da doença cardiovascular que este grupo de investigadores levou
a cabo o presente estudo. Assim, identificaram 52 doentes seropositivos para o VIH
que haviam experimentado um evento cardiovascular durante a sua participação num
outro ensaio, conduzido pelo _National Institute of Allergy and Infectious Diseases_,
entre 1995 e 2009.

 Além destas pessoas – as que haviam experimentado um evento cardiovascular (os 
chamados “casos”) – o estudo incluiu pessoas que não tinham tido nada (“controlos”).

 Os investigadores prosseguiram, comparando, nestes dois grupos, a prevalência dos
factores de risco tradicionais para doença cardiovascular (DCV), bem assim como 
os níveis de certos biomarcadores.

 Em termos globais, verificava-se que, de base, os “casos” apresentavam uma prevalência
significativamente mais elevada de alguns factores de risco tradicionais para doença
cardiovascular do que os “controlos”, factores que incluíam a dislipidémia (87 vs
72%, p = 0.05), o tabagismo (49% vs 25%, p = 0.004), e história familiar de DCV (
30% vs 11%, p = 0.003).

 Após quatro meses de _follow up_, tanto o colesterol LDL como o colesterol total
eram mais elevados nos casos do que nos controlos (p = 0.02 e p = 0.04, respectivamente),
e após dois anos, os casos apresentavam níveis significativamente mais altos de 
glicose (p = 0.03).

 Quanto à carga viral, aos 4 meses era significativamente mais baixa entre os doentes
que haviam experimentado este tipo de eventos do que nos restantes (2500 cópias/
ml vs 14000 cópias/ml, p = 0.04). Nem a duração nem o tipo de terapêutica ARV diferiram
nos dois grupos.

 Já no que diz respeito à contagem das células CD14, um indicador de inflamação,
ela era mais elevada nos casos do que nos controlos, aos 4 meses de follow up (p
= 0.04).

 No que se refere aos biomarcadores, os níveis de D-dímero (um marcador da trombose
e coagulação) eram mais elevados nos casos do que nos controlos, tanto no _follow
up_ dos 4 meses (p = 0.003) como no dos 2 anos (p = 0.04). 
 À semelhança do anterior,
também o VCAM (um indicador da activação endotelial) se mostrou mais elevado nos
casos, nos dois _follow ups_ (p = 0.02 e p = 0.03, respectivamente).

 Finalmente o TIMP-1, outro indicador da função endotelial, também se mostrou mais
elevado nos casos, após 4 meses de _follow up_ (p = 0.02).

 Os investigadores prosseguiram depois para uma análise estatística que lhes permitiu
verificar quais os factores que se mostravam associados de forma independente a 
um risco aumentado de doenças cardiovasculares.

 Assim, ao fim de 4 meses de _follow up_, tanto o D-dímero (p = 0.02) como a história
familiar (p = 0.006), o tabagismo actual (p = 0.004) e o colesterol total (p = 0.0005)
se mostraram factores de risco significativos. 
 Ao fim de dois anos, foram a história
familiar de ataque cardíaco prematuro (p = 0.03), o D-dímero (p = 0.006) e a glicose(
p = 0.001) que se mostraram associados a um risco maior de evento cardiovascular.

 Os investigadores comentam: “embora se tenha verificado que os factores que mais
contribuem são os factores de risco tradicionais para doença cardiovascular, como
o tabagismo e o colesterol elevado, também os marcadores de activação imune inata,
disfunção endotelial e trombose se mostraram relacionados com eventos cardiovasculares”.

 **Referência** 
 Ford ES et al. _Traditional risk factors and D-dimer predict incident
cardiovascular disease events in chronic HIV infection._ AIDS, online edition: DOI:
10.1097/QAD.0b013e32833ad914, 2010.

 **Tradução** 
 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.aidsmap.com/pt/news/%E2%80%9Dhttp://www.gatportugal.org%E2%80%9D)

## Leia também

 * [Os factores de risco tradicionais são a causa principal do espessamento da artéria carótida nos doentes infectados pelo VIH](https://soropositivo.org/os-factores-de-risco-tradicionais-sao-a-causa-principal-do-espessamento-da-arteria-carotida-nos-doentes-infectados-pelo-vih/)
 * [Factores de riesgo tradicionales y biomarcadores, relacionados con enfermedad cardiovascular en pacientes con VIH](https://soropositivo.org/factores-de-riesgo-tradicionales-y-biomarcadores-relacionados-con-enfermedad-cardiovascular-en-pacientes-con-vih/)
 * [A diminuição da função renal aumenta o risco de doença cardiovascular nos doentes com infecção pelo VIH](https://soropositivo.org/a-diminuicao-da-funcao-renal-aumenta-o-risco-de-doenca-cardiovascular-nos-doentes-com-infeccao-pelo-vih/)

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