# Falta de informação deixa pessoas sem conhecer de fato a Aids, dizem ativistas

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- Published: 2009-06-19T22:49:53-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 14/11/2007 – 18h30

“Absurdo” e “medicação não é uma panacéia (para cura)”. Estas foram alguma das definições
usadas por ativistas em referência à pesquisa da MAC **AIDS** Fund, um braço filantrópico
da Mac Cosmetics (). O estudo, realizado com cerca de 4500 pessoas de nove países,
revelou, por exemplo, que 40% das pessoas não considera a **Aids** como uma doença
fatal. “Acho que isso é um grande reflexo da falta de informação sobre HIV e **Aids**”,
disse Silvinha Almeida, ativista do Grupo de Incentivo à Vida e do Movimento Cidadãs
Posithivas. 

Segundo o estudo, a maioria dos entrevistados acredita que a **Aids** é sempre uma
doença fatal, mas muitos acreditam erroneamente que existe uma cura disponível para
a infecção pelo HIV. Por exemplo, 59% dos indianos acreditam que há cura para a 
doença.

“Tomar a medicação exige uma série de precauções e as pessoas relaxam nessa questão,
por exemplo. Para o senso comum, não tem problema contrair HIV. Entre homossexuais
acontece a mesma coisa, acham que por causa do remédio não é necessário prevenção.
Medicação não é uma panacéia (para a cura). Existe um impacto muito grande da lipodistrofia,
por exemplo”, comentou o presidente do Fórum de ONG/**Aids** do Rio de Janeiro, 
Roberto Pereira.

Os resultados da pesquisa também destacam o preconceito, o medo e o estigma que 
cercam a **Aids**. Acima de tudo, quase metade dos entrevistados disse que se sentia
incomodado em caminhar perto de uma pessoa infectada pelo HIV, 52% respondeu não
querer viver na mesma casa com um soropositivo e 79% afirmou não querer se relacionar
afetivamente com um portador do vírus.

“É um absurdo. Uma doença tratável não significa curável. Falta um pouco mais de
compreensão das pessoas que não lêem sobre o assunto e as campanhas também não são
claras. E a sociedade não acolhe os soropositivos”, disse Alessandra Nilo, da Gestos
de Pernambuco.

Outro dado revelado pelo estudo é que a questão de gênero e a dificuldade em discutir
práticas de sexo seguro são as causas “chave” da pandemia. Por exemplo, 73% dos 
entrevistados acredita que a proliferação do HIV é estimulada, em parte, por mulheres
que não se sentem à vontade em discutir práticas de sexo seguro com seus parceiros.

“As mulheres são estigmatizadas e sofrem mais violência, por exemplo, dentro até
de uma relação estável. Ambos (homem e mulher) não se previnem. Mas a pergunta é,
será que porque a **Aids** é tratável, as pessoas não se previnem”, questionou a
ativista.

Já Silvinha Almeida, acredita que a falta de informação deixa pessoas mais “protegidas”.“
As pessoas, com ignorância sobre o saber de sua própria sorologia, sentem-se mais
seguras e o não saber diminui a responsabilidade de prevenção”, disse.

“Outro foco é o da vivência de quem é soropositivo, as pessoas desconhecem o quanto
é complicado viver com HIV. Têm falsa idéia que está tudo bem. As únicas que entendem
isso são as pessoas que passam por isso ou conhecem alguém muito próximo. Há pouca
mídia e divulgação de como vivem as pessoas com HIV. As campanhas dizem use camisinha.
Ok, mas e aí? Em que condição?”, acrescentou Silvinha.

 

Rodrigo Vasconcellos

## Leia também

 * [Pesquisa revela que pessoas não consideram a Aids fatal](https://soropositivo.org/pesquisa-revela-que-pessoas-nao-consideram-a-aids-fatal/)
 * [Falta de informação sobre lipodistrofia gera polêmica entre ativistas de São Paulo](https://soropositivo.org/falta-de-informacao-sobre-lipodistrofia-gera-polemica-entre-ativistas-de-sao-paulo/)
 * [Discriminação e falta de informação elevam casos de AIDS no Brasil](https://soropositivo.org/discriminacao-e-falta-de-informacao-elevam-casos-de-aids-no-brasil/)

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