# Faltam remédios e exames para os pacientes com AIDS

- Link: https://soropositivo.org/faltam-remedios-e-exames-para-os-pacientes-com-aids/
- Published: 2014-03-10T09:12:26-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 3 meses e 5 dias.

## Faltam remédios e exames para os pacientes com AIDS

## ![aids](https://i0.wp.com/www.revistapontocom.org.br/wp-content/uploads/2009/12/hq-aids.jpg?w=310 "aids")

A _**AIDS**_, que já foi um flagelo, começa a passar pata o “status de doença crônica”.
Talvez isso tenha acontecido. Mas a medicação não pode faltar…

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 * [Faltam remédios e exames para os pacientes com AIDS](https://soropositivo.org/faltam-remedios-e-exames-para-os-pacientes-com-aids/#faltam-remedios-e-exames-para-os-pacientes-com-aids%c2%94)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/faltam-remedios-e-exames-para-os-pacientes-com-aids/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/faltam-remedios-e-exames-para-os-pacientes-com-aids/#relacionado)

**Roberto Lucena** – repórter

Na última quinta-feira, a TRIBUNA DO NORTE publicou, com exclusividade, o relatório
do Ministério da Sáude (MS) e analisado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências
Sociais (Flacso), que mostra a liderança do Rio Grande do Norte no número de óbitos
causados pela aids entre os anos de 2002 e 2012. O RN saltou de 39 para 108 mortes
registradas devido à ação do vírus HIV. O crescimento é de 176,9%.

Júnior Santos⌊André Luciano de Araújo Prudente fala das causas do aumento nas mortes
entre pacientes de aids no RN⌉André Luciano de Araújo Prudente fala das causas do
aumento nas mortes entre pacientes de aids no RN

Para a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o aumento no número de casos
no Estado – tanto no tocante à notificação, quanto aos casos novos e nos registros
de óbitos – é reflexo dos investimentos realizados através do Programa Estadual 
DST/SIDA e Hepatites Virais na rede de serviços para diagnóstico do HIV. Segundo
a  coordenadora do Programa, Sônia Cristina Lins, “essa ampliação nos números de
óbitos por aids é o reflexo dos investimentos que a Sesap tem feito para ampliar
o diagnóstico da doença tanto nos municípios, através da implantação de Serviços
de Atenção Especializada (SAEs), quanto nos hospitais de referência de Natal e Mossoró”,
coloca.

A Sesap cita ainda que, até 2010, o RN possuía dois hospitais de referência e, hoje,
conta com o aporte de mais 13 serviços e um Centro de Testagem e Aconselhamento (
CTA), além dos hospitais Walfredo Gurgel e Tarcísio Maia que dispõem de testes rápido
para o diagnóstico do HIV.

Mas para o presidente da Sociedade Norte-Rio-grandense de Infectologia, André Luciano
de Araújo Prudente, o aumento de óbitos na última década foi causado por outros 
fatores. O médico destaca também que, apesar da rede ser abastecida com medicamentos
que controlam a ação do vírus HIV, faltam remédios para combater as doenças oportunistas.“
Faltam remédios e exames básicos que acabam causando essas mortes”, diz.

O presidente relata ainda a necessidade do diagnóstico cada vez mais precoce. Para
tanto, acredita que todos os médicos devem criar o hábito de solicitar o teste do
HIV em exames rotineiros. O médico afirma ainda que as campanhas de prevenção de
aids não apresentam os efeitos desejados e com o advento do coquetel antiviral, 
as pessoas perderam o medo da doença. “Hoje, é possível conviver com a doença e 
as pessoas perderam aquele medo que era mais latente na década de 80”, diz.

Confira abaixo o restante da entrevista com o profissional:

![aids](https://i0.wp.com/profiles.nlm.nih.gov/ps/access/VCBBHD_.jpg?w=500 "aids")

**O RN conta com quantos infectologistas?**
 São pouco mais de 50 profissionais.
A maioria está em Natal. No interior, temos dois em Mossoró, um em Caicó e três 
em Parnamirim. Os demais, estão todos na capital.

**Esse número é considerado baixo?**
 Baixíssimo. Tem o problema que a maioria dos
profissionais está no (Hospital) Giselda Trigueiro.

**A UFRN oferece a residência em infectologia?**
 Sim, oferece. É uma especialização
lato sensu e convênio da UFRN como Estado. Funciona no Giselda. São três anos.

**É uma especialização que não desperta interesse no aluno de Medicina, não é? Por
que isso ocorre?**
 Não desperta porque não é a especialização mais rentável. O 
que mais chama atenção são as especialidades de procedimentos como aplicar uma anestesia,
fazer uma plástica, entre outros.

**E o mercado precisa desse profissional. Tendo em vista que, por exemplo, o número
de óbitos por causa da aids aumentou 176,9% na última década. O que explica isso?**

São alguns pontos. A maioria dos casos que vai a óbito são pessoas em duas situações:
diagnóstico tardio ou pessoas que abandonam o tratamento. Isso é muito comum, infelizmente.
O principal motivo, de fato, é o diagnóstico tardio. Falta acesso aos serviços, 
ao diagnóstico e muitas pessoas estão adoecendo nem conseguir o diagnóstico. Quando
descobrem, é tarde. Associado a isso, temos que analisar a precariedade dos nossos
serviços. Trabalho no Giselda e muitas vezes o paciente fica sem o diagnóstico preciso
da doença oportunista justamente pela falta de exames básicos que o Estado não oferece.
A falta de medicamentos também é causa.

**O senhor fala do coquetel antiviral?**
 Não. O coquetel não falta até porque é
encaminhado pelo Governo Federal. O que faltam são medicamentos para as infecções
oportunistas. Isso tem impacto na sobrevida dessas pessoas.

**O preconceito também faz vítimas?**
 Com certeza. O preconceito faz com que os
doentes fiquem deprimidos e o tratamento fica mais difícil.

Júnior Santos⌊”O coquetel não falta, até porque é encaminhado pela União. O que 
faltam são medicamentos para as infecções oportunistas. Isso tem impacto na sobrevida
dessas pessoas” - André Prudente⌉”O coquetel não falta, até porque é encaminhado
pela União. O que faltam são medicamentos para as infecções oportunistas. Isso tem
impacto na sobrevida dessas pessoas” – André Prudente

**A Sesap alega que o acesso aos exames de HIV é fácil. É isso mesmo?**
 Infelizmente,
não. A maioria dos postos não realiza o exame. O que é uma pena, pois temos o teste
rápido. Também é preciso lembrar que os colegas médicos não lembram desse teste.

**Como assim?**
 Não é normal que um médico solicite o exame. Até mesmo com quadros
clínicos que podem sugerir a presença do HIV o profissional trata como outra doença
qualquer e não pede o exame.

**O médico deve solicitar o exame em que situações?**
 Eu aconselho que o teste 
seja um exame de rotina. Principalmente num primeiro atendimento, o médico deve 
oferecer esse exame. Mas é preciso cuidado. Quando o médico pede um hemograma, não
é necessário explicação, mas se eu coloco teste-HIV, sem conversa antes com o paciente,
isso pode causar uma comoção no paciente. Inclusive conheço um caso de um colega
infectologista que foi processado porque pediu esse exame. ** O paciente processou
o médico por causa da solicitação do exame? Sim. O paciente alegou que isso causou
transtorno. Mas esse é um exame que deve ser colocado na rotina. Principalmente 
porque o HIV provoca a doença 8, 10 anos após a infecção. A maioria das pessoas 
que estão com HIV estão sem sentir absolutamente nada. Toda e qualquer pessoa que
tem a vida sexual ativa e teve alguma relação sem preservativo deve ser testada.

**Qual a importância disso?**
 Se a gente conseguir dar o diagnóstico antes de apresentarem
os sintomas, as pessoas serão tratadas no momento ideal e provavelmente não vou 
morrer de HIV.

**O tratamento é eficaz?**
 Muito eficaz. A pessoa tem a vida praticamente normal.
É a aids hoje pode ser comparada com uma diabetes ou hipertensão. Se o paciente 
faz o tratamento adequado, ele vive bem.

**Tivemos, há poucos dias, a notícia de mais um bebê nascido com HIV, mas que foi
curado. O senhor acredita que estamos perto da cura ou de uma vacina contra o vírus?**

Estamos próximos da vacina. Há estudos bem avançados nesse sentido. Em relação à
cura, é mais complicado. Há registro de curas com recaídas. Não podemos garantir
a cura agora.

**As pessoas ainda desconhecem a doença? Há muito preconceito?**
 Sim. E esse preconceito
é muito prejudicial. No início da pandemia, se falava muito em grupos de risco: 
homossexuais masculinos, hemofílicos e usuários de drogas venosas. Quem não fazia
parte desse grupo, achava que estava imune. As pessoas que não pertenciam a esses
grupos não se preveniam. Hoje, não se fala mais em grupo de risco e sim em comportamento
de risco. Qualquer pessoa pode pegar HIV. O preconceito ainda faz com que os doentes
não contem para a família e amigos. Isso prejudica demais pois a depressão derruba
mais a imunidade do paciente.

**O senhor acredita que as campanhas de prevenção são eficazes?**
 Não. Não sei 
dizer como deveriam ser as campanhas, mas do jeito que são feitas, não resolvem.
Acho improvável que as pessoas nunca tenham visto uma campanha de HIV, mas é difícil
um infectologista passar uma semana sem dar um novo diagnóstico da doença. Não sei
o que acontece.

**O tratamento feito com o coquetel antiviral mostra-se bem eficaz. Será que as 
pessoas perceberam isso e perderam o medo da doença?**
 É possível. As pessoas viram
que a vida continua normalmente e perderam o medo. Não há mais aquele impacto que
a gente via na TV notícias de famosos, na década de 80, que morreram de aids. Fato
é que as campanhas não são eficazes.

**Faltam medicamentos para os doentes no Estado?**
 Do coquetel, não. Mas para tratar
as doenças oportunistas, sim. Temos problemas nessa área.

## Leia também

 * [Faltam remédios contra HIV](https://soropositivo.org/faltam-remedios-contra-hiv/)
 * [Grupo Somos denuncia falta de remédios e exames para pessoas com aids no Rio Grande do Sul](https://soropositivo.org/grupo-somos-denuncia-falta-de-remedios-e-exames-para-pessoas-com-aids-no-rio-grande-do-sul/)
 * [Faltam remédios contra HIV](https://soropositivo.org/faltam-remedios-contra-hiv-2/)

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