# Fiocruz alerta para ameaça na água

- Link: https://soropositivo.org/fiocruz-alerta-para-ameaca-na-agua/
- Published: 2012-05-30T22:15:00-03:00
- Author: 

[[Pesquisa desen­volvida pelo In­sti­tuto Os­waldo Cruz (IOC/Fiocruz) de­tectou 
a pre­v­alência, a di­ver­sid­ade genética e a carga vir­al do torque teno vírus(
TTV) em fezes hu­man­as. Sua presença já tinha sido veri­ficada também na água, 
mas nen­hum outro estudo forne­cia da­dos pre­cisos da quan­tidade de vírus en­con­trada
em cada um dos am­bi­entes. A partir dos da­dos coleta­dos pelos pesquis­ad­ores
da Fiocruz, foi possível cruz­ar as in­formações e em­bas­ar a tese de que a presença
do vírus em via hídrica está direta­mente rela­cion­ada à con­tam­inação da água
por fezes, fat­or pre­pon­der­ante para a dis­sem­inação de doenças. Atest­ada a
relação, o TTV tor­na-se um possível in­dic­ador da qual­id­ade da água, já que 
sua presença in­dica a con­tam­inação am­bi­ent­al por fezes.

De acordo com o biólogo Car­los Au­gusto Nas­ci­mento, um dos autores da pesquisa,
80% da pop­ulação mun­di­al está con­tam­in­ada pelo vírus. “Esse é o prin­cip­al
motivo de pesquisá-lo na água: sua grande pre­v­alência na pop­ulação. O TTV é um
vírus cos­mo­pol­ita, não ex­iste dis­tinção re­gion­al de sua presença, ele afeta
tanto os países desen­volvidos quanto os sub­desen­volvidos.” Nas­ci­mento também
ex­plica que não há difer­ença entre id­ades, a pro­porção de con­tam­ina­dos é 
a mesma entre adul­tos e cri­anças. A trans­missão do TTV ocorre pelo sangue ou 
pela via or­al-fecal.

Até o mo­mento, não há evidência do desen­vol­vi­mento de doenças direta­mente as­so­cia­das
ao TTV, as­sim como não ex­istem mani­festações clínicas ex­clu­sivas. En­tretanto,
uma vez que a água está con­tam­in­ada pelo TTV, há a grande prob­ab­il­id­ade de
que out­ros vírus também ex­creta­dos nas fezes, como o da **Hep­at­ite** A e o 
ro­tavírus, es­tejam presentes no mesmo am­bi­ente, po­dendo causar sur­tos epidêmi­cos
na pop­ulação.

Uma das pe­cu­li­ar­id­ades do TTV é sua con­siderável di­ver­sid­ade genética. 
Os da­dos atuais apon­tam a ex­istência de aprox­im­a­da­mente 40 genóti­pos, clas­si­fic­a­dos
em cinco grupos. Mas o número pode ser muito maior, se­gundo Nas­ci­mento. O biólogo
ex­plica que grupos de pesquisa de to­do o mundo, cada vez mais, descobr­em nov­os
gen­o­grupos do vírus, o que tor­na viável a pos­sib­il­id­ade de que ele seja, 
sim, re­sponsável por al­gum tipo de pato­lo­gia ainda descon­hecida.

Amostras

Para o estudo desen­volvido pela Fiocruz, fo­ram util­iz­a­das met­o­d­o­lo­gi­as
mo­lecu­lares na análise de 135 amostras de fezes diar­reica de recém-nas­cid­os
a pa­cientes com até 90 anos com sin­to­mas de gast­roen­ter­ite. “Como uma de nossas
ver­tentes era a pesquisa na água, nós escol­hemos an­al­is­ar pess­oas com esses
prob­lemas porque eles são justa­mente trans­mitidos pela con­tam­inação fecal por
via hídrica. Dessa forma, pro­curamos as­so­ciar a presença sim­ultânea desses di­ver­sos
ti­pos de vírus”, destaca Nas­ci­mento.

Os res­ulta­dos rev­elam que 121 amostras (91,1%) de­ram pos­it­ivo em pelo menos
um méto­do de análise. A coleta de ma­ter­i­ais abrangeu cinco es­ta­dos brasileir­os:
Bahia, Espírito Santo, Mi­nas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Se­gundo
o pesquis­ad­or, não fo­ram en­con­tra­das difer­enças sig­ni­fic­ativas na quan­tidade
de con­tam­ina­dos por unid­ade da Fed­eração. “A pro­porção de in­fecta­dos foi
muito bal­anceada, mas ob­ser­va­mos que ex­istem al­guns gen­o­grupos mais pre­val­entes
em uma amostra do que em outra. Ainda não sabemos ex­ata­mente o que isso sig­ni­fica.”
Nas­ci­mento con­ta que, em 52 amostras, fo­ram con­stata­dos mais de um gen­o­grupo
de TTV, in­dic­ando a coin­fecção dos pa­cientes.

Res­istência

O TTV é um vírus não en­vel­o­pado, pequeno e com­posto por uma fita de DNA simples.
Tais pro­priedades lhe con­fer­em el­evada res­istência a condições am­bi­en­tais
ad­ver­sas, di­fi­cultando a elim­inação nas es­tações de trata­mento de água e 
de es­goto. As­sim como out­ros vírus entéri­cos, que, em ger­al, são ex­pelidos
em grande quan­tidade pelas fezes de in­divídu­os in­fecta­dos, sua veiculação hídrica
é motivo de pre­ocu­pação dos órgãos re­sponsáveis pela saúde pública.

De acordo com a Com­pan­hia de Sanea­mento Am­bi­ent­al do Dis­trito Fed­er­al (
Caesb), as etapas de co­agulação, floc­ulação, fil­tração e desin­fecção, util­iz­a­das
no trata­mento da água no DF, são bar­reir­as eficazes na remoção de or­gan­is­mos
patogênicos, como vírus e pro­tozoári­os. “A in­ativação de 99,99% de vírus é ob­tida
por desin­fecção ad­equada, con­tro­lada pelo tempo de con­tato, pelo re­sid­ual
de cloro livre e pela tem­per­atura”, ex­plica a As­sessor­ia de Comu­nicação do
órgão. A in­formação, en­tretanto, é ques­tion­ada por Nas­ci­mento. Se­gundo o 
biólogo, o cloro é efi­ciente no com­bate a bactéri­as, mas nem sempre con­segue
elim­in­ar os vírus.

[[

É ex­ata­mente por esse motivo que os vírus ap­resentam vant­agens em relação às
bactéri­as como mar­cadores de eficiência do pro­cesso de descon­tam­inação da água.
Mui­tos desses or­gan­is­mos entéri­cos são mais res­ist­entes do que as bactéri­as
aos pro­cessos de desin­fecção por trata­mento de cloração e ra­diação ul­tra­vi­oleta.
Além disso, as bactéri­as são mais fa­cil­mente re­movi­das pelo pro­cesso de fil­tração.
Dessa forma, a ausência ou a baixa con­centração de bactéri­as pos­sivel­mente de
ori­gem fecal na água não ne­ces­sar­i­a­mente sig­ni­fica a ausência de vírus entéri­cos.
Muitas vezes, a água pode ser con­sid­erada potável de acordo com os in­dic­adores
basea­dos nos co­li­formes fe­cais, mas es­tar ainda con­tam­in­ada por vírus cau­sad­ores
de gast­roen­ter­ites.

Ao fun­cion­ar como termômetro am­bi­ent­al, o alto índice de TTV em um de­term­inado
loc­al acaba por in­di­car um possível cres­ci­mento desen­freado de cid­ades e 
prob­lemas no sanea­mento básico. “É pre­ciso que haja uma política pública voltada
para a presença de vírus em água, não só para o  TTV. Mas é ne­cessário o desen­vol­vi­mento
de um in­dic­ador uni­ver­sal que iden­ti­fique a di­ver­sid­ade de vírus nas águas”,
de­fende Nas­ci­mento. Se­gundo ele, ainda há muito o que estudar sobre o TTV e 
sua possível relação com doenças em hu­manos. “Con­sidero in­teress­ante as­so­ciar
di­ver­sos flu­id­os cor­po­rais de um mesmo pa­ciente e iden­ti­fi­car quais são
os ti­pos de TTV de­tecta­dos em cada um deles. As­sim, ser­ia possível saber se
ex­iste al­gum tipo de trop­ismo, ou seja, um favore­ci­mento ou uma fa­cil­id­ade
de in­fecção de de­term­inado tipo do TTV por de­term­inado tipo ce­lu­lar.”

 

Risco à saúde

Os vírus entéri­cos com­preen­dem os agentes virais que estão presentes no trato
gastrointest­in­al hu­mano e que são trans­mitidos por via fecal-or­al em razão 
da con­tam­inação do solo, de al­i­men­tos e da água. São ex­em­plos deles o ro­tavírus,
o vírus da **Hep­at­ite** A e o TTV. A elim­inação desses or­gan­is­mos ocorre prin­cip­al­mente
pelas fezes, po­dendo at­ingir títu­los virais de aprox­im­a­da­mente 10/8 a 10/
11 partícu­las virais por grama de fezes. Por isso, rep­res­entam po­ten­cial risco
à saúde da pop­ulação.

 **COR­REIO BRAZI­LI­ENSE – DF | SAÚDE **
 DST, AIDS E HEP­AT­ITES VIRAIS  30/05/
2012   

## Leia também

 * [“Cura Funcional”: Novo foco para o combate à AIDS](https://soropositivo.org/cura-funcional-novo-foco-para-o-combate-a-aids/)
 * [Pesquisa da Fiocruz descobre caso de hepatite E aguda no Brasil](https://soropositivo.org/pesquisa-da-fiocruz-descobre-caso-de-hepatite-e-aguda-no-brasil/)
 * [Homofobia é tema de parada gay](https://soropositivo.org/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

Views: 1

### _Relacionado_
