# Fundo rejeita proposta do País para aids

- Link: https://soropositivo.org/fundo-rejeita-proposta-do-pais-para-aids/
- Published: 2009-11-02T15:32:51-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### Brasil pedia dinheiro para ações de prevenção

#### relatório diz que projetos têm problemas técnicos

 

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 * [Brasil pedia dinheiro para ações de prevenção](https://soropositivo.org/fundo-rejeita-proposta-do-pais-para-aids/#brasil-pedia-dinheiro-para-acoes-de-prevencao)
 * [relatório diz que projetos têm problemas técnicos](https://soropositivo.org/fundo-rejeita-proposta-do-pais-para-aids/#relatorio-diz-que-projetos-tem-problemas-tecnicos)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/fundo-rejeita-proposta-do-pais-para-aids/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/fundo-rejeita-proposta-do-pais-para-aids/#relacionado)

Lígia Formenti, BRASÍLIA

 

O Fundo Global de Combate à **AIDS**, Tuberculose e Malária recusou financiar dois
projetos brasileiros sob a alegação de que as propostas eram inconsistentes e recheadas
de problemas técnicos. Versão do relatório preparado pela equipe de avaliação, a
qual o Estado teve acesso, afirma que o projeto brasileiro para a área de **AIDS**
apresenta sugestões sem indicadores e objetivos. E, quando indicadores são descritos,
eles são inapropriados ou vagos.

 

 

O relatório sobre projeto de tuberculose tem tom semelhante. A equipe considerou
que as propostas têm lógica confusa, números inconsistentes e nem mesmo a população
vulnerável é definida. Juntos, os dois projetos pleiteavam 90 milhões. Essa é a 
segunda vez que o País concorre a recursos do fundo.

 

 

O resultado dos pedidos de financiamento provocou mal-estar no governo e chamou 
a atenção da comunidade internacional. Além de haver exercido um papel fundamental
para a criação do fundo, o Brasil se destacou nos últimos anos pela assessoria a
países na preparação de projetos ao Fundo Global. Some-se a isso o fato de que os
dois projetos já tinham sido rejeitados no ano passado. As propostas brasileiras
foram classificadas numa categoria em que não são aprovadas, mas técnicos encorajam
o País a fazer reparos para reapresentá-las.

 

 

Para alguns observadores, a rejeição retrata a decadência da qualidade técnica, 
sobretudo na área de **AIDS**, em que o Brasil sempre exerceu papel de liderança.
A coordenadora do Departamento de **DST**–**AIDS** e Hepatites Virais, Mariângela
Simão, no entanto, garante que o resultado está relacionado a questões econômicas
e estratégicas. “Há uma clara preferência para destinar recursos a projetos procedentes
de países de renda baixa”, diz. O fato de o Brasil agora ser considerado como renda
média alta teria provocado uma maior resistência dos examinadores. Isso não prejudicou
México e Colômbia, países também classificados como renda média, que tiveram projetos
aprovados.

 

 

O projeto para **AIDS** previa investimentos na infraestrutura e capacidade técnica
das ONGs para que elas ampliassem seu trabalho de prevenção com populações de risco.
A sociedade civil também auxiliaria no acompanhamento, avaliação e realização de
pesquisas relacionadas ao comportamento social e à doença. O projeto de tuberculose
sugeria ações para melhorar diagnóstico, estudos sobre resistência aos antibióticos
e parcerias com sociedade civil para trabalhos de prevenção. O Brasil apresentou
uma proposta também para malária, que foi aceita.

 

 

Só na próxima semana, em reunião do conselho do fundo, na Etiópia, o destino dos
projetos será oficialmente divulgado. Mas, com a informação extraoficial de que 
o País foi novamente classificado numa categoria ruim, a equipe brasileira já prepara
um recurso. Mariângela enviou ao fundo um pedido de esclarecimentos sobre como fazer
uma reconsideração.

 

 

DIFICULDADES

 

 

Paulo Teixeira, um dos idealizadores do fundo, ex-coordenador do programa de **AIDS**
brasileiro e que acompanhou a reapresentação do projeto, está convicto de que o 
resultado está ligado à dificuldade de compreensão da realidade brasileira. Para
ele, especialistas não entendem bem o Sistema Único de Saúde (SUS) e o trabalho 
de colaboração com ONGs da área de **AIDS**.

 

 

Uma justificativa que alguns observadores consideram pouco plausível. “Se fosse 
assim, por que a proposta de malária foi aceita?”, afirma um dos críticos da proposta
brasileira, que não quis ter seu nome divulgado. Ele diz que técnicos do fundo estão
familiarizados com a análise de políticas distintas de saúde, pois os projetos vêm
de todas as partes do mundo. “Por que só o SUS não seria entendido?”

 

 

“O Brasil foi vítima da sua ousadia”, diz Teixeira. O mesmo ocorre com o projeto
de tuberculose, que requisita recursos para trabalhos com resistência a medicamentos,
testes laboratoriais, algo que exige mais tecnologia.

 

 

“Há ainda uma opção por trabalhos que atenderiam emergência, o básico. Mas é preciso
que o fundo perceba que já é hora de mesclar as estratégias. Em muitos casos, a 
prevenção, a garantia de bom tratamento vai além do arroz com feijão.”

 

O FUNDO GLOBAL

 

Criação: 2002

 

 

Sede: Genebra

 

 

Formação: Países do G-8 e sociedades privadas que captam recursos e distribuem para
projetos nas áreas de malária, **AIDS** e tuberculose

 

Programas aprovados: 572

 

Países contemplados: 140

 

Recursos aprovados: US$ 15,6 bilhões

 

 

Relevância: 1/4 do financiamento global da **AIDS** é feito pelo fundo, em tuberculose
são 2/3 e em malária, 3/4

 

Análise: Projetos recebem 4 classificações: aprovação recomendada sem alterações;
aprovação recomendada, desde que ajustes sejam realizados; não é recomendada a aprovação
e autores são incentivados a fazer mudanças e projeto rejeitado

 

Proposta brasileira para **AIDS**: 57.157.477

## Leia também

 * [Para vencer AIDS, tuberculose e malária](https://soropositivo.org/para-vencer-aids-tuberculose-e-malaria/)
 * [Ministro quer taxar bilhete aéreo](https://soropositivo.org/ministro-quer-taxar-bilhete-aereo/)
 * [Países doam mais de US$ 11,5 bilhões para a luta contra a AIDS](https://soropositivo.org/)

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