# Iniciar o tratamento para o VIH reduz o risco de morte por todas as causas; há ainda benefícios adicionais se o tratamento tiver um início mais precoce

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- Published: 2010-01-29T19:16:42-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Uma equipa internacional de investigadores reportou na edição de Janeiro de 2010
da revista AIDS que os doentes seropositivos para o VIH que fazem o tratamento anti-
retroviral reduzem o seu risco de morte em 50%.

**Michael Carter**

**14 de Janeiro de 2010**

Uma equipa internacional de investigadores reportou na edição de Janeiro de 2010
da revista AIDS que os doentes seropositivos para o VIH que fazem o tratamento anti-
retroviral reduzem o seu risco de morte em 50%. Foram observadas reduções na mortalidade
especialmente substanciais nas pessoas que iniciaram o tratamento para o VIH quando
a sua contagem de células CD4 era inferior a 100 células/mm3.

O estudo também demonstrou o valor de se iniciar o tratamento para o VIH com contagens
de células CD4 mais elevadas. Os doentes com uma contagem de células CD4 de 100/
mm3 ou menos quando iniciaram o tratamento para o VIH tinham maior probabilidade
de morrerem nos cinco anos seguintes, do que iniciaram a terapêutica anti-retroviral
quando a contagem de células CD4 era igual ou superior a 500/mm3.

Origem do Estudo 
A introdução do tratamento anti-retroviral de combinação altamente
eficaz em 1996 transformou as perspectivas das pessoas com infecção VIH. Existe 
agora um corpus substancial de literatura de investigação que demonstra que a terapêutica
com os medicamentos anti-retrovirais faz descer a carga viral, aumenta a contagem
de células CD4 e aumenta a sobrevivência sem evolução para SIDA.

No entanto, as doenças não relacionadas com o VIH estão a tornar-se uma causa cada
vez mais frequente de doença e morte em doentes infectados pelo VIH. Assim, é importante
compreender o impacto do tratamento para o VIH na sobrevivência das pessoas infectadas.

Estudos anteriores que tentaram examinar este problema apresentavam limitações devidas
a vários factores.

Muitos não analisavam um número suficiente de doentes naïve para determinar correctamente
o efeito do início do tratamento para o VIH sobre a mortalidade por qualquer causa.
Muitas investigações anteriores não tomaram em conta os possíveis factores de confusão,
tais como, o patamar inicial da contagem de células CD4, a carga viral e o grupo
de transmissão do VIH.

Os investigadores da HIV-CASUAL Collaboration quiseram obter uma maior compreensão
do início do tratamento para o VIH sobre o risco geral de mortalidade para doentes
infectados pelo VIH.

Os investigadores estudaram os registos de 62 760 doentes que, entre 1996 e 1998,
estiveram inscritos em doze estudos de coortes diferentes na Europa e nos Estados
Unidos. Nenhum dos doentes tinha feito tratamento para o VIH, antes da inclusão 
nestes estudos.

Os investigadores compararam o risco de mortalidade para doentes que iniciaram o
tratamento, com o risco dos que não iniciaram. As tendências de mortalidade foram
também monitorizadas durante um período de cinco anos, de acordo com o facto de 
os medicamentos para o VIH terem sido tomados ou não. O efeito da contagem no patamar
das células CD4 e outros factores incluindo a transmissão do VIH também foram incluidos.

Resultados 
O tratamento para o VIH foi iniciado por 26% dos doentes nos três primeiros
meses após a entrada num estudo de uma coorte e por 55% dos indivíduos no fim do
estudo e durante o seguimento (follow-up) (2003-2007).

A duração média do seguimento (follow-up) foi de 3,3 anos.

Um total de 2039 doentes morreu, uma taxa de mortalidade de 10 por 1000 pessoas/
ano.

Ao todo, o risco de morte por qualquer causa foi reduzido em 52% para os doentes
que iniciaram a terapêutica anti-retroviral.

Iniciar o tratamento para o VIH foi especialmente benéfico para doentes com um sistema
imunitário muito fraco, reduzindo o risco de morte em 71% para os que iniciaram 
a terapêutica anti-retroviral quando a sua contagem de células CD4 era inferior 
a 100 células/mm3.

Os benefícios também foram importantes para os doentes cujas contagens de células
CD4 eram consideradas “normais”. Aqueles que iniciaram o tratamento para o VIH quando
a sua contagem de células CD4 era igual ou superior a 500 células/mm3 viram o seu
risco de morte por qualquer causa reduzido em 23%, comparado com os doentes que 
permaneceram sem tratamento.

Em seguida, os investigadores calcularam a probabilidade de sobreviverem cinco anos
para os doentes que iniciaram a terapêutica anti-retroviral e para os que não o 
fizeram.

Em geral, a taxa de sobrevivência foi de 96% para os que aceitaram o tratamento 
e de 92% para os que o recusaram.

Mais uma vez, estes resultados variaram de acordo com a contagem de células CD4,
com os maiores benefícios observados nos doentes com sistemas imunitários mais fracos.

A probabilidade de sobrevivência a cinco anos para aqueles que iniciaram o tratamento
para o VIH quando a sua contagem de células CD4 era igual ou inferior a 100 células/
mm3 foi de 83%, comparada com apenas 43% para os doentes com uma contagem de células
CD4 deste nível e que não iniciaram o tratamento com anti-retrovirais.

Iniciar o tratamento para o VIH também aumentou as probabilidades de sobrevivência
com contagens CD4 mais elevadas. Os doentes que iniciaram a terapêutica quando a
sua contagem de células CD4 se encontrava entre 200 a 350/mm3 tinham 6% mais probabilidades
de sobreviverem dos que não a iniciaram (97% vs. 91%).

Um ligeiro benefício para a sobrevivência foi também observado entre doentes que
iniciaram o tratamento com medicamentos anti-retrovirais quando a sua contagem de
células CD4 era superior a 350/mm3 (97% vs. 94%).

O tipo de transmissão do VIH também afectou as probabilidades de sobrevivência, 
mesmo quando era administrado o tratamento para o VIH. Os indivíduos com infecção
VIH por transmissão heterossexual ou de sexo entre homens tinham mais probabilidades
de estarem vivos nos cinco anos seguintes ao início do tratamento anti-retroviral.
do que os por transmissão através da injecção de drogas (97% vs. 97% vs. 83%).

“Estimamos que a terapêutica de combinação anti-retroviral reduziu para metade a
taxa de mortalidade dos indivíduos infectados pelo VIH nos países desenvolvidos,
e que a redução absoluta na mortalidade era mais forte para aqueles com prognósticos
piores no início do follow-up”, escrevem os investigadores.

No entanto, é enfatizado que tal conclusão não apoia o adiamento do início do tratamento
para o VIH.

É verdade que os investigadores concluem que o risco da mortalidade a cinco anos
de doentes tratados com menos de 100 células/mm3 no patamar inicial (11%) foi quase
quatro vezes maior do que o risco dos doentes tratados com mais de 500 células/mm3(
3%).”

Referência 
The HIV-CASUAL Collaboration. The effect of combined antiretroviral 
therapy overall mortality in HIV-infected individuals. AIDS 24: 123-37, 2010.

Tradução 
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

[VER AQUI](http://www.aidsmap.com/pt/news/96788A7C-C5E0-4B3F-8FA4-5BC01D78BE6E.asp)

_In aidsmap
14.1.2010

## Leia também

 * [Iniciar o tratamento anti-retroviral não reduz a incidência ou a prevalência de infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano HPV](https://soropositivo.org/iniciar-o-tratamento-anti-retroviral-nao-reduz-a-incidencia-ou-a-prevalencia-de-infeccao-do-colo-do-utero-pelo-virus-do-papiloma-humano-hpv/)
 * [#soropositivoorg : A maioria dos doentes portadores de VIH na América do Norte necessita de iniciar o tratamento no momento do diagnóstico](https://soropositivo.org/soropositivoorg-a-maioria-dos-doentes-portadores-de-vih-na-america-do-norte-necessita-de-iniciar-o-tratamento-no-momento-do-diagnostico/)
 * [A contagem de linfócitos e de hemoglobina pode prever o prognóstico dos doentes a iniciar a TARc](https://soropositivo.org/a-contagem-de-linfocitos-e-de-hemoglobina-pode-prever-o-prognostico-dos-doentes-a-iniciar-a-tarc/)

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