# Irmã abre as portas do Lar das Crianças com HIV e mostra as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia

- Link: https://soropositivo.org/irma-abre-as-portas-do-lar-das-criancas-com-hiv-e-mostra-as-dificuldades-enfrentadas-no-dia-a-dia/
- Published: 2009-12-09T13:29:44-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

### Table Of Content

 * [CAPITAL NEWS ](https://soropositivo.org/irma-abre-as-portas-do-lar-das-criancas-com-hiv-e-mostra-as-dificuldades-enfrentadas-no-dia-a-dia/#capital-news%c2%a0)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/irma-abre-as-portas-do-lar-das-criancas-com-hiv-e-mostra-as-dificuldades-enfrentadas-no-dia-a-dia/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/irma-abre-as-portas-do-lar-das-criancas-com-hiv-e-mostra-as-dificuldades-enfrentadas-no-dia-a-dia/#relacionado)

As despesas em dinheiro, fora o que precisa ser arrecadado em alimentos, materiais
de limpeza, e tudo o que garante a sobrevivência do Lar das Crianças com **HIV**/**
Aids** na Capital chegam a mais de R$ 20 mil por mês. Segundo a irmã Madalena, diretora
da Afrangel (Associação Franciscana Angelinas), que cuida do local há dez anos, 
tudo provém de doações feitas por pessoas de “bom coração”.

 

Em um prédio próprio, especialmente bem cuidado e aconchegante, irmã Madalena conta
à reportagem do Capital News as dificuldades que o Lar enfrenta para cuidar diariamente
de 29 crianças entre zero e 13 anos, portadoras do vírus **HIV** e suas famílias.
Segundo a diretora, a crise enfrentada mundialmente este ano também afetou as doações,
deixando o estabelecimento sem condições para pagar os funcionários e profissionais
da saúde que atendem as crianças.

Dia-a-dia

 

A rotina das quatro irmãs que cuidam do local começa muito cedo, antes das 5 horas
da manhã. “As crianças que moram em Campo Grande, as irmãs passam às 5 horas nos
terminais para pegá-las, dão café e aí levam as que estudam para as escolas. As 
que moram no interior passam a semana aqui conosco. Às 11h30, elas chegam do colégio,
umas têm remédio para tomar, aí almoçam, descansam e depois vão para as atividades
diversificadas”, explica irmã Madalena.

 

O Lar possui consultório odontológico, médico, sala de fisioterapia, psicologia,
brinquedoteca, sala de informática e outros cômodos para o bem-estar das crianças,
porém, para que tudo possa funcionar precisa dos profissionais, um dos maiores problemas
enfrentados atualmente. “Têm funcionários que são voluntários, mas os de limpeza,
a monitora que fica com as crianças, e alguns da saúde tem que pagar, porque mais
de duas vezes por semana, quatro horas já é vínculo empregatício”.

 

Irmã Madalena diz que as aulas de informática são dadas por elas mesmas, as de artesanato
e capoeira por voluntários, que continuaram lá, mesmo sem poder receber. Já no caso
dos médicos, somente o voluntariado não resolve os problemas das crianças.

 

“Têm médicos que deixam de atender um dia no Hospital Dia e vêm atender aqui. Eles
são voluntários e pagos pela graça de Deus”, diz, mas informa que a falta de profissionais
disponíveis compromete o tratamento, como no caso da fisioterapeuta, que é voluntária
e que atende quatro horas por semana, o suficiente para quatro das 29 crianças.

 

“Todas precisam porque essa doença debilita outras coisas, como as pernas. Então
a fisioterapia é uma forma de prevenção, mas nesse caso está sendo feita como prioridade
para os casos mais críticos”, diz.

 

Outro problema sério é a falta de um dos principais profissionais quando se trata
desta doença, muitas vezes acompanhado do preconceito: o psicólogo. A irmã conta
que tinha uma psicóloga “muito boa”, porém, teve que demiti-la por não poder pagar
seu salário. “Eles perdem pai, mãe, tios. A doença é devastadora, e a psicóloga 
é o braço direito da casa”.

 

Além disso, falta ainda fonoaudióloga, dentista que é voluntária e ajuda para pagar
a assistente social, que voltou a ser contratada há pouco tempo, para fazer o acompanhamento
no Lar das Crianças.

 

Arrecadação

 

Os gastos não param por aí. Todos os meses, o Lar recebe da Sesau (Secretaria Municipal
de Saúde Pública), os coquetéis para o tratamento. Porém, a irmã diz que a dosagem
é de adultos, o que leva a ter mais despesas com a manipulação para uso em crianças.“
Toda despesa é despesa, ainda mais que estamos no vermelho. As autoridades têm que
começar a pensar que criança também tem a doença.”

 

Para tentar melhorar a condição do Lar, irmã Madalena criou a campanha  “Apadrinhe
uma Criança”, onde as pessoas podem doar quantias que variam de R$ 10,00 a R$ 50,00
mensais, para ajudar a manter os funcionários e a pagar as despesas, como os passes
de ônibus, que não são gratuitos. O dinheiro pode ser depositado na agência 2959-
9, conta-corrente 22.198-8, Banco do Brasil, Campo Grande- MS.

Segundo a administradora da casa, o Lar está firmando parceria com a Rede de Supermercados
Comper, para participar da Campanha Troco Solidário e também da sacola do Fort Atacadista,
onde uma porcentagem é da instituição.

 

Ajuda

 

Irmã Madalena diz que além das 29 crianças, o Lar ajuda 115 famílias que possuem
o vírus, com a doação de uma Cesta Básica. “Eles não são atendidos aqui porque com
a graça de Deus eles não desenvolveram o vírus, só a mãe e o pai possuem, então,
fazemos o acompanhamento em casa.”

 

Ela explica que a alimentação é um dos fatores principais no tratamento. “A alimentação
salva muita coisa, porque se não comer a pessoa fica debilitada, e aí as doenças
oportunistas tomam conta.”

 

A irmã diz que toda a sociedade pode ajudar: “Se você conhece uma família que tem
um portador de **HIV**, ligue para nós.”

 

Socorro

 

Irmã Madalena informou que todas as doações são bem-vindas, porque o Lar é “imprevisível”.
No entanto, se comoveu com a história de uma menina de 13 anos, que está muito debilitada
e por isso é atendida em casa, para não ter que enfrentar as viagens até o Lar. “
Quando uma pessoa não sabe o que fazer, peço para ela pagar um plano de saúde para
uma das crianças, porque horas na fila do SUS [Sistema Único de Saúde] pode matar.
Tem uma menina que está em estado grave e precisa de alguém que pague para salvá-
la.”

 

Sonhos

 

No terreno onde foi construído o Lar, existe um pátio grande, no qual irmã Madalena
sonha construir um salão para festas, um quiosque e um parquinho. Segundo ela, há
quatro semanas, entrou em contato com a Prefeitura, para que fosse buscar os entulhos,
mas, até o momento, ninguém foi retirá-los.

 

A irmã mostra o parquinho que ganhou, e que está esperando para ser montado, quando
o lixo for retirado do quintal: “Para mim, crianças têm que brincar.”

 

As doações para o Lar das Crianças com **HIV**/**Aids** devem ser enviadas para 
a rua Seminário, 2.170, bairro Jardim Seminário, Campo grande, Mato Grosso do Sul.

 

** **

** **

** **

**  **

  |

## **CAPITAL NEWS**** **

  |

**Editoria:**

  |

**Pág.**

  |

**Dia / Mês/Ano:**

  |  
 |

** **

  |

** **

  |

**09/DEZEMBRO/09**

  |

## Leia também

 * [Portadores de HIV são resistentes às adversidades](https://soropositivo.org/portadores-de-hiv-sao-resistentes-as-adversidades/)
 * [CRIANÇAS AFETADAS PELA AIDS](https://soropositivo.org/criancas-afetadas-pela-aids/)
 * [Terapia com anticorpos abre as portas para o potencial novo tratamento de HIV](https://soropositivo.org/terapia-com-anticorpos-abre-as-portas-para-o-potencial-novo-tratamento-de-hiv/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

### _Relacionado_
