# Koch: O bacilo da pobreza

- Link: https://soropositivo.org/koch-o-bacilo-da-pobreza/
- Published: 2011-02-27T16:04:55-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

** **

**Tuberculose | AIDS | DST**

**⌊pobreza⌉⌊pobreza⌉ **

 

 

Números da **TUBERCULOSE** caíram, mas a resistência do bacilo de Koch cresceu

 

Os números alarmam: a cada ano, 440 mil casos de **TUBERCULOSE** resistente a medicamentos
surgem no mundo, gerando uma média de 150 [mil mortes](https://soropositivo.org/doencas-da-pobreza-matam-226-por-dia-no-pais/).
Quem in-forma é a Organização Mundial da Saúde (OMS), que re-força o alerta contra
essa doença infecciosa que ataca, principalmente, os pulmões. Segundo a entidade,
grande parte do problema está no uso in-discriminado de medicamentos, que acaba 
provocando resistência de inúmeras doenças às drogas.

No Brasil, foram notificados quase 72 mil novos casos de **TUBERCULOSE** em 2009,
o que representa uma taxa de incidência de cerca de 37 por 100 mil habitantes, segundo
os últimos dados do Ministério da Saúde. De acordo com a pneumologista Margareth
Dalcolmo, diretora do Centro de Referência Hélio Fraga,

da Fiocruz, 0,8% dos casos de **TUBERCULOSE** são multirresistentes no país: cerca
de 700 por ano.

Ainda que o número não seja expressivo, merece atenção.

Segundo Margareth, os tratamentos para a **TUBERCULOSE** duram seis meses e custam,
em média, US$ 30 por paciente. Mas curar uma pessoa que desenvolveu resistência 
à doença,pode custar US$ 2 mil.

– É um tratamento até quatro vezes mais longo e usa medicamentos mais caros – explica.–
Além disso, usa medicação injetável, que gera gastos com remédio, seringa, agulha,
alguém que aplique, observação no posto médico e por aí vai.

Rocinha apresenta o maior índice da doença

Segundo Margareth, apesar da **TUBERCULOSE** vir apresentando declínio nos últimos
15 anos no país, os resultados ainda não são os esperados.

– Hoje, a **TUBERCULOSE** decai, a cada ano, numa média de 2,2%, enquanto o esperado
era de 5%. Ainda uma velocidade abaixo da desejável – lamenta.

A pneumologista alerta, ainda, para as marcantes variações regionais da doença. 
Em Manaus e no Rio de Janeiro, por exemplo, a taxa de incidência gira em torno de
70 por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional. Somente na favela da
Rocinha, a maior do Brasil, a taxa sobe para 200.

Segundo Marcus Barreto Conde, professor Instituto de Doenças do Tórax do Hospital
Universitário Clementino Fraga Filho, a **TUBERCULOSE** é uma doença relacionada
ao baixo índice de qualidade de vida e baixo acesso ao sistema público de saúde.

– As grandes capitais são os locais onde encontramos grandes bolsões de pobreza 
e, onde, coincidentemente, as taxas de **TUBERCULOSE** são maiores – observa.

Para Ana Glória Pires, representante da Secretaria Executiva da Parceria Brasileira
Contra a **TUBERCULOSE**, que promove ações de combate à doença, a enfermidade ainda
é alvo de muito preconceito no país.

– A **TUBERCULOSE** persiste porque é estigmatizada pela pobreza, porque está mais
nas favelas, nos presídios e na população de rua – comenta. – Apesar de ter fácil
tratamento, é mais difícil trabalhar com ela do que com a **AIDS**, por exemplo.
Isso acontece porque ainda há muito preconceito. Ter **TUBERCULOSE** denota que 
você é pobre, mora em local pouco saudável, com doentes.

Para os especialistas, o maior desafio é tratar a doença enquanto ela ainda é precoce.
Mas a falta de informação adequada acaba agravando esta realidade.

– Quando a gente detecta um caso, a conduta vai além do tratamento – explica Margareth.

– Cada doente diagnosticado gera, em média, quatro novos casos, envolvendo as pessoas
que estiveram em contato com ele e que podem estar contaminadas.

Então temos que fazer um mapeamento do caso.

Marcus adianta que é preciso ficar atento aos sinais da doença:

– Todo paciente com tosse há mais de duas semanas, que emagreceu e apresenta febre,
deve procurar ajuda médica, especialmente de um pneumologista .

**JORNAL DO BRASIL – RJ | SAÚDE **

## Leia também

 * [OMS alerta para crescimento da tuberculose resistente](https://soropositivo.org/oms-alerta-para-crescimento-da-tuberculose-resistente/)
 * [O silêncio da tuberculose](https://soropositivo.org/o-silencio-da-tuberculose/)
 * [OMS alerta para nova tuberculose incurável](https://soropositivo.org/oms-alerta-para-nova-tuberculose-incuravel/)

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