# Mães adotam crianças com saúde frágil

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- Published: 2009-06-07T22:26:27-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### Mães adotam crianças com saúde frágil 

Dona de casa adotou criança que passou por transplante de rim, enquanto professora
tem filha portadora do vírus HIV

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 * [Leia também](https://soropositivo.org/maes-adotam-criancas-com-saude-fragil/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/maes-adotam-criancas-com-saude-fragil/#relacionado)

Para a dona de casa Lúcia, filho de seis anos que fez transplante de rim e precisará
de outro aos 15 anos é um “guerreiro”

 

BRUNA SANIELE

DA FOLHA RIBEIRÃO

 

“Vivo um dia de cada vez. Filho é filho, problema todo mundo pode ter.” É assim 
que a dona de casa Lúcia, 50, de Ribeirão, explica porque não se preocupa com o 
próximo transplante pelo qual seu filho Marcos, 6, terá que passar aos 15 anos.

Mesmo sabendo que a criança exige cuidados especiais, ela resolveu adotá-lo quando
ele estava com três anos. “Não fui eu quem o escolheu, foi ele quem quis que eu 
fosse sua mãe”, disse. Lúcia faz parte de um grupo muito limitado, o de mães -que
hoje celebram seu dia- que adotam crianças com problemas de saúde.

Mãe de três filhas adultas, Lúcia conheceu Marcos por intermédio da filha Amanda,
à época com 23 anos. Subindo o elevador do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão
Preto, onde fazia estágio, ela se encantou com o menino que perambulava de avental
pelos corredores do hospital. Marcos vivia no local desde o nascimento por causa
de disfunção nos rins, que exigia diálise três vezes por semana e só foi curada 
com um transplante.

Abandonado pelos pais biológicos, ele passou pelo transplante sozinho e estava prestes
a ser levado para um abrigo, para aguardar pela adoção. “Logo depois que minha filha
o conheceu, ela foi nos sensibilizando sobre a condição dele. No começo não sabíamos
que ele estava para adoção, quando descobrimos decidimos adotá-lo, antes mesmo de
conhecê-lo. Eu já estava apaixonada por ele”, afirmou Lúcia.

Após o primeiro contato com a equipe responsável pela adoção, foram três meses até
que ela pudesse levar o filho para casa. “Toda vez que eu ia embora sentia que estava
abandonando o meu filho, não queria ir.” A situação especial, com a exigência de
cuidados médicos, alimentação especial e medicação para toda a vida, não a assusta.“
Ele é um guerreiro e nós vamos lutar juntos e superar o que vier pela frente.”

Segundo a psicóloga do setor de adoção da Vara da Infância de Ribeirão, Valéria 
Mattar, crianças que requerem cuidados especiais são preteridos na adoção -poucas
famílias aceitam essa responsabilidade.

A possibilidade de vivenciar problemas de saúde da filha também não preocuparam 
a professora Sônia, 42, mãe adotiva de Mariana, de cinco anos. A criança, portadora
do vírus HIV, foi adotada há dois meses junto com o irmão, de três. Durante o processo
de adoção, Sônia foi questionada pelas assistentes sociais sobre a condição da criança,
os cuidados médicos e até a possibilidade de uma morte prematura.

Nada disso impediu a adoção. Atualmente, o único cuidado especial da criança é a
medicação. “Se não fosse isso, nós nem lembraríamos que ela tem o vírus. Nunca deixaria
de ficar com ela por causa disso”, disse. Sônia diz temer que a filha seja discriminada,
mas disse estar disposta a enfrentar eventual dificuldade.

“Gostaria que todos soubessem que viver bem com HIV é uma realidade hoje. Minha 
filha vai poder levar a vida normal que leva agora no futuro”, disse Sônia.

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## FOLHA DE S. PAULO – SP

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Editoria:

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Dia / Mês/Ano:

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FOLHARIBEIRÃO

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10/MAIO/09

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 * [Experiência de quem preservou os filhos](https://soropositivo.org/experiencia-de-quem-preservou-os-filhos/)
 * [Número de bebês de mães muito jovens cresceu 29%](https://soropositivo.org/)
 * [Estudo aponta que filhos de mães com HIV nascem com alterações no sangue mesmo sem serem infectados pelo vírus](https://soropositivo.org/estudo-aponta-que-filhos-de-maes-com-hiv-nascem-com-alteracoes-no-sangue-mesmo-sem-serem-infectados-pelo-virus/)

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