# Mais homens seronegativos para o VIH estão a ter relações sexuais desprotegidas em relações sexuais primárias, mas nem todos conhecem o estatuto serológico dos parceiros

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- Published: 2010-11-18T22:09:12-02:00
- Author: 

Roger Pebody

  

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 * [Referência](https://soropositivo.org/mais-homens-seronegativos-para-o-vih-estao-a-ter-relacoes-sexuais-desprotegidas-em-relacoes-sexuais-primarias-mas-nem-todos-conhecem-o-estatuto-serologico-dos-parceiros/#referencia)
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 * [Leia também](https://soropositivo.org/mais-homens-seronegativos-para-o-vih-estao-a-ter-relacoes-sexuais-desprotegidas-em-relacoes-sexuais-primarias-mas-nem-todos-conhecem-o-estatuto-serologico-dos-parceiros/#leia-tambem)
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Investigadores relatam num artigo publicado online antes da edição impressa da revista
_Sexually Transmitted Diseases_ que, continuando a verificar-se uma tendência de
crescimento observada há mais de uma década, 36% dos homens que fizeram parte de
um estudo efectuado em 2008 em ginásios londrinos tinha tido relações sexuais anais
desprotegidas nos três meses anteriores. No entanto, dizem os investigadores, este
aumento geral “esconde um quadro mais complexo” no que diz respeito ao estatuto 
serológico dos parceiros destes homens.

Actualmente, ocorre mais sexo desprotegido entre parceiros com o mesmo estatuto 
serológico do que entre parceiros com estatuto serológico para o VIH desconhecido
ou discordante. Além disso, tem havido um aumento no número de homens que relatam
ter relações sexuais desprotegidas com um parceiro principal cujo estatuto é desconhecido
ou diferente.

Efectua-se, desde 1998, um inquérito anual nos ginásios londrinos que são frequentados
por homossexuais masculinos. O inquérito foi anualmente realizado entre 1998 e 2005
inclusive e finalmente em 2008, quando participaram 648 homens.

Entre outras coisas, foi perguntado aos homens se tinham tido sexo anal desprotegido
nos últimos três meses e para especificarem se tinha sido com um parceiro principal
ou ocasional. Eram igualmente solicitadas informações sobre o seu próprio estatuto
serológico para o VIH e se sabiam o estatuto do parceiro(s) com quem tinham tido
sexo anal desprotegido.

Quando o estudo foi realizado pela primeira vez, em 1998, 24% dos homens relatou
ter tido sexo anal desprotegido recentemente (UAI, em inglês), um valor que subiu
para 36% em 2008.

No entanto, tanto no inquérito de 2005 como no de 2008, mais homens relataram ter
tido relações sexuais desprotegidas com homens com o mesmo estatuto serológico (“
serosorting”, em inglês) do que com homens com estatuto desconhecido, presumido 
como ou diferente para o VIH. Traduzindo isto em números, em 2008, 21% relataram
UAI com homens com o mesmo estatuto e 16% relataram UAI com homens de estatuto desconhecido,
presumido ou diferente.

Entre os homens seropositivos, 14% “serosorted” com parceiros casuais em 2008. Embora
o número de homens a relatar este comportamento tenha subido em inquéritos anteriores,
foi menor em 2008 do que em 2005. Além disso, 10% dos homens seropositivos tinham
tido sexo desprotegido com um parceiro principal que era igualmente seropositivo
para a infecção pelo VIH.

Entre os homens que indicaram que o último teste para o VIH tinha sido negativo,
menos de 2% “serosorted” com parceiros casuais. Contudo 21% tinha tido sexo desprotegido
com um parceiro principal cujo último teste para o VIH tinha sido igualmente negativo.
A percentagem de homens que relata este comportamento tem vindo a aumentar desde
o primeiro inquérito em 1998, quando este valor foi de 12%.

Os investigadores expressaram a sua preocupação sobre o modo como os homens seronegativos
estabelecem que o parceiro usual tem o mesmo estatuto. Enquanto quatro em dez foram
testados em conjunto, os outros falaram sobre o seu estatuto. Os autores consideram
que isto é insatisfatório uma vez que a precisão da informação partilhada está dependente
do tempo passado desde o último teste e de subsequentes comportamentos de risco.

Passando agora ao sexo desprotegido com parceiros cujo estatuto para o VIH pudesse
ser diferente, as primeiras relações parecem ser aquelas onde uma crescente assumpção
de risco está a ocorrer, embora os números absolutos permaneçam baixos.

Comparando os inquéritos de 2005 e de 2008, houve aumentos significativos no número
de homens a relatar ter tido sexo desprotegido com um parceiro principal de estatuto
serológico para o VIH desconhecido, assumido ou diferente.

Entre os homens seronegativos, isto foi relatado por 2,1% em 2005, subindo para 
5,5% em 2008. Em quase todos os casos o estatuto do parceiro era desconhecido, ou
assumido como sendo o mesmo ao invés de conhecido por ser diferente.

Entre os homens seropositivos, a percentagem foi de 2,5% em 2005, aumentando para
8,1% em 2008. Em metade destes casos aproximadamente, o estatuto serológico para
o VIH do parceiro era conhecido como sendo seronegativo.

Em relação ao sexo desprotegido com parceiros ocasionais de estatuto desconhecido
ou assumidamente seropositivo para o VIH, uma proporção bastante significativa de
homens seropositivos relatou tal (19%), embora este número seja muito inferior em
relação a inquéritos realizados no início da década.

Menos do que 6% dos homens seronegativos referiu este comportamento, o número mais
baixo relatado em qualquer destes inquéritos efectudos nos ginásios. Os investigadores
comentam: “Esta é uma tendência encorajadora e reflecte provavelmente as campanhas
de saúde consistentes e sustentadas dirigidas à população homossexual masculina”.

Resumindo, os investigadores comentam que estes resultados ”sugerem que os parceiros
principais podem se ter tornado numa importante fonte de risco para o VIH entre 
os homens gay de Londres.” Recomendam que mais campanhas de promoção da saúde sejam
focadas nos riscos do VIH no contexto das relações e na promoção do teste entre 
os casais.”

### Referência

 

 Lattimore S et al._ Changing Patterns of Sexual Risk Behavior Among London Gay 
Men: 1998–2008. _Sex Transm Dis 2010 doi: 10.1097/OLQ.0b013e3181f2ebe1

### Tradução

 

 [_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

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## Leia também

 * [Sentença de dez anos em Julgamento de VIH+ na Escócia](https://soropositivo.org/sentenca-de-dez-anos-em-julgamento-de-vih-na-escocia/)

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