# Mapa GLS ganha points até na periferia

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- Published: 2009-06-19T22:55:57-03:00
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 * [O Estado de S. Paulo](https://soropositivo.org/mapa-gls-ganha-points-ate-na-periferia/#o-estado-de-s-paulo)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/mapa-gls-ganha-points-ate-na-periferia/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/mapa-gls-ganha-points-ate-na-periferia/#relacionado)

Para ativistas, novelas e Parada ajudaram a reduzir preconceito

William Glauber

As noites de sábado no 12.983 da Avenida Sapopemba, em São Mateus, zona leste de
São Paulo, são embaladas por ícones gays como Madonna, Cher e Whitney Houston. Distante
do eixo República-Consolação-Jardins, o Guinga”s Bar é exemplo da expansão das fronteiras
GLS da cidade, com abertura de bares e danceterias no extremo sul e em cidades da
Grande São Paulo. Entre os fatores para esse crescimento estão a Parada GAY e a 
presença de personagens homossexuais em novelas.

Points surgiram no Carrão e no Tatuapé, na zona leste, no Ipiranga e em Interlagos,
zona sul, e em Santo André, Osasco, Carapicuíba e Mogi das Cruzes. São alternativas
aos “velhos” points do centro, embora os ambientes sejam parecidos, com hits pop
para meninos e apresentações de MPB para meninas, além de karaokê.

“Essa visibilidade era impensável em locais como São Mateus, até poucos anos. Gays
tendem a ir para o centro, porque lá são invisíveis”, diz Beto de Jesus, secretário
para a América Latina e Caribe da International Lesbian and GAY Association. “Mas,
com uma Parada GAY que atrai milhões, cria-se clima favorável à aceitação.”

Na periferia, as relações cotidianas são mais estreitas. “Conheço bares do centro,
mas freqüento aqui porque estou perto de casa e fico entre amigos”, diz Michael 
Douglas dos Santos, de 18 anos, que costuma ir ao Guinga”s, evitando viagem de duas
horas até o centro.

Outro ponto é a praça de alimentação do Shopping Metrô Tatuapé, que lota nas noites
de segunda. Na Penha, o Diva”s Bar reabrirá no mês que vem, após ter funcionado 
de 2004 a 2006, em Itaquera e depois no Aricanduva. “A zona leste é gigante, e têm
muitos gays e lésbicas aqui”, diz a analista de marketing Fabiana Rodrigues, de 
25 anos, que mora em Itaquera e freqüenta o Babadu”s Bar, no Carrão. A dona, Regina
Gomes, diz que abriu o Babadu”s a pedido de amigos.

Distância não é problema para o supervisor de atendimento Everton Silva, de 26, 
que sai de Osasco para se divertir com o namorado. Em vez do centro, eles vão ao
Boteco Ouzar, no Ipiranga. “Aqui o ambiente é voltado mais para casais”, explica.

Em Interlagos, Mari de Souza, de 43, toca a Reencontros, que tem DJ e shows de drag
queens, há dois anos. “O público é eclético. A maioria é fiel, até porque somos 
a única casa GAY aqui.” Em Carapicuíba, gays e lésbicas dançam na Rainbow. Em Osasco,
há o Point Mix; em Santo André, shows de drags são “sagrados” no Santo Pastel. Em
Mogi das Cruzes, a Up Club agita a noite.

Essa aceitação foi influenciada pela TV, diz o sociólogo e pós-doutorando em Ciências
da Comunicação pela USP Ferdinando Martins. “A dona de casa, quando vê o Bruno Gagliasso
sofrer por amor na novela das oito (América, da Globo, de 2005), vê que aquele sentimento
faz parte da vida. Continua existindo preconceito, mas em menor grau.”

A mudança se reflete na auto-estima dos homossexuais. “Não tive problemas (com homofobia)
e, se me chamarem de sapatão, não estou nem aí”, diz a vendedora Hendy de Lucena
Silva, de 21, que vive em São Mateus e, quando pode, leva até a mãe ao Guinga”s.

Frei Caneca, a rua mais livre e GAY friendly de SP

Um casal de homens caminha de mãos dadas pela rua. Na outra esquina, duas garotas
se beijam. Quem passa vê as cenas com tranqüilidade. Isso é comum na Rua Frei Caneca,
na região central. Lá, casais – gays ou não – têm liberdade para trocar carícias,
sem se preocupar com olhares de reprovação ou agressões. Não por acaso a rua se 
transformou numa espécie de território livre. “É o povo mais cool de São Paulo, 
um “pico” GAY-friendly”, resume a estudante Eloa Pattaro, de 22 anos.

“Sentimos mais liberdade na Frei Caneca por existirem mais casais como nós”, diz
o empresário Marcello Chagas, de 29 anos, que namora há 6 anos o hair stylist Marcos
Veríssimo, de 24. Tamanha liberdade tem atraído um número cada vez maior de gays
e de heterossexuais sem um pingo de homofobia. São na maioria jovens escolarizados
e de bom poder aquisitivo, segundo o antropólogo Alexandre Paulino Vega, autor de
um estudo sobre a sexualidade no centro.

Essa efervescência começou há 13 anos, com a abertura da boate A Lôca. “Não tinha
nada na época, nem mesmo a quantidade de gays de hoje”, conta o promoter e DJ Nenê
Krawitz.

Deu certo. A Lôca hoje é um dos lugares mais badalados da noite paulistana. E serviu
de inspiração a outros points GLS. Quase na esquina com a Rua Dona Antônia de Queirós,
Vadilson Valeriano montou O Gato, casa que tem 95% de freqüentadores gays. “Mas 
sempre recebo casais heterossexuais por aqui.”

O Shopping Frei Caneca é bastante freqüentado por gays desde a inauguração, em 2001.
E acaba refletindo a mistura das calçadas, principalmente após o “beijaço”. Considerado
um marco, ele ocorreu em 3 de agosto de 2003, como forma de protesto contra a repressão,
por parte de seguranças do shopping, a um beijo entre gays. Cerca de 3 mil pessoas
se reuniram no local para um beijo coletivo. “Depois, todos os shoppings chamaram
a segurança e informaram sobre a Lei 10.948, de 2001 (que penaliza a discriminação
sexual no Estado)”, conta Lula Ramires, organizador do beijaço.

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## **O Estado de S. Paulo**

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## Leia também

 * [São Paulo terá Mapa da Homofobia em 2010](https://soropositivo.org/sao-paulo-tera-mapa-da-homofobia-em-2010/)
 * [Exposição: Points gays do Rio são destaque em festivais na Europa](https://soropositivo.org/)
 * [Documentário sobre gays da periferia tem exibição gratuita neste sábado em SP](https://soropositivo.org/documentario-sobre-gays-da-periferia-tem-exibicao-gratuita-neste-sabado-em-sp/)

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