# Masculinidades e Violência

- Link: https://soropositivo.org/masculinidades-e-violencia/
- Published: 2009-09-15T10:33:47-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

            

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 * [CORREIO BRAZILIENSE – DF](https://soropositivo.org/masculinidades-e-violencia/#correio-braziliense-df)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/masculinidades-e-violencia/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/masculinidades-e-violencia/#relacionado)

 

Historicamente, comportamentos “equivocados” de homens têm gerado múltiplas violências
de gênero. Em pleno século 21, as mulheres se especializam, ocupam o mercado de 
trabalho, dividem as contas em casa, têm a terceira jornada de trabalho na família,
mas em contrapartida não têm ainda a igualdade efetiva de direitos entre homens 
e mulheres na sociedade e na família. É importante que conceitos de “ser mulher”
como meiga, bonita e submissa e “ser homem” como viril, agressivo e livre aprendidos
desde a infância e fonte principal das violências contra as mulheres, sejam revisados
e substituídos. Educar para a igualdade de direitos.

 

Inúmeros casos dessas violências ainda ocorrem diariamente em todo o país causando
muita indignação. A maioria, no entanto, ainda permanece silenciosa pelo medo do
companheiro e pela repercussão do fato. Outra faceta cruel dessa violência é revelada
nos dados recentes do Ministério da Saúde. Mulheres casadas ou com parceiro fixo,
que acreditam no pacto da fidelidade, não se protegem e são contaminadas por **DST**/**
AIDS** pelo marido/companheiro. Uma violência cruel.

 

Importante repensar também as consequências da “descriminalização” do adultério,
que, sem dúvida alguma, favorece o homem. A mulher, na maioria das vezes, ainda 
paga com a morte. Adultério não é crime, mas será que é um ato moralmente correto?
Importante que as mulheres também se imponham pelos seus princípios éticos e de 
dignidade e não constituam meros “objetos” de uso masculino. A violência se repete
quando um homem rejeita a gravidez da companheira, fato comum. Nessa situação, resta
à mulher provocar aborto correndo risco de morte ou ter o ônus de ter e manter o
filho sozinha, como se não houvesse pai. Por que homens espancam mulheres? São práticas
injustas, covardes e desiguais, que precisam ser desmistificadas e (re) construídas.

 

A sociedade civil brasileira, especialmente nestes últimos anos, tem se indignado
com essas violações e clama por mais rigor no cumprimento efetivo das leis de gênero
no Brasil. O Estado brasileiro, com a participação da sociedade, tem tomado medidas
importantes para punir essas violências. A criação das Secretarias de Direitos Humanos,
de Políticas Públicas para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial, assim 
como a aprovação da Lei Maria da Penha, que pune com mais rigor o homem que agride
a mulher, constituem marcos importantes.

 

No V Seminário Nacional Homens, Gênero e Políticas Públicas, analisando a violência
de gênero, os especialistas enfatizaram a importância da adoção de políticas de 
atenção ao homem objetivando garantir-lhes saúde, mas garantir também uma mudança
cultural nos comportamentos machistas, que geram violências. Importante uma (re)
educação, que construa a efetiva equivalência dos direitos entre homens e mulheres.

 

Se, juridicamente, mulheres e homens têm os mesmos direitos, como aceitar tantas
violações aos direitos das mulheres? O direito à liberdade individual não pode gerar
violências ao outro. A relação conjugal é um bom exemplo. Ninguém tem o direito 
de levar vantagens imputando sofrimento ao outro. O marido não tem mais direitos
do que a esposa. É necessária a cultura do respeito aos direitos humanos e do resgate
de princípios éticos/morais tão negligenciados na atual sociedade de culto ao prazer
fútil, sexo fácil e descomprometido gerando tantas violações.

 

Necessário (re) construir novas práticas de masculinidade contrárias à cultura de
violência atual, que tanto mata e violenta as mulheres no Brasil. Fóruns acadêmicos,
família, escola e mídia constituem palcos importantes para essa ampla discussão 
e busca de novos conceitos de masculinidade e de condutas femininas, que efetivamente
respeitem os direitos humanos.

 

» Vivina do C. Rios Balbino

 

Psicóloga, professora universitária e autora do livro Psicologia e Psicologia Escolar
no Brasil- formação acadêmica e compromisso com as demandas sociais.

 

Moradora da Asa Norte

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## Leia também

 * [Tráfico de mulheres](https://soropositivo.org/)
 * [Violência: o silêncio sobre o gênero](https://soropositivo.org/violencia-o-silencio-sobre-o-genero/)
 * [A Discriminação de soropositivos no Mercado de Trabalho](https://soropositivo.org/a-discriminacao-de-soropositivos-no-mercado-de-trabalho/)

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