# Massificação dos exames contra AIDS em estágio inicial é fundamental

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- Published: 2009-06-19T22:52:59-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [MidiaMax](https://soropositivo.org/massificacao-dos-exames-contra-aids-em-estagio-inicial-e-fundamental/#midiamax)
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 * [Leia também](https://soropositivo.org/massificacao-dos-exames-contra-aids-em-estagio-inicial-e-fundamental/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/massificacao-dos-exames-contra-aids-em-estagio-inicial-e-fundamental/#relacionado)

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## **MidiaMax**** **

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**03/DEZEMBRO/07**

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02/12/2007 14:40

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 Jacqueline Lopes 

 “No momento que a pessoa mantém relação sexual também se relaciona com o passado
do parceiro”. A frase é da médica infectologista, coordenadora municipal do Programa**
DST**/**Aids**, Gisele Maria Brandão de Freitas, 45 anos. Em entrevista ao Midiamax
na campanha mundial de luta contra à **Aids**, a especialista frisa de forma clara
e desprovida de preconceito todas as nuances da doença que embora seja grave, se
tratada, há esperança de conviver com o vírus **HIV** de forma saudável.

A massificação dos exames, e a constatação do vírus em seu estágio inicial são fundamentais
para que o tratamento por meio de medicamentos impeça a evolução do vírus **HIV**
para a **Aids**, defende Gisele Freitas. Em Campo Grande estima-se que 7.251 pessoas
vivem com **HIV** e grande parte delas desconhecem isso.

Outras 1.071 já estão no estágio de **Aids** – quando as células de defesa já não
conseguem enfrentar o vírus. Dos 1.071 pacientes que perderam a vida por causa da
doença 59 eram adolescentes. Em todo o mundo há 33,2 milhões de pessoas com **HIV**.

A realidade é preocupante. A cada minuto 14 pessoas se infectam com o vírus da doença.
Estima-se que 2,1 milhões já morreram desde 1980. No Brasil são 474, 2 mil casos
e 192,7 mil mortos. São 278.564 pessoas vivendo com a doença no País.

Midiamax – A senhora já disse em entrevista que no momento que a pessoa mantém relação
sexual também se relaciona com o passado da pessoa. Como é isso?

Gisele Freitas – Muitas vezes naquele relacionamento um está sendo fiel ao outro,
mas já tiveram um passado e muitas vezes não fizeram o uso do preservativo. Hoje
como não existe grupo de risco, se essas pessoas não se prevenirem, não fizerem 
o uso correto do preservativo, elas estão correndo risco porque a gente não sabe
quem tem e quem não tem o vírus do **HIV**. Temos pessoas que tiveram poucos parceiros
e até caso de pessoa que teve um único parceiro e é hoje portadora e vive com o **
HIV** **Aids**. Essa é a nossa preocupação para as pessoas não vacilarem, conversar
bastante com seu parceiro, com sua parceira. O ideal sempre é a fidelidade e antes
do matrimônio e de relacionar uma relação sexual seria muito importantes as pessoas
fazerem o teste. Há vários anos tinham os exames pré-nupcionais que ajuda muito 
não apenas por causa do **HIV** mas pelas doenças sexualmente transmissíveis e também
a hepatite B que é transmitida pelo sexo. Tem ainda os casos de crianças com sífilis
congênita por causa das mães passando sífilis para seus filhos. São situações graves
e que com o uso do preservativo muita coisa seria evitado.

Midiamax – Nos casos de adolescentes com **HIV**, qual a sua análise sobre a situação
que envolve os jovens? São quantos adolescentes infectados? E os óbitos?

Gisele Freitas – De pessoas de 14 a 22 anos temos 166 casos de **Aids**. Em relação
a óbitos de 15 a 19 anos foram 59 pessoas a óbito por causa da **Aids**. De 20 a
34 anos foram 1216 mortes. É muito triste ver esses dados porque são jovens perdendo
suas vidas por momentos que se tivesse a atitude de fazer a prevenção mesmo estariam
com a gente. Isso me preocupa bastante.

Midiamax – É mais difícil para o adolescente aceitar o tratamento?

Gisele Freitas – Isso é muito de cada pessoa. Da mesma forma que temos adolescentes
que fazem o tratamento perfeitamente, alguns adultos não fazem tão bem como a gente
espera. Isso nos deixa bastante tristes e porque às vezes a pessoa não tem a visão
da importância do tratamento. Até mesmo por causa do preconceito e discriminação
ficam com vergonha de tomar o medicamento na frente de outra pessoa e com isso há
o atraso. Depende muito de cada pessoa e por isso é importante conversar muito com
o paciente antes dele iniciar o tratamento.

Midiamax – Menos de 3% da população já fez o exame. E as pessoas que têm medo de
fazer o teste do **HIV**?

Gisele Freitas – É um grande vacilo quem não faz o exame por medo. O importante 
é saber como está nossa saúde. Oferecemos o serviço na rede pública. Primeiro, quando
você tem o diagnóstico precoce é atendido logo no serviço de referência. Muitas 
pessoas chegam para nós já quando o caso está avançado e muitas vezes não temos 
mais o que fazer. A gente vai acompanhando, fazendo os exames laboratoriais porque
a gente observa se houve uma queda na imunidade e nesse caso, podemos intervir com
medicamentos.

Midiamax – Quanto mais gente fizer o exame melhor para controlar a doença …

Gisele Freitas – A grande relevância de fazer o teste anti-**HIV** é da gente tentar
quebrar a cadeia de transmissão. A partir da hora que a pessoa sabe que tem **HIV**
a gente acredita que ela vai se proteger e proteger seu parceiro ou parceira. Isso
é fundamental. A gente vê a realização do teste como ato de prevenção para não chegar
a casos tão avançados de **Aids**.

Midiamax – Na luta contra a doença qual o pior inimigo o “amor” ou a disseminação
do tráfico de drogas?

Gisele Freitas – (silêncio) Pensando na epidemiologia, falar de amor é complicado
acho que é mais o sexo mesmo. O sexo não é amor, o ideal seria sexo e amor juntos,
mas a gente sabe que não é isso. O nosso grande inimigo é a relação sexual desprotegida.
Ainda existem muitos casos de **HIV** pelo uso de drogas endovenosa, mas eu não 
penso nessas drogas não. Penso em todas as drogas, pasta base, maconha, cocaína 
e até mesmo a bebida alcoólica, que deixa a pessoa num ponto impedida de lembrar
que ela precisa usar o preservativo. Sob o efeito das drogas ela tem uma relação
sexual e dificilmente vai lembrar do preservativo.

Midiamax – Quanto custa ao poder público fazer o tratamento e a prevenção à doença?

Gisele Freitas – Eu não estou com esses valores para você. Mas é muito melhor gastar
com a prevenção porque fazendo isso lá na frente não vai precisar de recurso enorme
para o tratamento. A gente sabe que é caríssimo. Se a gente for olhar em relação
aos medicamentos retro virais, um deles custa US$ 18 mil por ano. Isso é um. No 
coquetel são vários medicamentos. Imagina quanto tudo não fica. O recurso financeiro
é alto. A prevenção é a solução sem dúvida alguma.

Midiamax – Como funciona o atendimento dos casos de **HIV** nos postos de saúde?

Gisele Freitas – Na unidade básica de saúde a pessoa solicita o teste que é agendado
para a coleta do sangue ali mesmo, mas tem que ser marcado com antecedência. Qualquer
pessoa pode ir fazer. Já no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) a pessoa vai
passar por um aconselhamento, palestra e a coleta naquele dia, no local. Essa é 
a vantagem do CTA porque lá mesm
 o já fa z a coleta. Os postos são mais perto das
residências, mas neles tem que fazer o agendamento.

Midiamax – Os postos também não têm a equipe capacitada como é no CTA não é?

Gisele Freitas – O CTA tem uma equipe pronta para isso, mas as unidades básicas 
de saúde têm uma pessoa já capacitada para fazer o aconselhamento pré e pós-teste.
Midiamax – Como que fica a questão das analises laboratoriais já que houve a subnotificação
dos casos de **HIV** por conta da demanda da dengue? 
 Gisele Freitas – Vai melhor
bastante porque já está tudo informatizado no Labcem (Laboratório Central do Município)
e a demora será menor, teremos mais agilidade na entrega dos resultados.

Midiamax – Se houver uma demanda maior nos exames anti-**HIV**, como a rede pública
quer, o Labcem não ficará estrangulado?

Gisele Freitas – É muito importante que as pessoas façam os testes sim. Por isso
descentralizamos os encaminhamentos para as unidades de saúde porque não dava para
ficar tudo no CTA. Imagina a população inteira no CTA? Até hoje não tivemos problemas
quanto a coleta.

Midiamax – Qual o projeto para continuar a luta em 2008?

Gisele Freitas – Trabalhar muito com a prevenção, capacitar jovens e adolescentes
com o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas. A gente quer sensibilizar os pais 
e educadores para podermos trabalhar em conjunto e capacitar os profissionais da
saúde para trabalharmos com a terceira idade, profissionais do sexo, enfim todas
as pessoas vulneráveis a infecção pelo **HIV**.

## Leia também

 * [Massificação dos exames contra AIDS em estágio inicial é fundamental](https://soropositivo.org/massificacao-dos-exames-contra-aids-em-estagio-inicial-e-fundamental-2/)
 * [Campanha contra Aids previne mulheres](https://soropositivo.org/campanha-contra-aids-previne-mulheres/)
 * [Caminhada marca Dia Contra Aids, na Boca Maldita](https://soropositivo.org/caminhada-marca-dia-contra-aids-na-boca-maldita/)

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