# Médicos pedem investimentos em tratamentos da hepatite B [O Globo online]

- Link: https://soropositivo.org/medicos-pedem-investimentos-em-tratamentos-da-hepatite-b-o-globo-online-2/
- Published: 2009-06-19T22:44:52-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 <tr <td <p class=MsoNormal **<span Médicos pedem investimentos em tratamentos da
hepatite B (O Globo online)**<tr <td <p class=MsoNormal  <tr <td <p class=MsoNormal**
<span Sem investimento, Brasil deixa de tratar portadores de hepatite B**<br <br
<tr <td <p class=MsoNormal <span Todos os anos, milhares de brasileiros com hepatite
B deixam de ser tratados por não saber que têm a doença, uma inflamação no fígado
provocada por vírus. Faltam testes certificados no país para medir a carga viral
no organismo, e a sociedade é mal informada. Além disso, enquanto medicamentos modernos
para o tipo C da doença já são encontradas na rede pública de saúde, o governo oferece
apenas um tratamento ultrapassado para a hepatite B. <span

– Seguramente, estamos deixando de tratar muita gente que deveria ser tratada – 
disse ao GLOBO ONLINE o hepatologista Raymundo Paraná, coordenador do X Simpósio
Internacional de Terapêutica em [Hepatite Viral](https://soropositivo.org/uma-nova-arma-contra-a-hepatite-b/),
que começou na quinta-feira, em Salvador.

A hepatite B, segundo o especialista, vem diminuindo nas grandes cidades, onde é
melhor o acesso aos tratamentos e há mais informação. Nas áreas rurais, porém, os
índices de contágio chegam a 2% da população. No simpósio, são discutidas alternativas,
como a combinação de medicamentos, e novas abordagens para a doença.

– Médico brasileiro que lida com hepatite B é um herói – resume.

A hepatite B provoca menos mortes que o tipo C, mas atinge cronicamente ao menos
dois milhões de pessoas no Brasil, e 400 milhões no mundo, de acordo com o Ministério
da Saúde e a Organização Mundial de Saúde. No país, a doença é transmitida principalmente
através de relações sexuais, em que as chances de contágio são 40% maiores que a
do HIV. Muito resistente, o vírus da hepatite B é capaz de sobreviver a até sete
dias de exposição ao ambiente, mas há vacina contra ele disponível na rede pública,
segundo Paraná.

**<span Déficit em investimentos é de R$ 5 bi ****
O secretário de Vigilância em
Saúde do Ministério da Saúde, Gérson Pena, reconhece que o tratamento para a hepatite
ainda não foi universalizado no Brasil. Ele critica a falta de investimentos, afirmando
que o déficit de incorporação tecnológica no país subiu de R$ 500 milhões em 1996
para R$ 5 bilhões hoje.

– Nós estamos tratando parte dos pacientes e não estamos levando o tratamento a 
todos que merecem e precisam – disse, na abertura do simpósio.

De acordo com o coordenador do congresso, que reúne mais de 400 especialistas brasileiros
e estrangeiros, já é possível afirmar que a hepatite C tem cura, mas o tratamento
do tipo B ainda precisa avançar e sofreu uma “mudança de paradigmas” nos últimos
cinco anos. Um dos maiores problemas destacados por Paraná é a ausência de um teste
registrado no Brasil para avaliar a carga viral dos pacientes.

**<span Custos altos, métodos inválidos ****
O uso da tecnologia estrangeira em 
larga escala é inviável, segundo ele, já que cada exame custa US$ 200. Hoje os testes
são feitos “in house” por instituições de pesquisa brasileiras, como o Instituto
Adolfo Lutz e a Fundação Oswaldo Cruz, que ainda não conseguiram validar seus métodos
junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A solução apontada pelo hepatologista
seria o lançamento de um edital para que esses estudos fossem reunidos e, assim,
padronizados de acordo com o sistema mundial.

– O ministério tem que tomar uma decisão política. Já existem testes validados assim–
afirma Paraná, para quem a avaliação dos pacientes no Brasil é prejudicada por ter
que ser feita de forma “intuitiva”.

O preço dos medicamentos mais modernos também é um entrave para a universalização
do tratamento da hepatite B. O governo oferece apenas a lamivudina, produzida pelo
laboratório Farmanguinhos ao custo de centavos por cada comprimido. Apesar de eficaz,
a droga não é capaz de evitar o desenvolvimento de resistência do vírus e não é 
a primeira opção de tratamento em outros países. Entre os medicamentos mais potentes
e com menos resistência Paraná lista o entecavir e a telbivudina, mas os comprimidos
custam em torno de R$ 50.

O hepatologista não acredita que a melhor opção para aperfeiçoar o tratamento seja
a solução adotada no caso da Aids, em que o Brasil aprovou a quebra de patentes 
de remédios. A medida, para ele, “não é boa para ninguém, muito menos para o país,
que perde respeitabilidade e investimentos”. Paraná acredita, porém, que o governo
está no rumo certo:

– O Brasil tem negociado com sabedoria.

_<span *A repórter Luisa Guedes viajou a convite da Bristol-Myers Squibb. _

## Leia também

 * [Médicos pedem investimentos em tratamentos da hepatite B [O Globo online]](https://soropositivo.org/medicos-pedem-investimentos-em-tratamentos-da-hepatite-b-o-globo-online/)
 * [Parada Gay bate recorde, dizem organizadores](https://soropositivo.org/parada-gay-bate-recorde-dizem-organizadores/)
 * [Tratamentos para Hepatite B](https://soropositivo.org/tratamentos-para-hepatite-b/)

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