# Melhora dos dados sobre Aids dificulta trabalho de prevenção, dizem entidades

- Link: https://soropositivo.org/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades/
- Published: 2011-01-09T11:11:41-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

![bom de cama](images/2012/janeiro/bom%20de%20cama.jpg)

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 * [Cláudio Santos de Souza, 45 anos, soropositivo há 15 anos, coordena um site de discussões sobre a doença. Ele alerta os jovens: ‘Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua’ (Foto: Daigo Oliva / G1)](https://soropositivo.org/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades/#claudio-santos-de-souza-45-anos-soropositivo-ha-15-anos-coordena-um-site-de-discussoes-sobre-a-doenca-ele%c2%a0alerta-os-jovens-8216se-for-transar-use-camisinha-porque-a-transa-acaba-mas-a-vida-contin)
 * [Cláudio Santos de Souza: ‘Eu conto para todo mundo que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir’. (Foto: Daigo Oliva / G1)](https://soropositivo.org/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades/#claudio-santos-de-souza-8216eu-conto-para-todo-mundo-que-tenho-aids-mas-pago-o-preco-de-a-pessoa-nao-falar-mais-comigo-me-excluir8217-foto-daigo-oliva-g1)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades/#relacionado)

 

01/12/09 – 07h05 – Atualizado em 01/12/09 – 14h07

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Rapazes homossexuais e bissexuais são mais vulneráveis, diz governo.
Ex-DJ com Aids
há 15 anos alerta: ‘A vida vale mais que uma transa’.

**Mariana Oliveira** Do G1, em São Paulo

 

[  ⌊Foto: Daigo Oliva / G1⌉ Foto: Daigo Oliva / G1 ](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/wp-content/uploads/2011/01/0,,33310561-EX,00.jpg)

#### Cláudio Santos de Souza, 45 anos, soropositivo há 15 anos, coordena um site de discussões sobre a doença. Ele alerta os jovens: ‘Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua’ (Foto: Daigo Oliva / G1)

A melhora dos dados sobre Aids e a maior expectativa de vida para quem tem a doença
prejudica o trabalho de prevenção, na avaliação de entidades e

especialistas que atuam com prevenção e tratamento dos pacientes com HIV.

 Para os especialistas no assunto, o mais importante para combater a doença – nesta
terça-feira (1º) é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids – é manter o trabalho
de prevenção.

 Duas pesquisas apresentadas nesta semana trouxeram dados positivos. Dados do Programa
Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) mostraram que entre 2000 e 2008,
o número de novas infecções caiu 17%. Segundo o órgão, as pessoas com Aids [estão vivendo mais e cada vez menos gente adquire o vírus](http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1390143-5603,00-TOTAL+DE+PESSOAS+VIVENDO+COM+AIDS+AUMENTA+EM+OITO+ANOS+DIZ+PESQUISA.html).

Outro levantamento, o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009, do Ministério da Saúde,
mostrou que [o número de casos caiu nos grandes centros urbanos](http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1393192-5598,00-CASOS+DE+AIDS+CAEM+NOS+GRANDES+CENTROS+MAS+CRESCEM+EM+CIDADES+MENORES.html)–
embora tenha ocorrido um crescimento nas cidades pequenas.

Para a coordenadora de projetos da Sociedade Viva Cazuza, Christina Moreira, os 
jovens são os mais vulneráveis a novas infecções, mas descuidam da prevenção.

“Diariamente jovens iniciam sua vida sexual e muitos deles sem qualquer cuidado 
com prevenção de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids. Isso faz com 
que venham a ser mais vulneráveis para os novos casos de infecção. (…) Eles não 
viram o estrago que a Aids fez nos anos 80 e 90. Acham que a Aids é um problema 
resolvido, solucionado, e se forem contaminados, é só tomar um remedinho.”

 * > ⌊Aspas⌉⌊Aspas⌉
   >  Eles não viram o estrago que a Aids fez nos anos 80 e 90. Acham
   > que a Aids é um problema resolvido, solucionado, e se forem contaminados, é
   > só tomar um remedinho.”

Coordenadora da área de prevenção da Associação para Prevenção e Tratamento da Aids(
APTA) – entidade com apoio da Unesco, Terezinha Pinto concorda e avalia que no Brasil
há um “cansaço” do uso do preservativo por parte dos jovens. “A impressão que se
tem é que essa geração que não viu o boom da Aids banalizou essa questão. (…) Não
se tem a ideia do que significa o tratamento.”

 Christina Moreira, da Viva Cazuza, diz que a prevenção “já vem sendo colocada em
segundo plano” pelas autoridades. “O Brasil fez uma opção de trabalhar na assistência
ao portador do vírus da Aids. A medicação é gratuita para todos os pacientes e isso
tem um custo monumental. A prevenção é sempre mais barata.”

---

Para Terezinha, da Apta, é preciso atuar a longo prazo para que os índices não voltem
a piorar: “Acho que não tem outra saída a não ser o trabalho a longo prazo, que 
trabalhe desde a educação infantil.”

 O diretor adjunto do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério 
da Saúde, Eduardo Barbosa, diz que a melhora dos dados é, na realidade, uma “estabilidade
em patamares altos”.

Para ele, não há negligência nos serviços de prevenção. “O menor número de óbitos,
ao contrário do que se pensa, não acarreta na negligência. Os dados apontam para
o reforço da prevenção nos locais onde houve redução dos casos.”

**Vulneráveis**

Barbosa diz que as mulheres jovens na faixa nos 13 aos 19 anos e jovens homossexuais
e bissexuais são os mais vulneráveis. “A gente tem feito um trabalho grande de prevenção
nas escolas, principalmente entre jovens do sexo masculino entre 13 e 24 anos, onde
há uma tendência de aumento da epidemia. A maioria ainda vive sob uma máscara. Há
um medo de revelar a sexualidade porque o contexto da escola ainda é homofóbico 
e isso prejudica os jovens.”

 * > ⌊Aspas⌉⌊Aspas⌉
   >  O maior desafio é fazer com que pessoas que vivem com HIV, 
   > Aids, estejam livre de preconceito e discriminação.”

Para o diretor, o maior desafio em relação a Aids é vencer o preconceito contra 
os pacientes com a doença. “O maior desafio é fazer com que pessoas que vivem com
HIV, Aids, estejam livre de preconceito e discriminação. Isso interfere tanto nas
questões da prevenção, quanto na assistência. A segregação prejudica a ida das pessoas
em vulnerabilidade para fazer teste.”

**Caso da vida real**

O ex-DJ Cláudio Santos de Souza, 45 anos, é soropositivo há 15 anos e diz que frequentemente
recebe informações sobre a negligência dos jovens na prevenção. “Há festas no Brasil
onde se faz sexo desprotegido com vários parceiros. (…) Eles se arriscam porque 
talvez não saibam a complicação que é o tratamento.”

 Souza coordena voluntariamente um site, o Soropositivo.org, no qual há espaço para
discussão das questões relacionadas à doença e à sexualidade.

 “Se o tratamento existe e houve um aumento da expectativa de vida, do outro lado
tem todo processo de exclusão social, de sofrimento. (…) Eu conto para todo mundo
que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir.”

 Por causa do HIV, tem propensão de inflamação nos vasos sanguíneos e teve uma embolia
pulmonar. Diariamente, precisa de uma injeção na barriga para evitar a coagulação.

 * > ⌊Aspas⌉⌊Aspas⌉
   >  Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a
   > vida continua. Continua com ou sem Aids, só depende da pessoa.”

Na época em que foi contaminado tinha 30 anos e trabalha como DJ na noite paulista.“
Tinha umas 200 namoradas. Eu vacilei, mas também curti a vida.”

 Questionado sobre qual conselho daria aos jovens que deixam de se prevenir, respondeu:“
A vida vale mais que uma transa. Se for transar, use camisinha. Porque a transa 
acaba, mas a vida continua. Continua com ou sem Aids, só depende da pessoa. O risco
que corre e não dá em nada, amanhã pode dar em Aids. Se eu pudesse, faria tudo diferente,
porque hoje pago caro pelas consequências.”

![Foto: Daigo Oliva / G1](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/wp-
content/uploads/2011/01/0,,33311564-FMM,00.jpg)

#### Cláudio Santos de Souza: ‘Eu conto para todo mundo que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir’. (Foto: Daigo Oliva / G1)

## Leia também

 * [Brasileiro que coordena prevenção da Aids na Ásia elogia trabalho do Brasil](https://soropositivo.org/brasileiro-que-coordena-prevencao-da-aids-na-asia-elogia-trabalho-do-brasil/)
 * [São Paulo conta com nova base de dados sobre aids, informa Seade](https://soropositivo.org/sao-paulo-conta-com-nova-base-de-dados-sobre-aids-informa-seade/)
 * [Bea: Soropositivo ha 15 anos! Ha muito mais para mim além do HIV!](https://soropositivo.org/bea-soropositivo-ha-15-anos-ha-muito-mais-para-mim-alem-do-hiv/)

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