# Minorias retrocederam, diz especialista

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- Published: 2009-06-19T22:48:49-03:00
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, Minorias retrocederam, diz especialistaNa Anpocs, cientista social critica movimentos
que passaram a defender leis e punições severasChico Otavio Enviado especialCAXAMBU(
MG). Faixas exibidas na última parada gay carioca pedindo a criminalização da homofobia
inspiraram a crítica do cientista social Rodrigo de Azevedo, da PUC-RS. Para ele,
o movimento dos homossexuais, assim como outras forças sociais, como mulheres e 
negros, optaram por enfrentar suas adversidades usando o mesmo modelo que atacavam
no passado: a criação de leis severas e a aplicação de punições. Em mesaredonda 
ontem, no 31º Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências
Sociais (Anpocs), em Caxambu (MG), ele lembrou que esses movimentos sempre acreditaram
que o sistema penal não é solução, porque só os mais pobres são punidos. — Ao se
aproximarem do poder, os movimentos sociais passaram a defender a punição como a
melhor forma de contemplar seus direitos. Mas essa é uma falsa idéia. Não resolve,
apenas relegitima o sistema penal que tanto criticaram no passado.E, com isso, eles
acabaram também perdendo a capacidade de criticar — lamentou.Defensor de penas alternativas
e modelos de mediação de conflitos em lugar de medidas mais severas, Rodrigo foi
um dos três expositores da mesa “Políticas públicas de segurança: um fracasso?”.
Segundo ele, a juíza militar Maria Lúcia Karan, que cunhou a expressão “esquerda
punitiva”, foi a primeira voz a criticar a estratégia da criminalização. O cientista
não poupou nem a festejada Lei Maria da Penha, que pune a violência contra mulheres,
ao sustentar que leis com essa só alimentam um modelo que já se mostrou fracassado
e não resolveu a violência no Brasil: — Infelizmente, quem levanta a questão corre
o risco de ser chamado de machista, racista ou homofóbico.Em dez anos, 2.852 gays
mortos por crime de ódio Diretor cultural do Grupo ArcoÍris, um dos organizadores
da passeata no Rio, Júlio César Moreira explicou que o movimento só decidiu pedir
a criminalização, com a aprovação do projeto de lei 122-06, da ex-deputada Iara 
Bernardes (que cria um adendo à lei do racismo, equiparando crimes de ódio aos de
racismo), por não suportar mais a escalada da violência contra homossexuais sem 
uma resposta das autoridades. E citou um estudo do Grupo Gay da Bahia, que contabiliza
a morte de 2.852 homossexuais no Brasil, em dez anos, vítimas de crime de ódio: —
Sabemos que os presídios estão cheios e que a lei não tem efeito imediato, mas tem
papel fundamental na questão da educação, criando novos conceitos e mostrando à 
população os limites do respeito ao próximo.Não vai se prender a rodo, mas algumas
pessoas, para servir de exemplo e sensibilizar outras.Rio: barulho de tiro é rotina
para 45% dos entrevistados A antropóloga Alba Zaluar, da Uerj, outra integrante 
da mesa, disse que não há solução para determinados tipos de crime a não ser a aplicação
de punições.Ela explicou que defende as políticas de prevenção da violência e considera
exagerada a tendência da polícia carioca de resolver o problema apertando o gatilho.
Mas disse que não há como abrir mão da ação policial. — Há sujeitos que, por um 
histórico de abandono, já se tornaram predadores. Bem como precisamos enfrentar 
a violência policial, também temos de evitar que os predadores continuem causando
danos à sociedade.Alba apresentou os resultados de sua recente Pesquisa Domiciliar
de Vitimização, aplicada no Rio. Ela surpreendeu ao revelar que 45% dos entrevistados
responderam ouvir com freqüência barulho de tiros próximo de casa. O trabalho mostrou
também que 5% já perderam um parente, amigo ou vizinho por causa da violência.— 
É muita coisa, e não é uma distribuição homogênea. São os jovens que estão perdendo
os seus amigos.

## Leia também

 * [Parada contra a homofobia](https://soropositivo.org/)

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