# Muçulmanos gays encontram alguma liberdade nos EUA

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- Published: 2009-06-19T22:49:32-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [Relacionado](https://soropositivo.org/muculmanos-gays-encontram-alguma-liberdade-nos-eua/#relacionado)

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08/11/2007:

(Ayman, um muçulmano gay, participa de parada gay em São Francisco )

Neil MacFarquhar

Cerca de 15 pessoas marcharam com o carro alegórico muçulmano na Parada do Orgulho
Gay de São Francisco, conhecida por sua liberdade de expressão, alguns meses atrás.
Eram homens que portavam bandeiras do Egito, Líbano, Palestina, Turquia e até o 
velho pavilhão imperial iraniano.

 

Enquanto outros carros alegóricos transportavam homens em calções de banho sumários,
em couro, e mulheres que mal ocultavam os mamilos com fita adesiva, muitos dos muçulmanos
estavam disfarçados por grandes óculos de sol, ou usavam chapéus e até albornozes
que lhes deixavam apenas os olhos à mostra.

Ainda que eles apreciem a liberdade recentemente conquistada, especialmente se comparada
à situação que viviam no Oriente Médio, quase todos ainda vivem no armário, preocupados
com a possibilidade de sofrer ostracismo nas mesquitas ou nas barracas de falafel
que freqüentam.

"Eles temem o resto da comunidade, 
 Mahmoud Ahmadinejad discursou e mencionou a
questão na Universidade Colúmbia. aqui", disse Ayman, 31 anos, um jordaniano corpulento
que obteve asilo nos Estados Unidos um ano atrás devido à sua opção sexual. "Nossa
escolha é vista como grande erro, pelo Corão, que seria impossível que fôssemos 
aceitos".

Para os muçulmanos gays, a mudança pode surgir por meio do desenvolvimento de um
campo de estudos ainda incipiente sobre comunidades islâmicas minoritárias, que 
está dando ímpeto a uma reavaliação dos textos sacros usados para condenar a homossexualidade.

Em centros tradicionais de estudos islâmicos, como o Egito e o Irã, a punição a 
atividades homossexuais explícitas, para não mencionar tentativas de criar um movimento
em defesa dos direitos dos homossexuais, pode ser severa. Os governos desses países
estão propensos a definir homossexualidade como um fenômeno característico do Ocidente,
que foi o que aconteceu em setembro, quando o presidente iraniano

Mas existe muito mais liberdade para estudar o tópico em lugares nos quais os direitos
dos homossexuais contam com proteções mais firmes.

Como regra, os ativistas gays não dispõem da formação acadêmica necessária a esquadrinhar
os ensinamentos reverenciados pelos muçulmanos. Mas isso está começando a mudar,
dizem os ativistas, em parte porque, no Ocidente, não existe uma hierarquia religiosa
rígida que proíba esse tipo de pesquisa.

Mesmo assim, conquistar aceitação continua a ser uma barreira forte a ponto de causar
hesitação aos muçulmanos dos Estados Unidos.

Imam Daayiee Abdullah, 53 anos, se converteu ao islamismo mas foi expulso de um 
seminário financiado pela Arábia Saudita, na Virgínia, depois que a escola descobriu
que ele era gay. Seus esforços para organizar uma mesquita gay em Washington fracassaram,
em larga medida por medo, ele diz.

"Temos pessoas que dizem que explodiriam uma mesquita se ela fosse uma mesquita 
gay", disse Abdullah. Ele e outros estudiosos argumentam que não existe registro
indisputável que de o Profeta Maomé se tenha pronunciado sobre a homossexualidade,
e que exemplos de punição certamente existiriam caso ele tivesse sido hostil à idéia.

Reproduzindo o que acontece na escola de pensamento feminista quanto ao islamismo,
os defensores da causa gay procuram por uma interpretação holística, que enfatize
a aceitação de todos como igualmente criados por Deus.

A maior parte dos versículos do Corão que tratam de relações homossexuais são ambíguos,
disse Omid Safi, professor de estudos islâmicos na Universidade da Carolina do Norte,
em Chapel Hill. "Eles estão falando sobre uma “abominação”", diz Safi, "mas determinar
o que é essa abominação continua a ser uma questão aberta a interpretação".

Já que os versículos do Corão usados para condenar a homossexualidade também sugerem
estupro praticado por homens, a interpretação progressista é a de que eles condenam
o uso do sexo como forma de dominação, disse Scott Kugle, norte-americano que se
converteu ao islamismo e é especialista no tópico. Os argumentos não são inteiramente
modernos; alguns deles foram extraídos do trabalho de um estudioso medieval, na 
Andaluzia, que no passado abrigou um regime islâmico esclarecido, ele afirma.

A atitude clássica com relação às lésbicas é ainda mais opaca, acrescenta Kugle,
porque sexo, em termos islâmicos, é definido como penetração.

A hostilidade se funda na versão islâmica da história de Lot, que se assemelha ao
relato bíblico sobre Sodoma e Gomorra. Na mesquita Al-Tawhid, em San Francisco, 
o imã, Hassan al-Jalal, um iemenita que usa uma barba curta, imprime uma série de
versículos que, em sua interpretação, condenam os homossexuais.

"Esse é o principal pecado, no Islã", afirmou Jalal, descrevendo como a cidade que
abrigava a tribo de Lot foi erguida ao céu e arremessada ao chão, matando todos 
os moradores, antes de ser enterrada sob o que hoje é o Mar Morto. "Ele enviou o
dilúvio para limpar a Terra da **Aids**. Não havia médicos, então, mas Deus sabia
que eles tinham um vírus".

Todas as seitas muçulmanas dispõem pena de morte para os gays, ele argumenta, embora
muitos outros estudiosos discordem.

Ayman, o organizador da participação muçulmana na parada de San Francisco, diz que
sua vida na Jordânia era marcada pelo amigo. Ele foi detido aos 17 anos, depois 
de um encontro sexual em um edifício público, e a polícia o descreve como "manyak",
um termo derrogatório quanto aos homossexuais, em sua ficha. Ele negou que fosse
gay, mas temia que algum parente descobrisse o que consta em sua ficha policial.

Ayman está convencido de que um amigo gay de 22 anos, que morreu em uma queda do
edifício em que morava, na verdade foi assassinado para preservar a "honra" da família."
Sinto-me muçulmano, ainda; não aceito que ninguém insulte minha fé", ele diz. "Quando
leio o que o Corão diz, tenho medo do que me acontecerá no dia do Juízo Final".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

## Leia também

 * [Parada do orgulho gay reúne milhares em Belém](https://soropositivo.org/)
 * [Homofobia extrema – Parada do Orgulho Gay é marcada por violência de jovens vândalos](https://soropositivo.org/homofobia-extrema-parada-do-orgulho-gay-e-marcada-por-violencia-de-jovens-vandalos/)

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