# Mulher, vítima de violência está presa há três anos no Paraguai

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- Published: 2014-08-04T21:38:57-03:00
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## Vítima de violência está presa há três anos no Paraguai

 ⌊vítima de violência⌉

Anistia Internacional (AI) disse nesta segunda-feira estar preocupada com o processo
judicial contra uma mulher paraguaia reconhecida como **vítima de violência** doméstica
pelo Estado, que permanece presa sem ter sido julgada há três anos e seis meses 
acusada de matar seu ex-marido.

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 * [Vítima de violência está presa há três anos no Paraguai](https://soropositivo.org/mulher-vitima-de-violencia-esta-presa-ha-tres-anos-no-paraguai/#vitima-de-violencia-esta-presa-ha-tres-anos-no-paraguai)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/mulher-vitima-de-violencia-esta-presa-ha-tres-anos-no-paraguai/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/mulher-vitima-de-violencia-esta-presa-ha-tres-anos-no-paraguai/#relacionado)

A AI expressou sua preocupação com seu “possível envolvimento no processo” e pediu
uma “investigação efetiva”, destacando que a acusação do Ministério Público não 
levou em conta o histórico de anos de violência alegados pela vítima, Lucía Sandoval.
O julgamento começou em 23 de julho, mas a Promotoria se negou a participar alegando
parcialidade, sem fundamentar o motivo, informou AI.

Hoje, a Câmara de Apelações rejeitou esse pedido e o julgamento deverá ser retomado
antes em até dez dias, conforme declarou à Agência Efe a diretora da seção paraguaia
da Anistia Internacional, Rosalía Vega. “Devem reabrir urgentemente a causa para
que possa acontecer um julgamento justo”, disse ela.

A organização defensora dos direitos humanos lembrou que Lucía tinha denunciado 
os maus-tratos sofridos e a Justiça ordenou medidas de proteção em 28 de janeiro
de 2011. As ordens não foram aplicadas, “deixando à vítima em situação de extrema
vulnerabilidade”.

Com isso, Lucía se viu forçada a comunicar ela mesma a medida que obrigava o marido
a deixar a casa, ao que este reagiu violentamente, relatou a mulher à organização
internacional. Mãe de dois filhos menores de idade, ela conseguiu a medida de proteção
após apresentar uma denúncia por violência após sofrer três anos de maus tratos 
verbais e físicos por parte de seu então cônjuge, segundo AI.

“Conforme contou, foi ela quem notificou as medidas ao ex-marido, aumentando assim
o perigo e desencadeando os dramáticos eventos de 7 de fevereiro de 2011”, quando
aconteceu o fato, segundo AI.

Ela foi ameaçada com arma de fogo e, na resistência entre ambos, quando ela tentava
escapar, a arma foi disparada terminando na morte do homem, conforme relato dela.
Lucía Sandoval foi detida e desde então está presa. Durante este tempo não viu os
dois filhos, que vivem com os avôs paternos.

A Anistia pediu que o processo judicial aderisse ao princípio de imparcialidade 
e levasse em consideração que “todos os elementos probatórios foram analisados com
seu devido peso”. Segundo a defesa, ela não pode ver os filhos, questão que atualmente
está sendo contestada pelos advogados.

“Estes fatos aconteceram quando a mulher, vítima de violência doméstica, tentou 
sair de uma relação violenta, que é quando há mais risco para ela e sua família”,
manifestou AI em recente comunicado.

A organização internacional considerou que para garantir o direito de Lucía a um
julgamento justo, o Estado paraguaio deve analisar o caso com perspectiva de gênero,
levando em conta a violência à qual ela foi objeto durante vários anos. Também pediu
que o Paraguai cumprisse com suas obrigações de implementar medidas efetivas para
erradicar e prevenir a violência contra as mulheres no país.

Segundo a Direção Geral contra a Violência às Mulheres, neste ano já ocorreram 517
novos casos de violência doméstica no Paraguai que se somam a outros 587 acompanhados
pelo Serviço de Assistência à Mulher (Sedamur).

O Ministério da Mulher criou um serviço de atendimento por telefone para receber
denúncias de violência doméstica. Só em 2014, já foram registrados 5.895 chamadas
de homens e mulheres.

[⌊el guapo⌉⌊el guapo⌉[Manter uma vítima de violência doméstica presa por mais de
três anos, sem acusação formal e sem julgamento é tripla violência e, o que é pior.
É violência estrutural

## Leia também

 * [Retratação de vítima de violência doméstica não impede denúncia.](https://soropositivo.org/retratacao-de-vitima-de-violencia-domestica-nao-impede-denuncia/)
 * [#soropositivoorg : Violência Contra a Mulher](https://soropositivo.org/soropositivoorg-violencia-contra-a-mulher/)
 * [Portugal ainda só sabe números de há três anos](https://soropositivo.org/portugal-ainda-so-sabe-numeros-de-ha-tres-anos/)

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