# Negação do HIV na Era da Internet

- Link: https://soropositivo.org/negacao-do-hiv-na-era-da-internet/
- Published: 2014-10-08T23:40:00-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

* Mensagem da Tara C Smith,
 * Steven P Novella
 * Publicado: 21 de agosto de 2007
 * DOI: 10.1371/journal.pmed.0040256
 * **Artigo**
 * **Nota a Respeito dos Autores**
 * **Métrica**
 * **Comentários**
 * **Conteúdo Relacionado**
 * Três Negadores Proeminentes e Grupos de Negação
 * Teorias de Conspiração e Desconfiança Seletiva da Autoridade Científica
 * Retratando a Ciência Como Fé e a Opinião Geral Como Dogma
 * Opinião Técnica e a Promessa de Aceitação Científica no Futuro Próximo
 * Fazendo Recuar as Metas
 * Quais são as Alternativas Deles?
 * Conclusões
 * Referências
 * Comentários dos Leitores (8)
 * Cobertura da Mídia (1)
 * Ilustrações

**Ilustrações**

**Referência: **Smith TC, Novella SP (2007) HIV Denial in the Internet Era [Negação
do HIV na Era da Internet]. PLoS Med 4(8): e256. doi:10.1371/journal.pmed.0040256

**Publicado:** 21 de agosto de 2007

**Direitos Autorais:** © 2007 Smith e Novella. Este é um artigo de acesso livre 
distribuído sob as condições da Creative Commons Attribution License, que permite
o uso, a distribuição e reprodução irrestritos, em qualquer veículo transmissor,
desde que autor e fonte originais sejam citados.

**Financiamento: **A Universidade de Iowa concedeu a Tara C. Smith o financiamento
para o _start-up_ da pesquisa, mas não houve um financiamento específico para este
artigo.

**Interesses Concorrentes:** Os autores declararam que não há interesses concorrentes.

Pode parecer [digno de nota](https://soropositivo.org/lista-de-medicamentos-antirretrovirais-aprovados-para-hiv/)
que, 23 anos após a identificação do vírus da imunodeficiência humana (HIV), ainda
haja a negação de que o vírus seja a causa da síndrome da imunodeficiência adquirida(
AIDS).  No ano 2000, esta negação foi ressaltada em nível internacional, quando 
o presidente sul-africano Thabo Mbeki convocou um grupo de especialistas para discutir
a causa da AIDS, reconhecendo que não estava convencido de que o HIV era a causa[
1].  Suas ideias, pelo menos parcialmente, foram atribuídas a material que ele encontrou
na Internet [2].  Embora Mbeki concordasse mais adiante, no mesmo ano, em recuar
no debate [3], subsequentemente ele sugeriu uma reanálise dos gastos com saúde dando
menos ênfase no item HIV/AIDS [4].

A negação do HIV está arraigada na população em geral e tem mostrado seu potencial
para frustrar os esforços de educação pública e adversamente afetar os financiamentos
públicos para os programas de pesquisa e prevenção da AIDS.  Por exemplo, a Coalizão
da AIDS para Desatrelar o Poder (sigla em inglês, ACT UP) durante muitos anos esteve
nas linhas de frente da educação e ativismo em favor da AIDS.  Só que, agora, o 
braço do grupo localizado em São Francisco (EUA) uniu-se ao movimento negativista,
declarando no seu site na Internet que “o HIV não causa AIDS… testes com anticorpos
do HIV são falhos e perigosos… as drogas contra AIDS são um veneno” ([http://www.actupsf.com/aids/index.htm](http://www.actupsf.com/aids/index.htm)).
No ano 2000, o pessoal desta sede em São Francisco enviou cartas a cada membro do
Congresso solicitando o fim dos financiamentos para a pesquisa do HIV [5].  A posição
adotada pela ACT UP de São Francisco foi condenada pelas outras sedes da ACT UP,
tais como a de Filadélfia e de East Bay ([http://www.actupny.org/indexfolder/actupgg.html](http://www.actupny.org/indexfolder/actupgg.html)).
Estrelas do rock engajaram-se neste assunto.  Os integrantes do grupo “The Foo Fighters”
forneceram a música para uma trilha sonora do recente documentário “The Other Side
of AIDS” – ‘O Outro Lado da AIDS’ ([http://www.theothersideofaids.com/](http://www.theothersideofaids.com/)),
que questiona se o HIV é a causa da AIDS.  Durante os concertos, a banda tem espalhado
sua mensagem de que o HIV não causa AIDS [6], e menciona em seu site na Internet
o grupo de negação do HIV “Alive and Well” – ‘Com Vida e Bem’ como sendo uma causa
que tem méritos ([http://www.foofighters.com/community_cause.html](http://www.foofighters.com/community_cause.html)).

Como estes desafios de popularizar estas teorias aconteceram, em grande parte, ao
largo da literatura científica, muitos médicos e pesquisadores deram-se ao luxo 
de ignorá-las, tratando-as como crenças marginais e, por conseguinte, inconsequentes.
Realmente, a Internet serviu como um meio fértil e sem um moderador para espalhar
estas convicções negativistas.  O Group for the Scientific Reappraisal of the HIV/
AIDS Hypothesis – ‘Grupo para a Reavaliação Científica da Hipótese de HIV/AIDS’ (“
Reappraising AIDS” – ‘Reavaliando a AIDS’) mencionou: “Graças ao predomínio da Internet,
nós agora temos a capacidade de revigorar nossa campanha informativa” [7].  A Internet
é uma ferramenta efetiva para atingir os jovens e para espalhar a desinformação 
dentro de um grupo de alto risco para a infecção por HIV.

Há duas páginas _online_ excelentes preparadas para opor-se a muitos dos argumentos
que são mais comumente usados para negar o HIV como causador da AIDS [8,9]; mas 
não as discutiremos neste artigo.  Ao invés disso, revisaremos as estratégias intelectuais
usadas atualmente pelo movimento de negação do HIV.  Outras formas de negação de
ciência não serão especificamente discutidas, mas as características descritas a
seguir aplicam-se a muitas outras formas comuns de negação, inclusive a negação 
da evolução, de doença mental e do Holocausto.

**Três Negadores Proeminentes e Grupos de Negação**

Atualmente, um grupo proeminente de negação do HIV é o “Alive and Well” – ‘Com Vida
e Bem” da Christine Maggiore (anteriormente, a sigla era “HEAL,” Health Education
AIDS Liaison – ‘Conexão da AIDS com Educação para Saúde’) ([http://www.aliveandwell.org/](http://www.aliveandwell.org/)).
A história de vida da Maggiore está no centro deste grupo.  Em 1992, ela foi diagnosticada
com HIV e reivindica que, desde então, tem vivido os últimos 14 anos sem os sintomas
e sem o uso das drogas antirretrovirais, inclusive os inibidores de protease [10].
Nos últimos anos, ela ficou conhecida, e está enredada em controvérsia, depois de
dar à luz e de amamentar abertamente seus dois filhos, Charles e Eliza Jane.  Nenhuma
das crianças foi testada para o HIV, e a mãe não tomou a medicação antirretroviral
durante os períodos de gravidez ou enquanto as amamentava [11].  A Eliza Jane faleceu
em setembro de 2005 de uma pneumonia relacionada ao HIV [12]; entretanto, a Maggiore
permanece sem convicção de que o HIV tenha tido qualquer coisa a ver com a morte
de sua filha [13], e continua pregando a sua mensagem para outras mães soropositivas.

O Peter Duesberg iniciou o movimento de negação do HIV com um artigo escrito em 
1987, no qual sugeria que o HIV não causa a AIDS [14].  Ele não está mais na linha
de frente deste movimento, mas os argumentos lançados por outros rastreiam suas 
publicações.

A Celia Farber é uma jornalista que passou grande parte da sua carreira cobrindo
os assuntos sobre o HIV.  Farber é a autora de um artigo recente publicado na _Harper’s_
que repete as reivindicações de Duesberg de que o HIV não causa AIDS [15], e recentemente
foi a autora de um livro sobre “a história sombria da ciência sobre a AIDS” [16].

Há inconsistências sérias dentro do amplo movimento de negação do HIV, e as pessoas
acima mencionadas são, apenas, a ponta do iceberg.  Os grupos de negação do HIV 
divergem até mesmo na doutrina mais básica: [o HIV existe](https://soropositivo.org/quanto-tempo-voce-pode-viver-com-hiv/)
mesmo?  Não obstante, discordâncias dentro do movimento são negligenciadas em favor
da apresentação de uma frente unificada.

**Teorias de Conspiração e Desconfiança Seletiva da Autoridade Científica**

Que o HIV é a causa primária da AIDS é o parecer consensual mantido firmemente pela
comunidade científica, com base em mais de duas décadas de pesquisas robustas.  
No entanto, os negadores têm que rejeitar este consenso, quer denegrindo a noção
da autoridade científica em geral ou discutindo que a principal corrente da comunidade
científica do HIV está intelectualmente comprometida.  Portanto, não chega a ser
surpresa que muito da literatura negativista mais recente reflita uma desconfiança
básica nas autoridades e nas instituições de ciência e medicina.  No seu livro, 
a Christine Maggiore agradece a seu pai Robert, “que me ensinou a questionar as 
autoridades e defender o que é certo” [10].  De forma parecida, a Dra. Rebecca Culshaw,
que é modeladora matemática e outra negadora do HIV, afirma: “Como alguém que foi
criada por pais, que desde tenra idade, me ensinaram a nunca acreditar em qualquer
coisa simplesmente porque ‘todos os outros aceitam-na como sendo a verdade’, eu 
não posso simplesmente ficar sentada e nada fazer, com isso dando minha contribuição
para esta loucura” [17].

Clínicos que desacreditam da tendência principal, muitos são negadores do HIV, voltam-
se para a medicina “alternativa” em busca de  tratamento.  Um desses clínicos, o
Dr. Mohammed Al-Bayati, sugere que “toxinas” e o uso de drogas, em lugar do HIV,
causam a AIDS [18].  O Dr Al-Bayati lucra pessoalmente com sua negativa do HIV: 
ao custo de US$ 100 por hora, Al-Bayati faz uma consulta “sobre os assuntos relacionados
à AIDS, reações adversas às vacinas e medicamentos, exposição às substâncias químicas
em casa, no meio ambiente ou local de trabalho” ([http://www.toxi-health.com/](http://www.toxi-health.com/)).
Semelhantemente, o fornecedor de vitaminas e negador do HIV, o alemão Matthias Rath
não só empurrou suas vitaminas como forma de tratamento contra a AIDS [19], como
seu porta-voz recusou-se a ser entrevistado pelo _Nature Medicine_ sobre o caso 
porque ele afirmou que o jornal é “completamente financiado pelo dinheiro do narcotráfego”[
20].

Os negadores argumentam que devido ao fato dos cientistas receberem doações, fama
e prestígio como resultado de suas pesquisas, eles têm o maior interesse em manter
o status quo [15].  Esta forma de pensamento é conveniente para os negadores, pois
permite a eles escolherem em quais autoridades irão acreditar e quais serão repudiadas,
como parte de uma grande conspiração.  Além de ser seletiva, a lógica deles também
é interiormente discrepante.  Por exemplo, eles reprovam estudos que dão apoio à
hipótese do HIV ser o causador, dizendo que é tendenciosa por causa do dinheiro 
do “narcotráfego”, enquanto aceitam sem críticas o testemunho de negadores do HIV
que recebem uma polpuda escora financeira das modalidades de tratamentos alternativos.

**Retratando a Ciência Como Fé e a Opinião Geral Como Dogma**

Considerando que as ideias propostas pelos negadores não satisfazem os rigorosos
padrões científicos, eles não podem esperar competir contra as teorias da tendência
principal.  Eles não podem elevar o nível das suas crenças até os padrões da tendência
principal científica; então, tentam rebaixar o status da ciência negada para o nível
da fé religiosa, caracterizando a opinião geral científica como um dogma científico[
21].  Da forma que um negador do HIV, citado no livro da Maggiore [10], comentou:

> _“Há uma ciência clássica, a forma como se supõe que age, e há a religião.  Eu
> recuperei minha sanidade quando me dei conta que a ciência da AIDS era um discurso
> religioso.  E uma coisa que irá comigo para a minha sepultura sem a minha compreensão
> é por que todos aceitaram tão rapidamente como verdadeiro tudo o que as autoridades
> do governo disseram.  Especialmente o mito central: que a causa da AIDS é conhecida.”_

Outros sugerem que a totalidade do espectro da medicina moderna seja uma religião[
22].

Os negadores também se cobrem com as tintas de céticos que trabalham para demolir
uma convicção extraviada e profundamente arraigada.  Eles sustentam que quando os
cientistas da tendência principal se manifestam contra a “ortodoxia” científica,
eles são perseguidos e repudiados.  Por exemplo, os negadores do HIV fazem barulho
a respeito do fim da carreira de Peter Duesberg, evocando que quando ele começou
a falar contra o HIV como sendo a causa da AIDS, ele foi “ignorado e desacreditado”
devido à sua dissidência [23].  O Presidente sul-africano Mbeki foi ainda mais longe,
declarando: “Em um período anterior da história humana, estes [dissidentes] seriam
hereges que seriam queimados na fogueira!” [1].

Os negadores do HIV acusam cientistas de sufocar discordâncias relativas às [causas da AIDS](https://soropositivo.org/contato-casual-pode-transmitir-on-hiv/),
não permitindo que sejam ouvidas as denominadas teorias “alternativas”.  Porém, 
esta reivindicação poderia ser aplicada a qualquer teoria científica bem estabelecida
que esteja sendo desafiada por noções pseudocientíficas com motivações políticas—
por exemplo, o criacionista desafia a evolução.  Além do mais, como a negação do
HIV pode plausivelmente reduzir a submissão às práticas de sexo seguro e às drogas
anti-HIV, o que potencialmente pode custar vidas, isto pode motivar as comunidades
científicas e as de cuidados com a saúde a vir a excluir a negação de qualquer fórum
público.  (Como um editorial colocou no título claramente, a negação do HIV é “charlatanismo
mortal”) [24].  Como a negação do HIV não é legitimada cientificamente, tal exclusão
é justificada, mas fornecerá combustível para as reclamações dos negadores sobre
opressão.

**Opinião Técnica e a Promessa de Aceitação Científica no Futuro Próximo**

Embora os negadores do HIV condenem a autoridade científica e a opinião geral, eles
arregaçaram as mangas para montar as próprias listas de cientistas e outros profissionais
que apoiam suas ideias.  Como resultado, os negadores reivindicam que estão no ápice
de uma aceitação muito mais ampla pela comunidade científica e que permanecem prejudicados
devido à “ortodoxia estabelecida” representada por cientistas que acreditam que 
o HIV causa AIDS.

Num esforço para apoiar sua pretensão de que um número crescente de cientistas não
acredita que o HIV causa a AIDS, a Reappraising AIDS publicou uma lista de signatários
que aceitam a declaração a seguir:

“O público em geral acredita amplamente que o retrovírus chamado de HIV causa o 
grupo [de] doenças chamadas de AIDS.  Agora, muitos bioquímicos questionam esta 
hipótese.  Propomos que seja realizada uma reavaliação completa das evidências existentes
a favor e contra esta hipótese, conduzida por um grupo independente e adequado. 
Além disso, propomos que estudos epidemiológicos críticos sejam planejados e empreendidos”[
25].

Porém, estes signatários não sugerem quem integraria o grupo “independente adequado”,
porque, presumivelmente, muitos cientistas já foram “doutrinados” para acreditar
que o [HIV causa AIDS.](https://soropositivo.org/contato-casual-pode-transmitir-on-hiv/)(
Realmente, para muitos dos signatários desta declaração falta qualquer qualificação
em virologia, epidemiologia ou, até mesmo, a biologia básica.)  Eles também ignoram
milhares de estudos epidemiológicos que já foram publicados na literatura científica.
Os signatários também não fornecem um caso convincente para o qual haja aceitação
difundida na comunidade científica para a sua posição marginal.

Contudo, Farber escreveu num artigo de 1992 que “mais e mais cientistas estão começando
a questionar a hipótese de que o HIV solitariamente-manipulado cria o caos no sistema
imunológico o que leva à AIDS” [26].  Da mesma forma, um artigo de março de 2006
que aparece no site de negação da AIDS “New AIDS Review” diz que, numa referência
à teoria de que o HIV causa AIDS: “…o tecido deste manto teórico está puído ao ponto
da desintegração” [27].  Os cientistas que seguem a tendência principal, claro que
não acreditam no colapso iminente da teoria do HIV; ao contrário, eles continuam
realizando pesquisas modernas para prevenir e tratar o HIV e publicam milhares de
documentos todos os anos a respeito deste assunto.

Além disso, os negadores exploram o senso de equidade da maioria dos cientistas,
e também presente no público em geral, especialmente nas sociedades abertas e democráticas.
Clamando por uma discussão justa dos pontos de vista divergentes, análise independente
da evidência e abertura para alternativas, é provável que ganhem apoio, a despeito
do contexto.  Porém, está desencaminhando para o movimento de negação do HIV para
sugerir que há qualquer dúvida real sobre a causa da AIDS.

**Fazendo Recuar as Metas**

De todas as características dos negadores, cutucando repetidamente atrás das traves—
ou o limiar da evidência necessária para aceitação de uma teoria — esta é mais reveladora.
A estratégia por trás da meta, que é flutuante, é simples: sempre exija mais provas
do que realmente pode ser apresentado.  Se a prova for fornecida numa data posterior,
simplesmente altere a demanda para exigir mais provas, ou recuse o tipo de prova
que está sendo apresentada.

Na década de 1980, os negadores do HIV argumentaram que a terapia das drogas para
AIDS era ineficaz, que não prolongava significativamente a sobrevivência, e na realidade
era tóxica e lesionava o sistema imunológico [28].  Porém, depois da introdução 
de um coquetel com agentes novos e mais efetivos, nos anos 1990, as taxas de sobrevivência
aumentaram impressionantemente [29].  Os negadores do HIV não mais aceitam este 
critério como prova para a efetividade das drogas e, por conseguinte, da teoria 
do HIV para a AIDS.  Até mesmo pilhas de documentos e livros publicados sobre o 
assunto não são o bastante.  Christine Maggiore escreveu em seu livro; “Desde 1984,
mais de 100.000 _papers_ foram publicados sobre o HIV.  Nenhum desses documentos,
por si só ou coletivamente, demonstrou razoavelmente ou provou efetivamente que 
o HIV pode causar AIDS” [10].

Os negadores do HIV também rejeitam, arbitrariamente, algumas categorias de provas,
embora elas sejam geralmente aceitas por disciplinas científicas.  Por exemplo, 
eles negam a evidência deduzida que o HIV causa AIDS, inclusive dados que têm uma
relação muito próxima pois examinam o vírus da imunodeficiência em símios (SIV) 
em estudos genômicos e com animais [30].  Igualmente, eles rejeitam a correlação
como sendo insuficiente para estabelecer o aspecto causal [28].  Porém, correlações
independentes múltiplas que apontam para a mesma causa — neste caso o HIV causa 
a AIDS — é uma forma de prova epidemiológica legítima e geralmente aceita, usada
para estabelecer a causa.  O mesmo tipo de evidência, por exemplo, tem sido usado
para estabelecer que fumar causa certos tipos de câncer de pulmão.

**Quais São as Alternativas Deles?**

Depois de tanto criticismo, imposto pelos negadores, às teorias prevalecentes, alguém
pode pensar que eles teriam algo a oferecer em substituição à teoria do HIV como
a causa da AIDS.  Porém, as alternativas que oferecem são muito mais especulativas
do que as teorias da tendência principal que eles depreciam como se faltassem provas.
Além disso, os argumentos deles chegam a pouco mais do que outra falácia lógica,
a dicotomia falsa: eles presumem que destruindo a teoria prevalecente provarão que
a teoria deles é correta, por falta de provas.

É interessante, que hipóteses alternativas para as causas da AIDS dependem de onde
o paciente viva.  Na África, os negadores do HIV atribuem a AIDS a uma combinação
de desnutrição e saneamento deficiente, isto é, eles acreditam que a AIDS é simplesmente
uma nova rotulagem de velhas doenças.  Nos EUA e outros países ricos, dizem que 
a AIDS é causada pelo consumo de drogas e promiscuidade.  Durante muito tempo, o
Duesberg foi um defensor da ideia de que o uso de “opiáceos” ou nitrato de amila,
dessem causa à AIDS na comunidade gay [31].  Com a identificação da AIDS em indivíduos
que nunca usaram opiáceos, esta hipótese foi ampliada pelos negadores do HIV de 
forma a implicar várias drogas recreativas (cocaína, crack, heroína, meta-anfetaminas)
assim como as drogas receitadas, tais como, antibióticos e esteroides na etiologia
da AIDS.  Os negadores do HIV criticaram a ideia que a imunossupressão devido à 
infecção com HIV poderia resultar em todas das diferentes infecções que caracterizam
a AIDS, e eles ainda apoiam a ideia de que os opiáceos ou outras drogas — inclusive
muitas que não foram mostradas como causadoras de imunodeficiências severas — poderiam
causar AIDS.  Na última década, as drogas usadas para tratar HIV/AIDS estiveram 
sob fogo cruzado dos negadores do HIV, que sugeriram que os próprios remédios eram
a causa da AIDS ([http://www.aliveandwell.org/](http://www.aliveandwell.org/)).

**Conclusão**

Devido a estas afirmações de rejeição serem feitas em livros e na Internet, em lugar
da literatura científica, muitos cientistas estão desavisados sobre a existência
de grupos de negação organizados, ou acreditam que podem ignorá-las seguramente 
como comentários marginais desacreditados.  E, realmente, a maior parte dos argumentos
dos negadores do HIV foi respondida pelos cientistas há muito tempo.  Porém, o público
em geral não tem o respaldo científico para criticar as afirmações jogadas ao vento
por estes grupos e, não só, as aceita como continua propagando-as.  Um editorial
recente na _Nature Medicine_ [32] enfatiza a necessidade de contrariar a desinformação
sobre AIDS espalhada pelos negadores.

Enquanto as descrições, acima, de negação do HIV referem-se a campanhas relativamente
organizadas, há outros exemplos menos orquestrados de tal negação.  Por exemplo,
um estudo recente mostrou que uma alta porcentagem dos Americanos afrodescendentes
suspeita das teorias que seguem a tendência principal sobre a AIDS devido a uma 
desconfiança geral nas autoridades governamentais [33].  Os argumentos de grupos
de negação podem ter influenciado a formação de suas opiniões.  Realmente, o efeito
dos grupos de negação na percepção pública da infecção por HIV é um tema que está
maduro para pesquisas cuidadosas, tendo em vista que esta negação pode ter consequências
fatais.  Em um estudo recente, as convicções conspiratórias mais fortes estavam 
significativamente associadas a atitudes mais negativas para usar preservativos 
e com seu uso esporádico, independente das características sociodemográficas selecionadas,
variáveis de parceiros, histórico de doenças sexualmente transmissíveis, percepção
de risco e fatores psicossociais [33].

Quanto dessa negação prolongada é uma falha dos cientistas e da mídia que originalmente
proclamava a AIDS como uma “sentença de morte” universal?  Embora esta ideia já 
não mais apareça na literatura científica, permanece como uma percepção pública 
da doença.  É difícil atingir o equilíbrio correto entre fornecer informação comunicando
em uma mão a gravidade da doença, e na outra o otimismo sobre tratamentos e avanços
no entendimento das patogêneses do HIV (inclusive pesquisa sobre pessoas que realmente
podem ser um pouco resistentes ao vírus).  A simplificação demasiada da ciência 
da AIDS para o publico dá margem à sua exploração pelos seus negadores que permanecem“
vivos e bem” anos após o diagnóstico de que são portadores do HIV.  E estas preocupações
ainda devem ser equilibradas com o desejo de transmitir a gravidade própria da situação
e motivar aqueles que sabem ser positivos para HIV a procurarem tratamento: é difícil
caminhar sobre esta corda bamba.

Na realidade, este ato de equilíbrio merece a atenção crescente dos médicos na era
da Internet e um vácuo que está se ampliando entre a prática da ciência e o entendimento
público da ciência.  A educação de saúde pública bem-sucedida requer a apresentação
de uma mensagem clara e simples apoiada em um consenso sólido da comunidade médica.
Ainda que a realidade nos bastidores seja frequentemente bem diferente.  Cada especialidade
médica tem suas controvérsias e complexidades legítimas, e o processo da ciência
está frequentemente confuso.  Os grupos de negação exploram a brecha entre a educação
pública e a realidade científica.

Além disso, a oposição à desinformação dos negadores do HIV precisa ser administrada
no contexto mais amplo da sociedade para contrariar a anticiência e a pseudociência.
As estratégias dos negadores do HIV, como muitos outros movimentos de negação, buscam
corroer a essência da filosofia da ciência propriamente, para distorcer o entendimento
público do processo científico, e semear a desconfiança nas instituições científicas.
Modalidades médicas alternativas não científicas fizeram incursões significativas
nas instituições de saúde através de meios políticos, apesar de uma falta continuada
de legitimidade científica: vacinas são caracterizadas como perigosas em vez de 
salvadoras de vidas; a psiquiatria é escarnecida por celebridades e outros à vista
de todos.  Enquanto isso, muitos líderes em ciências e negócios estão preocupados
que os Estados Unidos estejam perdendo sua margem de superioridade como uma fonte
de influência científica.

Resta um problema profundo de ignorância científica global neste país (EUA) e em
outros, criando um terreno fértil para aqueles que desejam espalhar a desinformação
científica [34].  A comunidade científica deve defender e promover coletivamente
o papel da ciência na sociedade, e combater o problema crescente do analfabetismo
científico.  Todos nós temos que nos esforçar para fazer a nossa parte para tornar
a ciência acessível ao público em geral, e explicar o processo pelo qual a prova
científica é coletada, analisada e, eventualmente, aceita.  Sendo que as instituições
acadêmicas deveriam fornecer maiores incentivos para seus pesquisadores despenderem
tempo e esforços para assim procederem.  Um entendimento sólido do método científico
pode não eliminar a negação da ciência, mas poderá funcionar como um párachoque 
contra a expansão adicional de tais convicções negativistas.

> [OMS Declara Mpox uma Emergência de Saúde Global](https://soropositivo.org/oms-declara-mpox-uma-emergencia-de-saude-global/)

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**Exemplo de um slogan típico de um grupo negador do HIV**

doi:10.1371/journal.pmed.0040256.g001

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 *  Traduzido e adaptado para o Portugues do Brasil Por Elizabeth Mattos <liz@infolink.
   com.br>
 * Nota do editor de Soropositivo.Org: A Negação do HIV é contemporânea ao início
   de minha vida com HIV e eu fui convidado a participar desta corrente. As explicações
   que me deram sobre as causas da AIDS me soaram ridículas, por que se ser negra
   e mulher, na África, é boa razão para se ter AIDS….
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   ## Leia também
   
    - [Esperança em novo tratamento de HIV?](https://soropositivo.org/esperanca-em-novo-tratamento-de-hiv/)
    - [Sinais e sintomas do HIV Quais São? Leia Aqui Primeiro](https://soropositivo.org/sinais-e-sintomas-do-hiv-quais-sao-saiba-1-aqui/)
    - [O Estudo Proud e suas conclusões, na íntegra](https://soropositivo.org/o-estudo-proud-e-sua-conclusoes-na-integra/)
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