# Novas classes de medicamentos são recebidas com otimismo por especialistas e ativistas.

- Link: https://soropositivo.org/novas-classes-de-medicamentos-sao-recebidas-com-otimismo-por-especialistas-e-ativistas/
- Published: 2009-06-19T22:56:30-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

,

 |

## **Agência de Notícias da Aids**

  |   **Editoria:**  |   **Pág.**  |

**Dia / Mês/Ano:**

  |  
 |

** **

  |

** **

  |

**04/MARÇO/08**

  |

### 

 

3/3/2008 – 18h10

No ano passado, a Agência de Notícias da **Aids** ouviu especialistas e ativistas
para opinarem sobre a chegada de medicamentos de novas classes como o Maraviroc,
da Pfizer – disponível a partir desta segunda no Brasil (saiba mais). Confira a 
repercussão a seguir.

Supressão viral sustentada por 48 semanas consecutivas. Este foi o resultado alcançado
em testes por dois novos medicamentos de novas classes – antagonistas de CCR-5 e
inibidores de integrase – em combinação com outros anti-retrovirais. São eles o 
Celsentri (maraviroc), produzido pela Pfizer e o Isentress ([raltegravir](https://soropositivo.org/raltegravir-mais-um-antirretroviral/)),
fabricado pela Merck Sharpe & Dohme (saiba mais). Ativistas e especialistas brasileiros
receberam a notícia com entusiasmo, mas se preocupam com o acesso às novas drogas
e com os efeitos colaterais. “Por enquanto, só foram testadas em pequena escala,
precisamos ver como se comportam sendo utilizadas em grande escala. Vamos esperar
como elas vão reagir com as outras drogas, quais serão os efeitos colaterais”, avaliou
o infectologista do SAE Sapopemba, Dr. Robinson Camargo.

Para a médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Dra. Marinella Della Negra,
por se tratar de uma nova classe de medicamentos, é mais uma chance de impedir a
replicação viral, fazendo com que o paciente viva mais. “Novos remédios são sempre
bem-vindos, tanto os de classes já conhecidas como os de novas classes. É uma boa
notícia”, comentou.

Dr. Robinson reiterou que todos os lugares onde você pode impedir que o vírus se
replique, é mais uma arma contra a doença. “Depois de dez anos do uso dos inibidores
de protease, é muito bom para os pacientes uma nova classe de drogas. Vamos lidar
com os efeitos colaterais e esperar que as drogas sejam menos tóxicas. Nós não esperávamos,
por exemplo, uma ocorrência tão grande de dislipidemias, lipodistrofias, com os 
remédios atualmente em uso”, acrescentou.

A toxicidade das novas drogas também é uma preocupação para o coordenador da Associação
Brasileira Interdisciplinar de **Aids** (ABIA), Veriano Terto. Ele também levantou
outras questões. “Novas drogas mais eficazes são sempre bem vindas. Apesar de termos
uma relação crítica com a ciência, estamos sempre pressionando, lutando pelo acesso,
somos a favor que ela produza novos medicamentos. A questão é como vamos continuar
garantindo o acesso quando elas entrarem em uso, até por causa dos pacientes que
desenvolveram resistência ao tratamento. Qual será o preço? Quem vai poder se beneficiar?
Quais são os efeitos colaterais a longo prazo? Então junto com os bons resultados,
temos essas questões para alimentar,” observou.

Na opinião do presidente da Associação François-Xavier Bagnoud do Brasil (AFXB),
José Araújo Lima, essas drogas são “a única novidade nesses últimos anos. Os novos
medicamentos lançados têm sido apenas maquiagem. Esses não, vêm com novidade, impedem
a entrada do vírus nas células T e abrem uma nova fase, superam qualquer outro. 
É óbvio que não sobrevivem sozinhos. Eu estou ansioso para que tenha o início o 
processo de registro desses medicamentos na Anvisa.”

O presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da **Aids** (GAPA), de São Paulo, José
Carlos Veloso, declarou que “mais na frente, quando os medicamentos forem aprovados,
vamos ter que cobrar do governo o acesso a eles.” Veloso disse que as novas drogas
representam novas esperanças para os portadores do **HIV**/**Aids**. “É claro que
é sempre uma boa notícia. É uma nova classe, vai aumentar as chances daqueles pacientes
que desenvolveram resistência aos anti-retrovirais, o que acontece muito atualmente.
Não sei qual será o preço de mercado desses remédios, mas devem ser caros. Os laboratórios
deverão entrar com o processo na Anvisa e nós faremos pressão para que eles sejam
incluídos no consenso do Ministério da Saúde. Mais uma vez, o governo terá que entrar
no processo de negociação com os laboratórios”, concluiu.

Maurício Barreira

## Leia também

 * [Medicação Anti-HIV a Grande Virada](https://soropositivo.org/medicacao-contra-o-hiv-pontos-importantes/)
 * [Dia internacional da mulher:](https://soropositivo.org/dia-internacional-da-mulher-2/)
 * [Procuradorias tentam reduzir processos por medicamentos, informa valor econômico](https://soropositivo.org/procuradorias-tentam-reduzir-processos-por-medicamentos-informa-valor-economico/)

**Leia também**

 * [Pandemia HIV/AIDS: 40 anos e aparentemente esquecida!](https://soropositivo.org/pandemia-hiv-aids-40-anos-e-aparentemente-esquecida/)
 * [HIV e AIDS ainda habitam o inconsciente coletivo como sentenças de](https://soropositivo.org/hiv-aids-bem-explicados/)

### _Relacionado_
