# O álcool aumenta o desejo de relações sexuais desprotegidas

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- Published: 2012-02-25T20:11:12-02:00
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De acordo com os resultados de uma revisão sistemática de estudos e meta-análise
publicada no _Journal_ _Addiction_, o consumo de álcool tem impacto nas decisões
individuais que conduzem a relações sexuais desprotegidas.

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 * [Referência](https://soropositivo.org/o-alcool-aumenta-o-desejo-de-relacoes-sexuais-desprotegidas/#referencia)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-alcool-aumenta-o-desejo-de-relacoes-sexuais-desprotegidas/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-alcool-aumenta-o-desejo-de-relacoes-sexuais-desprotegidas/#relacionado)

“Quanto maior for a quantidade de álcool no sangue, mais evidentes se tornam as 
intenções de se ter relações sexuais desprotegidas,” comentam os investigadores.

O álcool pode levar à desinibição, afetar a capacidade cognitiva e ter impacto na
função imunitária. Mas é difícil de comprovar uma relação direta entre o álcool 
e a transmissão da infeção pelo VIH ou de outras infeções sexualmente transmissíveis.
Tal, poderá dever-se ao facto das pessoas que consomem álcool terem maior probabilidade
de ter relações sexuais desprotegidas porque, geralmente, têm vidas mais arriscadas.

Uma maneira de ultrapassar esta limitação é analisar a relação entre os níveis de
álcool no sangue e a intenção reportada de utilizar preservativo ou de ter relações
sexuais desprotegidas.

Assim, os investigadores canadianos levaram a cabo uma revisão sistemática e meta-
análise, identificando estudos randomizados que explorassem a relação entre o consumo
de álcool e comportamentos sexuais.

Para que os estudos fossem elegíveis nesta análise, tinham de responder a cinco 
critérios:

 * Investigação publicada numa revista por pares.
 * Randomização de pessoas para receber diferentes doses de álcool.
 * Análise sobre a intenção em ter relações sexuais desprotegidas.
 * Análise entre a associação dos níveis de álcool no sangue e intenção de ter comportamentos
   de risco.
 * Avaliação individual dos participantes.

Os doze estudos que foram ao encontro dos critérios foram conduzidos nos Estados
Unidos entre 2004 e 2010. Todos incluíram jovens adultos (média de idade entre 23
a 27 anos) recrutados em contextos universitários ou comunitários.

Houve uma relação consistente entre o nível de álcool no sangue e a intenção de 
se ter relações sexuais desprotegidas.

Um aumento dos níveis de álcool no sangue de 0,1 mg/ml (comparado com o valor de
0,0 mg/ml) foi associado a um aumento de 5% (95% IC – 2,8-7,1%) na probabilidade
de ocorrerem relações sexuais desprotegidas.

Os investigadores ajustaram os seus resultados para ter em conta o enviesamento 
de dados e outros potenciais fatores de conflito.

Manteve-se, porém, uma relação clara entre o consumo de álcool e a intenção de manter
relações sexuais desprotegidas, em que cada aumento de 0,1 mg/ml de álcool no sangue
aumentava a probabilidade de reportar intenção de ter relações sexuais desprotegidas
em 3% (95% IC – 2,0-3,9%).

“Em estudos experimentais há um consistente efeito significativo dos níveis de consumo
de álcool sobre a intenção de usar o preservativo, indicando que quanto maior for
o valor de alcoolémia, maior é a intenção de manter sexo desprotegido,” comentam
os investigadores.

Contudo, reconhecem que os seus estudos têm várias limitações: “o mais importante
nesta investigação, é que não se foca no atual uso do preservativo, mas examina 
a intenção de usar o preservativo.”

Mesmo assim, os investigadores acreditam que o seu estudo acrescenta informação 
importante à literatura existente sobre o consumo de álcool e a transmissão da infeção
pelo VIH e de outras infeções sexualmente transmissíveis.

“Encontrámos evidência de potenciais caminhos para explicar a associação,” escrevem
os investigadores. “O consumo de álcool teve impacto nas intenções de se ter sexo
desprotegido, havendo uma clara relação. Tal pode, em parte, ser explicado através
do seu efeito na função cognitiva.”

Os autores do estudo acreditam, também, que as suas conclusões têm implicações na
saúde pública e “aconselham mais estudos que analisem em meio experimental consumos
variados de álcool, utilizando intervenções provadas eficazes em grupos que se encontram
em situação de maior risco, com medição posterior da incidência da infeção pelo 
VIH e de infeções sexualmente transmissíveis.”

### Referência:

Rehm J et al. _Alcohol consumption and the intention to engage in unprotected sex:
systematic review and meta-analysis of experimental studies._ Addiction, 107, 51-
59, 2011

## Leia também

 * [Mais homens seronegativos para o VIH estão a ter relações sexuais desprotegidas em relações sexuais primárias, mas nem todos conhecem o estatuto serológico dos parceiros](https://soropositivo.org/mais-homens-seronegativos-para-o-vih-estao-a-ter-relacoes-sexuais-desprotegidas-em-relacoes-sexuais-primarias-mas-nem-todos-conhecem-o-estatuto-serologico-dos-parceiros/)
 * [Truvada pode impedir infecção do HIV mesmo se uso não for diário, indica estudo](https://soropositivo.org/truvada-pode-impedir-infeccao-do-hiv-mesmo-se-uso-nao-for-diario-indica-estudo/)
 * [Sentença de dez anos em Julgamento de VIH+ na Escócia](https://soropositivo.org/sentenca-de-dez-anos-em-julgamento-de-vih-na-escocia/)

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