# O arco-íris está cinza (Artigo)

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- Published: 2009-12-10T12:14:22-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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### O arco-íris está cinza (Artigo)

 

### Table Of Content

 * [O arco-íris está cinza (Artigo)](https://soropositivo.org/o-arco-iris-esta-cinza-artigo/#o-arcoiris-esta-cinza-artigo)
 * [JORNAL DO BRASIL – RJ](https://soropositivo.org/o-arco-iris-esta-cinza-artigo/#jornal-do-brasil-rj)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-arco-iris-esta-cinza-artigo/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-arco-iris-esta-cinza-artigo/#relacionado)

Dez de dezembro. Nesta data, no ano de 1948, foi adotada pela Assembléia Geral da
Organização das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

O documento reafirmou a fé nos direitos humanos, na dignidade, e nos valores humanos
das pessoas” e convocou a todos e todas a promover “respeito universal e observância
do direitos humanos e liberdades fundamentais para todos e todas sem distinção de
raça, sexo, língua, ou religião”. Entretanto, não é isso que observamos quando nos
damos conta de como as minorias sexuais, como lésbicas, gays, bissexuais, travestis
e transexuais (LGBT) são tratadas.

 

 

A partir de pesquisas que revelaram dados alarmantes da homofobia no Brasil, a Associação
Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), juntamente
com mais de 200 organizações afiliadas, espalhadas por todo o país, desenvolveram
o Projeto de Lei 5003/2001, que mais tarde veio se tornar o Projeto de Lei da Câmara(
PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.

 

 

O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero–
equiparando essa situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência
nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.
Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de
1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação
sexual e identidade de gênero. Isso quer dizer que todo cidadão ou cidadã que sofrer
discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar
queixa formal na delegacia. Essa queixa levará à abertura de processo judicial. 
Caso seja provada a veracidade da acusação, o réu estará sujeito às penas definidas
em lei.

 

 

Apesar dos intensos esforços e conquistas do Movimento LGBT Brasileiro em relação
ao PLC 122/06, ainda assim, ele precisa ser votado no Senado Federal. O projeto 
enfrenta oposição de setores conservadores dessa casa e de segmentos de fundamentalistas
religiosos, que insistem em alegar que o projeto limita ou atenta contra a liberdade
de expressão, de opinião, de credo ou de pensamento. Ao contrário, contribui para
garanti-las, evitando que parte significativa da população, hoje discriminada, seja
agredida ou preterida exatamente por fazer uso de tais liberdades em consonância
com sua orientação sexual e identidade de gênero.

 

 

Essas críticas, em sua maioria, não têm base laica ou objetiva. São fruto de uma
tentativa equivocada de transpor para a esfera secular e para o espaço público argumentos
religiosos, principalmente bíblicos.

 

 

Não discutem o mérito do projeto, sua adequação ou não do ponto de vista dos direitos
humanos ou do ordenamento legal. Apenas repisam preconceitos com base em errôneas
interpretações religiosas.

 

 

Durante todo o mês de novembro, o Senado publicou em seu site uma enquete. Foi uma
disputa acirrada. Do total de 465.326 votantes, 51,54% se declararam contrários 
à aprovação do projeto de lei e 48,46%, a favor. Lamentavelmente, a vitória do “
não” só legitima o conservadorismo de grande parte da sociedade brasileira No entanto,
esse resultado corrobora ainda mais com a nitidez com que a homofobia é difundida
em todo país. O Grupo ArcoIacute;ris entende que a perda não foi por causa da falta
de mobilização do Movimento LGBT ou da propalada capacidade organizativa dos religiosos
fundamentalistas em propagar o ódio aos LGBT, mas sim pelo incoerente e retrógado
pensamento que ainda domina corações e mentes do Brasil.

 

 

No Rio de Janeiro, o Grupo ArcoIacute;ris – que realiza a Parada do Orgulho LGBT
Rio e promove uma série de projetos de prevenção de **HIV**/**AIDS** e auto-estima–
trabalha arduamente com outras instituições, governos e sociedade civil a fim de
esclarecer os setores mais conservadores de que vivenciar as mais variadas sexualidades
é um ato extremamente saudável. Não podemos mais aceitar que lésbicas, gays, bissexuais,
travestis e transexuais sejam insultados, demitidos, expulsos de casa e até mesmo
assassinados( as).

 

 

A luta contra a homofobia no Brasil é árdua e é preciso perseverança para seguir
em frente em prol do direito de amar e viver livremente! Não abaixemos a cabeça 
e sigamos adiante por um país mais plural e que respeite as minorias e as diferenças.

 

 

A luta contra a homofobia no Brasil é árdua e é preciso perseverança para seguir
e frente.

 

 

 

Gilza Rodrigues

 

PRESIDENTE DO GRUPO ARCOIacute;RIS DE CIDADANIA LGBT

 

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**10/DEZEMBRO/09**

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## Leia também

 * [Sob as cores do arco-íris, mas longe dos panfletos](https://soropositivo.org/sob-as-cores-do-arco-iris-mas-longe-dos-panfletos/)
 * [O teste anti-HIV](https://soropositivo.org/o-teste-anti-hiv-para-fins-de-adocao-e-o-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente/)
 * [As relações de trabalho e o HIV/AIDS (Artigo)](https://soropositivo.org/as-relacoes-de-trabalho-e-o-hiv-aids-artigo/)

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