# O desafio de US$ 1 bilhão

- Link: https://soropositivo.org/o-desafio-de-us-1-bilhao/
- Published: 2009-06-19T22:56:07-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

,

### Table Of Content

 * [Agência Fapesp](https://soropositivo.org/o-desafio-de-us-1-bilhao/#agecircncia-fapesp)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-desafio-de-us-1-bilhao/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-desafio-de-us-1-bilhao/#relacionado)

 |

## **Agência Fapesp**** **

  |  **Editoria:** |  **Pág.** |

**Dia / Mês/Ano:**

  |  
 |

** **

  |

** **

  |

**28/FEVEREIRO/08**

  |

 

28/02/2008

Agência FAPESP – Dos inúmeros problemas das regiões mais pobres do mundo, poucos
têm a extensão e a gravidade da malária. Os números são eloqüentes: uma criança 
morre da doença a cada 30 segundos; por ano são mais de 1 milhão de mortos e mais
de 500 milhões de novos casos, a maior parte na África.

Estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a malária causa uma 
perda média de 1,3% no crescimento econômico anual em países com transmissão intensa.
No Brasil, foram registrados 545.696 casos em 2006, com a Amazônia Legal respondendo
por 99,7% do total. A maior incidência (73,4%) é da espécie Plasmodium vivax, uma
das três que causam a doença por aqui.

Não há vacina para a malária e os países mais afetados não contam com sistemas de
saúde adequados ou estratégias eficazes para controle da epidemia. A falta de dinheiro
sempre foi o principal problema, mas isso é algo que tem mudado rapidamente.

Há dez anos, os recursos disponíveis para enfrentar a doença chegavam a US$ 100 
milhões. Este ano, o total poderá ultrapassar US$ 1 bilhão, graças a iniciativas
como a do Fundo Global de Combate à **Aids**, Tuberculose e Malária e apoio financeiro
das mais diversas instituições, como o Banco Mundial, a Fundação Bill e Melinda 
Gates, o Comitê Olímpico Internacional e até mesmo o time de futebol espanhol Real
Madrid, que doou dinheiro arrecadado em amistosos.

Os novos fundos serão suficientes para melhorar o cenário? A questão é o assunto
de capa da edição de 28 de fevereiro da revista Nature, que destaca que finalmente
o mundo passa a contar com verba para o controle da malária suficiente para começar
a promover conquistas de peso e extensão na luta contra a doença.

Mas, segundo o epidemiologista norte-americano Mark Grabowsky, coordenador das iniciativas
contra a doença do Fundo Global de Combate à **Aids**, Tuberculose e Malária, junto
com a oportunidade única vem o aumento na responsabilidade de gastar bem o dinheiro.

Em artigo na revista, Grabowsky, que também é dos Centros para Controle e Prevenção
de Doenças dos Estados Unidos, aponta medidas para o bom uso dos recursos, que incluem
a integração de programas de prevenção com outras iniciativas em saúde, a melhoria
na distribuição de tratamentos existentes e, especialmente, o acompanhamento das
abordagens empregadas e de seus efeitos.

Para ele, distribuir redes antimosquito para camas, uma das mais eficazes formas
de prevenir a doença, é importante, mas sem o monitoramento freqüente nos locais
afetados a estratégia será insuficiente.

Segundo Grabowsky, caso não se aumentem os esforços e gastos destinados ao controle
das medidas, o “esforço de US$ 1 bilhão contra a malária se tornará um vôo às cegas”.
Ou seja, algo muito distante do objetivo ambicioso das entidades responsáveis pelos
financiamentos de cortar o número de mortos pela metade até 2010.

“Fundos adequados para o controle da malária são um primeiro passo muito importante,
mas coordenação, planejamento e apoio operacional são fundamentais para atingir 
os objetivos delineados”, disse. Para o epidemiologista, a questão é simples: a 
maioria dos países atingidos não conta atualmente com condições de coordenar as 
iniciativas que serão necessárias.

Grabowsky é incisivo: diferentemente de declarações como as de Bill Gates a respeito
da erradicação da doença, o problema continuará presente por muito tempo. “Erradicação
é um projeto de décadas que exigirá novas ferramentas, inclusive uma vacina eficiente”,
afirmou.

A Nature traz dois outros artigos sobre a malária. O primeiro descreve a longa luta
para tentar obter a primeira vacina contra a doença, seja em laboratórios ou em 
testes clínicos de larga escala. O segundo relata os caçadores de mosquito na Zâmbia,
de modo a tentar entender a dinâmica da doença e chegar a soluções para reduzir 
o impacto do problema no continente africano.

O artigo The billion-dollar malaria moment, de Mark Grabowsky, pode ser lido em 
breve por assinantes da Nature em [http://www.nature.com](http://www.nature.com).

## Leia também

 * [Sem eles não há avanço](https://soropositivo.org/sem-eles-nao-ha-avanco/)
 * [OMS alerta para nova tuberculose incurável](https://soropositivo.org/oms-alerta-para-nova-tuberculose-incuravel/)
 * [Por que humanos são vulneráveis ao HIV?](https://soropositivo.org/por-que-humanos-sao-vulneraveis-ao-hiv/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

### _Relacionado_
