# O fim do ponto G

- Link: https://soropositivo.org/o-fim-do-ponto-g/
- Published: 2010-01-05T11:52:21-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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 * [O GLOBO ](https://soropositivo.org/o-fim-do-ponto-g/#o-globo%c2%a0)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-fim-do-ponto-g/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-fim-do-ponto-g/#relacionado)

Estudo britânico com 1.800 mulheres afirma que a zona erógena é somente um mito

 

A elusiva zona erógena que existiria em algumas (felizardas) mulheres pode simplesmente
não passar de um mito, sustentaram pesquisadores que buscaram por ela em nada menos
que 1.800 voluntárias.

 

O estudo, publicado na “Journal of Sexual Medicine”, sustenta que não se encontrou
prova alguma de sua existência.

 

O Ponto de Gräfenberg, ou Ponto G, recebeu o nome em homenagem ao ginecologista 
alemão Ernst Gräfenberg, que o descreveu há mais de 50 anos. A zona, altamente erógena,
ficaria na parede interna da vagina, uma área enrugada de não mais que 2,5 centímetros.

 

Desde que a sua suposta existência se popularizou, a partir dos anos 60 e 70, com
a liberação sexual feminina, muitas mulheres – e homens – buscam pelo ponto que 
proporcionaria o mais intenso dos orgasmos.

 

Recentemente, cientistas italianos teriam apresentado a prova cabal de sua existência,
alegando ter localizado o Ponto G por meio de exames de ultrassonografia. Eles encontraram
um ponto mais espesso na parede interna da vagina de mulheres que costumavam relatar
orgasmos.

 

Mas, agora, o grupo do King´s College, de Londres, sustenta que nada disso é verdadeiro.
Segundo os cientistas envolvidos no estudo, o Ponto G “seria um mito criado pela
imaginação feminina e devidamente alimentado por revistas e terapeutas sexuais”.
Em entrevista à BBC, a sexóloga Beverley Whipple, que ajudou a popularizar a ideia
do Ponto G, afirmou que o trabalho “é falho”.

 

Ponto G seria uma ideia subjetiva

 

Segundo Whipple, os pesquisadores não levaram em conta as experiências homossexuais
e bissexuais das mulheres e não consideraram os efeitos de diferentes parceiros 
sexuais com diferentes técnicas sexuais.

 

O estudo foi feito com pares de gêmeas idênticas, que compartilham a mesma carga
genética, e não idênticas, que têm apenas 50% dos genes em comum.

 

Os especialistas perguntaram a cada uma delas se tinham o Ponto G.

 

Segundo os cientistas, se uma mulher dissesse que tinha, seria de esperar que sua
gêmea idêntica, que partilha os mesmos genes, também relatasse o mesmo. Mas o padrão
de respostas que surgiu foi similar ao observado entre as irmãs não idênticas.

 

Co-autor do estudo, Tim Spector afirmou, também em entrevista à BBC: – Algumas mulheres
poderiam argumentar que ter um Ponto G está relacionado com a dieta ou os exercícios
que seguem – disse Spector. – Mas, a verdade, é que é virtualmente impossível encontrar
traços concretos.

 

Este é, de longe, o maior estudo já feito sobre o tema e revela, de forma bastante
conclusiva, que a ideia do Ponto G é subjetiva.

 

 

Andrea Burri, que também participou do estudo, afirmou que é preocupante a ideia
de que algumas mulheres pudessem se sentir inadequadas ou incompletas por não encontrarem
seu Ponto G.

 

– É irresponsável proclamar a existência de uma entidade cuja existência nunca foi
provada e pressionar as mulheres e homens (a encontrá-la) – afirmou.

 

Para Petra Boynton, psicóloga sexual da University College, de Londres, cada pessoa
é diferente: – Não há problema algum em procurar o Ponto G, mas não se preocupe 
se não encontrá-lo. Ele não deve ser o único foco do ato sexual.

 

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## Leia também

 * [Yes, nós temos ponto G](https://soropositivo.org/yes-nos-temos-ponto-g/)
 * [Sintomas de HIV: o que é mito e o que é verdade?](https://soropositivo.org/sintomas-de-hiv-o-que-e-mito-e-o-que-e-verdade/)
 * [Elevada eficácia observada no estudo britânico sobre PrEP](https://soropositivo.org/elevada-eficacia-observada-no-estudo-britanico-de-profilaxia-pos-exposicao/)

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