# O HIV também faz com que as células do sistema de defesa do organismo não consigam corrigir células

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- Published: 2009-06-19T22:44:09-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

![Aids](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/wp-content/uploads/
2009/06/20031008140843aids203.jpg)

 Aids é a sigla em inglês para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. A doença
é causada pelo vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana, na sigla em inglês).
O vírus mata ou danifica as células do sistema imunológico, destruindo progressivamente
a habilidade de o organismo combater infecções oportunistas como as provocadas por
outros vírus, fungos ou bactérias.

O HIV também faz com que as células do sistema de defesa do organismo não consigam
corrigir células defeituosas geneticamente, como as que estão associadas ao aparecimento
de tumores e cânceres. Pessoas saudáveis teriam condições de eliminar boa parte 
dessas doenças através de seu sistema imunológico.

Como o HIV é transmitido?

A forma mais comum de transmissão do HIV é a relação sexual com alguém infectado.
O vírus pode entrar no organismo pela vagina, pelo pénis, pelo reto ou pela boca
durante a relação sexual.

O HIV também é transmitido por meio de sangue contaminado. Um número grande de infecções
ocorreu no passado por meio de transfusões de sangue, a partir de doadores infectados.
Atualmente, com os exames realizados nos bancos de sangue, o risco desse tipo de
transmissão é extremamente pequeno.

Mesmo com a intensificação das campanhas pelo uso de agulhas e seringas descartáveis,
ainda é comum a transmissão do HIV entre os usuários de drogas.

As mulheres contaminadas também podem transmitir o HIV aos seus filhos, durante 
a gestação, durante o parto e durante o aleitamento. O antiretroviral AZT, se administrado
às soropositivas durante a gestação, pode reduzir o risco de mães infectarem os 
bebês. Os bebês devem nascer por meio de cesariana e não devem ser amamentados pela
mãe. Se tudo isso for feito, o risco de eles serem infectados beira 1%, segundo 
o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Um estudo patrocinado pelo governo americano em Uganda descobriu ainda que apenas
uma única dose do antiretroviral nevirapina, dada a uma gestante infectada durante
o parto, e outra dose dada ao seu bebê até três dias após o nascimento reduzem pela
de os riscos de ele ser contaminado se comprado ao AZT. Mas a pesquisa ainda precisa
ser aprimorada.

Apesar de pesquisadores terem encontrado HIV na saliva de pessoas infectadas, não
há evidências de que o vírus seja espalhado através da saliva. Pesquisas de laboratório
mostram que a saliva possui propriedades naturais que limitam o poder de infecção
do HIV. Mas ninguém sabe ao certo se os chamados “deep kissing”, onde há intensa
troca de salvia, ou contatos sexuais orais (sem troca de fluidos sexuais), poderiam
agravar os riscos.

Cientistas também não encontraram evidências de que o HIV seja transmitido por suor,
lágrimas, urina ou fezes.

Estudos em famílias com pelo menos um soropositivo mostraram claramente que o HIV
não se espalha via contatos casuais como uso dos mesmos utensílios domésticos, piscinas
ou banheiros. O HIV também não é transmitido por mosquitos nem outros insetos.

Quanto tempo leva para o HIV causar a Aids?

Atualmente, o período médio entre a infecção pelo HIV e o aparecimento de sintomas
é entre 8 e 11 anos, mas o vírus pode ser detectado no sangue do paciente entre 
algumas semanas e cerca de seis meses após a infecção. O período entre a infecção
e o aparecimento dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa e depende de seu
status social e comportamento. Hoje, há diversos tratamentos capazes de retardar
o dano que o HIV faz ao organismo.

Qual é a conexão entre o HIV e as outras doenças sexualmente transmissíveis?

Portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DST) têm mais chances de contrair
o HIV porque geralmente essas doenças provocam lesões e feridas na pele, o que facilita
a entrada do vírus da Aids no organismo durante as relações sexuais. As DST também
enfraquecem o sistema imunológico da região genital de homens e mulheres, fazendo
com que as células no local não consigam reconhecer a entrada do vírus, facilitando-
a.

De onde veio o HIV?

A mais recente teoria, apresentada durante um congresso nos Estados Unidos em 1999,
é a de que o HIV foi transmitido a partir de uma espécie de chimpanzé para o ser
humano, possivelmente por meio do sangue que saiu de um arranhão. Esta é a teoria
mais aceita pela comunidade científica.

Já se sabe que o HIV existe nos Estados Unidos, no Haiti e na África desde pelo 
menos 1977 e 1978, quando casos raros de pneumonia, câncer e outras doenças foram
reportados por médicos nas cidades de Los Angeles e Nova York.

Em 1982, a doença que provoca a falência imunológica foi denominada de Aids. Em 
1984, descobriu-se o vírus que a causava, o HIV.

Quais são os sintomas da doença?
    Pesquisas em busca de uma vacina para a AidsLaboratórios
não param de pesquisar tratamentos para Aids

A maior parte das pessoas não apresenta nenhum sintoma a curto prazo quando é infectada
pelo HIV. Algumas, no entanto, apresentam sintomas semelhantes aos da gripe entre
um e dois meses depois da infecção: febre, dor de cabeça, fadiga, nódulos na garganta
e no pescoço. Esses sintomas geralmente desaparecem dentro de um mês, sendo constantemente
confundidos com outra infecção viral.

Mas, durante esse período, os soropositivos possuem uma capacidade imensa de infectar
os demais, com uma presença massiva do vírus nos fluidos genitais. Os sintomas mais
severos podem não aparecer pelos próximos dez anos, no caso dos adultos, e dois,
no caso das crianças. O período assintomático varia muito de pessoa para pessoa.

Mesmo durante o período assintomático, o vírus está se multiplicando, infectando
e matando as células do sistema imunológico. O efeito mais óbvio da infecção pelo
HIV é um declínio do número de células T (também conhecidas como CD 4+T ou apenas
CD4), que são as células que ativam o sistema imunológico (de defesa) do organismo.
De acordo com o CDC, pessoas com menos de 200 células T em cada milímetro de sangue
têm Aids. Uma pessoa normal possui mil ou mais células, numa mesma quantidade de
sangue.

Além disso, há outros 26 sintomas que fecham um quadro clínico de um portador de
HIV. Eles incluem tosse e falta de fôlego, febre, dificuldade de engolir, confusão
mental e esquecimento, diarreia persistente, febre, convulsões e perda de memória,
perda de visão, náusea, dor abdominal e vômito, perda de peso, dor de cabeça severa
e coma.

Algumas vítimas também desenvolvem herpes na boca, no ânus e nos aparelhos genitais
e dores nos nervos. Crianças apresentam retardamento no crescimento e ficam doentes
com extrema freqüência.

Até que ponto o sexo oral transmite a Aids?

Há um debate considerável sobre até que ponto o sexo oral transmite a Aids. Há algum
risco associado à transmissão do HIV por este meio, sem o uso da camisinha. Mesmo
assim, as chances são menores do que as do sexo anal e vaginal. Mulheres e homens
que recebem sexo oral possuem poucos riscos de contrair a Aids. Uma forma de reduzir
o risco, afirmam os médicos, é não ingerir os fluidos sexuais do parceiro.

Quais são os tratamentos disponíveis contra o HIV?

Há um número cada vez maior de medicamentos para tratar o HIV, que contribuíram 
para uma cronificação da doença, aumentando consideravelmente a expectativa e a 
qualidade de vida do soro positivo.

O primeiro grupo de drogas são os inibidores da enzima transcriptase reversa, que
impede, em um estágio inicial, que o vírus faça cópias de si mesmo impedindo que
o HIV se espalhe pelo organismo e também o início de infecções oportunistas. (Exemplos:
AZT, estavudina, lamivudina, abacavir, tenofovir). Há nesse grupo ainda os inibidores
da transcriptase reversa não-nucleosídeos como a nevirapina, o viramune e o efravirenz.

Outra classe de drogas são os inibidores da protease, que interrompem a replicação
do vírus em um estágio mais avançado. (Exemplo: ritonavir, indinavir, nelfinavir,
lopinavir). Como o HIV se torna resistente com certa facilidade, os médicos podem
combinar várias dessas drogas.

Este ano, surgiu nos Estados Unidos o primeiro inibidor de fusão, que combate o 
vírus como uma estratégia diferente. Em vez de agir sobre a célula infectada como
os outros remédios, a substância ativa do enfuvirtide modifica características do
vírus de modo que impede sua entrada nas células.

Outra classe promissora são os inibidores da integrase, uma outra enzima produzida
pelo HIV que faz ele se multiplicar.

A terapia antiretroviral é tida como a única forma eficaz de impedir as mortes com
Aids. Em muitos casos, pacientes submetidos à terapia chegam a ficar com carga viral
em níveis indetectáveis no sangue, reduzindo os riscos de transmissão da doença.

Pesquisas, no entanto, mostram que o HIV se esconde nos nódulos linfáticos, no cérebro,
nos testículos e na retina do olho, mesmo em pacientes que estão sob tratamento.
Apesar dos benefícios da terapia antiretroviral, um grande número de soropositivos
apresenta efeitos colaterais graves com a terapia como náuseas, vómitos, problemas
intestinais, dores nos nervos e inflamação no pâncreas. Por isso, o tratamento precisa
ser acompanhado de perto pelo médico, que pode trocar medicamentos e tratar esses
sintomas, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Quantas pessoas são vítimas da Aids no mundo?

Segundo os últimos dados do Unaids (órgão da ONU de combate à Aids), 42 milhões 
de pessoas vivem com HIV hoje no mundo, 29,4 milhões delas na África subsaariana;
2 milhões na América Latina e no Caribe e mais de 6 milhões no sul e sudeste da 
Ásia.

No Brasil, 610 mil pessoas vivem hoje com HIV e Aids.

## Leia também

 * [Tire as suas dúvidas sobre a Aids](https://soropositivo.org/tire-as-suas-duvidas-sobre-a-aids/)
 * [AIDS Isso não é o Fim](https://soropositivo.org/aids-isso-nao-e-o-fim/)
 * [Vírus da Imunodeficiência Humana. Qual seu Ciclo?](https://soropositivo.org/ciclo-de-vida-do-hiv-3/)

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