# O número de episódios de internamentos de pessoas com VIH continua a ser elevado

- Link: https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/
- Published: 2010-08-16T10:14:10-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Michael Carter

 De acordo com um grupo de investigadores das forças militares norte-americanas,
num estudo publicado na edição online do _Journal of Acquired Immune Deficiency 
Syndromes_, as admissões hospitalares de pessoas com VIH continuam a ser em grande
número, mesmo na era da moderna terapêutica ARV.

### Table Of Content

 * [Referência](https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/#relacionado)

Entre 1999 e 2006, um terço dos doentes incluídos no estudo encontrava-se hospitalizado,
taxa que não sofreu alterações com o tempo.

Contudo, os investigadores constataram uma alteração das causas de hospitalização,
tendo verificado, por exemplo, um aumento dos internamentos por doenças do fígado
e da pele. Também constataram que a manutenção de uma contagem de células CD4 acima
das 350/mm^(3) estava associada com uma significativa redução do risco de hospitalização.

Pouco depois de, no final da década de 1990, a terapêutica ARV eficaz se ter tornado
disponível, muitos estudos constaram um declínio das taxas de internamento e mortalidade
das pessoas com VIH.

Menos bem conhecida é a situação que diz respeito aos internamentos na era actual
dos modernos tratamentos.

Porém, existe alguma evidência que sugere que as taxas de hospitalização se têm 
mantido estáveis ou mesmo sofrido algum aumento, possivelmente em resultado do envelhecimento
dos doentes, das co-infecções e dos efeitos colaterais dos medicamentos.

Uma melhor compreensão dos tipos e causas das admissões hospitalares das pessoas
com VIH pode constituir um contributo para o planeamento de intervenções que possam
beneficiar esta população, no contexto da planificação geral dos serviços de saúde.

Foi, assim, com este objectivo que um grupo de investigadores do _HIV Natural History
Study_ das forças militares dos EUA foi monitorizar os tipos de hospitalização e
os factores de risco de hospitalização para 2 429 doentes, entre 1999 e 2007, período
que foi dividido em 3 segmentos, correspondentes a 3 padrões diferentes do tratamento
e cuidados na área do VIH: 1999-2001; 2002-2004; 2005-2007. Refira-se que se definiu“
hospitalização” como toda a admissão no hospital por um período igual ou superior
a 24 horas.

Em termos gerais, os doentes apresentavam uma média de idades de 37 anos, e encontravam-
se a viver com o VIH desde há 7 anos, em média. De todos os indivíduos do grupo,
62% tomavam medicação ARV, encontrando-se a duração média do tratamento nos 4 anos.

A contagem média dos CD4s na altura em que esse tratamento havia sido iniciado tinha
sido de 350 células/mm^(3), tendo o valor médio dessa contagem sido de 544 células/
mm^(3) ao longo do período do estudo. No que se refere à carga viral, 52% dos participantes
tinham uma carga viral de 400 cópias/ml.

Um terço dos participantes desta _coorte_ foi hospitalizado pelo menos uma vez (
822 doentes), tendo sido de 1 770 o número total de hospitalizações.

A duração média da hospitalização foi de seis dias, valor que não se alterou de 
forma significativa durante o estudo.

Não se verificaram, igualmente, alterações na taxa global de hospitalizações ao 
longo dos oito anos do estudo (137 por 1000 pessoas-ano).

As doenças gastro-intestinais constituíram a causa mais frequente de internamento(
24 por 1 000 pessoas-anos), seguidas das infecções bacterianas (18 por 1000 pessoas-
ano), doenças respiratórias (16 por 1000) e doenças cardiovasculares (12 por 1000).

Verificou-se, porém, um aumento de 50% nas taxas de internamento por cancro, aumento
este no limiar do significativo (p = 0.06). As hospitalizações por doença cardiovascular,
por seu lado, aumentaram 24% (p = 0.06), ao contrário daquelas por doença neurológica,
que caíram 25% (p = 0.05).

No que diz respeito aos internamentos por doenças definidoras de SIDA, eles ocorreram
à taxa de 10 por 1000 pessoas-ano, valor que não sofreu alterações com o passar 
do tempo.

As infecções constituíram a maior causa isolada de hospitalização (49 por 1 000 
pessoas-ano), valor que também não se alterou durante o tempo sobre o qual o estudo
incidiu.

O risco de hospitalização devido a co-infecção por hepatite, cirrose ou outras formas
de doença hepática aumentou 71%. Embora o número total de infecções tivesse reduzido,
os investigadores constataram um aumento de 300% nas admissões por MRSA (Infecção
por estafilococos resistente à meticilina) e um aumento de 50% nos internamentos
por infecções cutâneas em geral.

A realização de cirurgias também se tornou progressivamente mais importante, tendo
sido responsável por 22 hospitalizações por 1000 pessoas-ano.

Em seguida, os investigadores foram avaliar a proporção de hospitalizações devidas
a doenças ou condições específicas.

As doenças relacionadas com SIDA foram responsáveis por 8% das admissões, valor 
que não se alterou com o tempo.

A proporção de hospitalizações relacionadas com MRSA aumentou de 0.3% para 3%. Também
as cirurgias viram a sua proporção aumentar, neste caso de 13% para 20%.

A análise das características dos doentes admitidos nos hospitais mostrou que a 
sua idade média era de 41 anos, idade esta que aumentou de forma constante ao longo
do período em apreço (39-41 anos, p < 0.001). A percentagem de doentes hospitalizados
com hepatite C aumentou de 8 para 14% (p < 0.01).

A contagem de CD4s na altura do internamento também aumentou, de uma média de 409
para uma de 466 células/mm^(3).

Quanto ao uso de tratamentos ARV por parte dos doentes internados, manteve-se estável
ao longo desse período, rondando os 70%.

Finalmente, os investigadores foram analisar os factores associados com a hospitalização.

Assim, cada aumento de 50 células/mm^(3) na contagem de CD4s mais baixa de sempre
mostrou-se associado com uma redução de 8% no risco de hospitalização (p < 0.01).

Por seu lado, os doentes com uma contagem actual de CD4s superior a 350 células 
também apresentavam uma redução significativa do risco de admissão hospitalar – 
p < 0.01. Já naqueles com uma contagem actual inferior a 350 células, o uso de ARVs
mostrou reduzir o risco de internamento (p = 0.02).

A co-infecção com hepatite C, por seu turno, aumentou o risco de hospitalização 
em 46% (p = 0.02). Também responsável por um maior risco de internamento se mostrou
o factor “duração da infecção VIH” (p = 0.05).

Foi depois levada a cabo uma análise separada com o objectivo de analisar os factores
associados com hospitalização por causa infecciosa. Uma vez mais, um maior nadir
de CD4s (p < 0.01), uma contagem actual superior a 350 células (p < 0.01), ou o 
uso de tratamento ARV para valores de CD4s inferiores a 350 (p < 0.01), mostraram-
se protectores.

Refira-se para finalizar que quanto maior fosse a idade, maior era o risco de internamento
por cirurgia (p < 0.01).

“As hospitalizações continuam a ocorrer a taxas elevadas entre as pessoas infectadas
pelo VIH e… estas taxas não se alteraram na era mais recente da HAART”, comentam
os investigadores. Que acrescentam que as causas dessas hospitalizações se têm vindo
a diversificar, sendo agora as doenças (co-morbilidades) não relacionadas com SIDA
as responsáveis pelo maior número de admissões.

As contagens de CD4s superiores a 350 células mostraram reduzir o risco de hospitalização,
facto que levou os investigadores a escrever: “estes dados sugerem que a HAART utilizada
de acordo com as _guidelines_ terapêuticas parece proteger contra um maior número
de internamentos devidos a causas não relacionadas com SIDA”.

### Referência

 Crum-Cianflone NF et al. _Trends and causes of hospitalizations among HIV-infected
persons during the late HAART era: what is the impact of CD4 cell counts and HAART
use?_ J Acquir Immune Defic Syndr (online edition), 2010.

### Tradução

 [GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [O VIH não aumenta o risco de insónia](https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/)
 * [Deficiência de vitamina D associada a progressão da doença em pessoas com VIH](https://soropositivo.org/deficiencia-de-vitamina-d-associada-a-progressao-da-doenca-em-pessoas-com-vih/)
 * [A infecção pelo VIH está associada a uma função sexual reduzida nas mulheres](https://soropositivo.org/a-infeccao-pelo-vih-esta-associada-a-uma-funcao-sexual-reduzida-nas-mulheres/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

Views: 1

### _Relacionado_
