# O que está por trás do abuso de analgésicos, as drogas lícitas?

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- Published: 2014-02-22T08:17:59-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### As drogas lícitas das estrelas de Hollywood matam 15 mil pessoas por ano nos Estados Unidos. E no Brasil?

⌊Drogas Lícitas⌉⌊Drogas Lícitas⌉O Brasil é um país altamente tolerante com a automedicação.
Quem nunca comprou remédio sem receita ou ofereceu um comprimido a um amigo? A dificuldade
de acesso a consultas médicas é parte do problema, mas não explica todos os casos.
Compartilhar remédio como quem compartilha conselho é um traço cultural.

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 * [As drogas lícitas das estrelas de Hollywood matam 15 mil pessoas por ano nos Estados Unidos. E no Brasil?](https://soropositivo.org/o-que-esta-por-tras-do-abuso-de-analgesicos-as-drogas-licitas/#as-drogas-licitas-das-estrelas-de-hollywood-matam-15-mil-pessoas-por-ano-nos-estados-unidos-e-no-brasil)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-que-esta-por-tras-do-abuso-de-analgesicos-as-drogas-licitas/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-que-esta-por-tras-do-abuso-de-analgesicos-as-drogas-licitas/#relacionado)

Oferecer comprimidos para a dor de cabeça é um clássico. Quem consome analgésicos
em excesso conhece o resultado. Depois de tomar uma determinada dosagem por um certo
tempo, ela deixa de fazer efeito. A pessoa parte para uma dose maior que, num certo
momento, também deixará de funcionar. É um ciclo que precisa ser evitado.

Drogas ilícitas como cocaína e crack assustam. O abuso de _**drogas lícitas**_ como
os medicamentos é visto como um problema menor. Pode não ser. Analgésicos potentes
como os opióides podem matar quando consumidos fora da indicação médica.

Um dos casos mais emblemáticos é o do cantor Michael Jackson, morto em 2009, aos
50 anos. Segundo as investigações, Jackson era dependente de analgésicos – entre
eles, os opióides. Volta e meia surge a notícia de alguma celebridade de Hollywood
que se deu muito mal por causa do abuso desses remédios. No ano passado, foi a vez
do [ator Zac Efron](http://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2013/09/antes-de-internacao-zac-efron-teria-tido-overdose-de-heroina-e-analgesico.html.).

Os [opióides](http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/opiaceos.htm) 
são uma ferramenta importantíssima no arsenal médico. São eles que aliviam dores
intensas como aquelas provocadas pelo câncer, pelos politraumatismos e pelas queimaduras
graves. O uso deveria ser altamente restrito, mas os controles existentes têm se
mostrado falhos.

Há quem compre esses remédios de forma ilegal pela internet. Ou consiga uma receita
de forma ilícita. Ou use os comprimidos receitados para um parente. Um mercado negro
estimula o uso recreativo.

“Quem procura essas drogas com essa intenção faz isso por causa do efeito euforizante”,
diz o neurocirurgião Claudio Fernandes Corrêa, coordenador do Centro de Dor e Neurocirurgia
Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. “Esse efeito é variável. Alguns 
dizem sentir um prazer físico e mental. Outros têm náuseas e vômitos”, afirma.

É o tipo de diversão que quase sempre acaba mal. Um dos opióides potentes usados
de forma abusiva é a oxicodona, vendida com o nome comercial de OxyContin. Na medicina,
ela é usada para aliviar dores de intensidade moderada a forte. Por exemplo, nos
pós-operatórios, na neuropatia diabética e em algumas dores crônicas.

“O abuso de oxicodona pode matar”, diz Corrêa. “Provoca depressão respiratória e
a pessoa morre”. A overdose de medicamentos contra a dor provoca cerca de 15 mil
óbitos todos os anos nos Estados Unidos. Não há dados precisos no Brasil, mas os
especialistas dizem que o uso recreativo no país é menos comum. “Algo como um caso
no Brasil para cada dez casos nos Estados Unidos”, diz Corrêa.

Atualmente, os comprimidos de oxicodona disponíveis no Brasil podem ser quebrados.
Isso facilita o uso abusivo. Se for esmagado, o comprimido vira um pó que pode ser
inalado. Misturado a um solvente, pode ser injetado na veia.

A boa notícia é que o fabricante pretende lançar em breve uma nova tecnologia que
pode reduzir o problema. Assim que a Anvisa liberar o registro da nova formulação(
o que pode acontecer ainda neste semestre) os comprimidos em circulação no Brasil
serão feitos especialmente para não quebrar.

O princípio ativo continua o mesmo. Ainda que alguém consiga quebrar o comprimido,
restarão pedras grandes que não podem ser inaladas. Se alguém colocar um solvente,
o produto vira um gel que não pode ser injetado.

“Essa tecnologia não vai encarecer o produto. A oxicodona será vendida pelo mesmo
preço”, diz Andréa Naves, diretora médica da Mundipharma Brasil. “A versão anterior
vai deixar de ser fabricada”.

Essa mesma tecnologia foi lançada nos Estados Unidos em 2010. Ajudou a reduzir os
casos de abuso de oxicodona. Os dependentes parecem ter migrado para outras drogas.

Quem são as pessoas que abusam de drogas lícitas? Por que fazem isso? Por que precisam
delas? Essa é a questão central que ainda não foi atacada. Cabe à sociedade olhar
para ela e gerar a transfomação necessária.

“Quem abusa de opióides parece buscar uma fuga da realidade”, diz Corrêa. “São pessoas
aparentemente sem grandes problemas, às vezes até bem-sucedidas na profissão, mas
que precisam desse tipo de fuga”.

É preciso acabar com a ilusão de que pílulas aliviam toda e qualquer dor. Contra
as dores da alma, elas nada podem fazer. Alguns incômodos nascem na mente e se manifestam
no corpo. Nesses casos, os comprimidos podem ajudar. Mas a causa da dor vai continuar
onde sempre esteve.

Corpo e mente funcionam juntos. Eles têm limites. Não passam incólumes em caso de
sobrecarga. Quando o fardo fica pesado demais, a gente tropeça e cai. Sábio é quem
aproveita a queda para respirar. O chão é o melhor conselheiro. Depois é juntar 
os cacos e recomeçar. A vida é isso e talvez essa seja a graça dela.

_(Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras) (Êpa baba Oxalá)_

Nota do Editor de Soropositivo.org: Eu sou usuário de **drogas lícitas**. Entre 
elas, dois opioides. Um deles eu não digo o nome mas o outro é o cloridrato de tramadol.
Conversava eu com minha psiquiatra, que é a única pessoa em quem eu confiaria a 
me receitar estes remédios, e eu disse a ela que é mentira que tramal da barato.
Eu tomo 300Mg por dia e nao sinto nada. E ela disse:

-“Não dá pra você, Cláudio”

Apresentação de Slides por: [Tiago de Melo](http://pt.slideshare.net/demelotiago?utm_campaign=profiletracking&utm_medium=sssite&utm_source=ssslideview)

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