# O tratamento não está  reduzindo a epidemia pelo VIH entre os gays.

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- Published: 2012-07-27T20:21:05-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

[[Va­le­rie Del­pe­ch da Agência pa­ra a Pro­teção da Saúde (HPA) do Rei­no Uni­do
afir­mou na reu­nião de Lon­dres, que no Rei­no Uni­do a mai­o­ria dos ho­mens gay
e bis­se­xu­ais se­ro­po­si­ti­vos que ti­nha pro­ba­bi­li­da­de de trans­mi­tir
a in­feção pe­lo VIH con­ti­nu­a­va não di­ag­nos­ti­ca­da. Além dis­so, o tra­ba­lho
so­bre mo­de­los su­ge­re que 48% de to­das as no­vas in­feções nos ho­mens gay 
e bis­se­xu­ais são con­traídas a par­tir de ho­mens com in­feção primária pe­lo
VIH não di­ag­nos­ti­ca­da e 34% de ho­mens in­fe­ta­dos há mui­to tam­po não di­ag­nos­ti­ca­dos.

### Table Of Content

 * [In­for­mações Ul­te­ri­o­res](https://soropositivo.org/o-tratamento-nao-esta-reduzindo-a-epidemia-pelo-vih-entre-os-gays/#in%c2%adfor%c2%admacoes-ul%c2%adte%c2%adri%c2%ado%c2%adres)
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 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-tratamento-nao-esta-reduzindo-a-epidemia-pelo-vih-entre-os-gays/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-tratamento-nao-esta-reduzindo-a-epidemia-pelo-vih-entre-os-gays/#relacionado)

Fa­lan­do na con­ferência da [IA­PAC Con­tro­lan­do a epi­de­mia do VIH com os an­tir­re­tro­vi­rais](http://www.aidsmap.com/IAPAC-Evidence-Summit-2012/page/2342058/),
aler­tou pa­ra o fac­to que o bom aces­so aos an­tir­re­tro­vi­rais no Rei­no Uni­do
não le­vou a uma re­dução das no­vas in­feções.

 

> Ex­pli­cou que “Is­to é de­vi­do à fração não di­ag­nos­ti­ca­da e par­ti­cu­lar­men­te
> a ho­mens na in­feção primária”.
>  

A Dra. Del­pe­ch su­ge­riu que a si­tuação no Rei­no Uni­do pro­por­ci­o­na uma 
in­tros­peção útil so­bre o que é possível num mo­men­to em que ou­tros países estão
ex­pan­din­do o aces­so ao tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral tal­vez mo­ti­va­dos
pe­la con­si­de­ração do “tra­ta­men­to co­mo pre­venção (TasP).

 

No con­tex­to do sis­te­ma de saúde gra­tui­to e de li­vre aces­so do Rei­no Uni­do,
mais de 95% das pes­so­as recém-di­ag­nos­ti­ca­das com a in­feção pe­lo VIH são
re­fe­ren­ci­a­das nos pri­mei­ros três me­ses a cui­da­dos es­pe­ci­a­li­za­dos
e mais de 95% das pes­so­as que vêm às con­sul­tas du­ran­te um ano con­ti­nu­am
nos cui­da­dos de saúde no ano se­guin­te.

 

> Além dis­so, 87% das pes­so­as com uma con­ta­gem de célu­las CD4 abai­xo de 350/
> mm^(3)estão em tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral. São pou­cos os países com re­sul­ta­dos
> com­paráveis.

 

O ras­treio e o di­agnósti­co é uma área de mau de­sem­pe­nho no Rei­no Uni­do.

 

Um quar­to das pes­so­as in­fe­ta­das pe­lo **HIV** não foi di­ag­nos­ti­ca­da e
me­ta­de das pes­so­as se­ro­po­si­ti­vas é di­ag­nos­ti­ca­da tar­di­a­men­te: 
por ou­tras pa­la­vras, quan­do já pre­ci­sam de tra­ta­men­to pa­ra a in­feção (
célu­las CD4 abai­xo de 350/mm^(3)). Es­tes va­lo­res não têm mu­da­do mui­to ao
lon­go da últi­ma déca­da.

 

> Pen­sa-se que ape­nas 15 a 25% dos ho­mens gay e bis­se­xu­ais fa­zem o tes­te
> pa­ra o VIH anu­al­men­te.
> O tra­ba­lho so­bre mo­de­los re­a­li­za­do por Paul Bir­rell do_Me­di­cal Re­se­ar­ch
> Coun­cil_(não pu­bli­ca­do até ago­ra) su­ge­re que o núme­ro anu­al de no­vas
> in­feções pe­lo VIH nos ho­mens gay e bis­se­xu­ais (in­cidência) mu­dou mui­to
> pou­co en­tre 2001 e 2010, ve­ri­fi­can­do-se en­tre 2000 e 3000 no­vas in­feções
> por ano.

 

A Dra. Del­pe­ch co­men­tou: Ape­sar do pro­gres­so subs­tan­ci­al das políti­cas
de pre­venção “_test and tre­at_ (“**tes­tar e tra­tar**“) ao lon­go da últi­ma 
déca­da no Rei­no Uni­do, não há qual­quer evidência de uma re­dução da in­feção
pe­lo VIH nos ho­mens que têm se­xo com ho­mens”.

 

Pa­ra co­meçar a ex­pli­car is­to, mos­trou análi­ses pre­pa­ra­das pe­la sua co­le­ga
Ali­son Brown da Agência pa­ra a Pro­teção da Saúde, que quis fa­zer uma es­ti­ma­ti­va
do núme­ro de ho­mens que eram in­fe­ci­o­sos; por ou­tras pa­la­vras, que têm uma
car­ga vi­ral aci­ma das 1500 cópi­as/ml e por­tan­to te­ri­am mais hipóte­ses de
trans­mi­tir o vírus.

 

A Dr.ª Brown cons­ta­tou que, de cer­ca de 40.000 ho­mens gay e bis­se­xu­ais se­ro­po­si­ti­vos
a vi­ver no Rei­no Uni­do em 2010, um terço (35%) era in­fe­ci­o­so. Além dis­so,
é im­por­tan­te no­tar que 62% dos que eram in­fe­ci­o­sos con­ti­nu­a­vam não di­ag­nos­ti­ca­dos.

 

Dos res­tan­tes, ape­nas 5% ti­nha uma con­ta­gem das célu­las CD4 abai­xo de 350/
mm^(3), mas não es­ta­va em tra­ta­men­to.

 

Um ul­te­ri­or 12% ti­nha con­ta­gens en­tre 350 e 500/mm^(3)e 16% ti­nha uma con­ta­gem
de célu­las CD4 aci­ma de 500/mm^(3). Por últi­mo, 5% es­ta­va em tra­ta­men­to,
mas ain­da não ti­nha con­se­gui­do a su­pressão vi­ral.

 

> Por­tan­to, em­bo­ra o núme­ro de pes­so­as em tra­ta­men­to pu­des­se au­men­tar,
> is­to não fa­ria uma di­fe­rença subs­tan­ci­al no cur­so da epi­de­mia.
>  

A Dra. Brown cons­ta­tou que mu­dan­do as li­nhas de ori­en­tação de mo­do a que
o tra­ta­men­to fos­se re­co­men­da­do a to­das as pes­so­as com uma con­ta­gem 
das célu­las CD4 abai­xo de 500/mm^(3)ape­nas re­du­zi­ria a pro­porção de ho­mens
in­fe­ci­o­sos de 35 pa­ra 29%.

 

A Dra. Del­pe­ch apre­sen­tou um ou­tro tra­ba­lho não pu­bli­ca­do so­bre mo­de­los,
des­ta vez pre­pa­ra­do por An­drew Phil­lips do Colégio Uni­ver­sitário de Lon­dres(
UCL). Es­te mo­de­lo de si­mu­lação es­tocásti­ca com­pu­ta­ci­o­nal ba­se­a­da 
no in­divíduo in­clui um vas­to es­pe­tro de da­dos com­por­ta­men­tais e de vi­gilância
de saúde públi­ca re­co­lhi­dos ao lon­go de três déca­das.

 

O mo­de­lo tem co­mo ob­je­ti­vo ava­li­ar as no­vas in­feções, a pro­gressão da
do­ença e o efei­to da te­rapêuti­ca an­tir­re­tro­vi­ral nos ho­mens gay e bis­se­xu­ais
no Rei­no Uni­do.

> O pro­fes­sor Phil­lips cons­ta­tou que a in­cidência ele­va­da no início da déca­da
> de 80 di­mi­nuiu com o uso em lar­ga es­ca­la do pre­ser­va­ti­vo. A se­guir a
> in­cidência au­men­tou em 26% após a in­tro­dução do tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral,
> de­vi­da a uma mo­des­ta re­dução no uso do pre­ser­va­ti­vo, che­gan­do apro­xi­ma­da­men­te
> a 0,5 por 100 pes­so­as/ano.

 

No en­tan­to, a cons­ta­tação da si­mu­lação que mais sur­pre­en­deu os ou­vin­tes
foi o fac­to de ter si­do es­ti­ma­do que em 2010, 48% das no­vas in­feções ocor­re­ram
a par­tir de ho­mens não di­ag­nos­ti­ca­dos que es­ta­vam na fa­se da in­feção 
primária (_i.e._ti­nham si­do in­fe­ta­dos nos últi­mos seis me­ses e por­tan­to
ti­nham uma **car­ga vi­ral ex­ce­ci­o­nal­men­te al­ta**).

 

Pa­ra além des­tes, mais 34% de no­vas in­feções ocor­reu a par­tir de ou­tros ho­mens
não di­ag­nos­ti­ca­dos, mas com in­feção crôni­ca.

 

> “Co­mo ire­mos fa­zer fun­ci­o­nar a TasP se as pes­so­as se estão in­fe­tan­do
> umas às ou­tras mui­to ce­do quan­do des­co­nhe­cem o seu es­tado sorológico? 
> per­gun­tou a Dra. Del­pe­ch.
>  

A Dra. Del­pe­ch acres­cen­tou que, “Em com­pa­ração, a con­tri­buição re­la­ti­va
das in­feções dos que ou estão di­ag­nos­ti­ca­dos ou em tra­ta­men­to é nes­te 
mo­men­to mui­to pe­que­na”.

 

Es­ti­mou-se que ape­nas 10% das no­vas in­feções tem ori­gem nos ho­mens di­ag­nos­ti­ca­dos
mas não em tra­ta­men­to, en­quan­to que 7% po­dia ser atri­buída a ho­mens em tra­ta­men­to.

 

O mo­de­lo do pro­fes­sor Phil­lips também exa­mi­nou uma série de si­tuações hi­potéti­cas,
pa­ra ver o que po­de­ria ter acon­te­ci­do à epi­de­mia no Rei­no Uni­do em vári­os
cenári­os al­ter­na­ti­vos. A in­cidência te­ria au­men­ta­do cons­tan­te­men­te
e ul­te­ri­or­men­te no ca­so de o tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral nun­ca ter
si­do in­tro­du­zi­do. Ain­da mais dra­ma­ti­ca­men­te, te­ria qua­dru­pli­ca­do
se to­dos os ho­mens gay e bis­se­xu­ais ti­ves­sem pa­ra­do de usar o pre­ser­va­ti­vo
a par­tir do ano 2000.

 

> A Dra. Del­pe­ch su­bli­nhou que con­ti­nua a ser mui­to im­por­tan­te o uso do
> pre­ser­va­ti­vo na li­mi­tação da dis­se­mi­nação da epi­de­mia, mes­mo quan­do
> o tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral é usa­do em lar­ga es­ca­la.

 

Um ou­tro cenário hi­potéti­co foi per­gun­tar-se o que te­ria acon­te­ci­do se,
a par­tir do ano 2000, o tra­ta­men­to ti­ves­se si­do re­co­men­da­do a to­dos 
os que fo­ram di­ag­nos­ti­ca­dos. Is­to te­ria ape­nas bai­xa­do a in­cidência 
em cer­ca de 20%.

 

A res­pos­ta te­ria si­do mui­to mais po­si­ti­va com uma com­bi­nação de ta­xas
mui­to mais al­tas de tes­tes re­a­li­za­dos (dois terços dos ho­mens a fa­zer o
tes­te anu­al­men­te) e tra­ta­men­to pa­ra to­dos os di­ag­nos­ti­ca­dos. Is­to
te­ria bai­xa­do a in­cidência em 62%.

 

Um gran­de de­sa­fio se­ria re­du­zir o núme­ro de ho­mens com in­feção primária
pe­lo VIH não di­ag­nos­ti­ca­da.

 

> Olhan­do pa­ra to­dos es­tes da­dos em con­jun­to, Va­le­rie Del­pe­ch con­cluiu
> que o pro­ble­ma das in­feções não di­ag­nos­ti­ca­das – prin­ci­pal­men­te das
> in­feções primári­as não di­ag­nos­ti­ca­das – cons­ti­tui um de­sa­fio subs­tan­ci­al
> pa­ra o con­cei­to _test and tre­at_. Su­bli­nhou _que re­co­men­dar o tra­ta­men­to
> com con­ta­gens mais ele­va­das das célu­las CD4 não fa­ria por si só uma di­fe­rença
> sig­ni­fi­ca­ti­va_.
>  

Se­gun­do a Dra. Del­pe­ch “Te­mos ex­ce­len­tes cui­da­dos de saúde, mas se não
fa­ze­mos al­gu­ma coi­sa re­la­ti­va­men­te a es­ta fração não di­ag­nos­ti­ca­da,
man­ten­do o in­ves­ti­men­to na pre­venção primária, não pen­so que pos­sa­mos 
eli­mi­nar com­ple­ta­men­te o VIH no Rei­no Uni­do”.

 

Re­du­zir o núme­ro de ho­mens com in­feção primária pe­lo VIH não di­ag­nos­ti­ca­da
irá ser um enor­me de­sa­fio se não se au­men­tar o ras­treio, me­lho­ran­do a tec­no­lo­gia
dos tes­tes, ge­ne­ra­li­zan­do mu­danças de com­por­ta­men­to em lar­ga es­ca­la,
im­ple­men­tan­do ser­viços di­re­ci­o­na­dos à no­ti­fi­cação do par­cei­ro e for­man­do
os pro­fis­si­o­nais de saúde so­bre os sin­to­mas da se­ro­con­versão.

 

Co­men­tan­do a apre­sen­tação, Ke­vin Fen­ton dos Cen­tros de Con­tro­lo da Do­ença
e Pre­venção dis­se que ha­via pa­drões mui­to di­fe­ren­tes nos Es­ta­dos Uni­dos
e no Rei­no Uni­do.

As ta­xas de re­a­li­zação de tes­te de ras­treio são de al­gu­ma for­ma mais ele­va­das
nos E.U.A., en­quan­to que a re­tenção nos cui­da­dos e o aces­so ao tra­ta­men­to
an­tir­re­tro­vi­ral são con­si­de­ra­vel­men­te mais re­du­zi­dos. Acres­cen­tou
que os E.U.A., te­ri­am re­sul­ta­dos mui­to me­lho­res se pu­ses­sem o en­fo­que
so­bre “a pre­venção com os po­si­ti­vos” – em ou­tras pa­la­vras, me­lho­ran­do
a li­gação e a re­tenção nos cui­da­dos, o aces­so ao tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral,
as in­ter­venções de re­dução de ris­co e o tra­ta­men­to das in­feções se­xu­al­men­te
trans­missíveis nas pes­so­as in­fe­ta­das pe­lo VIH.

### In­for­mações Ul­te­ri­o­res

Os di­a­po­si­ti­vos da pre­sen­tação de Va­le­rie Del­pe­ch estão dis­poníveis 
[no _si­te _da IA­PAC](http://www.iapac.org/).*

Ro­ger Pe­body

### Tra­dução

[_**GAT – Gru­po Por­tu­guês de Ac­ti­vis­ta so­bre Tra­ta­men­tos VIH/SI­DA**_](http://www.gatportugal.org/)

Fon­te: [AIDS MAP](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/2009/05/comportamento-sexual-e-uso-do-preservativo/)

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 * [Homens gays e jovens adultos heterossexuais apresentam taxas elevadas de DST](https://soropositivo.org/homens-gays-e-jovens-adultos-heterossexuais-apresentam-taxas-elevadas-de-dst/)
 * [AIDS: à espera da cura](https://soropositivo.org/aids-a-espera-da-cura/)
 * [Como saber se sou soropositivo para o HIV?](https://soropositivo.org/como-saber-se-sou-soropositivo-para-o-hiv/)

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