# O VIH não aumenta o risco de insónia

- Link: https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/
- Published: 2012-05-05T20:45:03-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
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# ![insonia](images/2012/maio-de-2012/insonia.jpg)

 

Michael Carter

De acordo com um estudo publicado na edição _online_ da _Clinical Infectious Diseases_
por investigadores das forças militares norte-americanas, muitas pessoas com VIH
têm insónia ou sonolência diurna. Contudo, a prevalência das alterações do sono 
não foi mais elevada nas pessoas com VIH do que nas pessoas sem VIH que participaram
no estudo como controlos. Os fatores de risco para insónia incluíram depressão e
aumento do tamanho da cintura. Por fim, não se registou evidência de que o tratamento
ARV, qualquer que ele fosse, aumentasse o risco de insónia.

### Table Of Content

 * [Referência](https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/o-vih-nao-aumenta-o-risco-de-insonia/#relacionado)

“Descobrimos que as pessoas com VIH têm uma prevalência elevada de alterações do
sono”, comentam os autores. “Apesar da elevada prevalência de insónia, as pessoas
infetadas pelo VIH não apresentavam uma taxa estatisticamente significativa mais
elevada do que as pessoas não-infectadas que participaram como controlos. Estes 
dados sugerem que na era HAART [_highly active antiretroviral therapy_], os doentes
com um diagnóstico e um início precoce de tratamento podem apresentar taxas de perturbações
do sono semelhantes às da população em geral”.

Há muito que é sabido que a insónia é frequente nas pessoas com VIH. Contudo, a 
maioria dos estudos que avaliam a prevalência das alterações do sono em pessoas 
com VIH foram concluídos antes da terapêutica ARV de combinação ter ficado disponível.
A investigação conduzida desde então tem tendido a focar-se na associação entre 
tratamento com efavirenze (_Stocrin®_; também no _Atripla®_) e qualidade do sono.
Além disso, grande parte da investigação é limitada, uma vez que não inclui um grupo
de “controlo” de pessoas VIH-negativas, com as quais as seropositivas para o VIH
possam ser comparadas.

Foi neste contexto que um grupo de investigadores das forças armadas dos EUA desenhou
um estudo, onde se procurou avaliar a prevalência e causas da insónia e sonolência
diurnas numa coorte de pessoas VIH-positivas, comparada com um grupo de pessoas 
sem VIH.

Todas as pessoas tinham entre 18 e 50 anos e todas (as 193 seropositivas para o 
VIH e as 50 que serviram de “controlo”) completaram questionários validados sobre
insónia e sonolência diurna. A idade média foi de 36 anos, 95% pertenciam ao sexo
masculino e 50% eram brancos. Nas pessoas com VIH, o índice de massa corporal (IMC)
médio foi de 27.5 e 25% foram consideradas obesas. Foi notada a presença de lipodistrofia
em 52% das pessoas deste grupo, que contava ainda com 7% de pessoas com depressão.

Quanto à contagem de células CD4, o seu valor médio no início do estudo foi de 587/
mm^(3). Dois terços das pessoas com VIH encontrava-se a fazer tratamento ARV e 55%
apresentava uma carga viral indetetável.

Quanto aos sintomas, 46% das pessoas seropositivas referiu insónia. A quantidade
média de horas dormidas à noite foi de 6.5 horas, tendo 46% referido menos de sete
horas de sono. Apenas menos de um quarto (23%) das pessoas deste grupo (seropositivas)
classificou a qualidade do seu sono como “má”. Quanto à disfunção diurna provocada
por sonolência, ela foi referida por 53% das pessoas com VIH, grupo que referiu 
também, em 30% dos casos, sonolência durante o dia. O uso de medicamentos para o
sono pelo menos uma vez por semana foi referido por 18% das pessoas deste grupo.

Já no que se refere à prevalência da insónia nas pessoas “controlo” seronegativas
para o VIH, ela foi de 38%, valor não significativamente diferente dos 46% de prevalência
verificado entre as pessoas com VIH. A proporção de pessoas seronegativas para o
VIH que referiu sonolência diurna também não diferiu de forma significativa, o mesmo
que sucedeu aliás com a percentagem de pessoas dos dois grupos que referiu uso regular
de medicação para a insónia (18% versus 16%).

Os investigadores procederam depois a uma série de análises para estabelecer os 
fatores associados às perturbações do sono nas pessoas com VIH. A análise univariada
mostrou uma associação significativa com menos anos de educação (p  = 0.005), obesidade(
p = 0.04), aumento do perímetro da cintura (p <0.001), tabagismo (p = 0.01), história
de traumatismo importante da cabeça (p = 0.006), depressão (p = 0.006) e neuropatia
periférica (p = 0.02). As pessoas de patentes superiores (oficiais) apresentaram
um risco menor de insónia que as de patentes inferiores (p = 0.04).

A subsequente análise multivariada, que controlava para potenciais fatores confundentes,
mostrou que apenas a depressão (p = 0.01), tamanho da cintura (p = 0.002) e menos
educação (p = 0.006) estavam associados com risco de insónia.

“O mais importante fator associado a insónia nas pessoas com VIH do nosso estudo
foi a depressão”, observam os investigadores, “um achado consistente com outros 
estudos, e que mostra que a morbilidade de origem psicológica constitui um fator
_major_ de insónia entre as pessoas com VIH”.

Os autores acreditam que este achado tem implicações no cuidado prestado aos doentes:“
o tratamento da depressão pode melhorar a qualidade do sono, e o tratamento dos 
distúrbios do sono pode diminuir a incidência de depressão”. De resto, não houve
evidência de que a terapêutica ARV ou o uso de qualquer medicamento ARV individual
estivessem associados com insónia.

Entretanto, o _follow-up_ dos doentes mostrou que as pessoas com insónia apresentavam
uma maior probabilidade de referir um declínio nos parâmetros das funções neurocognitivas
do que as pessoas sem insónia (p = 0.01).

“Insónia e sonolência diurna são comuns entre as pessoas com VIH, mas num contexto
de diagnóstico e tratamento precoces da infeção, a prevalência destas situações 
não parece ser mais elevada do que a presente nas pessoas sem VIH”, concluem os 
autores. “Assim, preconiza-se o diagnóstico pronto e o tratamento atempado destas
situações, que uma vez implementados podem melhorar a qualidade de vida”.

### Referência

Crum-Cianflone NF et al. _Prevalence and factors associated with sleep disturbances
among early-treated HIV-infected persons._ Clin Infect Dis, online edition. DOI:
10.1093/cid/cis192, 2012 (clique [aqui](http://cid.oxfordjournals.org/content/early/2012/03/15/cid.cis192.abstract)
para obter o _abstract_ gratuito).

### Tradução

[_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

Fonte AIDSMAP

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## Leia também

 * [O número de episódios de internamentos de pessoas com VIH continua a ser elevado](https://soropositivo.org/o-numero-de-episodios-de-internamentos-de-pessoas-com-vih-continua-a-ser-elevado/)
 * [Sexo oral aumenta risco de câncer de garganta, diz estudo](https://soropositivo.org/sexo-oral-aumenta-risco-de-cancer-de-garganta-diz-estudo-1/)
 * [Deficiência de vitamina D associada a progressão da doença em pessoas com VIH](https://soropositivo.org/deficiencia-de-vitamina-d-associada-a-progressao-da-doenca-em-pessoas-com-vih/)

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