# Os factores de risco tradicionais são a causa principal do espessamento da artéria carótida nos doentes infectados pelo VIH

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- Published: 2010-09-14T10:46:44-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

###### 󠀁[Cardiovascular disease](http://www.aidsmap.com/Cardiovascular-disease/cat/1493/)󠁿

Michael Carter

Published: 30 August 2010

![sistema-arterial-de-grosso-calibre](images/stories/videos/09-2010/14-09-2010/sistema-
arterial-de-grosso-calibre.jpg "sistema-arterial-de-grosso-calibre")

Imagem: BioScan

 Investigadores dos E.U.A constataram que o espessamento da artéria carótida nos
doentes com VIH está aparentemente mais associado a factores de risco tradicionais
do que à gravidade da doença pelo VIH ou à terapêutica anti-retroviral. No entanto,
num estudo publicado na edição _online _de _AIDS_, os investigadores reportam que
o tratamento com tenofovir teve um efeito protector contra o aumento da espessura
desta artéria.

### Table Of Content

 * [Referência](https://soropositivo.org/os-factores-de-risco-tradicionais-sao-a-causa-principal-do-espessamento-da-arteria-carotida-nos-doentes-infectados-pelo-vih/#referencia)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/os-factores-de-risco-tradicionais-sao-a-causa-principal-do-espessamento-da-arteria-carotida-nos-doentes-infectados-pelo-vih/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/os-factores-de-risco-tradicionais-sao-a-causa-principal-do-espessamento-da-arteria-carotida-nos-doentes-infectados-pelo-vih/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/os-factores-de-risco-tradicionais-sao-a-causa-principal-do-espessamento-da-arteria-carotida-nos-doentes-infectados-pelo-vih/#relacionado)

“Os factores de risco tradicionais são mais importantes na predição da IMT [espessura
média da camada _íntima_ da _carótida] na infecção pelo VIH”, comentam os investigadores._

A esperança de vida dos doentes com VIH melhorou drasticamente desde a introdução
da terapêutica anti-retroviral de combinação e, actualmente, é considerada próxima
da normal.

No entanto, observaram-se taxas superiores de doença cardiovascular nas pessoas 
seropositivas. Não se compreende completamente as razões exactas, mas entre as possíveis
inclui-se a prevalência elevada de factores de risco tradicionais, o efeito inflamatório
da doença pelo VIH e os efeitos secundários dos medicamentos anti-retrovirais.

Um sinal importante de alerta precoce do risco acrescido de doença cardiovascular
é o aumento da espessura da artéria carótida.

Portanto, investigadores do estudo _Fat Redistribution and Metabolic Change in HIV
Infection_ (FRAM), dos E.U.A., mediram a espessura média da camada _íntima_ da _carótida
em 538 doentes e, seguidamente, realizaram análises para verificar se o espessamento
era devido a factores de risco tradicionais ou relacionados com o VIH._

Usando uma ecografia, foi avaliada a espessura da carótida em três pontos: comum,
interna e bulbo.

Um método de análise estatística designado por _[Bayesian model averaging](http://www2.research.att.com/%7Evolinsky/bma.html)_(
média Bayesiana de modelos) foi usado para calcular que factores estavam associados
com a espessura média da camada _íntima_ da _carótida._ Os investigadores acreditavam
que este tipo de análise era especialmente adequado para ser usado num estudo observacional.

Os doentes tinham uma idade média de 48 anos, 69% eram homens e 41% eram afro-americanos.
A espessura média da camada da carótida íntima comum foi de 0,88 mm, com uma espessura
média da camada da carótida íntima interna de 1,16 mm.

Quase todos os doentes (94%) tinham experiência anterior de tratamento anti-retroviral.

Os factores com 50% de probabilidade de estarem associados com a espessura média
da camada da carótida íntima foram considerados potencialmente significativos e 
passados para a análise subsequente.

Para a espessura média da camada da carótida íntima comum estes factores foram: 
idade, etnia afro-americana ou hispânica (100% de probabilidade); tensão arterial(
sistólica, 97% de probabilidade; diastólica, 95% de probabilidade); colesterol HDL(
85% da probabilidade) e tratamento com tenofovir (51% de probabilidade de espessura
média_ inferior_ da camada da carótida intima).

Os factores de risco associados com a espessura média da carótida íntima interna
foram a idade (100% de probabilidade) e o tabagismo.

A análise ulterior confirmou que cada ano de tratamento com tenofovir foi associado
com uma redução da espessura média da camada da carótida íntima comum de 0,009 mm(
p = 0,0278), um valor estatisticamente significativo.

O tratamento com este medicamento foi o único factor relacionado com o VIH associado
à espessura da camada da artéria carótida.

“Não encontramos evidência de uma associação entre os marcadores da gravidade da
doença pelo VIH ou a maioria dos medicamentos anti-retrovirais ou classes e a IMT”,
comentam os investigadores. No entanto, acrescentam, “com os dados disponíveis, 
não podemos excluir um efeito modesto dos factores relacionados com o VIH”.

Os investigadores não tinham a certeza porque é que o tratamento com tenofovir foi
associado com uma espessura média inferior da camada da carótida íntima. Os doentes
que receberam tratamento com tenofovir tinham um perfil demográfico semelhante aos
indivíduos que foram medicados com outros medicamentos anti-retrovirais. Além disso,
os factores de risco cardiovasculares tradicionais também eram comparáveis.

No entanto, os doentes em tratamento com tenofovir tinham um colesterol total mais
baixo (p=0,04).

Mas os investigadores encontraram, também, alguma evidência de que os doentes sob
terapêutica com tenofovir podiam ter tido, no passado, uma doença do VIH mais grave.
O seu nadir das contagens das células CD4 foi significativamente mais baixo (p <
0,01) e tinham mais probabilidade de ter progredido para a SIDA (p < 0,01). Nestas
circunstâncias, os investigadores constatam que “a associação inversa entre o uso
do tenofovir e a IMT é inesperada”.

Sugerem, que “será necessária investigação ulterior sobre as propriedades do tenofovir,
sobretudo em ensaios randomizados, para ver se estes resultados serão replicados”.

Entretanto, os investigadores acreditam que este estudo “pode indicar que seja necessário
examinar coortes com pessoas infectadas pelo VIH numa fase mais precoce, para perceber
a patofisiologia da doença vascular nos que estão infectados pelo VIH”.

### Referência

 Delaney JAC et al. _Associations of antiretroviral drug use and HIV-specific risk
factors with carotid intima-media thickness_. _AIDS_ 24: edição _online_, DOI: 10.1097/
QAD. Obo13e32833d2132, 2010.

### Tradução

[_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [Factores de risco tradicionais e biomarcadores associados a doença cardiovascular nas pessoas com VIH](https://soropositivo.org/factores-de-risco-tradicionais-e-biomarcadores-associados-a-doenca-cardiovascular-nas-pessoas-com-vih/)
 * [Os resultados continuam a melhorar nos doentes infectados pelo VIH no Reino Unido](https://soropositivo.org/os-resultados-continuam-a-melhorar-nos-doentes-infectados-pelo-vih-no-reino-unido/)
 * [Baixa prevalência de doença renal avançada nos doentes infectados pelo VIH na Europa](https://soropositivo.org/baixa-prevalencia-de-doenca-renal-avancada-nos-doentes-infectados-pelo-vih-na-europa/)

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