# Os gays e a farda (Artigo)

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- Published: 2010-02-09T12:38:14-02:00
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 * [O GLOBO](https://soropositivo.org/os-gays-e-a-farda-artigo/#o-globo)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/os-gays-e-a-farda-artigo/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/os-gays-e-a-farda-artigo/#relacionado)

O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho é certamente um homem honesto e corajoso,
e está pagando por isso. Indicado para ministro do Superior Tribunal Militar, submeteu
se à sabatina de praxe e de lei na Comissão de Justiça do Senado. E fez uma declaração
tão sincera quanto polêmica: para ele, **homossexuais** não podem integrar as Forças
Armadas, porque “soldados não obedeceriam a comandantes **gays**“.

 

É opinião que merece ser discutida – como, de resto, já está sendo. Se o general
tivesse razão na sua premissa sobre a atitude da tropa, militares **homossexuais**
representariam risco permanente de indisciplina numa corporação que depende de respeito
integral e permanente da disciplina para funcionar.

 

Mas a situação não é tão simples e clara quanto parece a Cerqueira Filho.

 

Em primeiro lugar, o direito à opção sexual é reconhecido pela sociedade. Além disso–
e esse talvez seja o dado crucial na avaliação das convicções do general – não existe
um padrão universal, único, de comportamento **HOMOSSEXUAL**. Há cidadãos que procuram
ser e parecer tão femininos quanto possível. Porque prefeririam ter nascido mulheres,
ou, sei lá, por sentirem necessidade de exibir, ou caricaturar, comportamentos e
atitudes femininas.

 

Seja qual for a sua motivação, parece ser inteiramente razoável admitir que essa
postura seja incompatível com uma carreira militar.

 

De resto não se conhecem casos de travestis tentando sentar praça ou se matricular
nas Agulhas Negras. Os “comandantes **gays**” temidos pelo general (e por muitos
de seus companheiros de farda) simplesmente não têm esse perfil.

 

São homens que têm atração por homens.

 

É uma forma de identidade sexual não melhor nem pior, mas bem diferente daquela 
das almas femininas aprisionadas em corpos masculinos.

 

Tem razão o presidente do STM, Marques Soares – um civil, mas isso está longe de
vir ao caso – ao dizer que não comete crime algum o militar que não praticar publicamente
ato libidinoso, homo ou heterossexual. Em suma, para usar expressão antiga, o militar
tem que se dar ao respeito. Vale para o recruta e para o general.

 

O mesmo Marques Soares pode não estar certo quando diz que o general não tinha intenção
de discriminar **homossexuais**. Cerqueira não fez outra coisa ao generalizar, afirmando
que “soldados não obedeceriam a comandantes **gays**“. Ele parece pressupor que 
a opção sexual em si, e não o caráter e o comportamento público do militar, já bastaria
para fazê-lo indigno da carreira militar.

 

Toda organização militar precisa ter normas e critérios visando à preservação da
disciplina. Ninguém discute isso. Mas parece ser absurda e preconceituosa a premissa
de que a opção **HOMOSSEXUAL** de um militar representa inaceitável risco de escândalo
e desordem.

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## **O GLOBO**** **

  |   **Editoria:**  |   **Pág.**  |   **Dia / Mês/Ano:**  |  
 |

**OPINIÃO**

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**09/FEVEREIRO/2010**

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## Leia também

 * [Militares contra Gays nas Forças Armadas](https://soropositivo.org/militares-contra-gays-nas-forcas-armadas/)
 * [Os gays e o STM (Editorial)](https://soropositivo.org/os-gays-e-o-stm-editorial/)
 * [Gay no quartel, só em segredo](https://soropositivo.org/gay-no-quartel-so-em-segredo/)

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