# Paciente com Aids sofre mais por questões psicológicas do que com ação do HIV

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- Published: 2009-12-02T15:22:29-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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### Paciente com Aids sofre mais por questões psicológicas do que com ação do HIV

 

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 * [Leia também](https://soropositivo.org/paciente-com-aids-sofre-mais-por-questoes-psicologicas-do-que-com-acao-do-hiv/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/paciente-com-aids-sofre-mais-por-questoes-psicologicas-do-que-com-acao-do-hiv/#relacionado)

01/12/2009

Um estudo realizado com pessoas em tratamento contra **Aids** no Brasil mostra que
os soropositivos sofrem mais com problemas relacionados a interação social do que
com a ação do vírus no organismo. Os números fazem parte da pesquisa “Percepção 
da qualidade de vida e do desempenho do sistema de saúde entre pacientes em terapia
antirretroviral no Brasil”, divulgada nesta terça-feira (1º), Dia Mundial de Luta
Contra **Aids**. 

 

A pesquisa, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em 2008 com 1.260 pessoas, indica
que 65% dos pacientes avaliam seu estado de saúde como bom ou ótimo, número que 
supera o da população geral, que é de 55%. Em relação a portadores de outras doenças
crônicas, o contraste é ainda maior, já que só 27% delas classificam sua saúde como
boa ou ótima.

 

 

No entanto, quem está em tratamento com o coquetel anti-**Aids** sofre mais com 
problemas psicológicos. Entre as soropositivas, 33% afirmam ter grau intenso ou 
muito intenso de tristeza ou depressão e, 47%, grau intenso ou muito intenso de 
preocupação e/ou ansiedade. Entre os homens, o índice é um pouco menor: 23% e 34%,
respectivamente. Na população geral, apenas 15% da população relata um grau intenso
ou muito intenso de tristeza ou depressão. E a ansiedade é queixa de 23% das pessoas.

 

Preconceito

 

A análise das entrevistas também mostra que os pacientes de **Aids** tem um nível
de educação superior ao da média da população brasileira. Apesar disso, a distribuição
de renda é semelhante. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-
2006), cerca de 67% da população brasileira, com 18 anos ou mais, tem rendimento
mensal menor que dois salários mínimos, proporção semelhante à encontrada entre 
os pacientes de **Aids** (69%).

 

 

O estudo revela que ainda existe muito preconceito e discriminação em relação ao**
HIV**, já que mais de 20% dos entrevistados relataram ter perdido o emprego após
o diagnóstico. Na ocasião da pesquisa, 58% dos soropositivos não estavam trabalhando(
55% entre os homens e 62% entre as mulheres).

 

 

Entre os pacientes homens, aposentadoria por doença (31,3%), incapacidade (14,7%),
e recebimento de auxílio doença (24,6%) foram os principais motivos alegados para
não estarem trabalhando. Entre as mulheres, 28% são donas de casa, 15,4% são aposentadas
pela doença, 11% relataram incapacidade para o trabalho, e 15,4% recebem auxílio
doença.

 

Influências

 

Os pesquisadores que conduziram o estudo desenvolveram um modelo estatístico para
verificar os principais fatores associados à autoavaliação do estado de saúde como
excelente ou boa. Fatores sociais como escolaridade e renda impactam positivamente.
Por outro lado, estar aposentado por motivo de doença, incapacitado para o trabalho
ou recebendo auxílio doença diminui em 55% a chance de ter boa autoavaliação do 
estado de saúde.

 

 

A presença de sintomas da doença também reduz em 40% a chance de autoavaliação positiva.
Ter iniciado o tratamento a partir de 2007 também é um fator negativo, provavelmente
porque esses pacientes ainda não recuperaram seu sistema imunológico devido ao pouco
tempo de tratamento e ainda estejam sofrendo com os efeitos colaterais do início
do tratamento e do diagnóstico recente.

 

 

Perdas e ganhos

 

A pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz também avaliou os ganhos e perdas dos soropositivos
após o diagnóstico. Entre os entrevistados, 43,5% informaram que depois da descoberta
da doença passaram a ter melhor assistência à saúde e 18,6% afirmaram ter mais suporte
social. Entre as perdas, a mencionada pelo maior número de pessoas foi a piora das
condições financeiras (36,5%), seguida da aparência física (33,7%).

 

Os resultados da pesquisa são representativos de toda a população em tratamento 
antirretroviral, atualmente estimado em cerca de 200 mil pessoas.

 

Campanha

 

A divulgação do estudo coincide com o lançamento, pelo Ministério da Saúde, da campanha“
Viver com **Aids** é possível. Com o preconceito não”. No site elaborado para a 
ocasião, é possível deixar mensagens, fotos e vídeos sobre o tema.

 

A campanha também contou com a participação do artista plástico paulista Vik Muniz,
radicado em Nova York, que produziu três obras de arte inspiradas no combate ao 
preconceito aos soropositivos. Os quadros foram doados ao Museu de Arte de São Paulo(
Masp).

 

 

 

UOL

 

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## Leia também

 * [Pessoas com aids sofrem mais com problemas sociais e psicológicos do que com a ação do HIV no organismo, informa Ministério da Saúde](https://soropositivo.org/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/)
 * [Pacientes com aids sofrem mais com problemas sociais e psicológicos](https://soropositivo.org/pacientes-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos/)
 * [Pessoas com Aids têm mais problemas psicológicos do que físicos, diz pesquisa](https://soropositivo.org/pessoas-com-aids-tem-mais-problemas-psicologicos-do-que-fisicos-diz-pesquisa/)

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