# Para onde caminha a investigação da vacina para o VIH?

- Link: https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/
- Published: 2010-10-07T09:06:50-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### A Global HIV Vaccine Entreprise apresenta estratégia para os próximos cinco anos

![](http://www.soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/wp-content/uploads/2010/
10/alan_bernstein_jpg.jpg)

**Global HIV Vaccine Enterprise director, Dr Alan Bernstein**

 No seguimento dos resultados positivos no último ano de um ensaio clínico de vacinas
na Tailândia, a _Global HIV Vaccine Entreprise_ lançou um novo plano científico,
apelando para o aceleramento dos esforços para testas novos candidatos a vacina 
em ensaios clínicos maiores.

### Table Of Content

 * [A Global HIV Vaccine Entreprise apresenta estratégia para os próximos cinco anos](https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/#a-global-hiv-vaccine-entreprise-apresenta-estrategia-para-os-proximos-cinco-anos)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/#relacionado)

O Director-executivo da _Global HIV Vaccine Entreprise_, o Dr. Alan Bernstein, também
apelou ao envolvimento de jovens cientistas no campo da investigação de uma vacina
para o VIH.

O plano, [disponível para download no site da _Global HIV Vaccine Enterprise_ ](http://www.hivvaccineenterprise.org/scientific-strategic-plan)
destaca duas prioridades-chave: melhor integração das mais recentes informações 
da ciência básica e dos ensaios clínicos em curso nos novos estudos de vacinas, 
e um melhor uso da informação de estudos pré-clínicos e de outras áreas de investigação
científica.

O **Aidsmap.com** falou com o Dr. Alan Bernstein, fotografia acima, sobre algumas
das prioridades no campo das vacinas para o VIH.

Depois do insucesso das vacinas para o VIH baseadas em adenovírus desenvolvidas 
pela farmacêutica Merck em 2008, houve um debate alargado sobre o futuro da investigação
de uma vacina para o VIH, tendo algumas pessoas declarado que seria um beco sem 
saída e outros apelado a uma abordagem de se voltar ao básico para investigar a 
forma como o VIH interage com o sistema imunitário.

Mas a _Global HIV Vaccine Enterprise_ afirma que também é necessário mais ciência
de laboratório e mais ensaios em humanos se queremos responder às principais questões
que ainda se colocam aos investigadores da vacina.

Um exemplo do tipo de questões que necessitam de resposta é: que alterações do sistema
imunitário, depois da vacinação, se correlacionam com a protecção do VIH? São estas
alterações indicadoras de um mecanismo, através do qual o sistema se protege contra
a infecção pelo VIH, que serão exploradas no desenvolvimento de futuras vacinas?

O [ensaio tailandês, com um regime de duas vacinas que reduz o risco de infecção pelo VIH em 31%,](http://www.aidsmap.com/page/1436185/)
ainda está a ser analisado para determinar o que pode ser aprendido sobre os correlatos
de protecção, com laboratórios em todo o mundo a investigar actualmente amostras
cedidas pelos responsáveis do ensaio.

O Dr. Bernstein tem esperança que, em breve, esteja em investigação candidatos a
vacinas que possam ser potenciais candidatos naturais às vacinas testadas no [ensaio tailandês](http://www.aidsmap.com/page/1436168/),
no [STEP e no Phambili](http://www.aidsmap.com/page/1065651/). Porém, os ensaios
clínicos em maior escala têm de ser iniciados rapidamente.

“Precisamos de passar de um estudo de fase 2b de sete em sete anos para algo como
um todo os anos, para que tenhamos oportunidade de incorporar as descobertas no 
desenho dos estudos.”

A _Global HIV Vaccine Enterprise_ chama a este processo de “integração da investigação
científica recursiva no desenvolvimento do produto.”

Isto significa a incorporação rápida de nova informação dos estudos em curso ou 
dos seus insucessos no desenho de novos estudos e ensaios clínicos que já estejam
a decorrer. Também significa partilhar dados rapidamente e testar, mais cedo, uma
maior variedade de abordagens da vacina em ensaios clínicos de eficácia em humanos.

“Os ensaios clínicos são caros – os de fase III custam, pelo menos, 120 milhões 
de dólares durante a sua duração. [Iniciar um todos os anos] implica pelo menos 
um aumento de fundos cinquenta vezes superior. Assim sendo, se houver um avanço 
importante como o do ensaio Tailandês, podemos vir a necessitar de mais de 50% de
aumento do financiamento.”

Todavia, o Dr. Bernstein não revelou quanto dinheiro será necessário para que a 
_Global HIV Vaccine Enterprise_ realize o seu plano.

A necessidade de bastantes ensaios de eficácia também implica um maior investimento
de infra-estrutura. Os ensaios de vacinas podem precisar de recrutar milhares de
pessoas para provar eficácia no futuro, especialmente se o alargamento do tratamento
tiver um grande efeito na transmissão, ao mesmo tempo que outras intervenções preventivas
vão também reduzindo a incidência do VIH.

“São necessárias parcerias entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento.
O custo de criar capacidade para ensaios clínicos é um gota no oceano quando comparado
com o custo dos fármacos.”

“Não gosto das dicotomias das discussões tratamento ou prevenção, curto prazo ou
longo prazo. Se aprendemos alguma coisa sobre esta epidemia, é que é necessária 
uma abordagem multifacetada a longo prazo. Se não implementarmos o que sabemos funcionar,
nunca controlaremos esta doença.”

“Usar eficientemente as estruturas de ensaios clínicos, independentemente da modalidade
ou do financiador, será um aspecto crítico. Antes de solicitarmos mais recursos,
temos de estar certos que estamos a usar os recursos existentes na sua máxima eficácia.”

A _Global HIV Vaccine Enterprise_ também pretende mobilizar novos recursos financeiros
e capacidade de investigação.

“Alguns países estão a fazer muito pouco no que diz respeito à investigação de uma
vacina para o VIH,” disse o Dr. Bernstein, apesar de não querer mencionar nomes.(
a Rússia é uma das ausências, e a investigação de vacinas em alguns países asiáticos
ainda está subdesenvolvida, quando comparada com a sua dimensão científica e dos
sectores tecnológicos).

“Estou muito satisfeito com a criação de mega-iniciativas científicas por parte 
da China, umas das quais é da vacina para o VIH, e que se está a unir à _Global 
HIV Vaccine Enterprise_. A Europa está num momento de grande reorganização da programação
científica, por isso espero que no futuro decorram discussões construtivas com a
União Europeia sobre como avançar neste campo.”

Como resposta às percepções, fora do campo do VIH, de que a vacina para esta infecção
é impossível, o Dr. Bernstein afirma: “É tão provável que exista uma vacina para
o VIH, como fármacos para o Alzheimer ou alguns cancros. Existem razões sólidas 
para acreditarmos que podemos alcançar a vacina.”

Mas o desenvolvimento de uma vacina bem sucedida dependerá muito provavelmente das
equipas de investigação. O Dr. Bernstein crê que o campo do VIH precisa de cientistas
jovens que tenham a ambição de fazer carreira nesta área.

“Pasteur disse que tudo o que um cientista quer é fazer uma grande descoberta, para
ser reconhecido pelos seus pares e benefício humano. Não consigo lembrar-me de uma
área melhor que o da vacina para o VIH [para cumprir essa vontade]. Tornou-se evidente
que, dada a dificuldade em desenvolver uma vacina, iremos precisar de grandes cientistas.
Para os jovens cientistas é uma oportunidade impar.”

A vasta maioria dos vencedores do Prémio Nobel na área das ciências naturais fez
o trabalho que os conduziu ao prémio antes dos 40, conforme realça o Dr. Bernstein.

“Os jovens têm energia, ingenuidade para serem grandes cientistas e abertura a novas
ideias. Watson tinha 32 anos quando estava a fazer o trabalho mais importante na
biologia, a descoberta da dupla hélice do ADN. Crick e ele queriam vencer um cientista
com mais idade, Linus Pauling.”

A _HIV Vaccine Enterprise_ também quer catalisar o interesse para a resolução de
alguns problemas inerentes ao desenvolvimento de uma vacina para o VIH, alcançando
outros campos tais como a biologia e a genômica.

“Confiamos no sistema imunitário para fazer o nosso trabalho [quando desenvolvemos
uma vacina]. Quando funciona é fantástico, mas quando não funciona é necessário 
descobrir o que se passa. Existe um conjunto complexo de interacções e precisamos
de um conhecimento biológico e aprofundado dessa complexidade.”

Existe também a necessidade de usar a computação e os novos desenvolvimentos na 
teoria de redes, para compreender a relação entre milhares de fragmentos de informação
derivada do estudo de respostas à vacina e das interacções entre o VIH e o sistema
imunitário.

As novas tecnologias precisam também de ser exploradas na investigação de uma vacina.

“Existe uma boa razão para se acreditar que a imunidade das mucosas é fulcral na
transmissão do VIH, mas como monitorizamos o que se passa na mucosa sem as pouco
práticas e invasivas amostras de tecido? Existe uma forma não-invasiva de olhar 
para a superfície da mucosa de forma a saber o que se passa na fase inicial da infecção?
Houve uma revolução na tecnologia de imagiologia e devíamos estar a falar com os[
peritos].”

Keith Alcorn

### Tradução

 _**[GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA](http://www.gatportugal.org/)**_

_**Fonte : [AIDSMAP](https://soropositivo.org/para-onde-caminha-a-investigacao-da-vacina-para-o-vih/index.php?option=com_weblinks&view=weblink&id=12&catid=19)**_

{linkr:related;keywords:vacina;limit:50;title:mais+artigos}

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 * [Ensaio clínico de nova vacina para a Tuberculose inicia-se em doentes VIH](https://soropositivo.org/ensaio-clinico-de-nova-vacina-para-a-tuberculose-inicia-se-em-doentes-vih/)
 * [Trump espalhando Morte, Caos e Cortes Orçamentais. Atualizações sobre o Programa Global de HIV PEPFAR](https://soropositivo.org/trump-espalhando-morte-caos-e-cortes-orcamentais-atualizacoes-sobre-o-programa-global-de-hiv-pepfar/)
 * [Mulheres sub-representadas nos ensaios clínicos de HIV](https://soropositivo.org/mulheres-sub-representadas-nos-ensaios-clinicos-de-hiv/)

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