# Pesquisa faz monitoramento da epidemiologia molecular do HIV-1

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- Published: 2009-06-19T22:55:22-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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## **Aquidauana News**** **

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**15/FEVEREIRO/08**

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Quinta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2008 às 13:30hs

 

Um estudo traçou o perfil de subtipos de **HIV**-1 e de variantes do vírus resistentes
aos medicamentos utilizados no tratamento anti-retroviral em uma população de usuários
de drogas injetáveis (UDI) do Rio de Janeiro antes e depois da introdução da terapia
anti-retroviral de alta potência (Haart) no Brasil.

O uso de drogas injetáveis é a segunda forma mais comum de exposição a **Aids** 
no país, constituindo 14% do total de cerca de 400 mil indivíduos infectados. Trata-
se da tese defendida em biologia celular e molecular pela bióloga Sylvia Teixeira,
aluna do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, que também avaliou características
genéticas de usuários soropositivos e negativos a fim de buscar possíveis associações
entre o organismo dos hospedeiros e a susceptibilidade à infecção pelo **HIV**-1.

Sylvia explica que o **HIV**, classificado como um retrovírus (família Retroviridae)
devido à presença da enzima transcriptase reversa, tem dois tipos principais: o 
tipo 1 (**HIV**-1), predominante no mundo inteiro e responsável pela pandemia de**
Aids**, e o tipo 2 (**HIV**-2), encontrado originalmente na África Ocidental e menos
patogênico que o primeiro.

O **HIV**-1 se caracteriza por uma grande heterogeneidade genética que, segundo 
a pesquisadora, pode ser compreendida a partir das altas taxas de mutação e recombinação
da transcriptase reversa, as quais provocam rápidas mudanças no vírus in vivo. Forma-
se, então, um conjunto de variantes virais (relacionadas entre si, mas distintas).

“As espécies virais em um único indivíduo podem diferir em até 10%”, diz a bióloga.“
Além disso, pressões seletivas exercidas pelo sistema imune ou drogas anti-retrovirais,
por exemplo, também contribuem para a variação genética e resultam em evolução viral”.

Os usuários de drogas injetáveis, então, em decorrência de um estilo de vida desorganizado
e de dificuldades para manter o tratamento, podem promover a seleção de linhagens
virais e disseminação de variantes do vírus resistentes à anti-retrovirais, enquanto
os indivíduos tratados possivelmente apresentam redução substancial na carga viral,
uma melhoria clínica e uma diminuição da capacidade de transmitir o **HIV** a terceiros.

E Sylvia acrescenta: “a população de usuários de drogas injetáveis se mostra fundamental
em estudos de monitoramento da epidemiologia molecular do **HIV**-1, uma vez que,
devido às práticas de injeção de drogas (que muitas vezes incluem o compartilhamento
de equipamentos de injeção), estes indivíduos estão propensos à infecção/re-infecção
por subtipos virais distintos, o que leva à possibilidade de ocorrerem eventos de
recombinação entre genomas virais em áreas onde múltiplos subtipos co-circulam”.

Para a pesquisa, foram recrutados 175 UDIs entre 1994 e 1997 (era pré-Haart) e 608
de 1999 até 2001 (pós-Haart). No primeiro grupo, 26,9% dos indivíduos estavam infectados
pelo **HIV**-1; no segundo, 7,9%.

Sylvia esclarece que a comparação dos perfis de variações de resistência do vírus
encontrados nestes dois grupos de UDIs infectados indicou que a freqüência das mutações
primárias de resistência aos inibidores de protease (enzima também encontrada no**
HIV**-1) aumentou de zero para 7,9%, o que pode ser conseqüência do uso extensivo
e crescente destes na terapia anti-retroviral em nosso país. Segundo a bióloga, 
houve ainda uma diminuição da freqüência de mutações de resistência aos inibidores
da transcriptase reversa, de 22,2% para 13,2%, o que sugere uma menor transmissibilidade
dos vírus que possuem estas variações.

“A documentação destas mutações constitui um achado relevante no que diz respeito
à disseminação de vírus resistentes aos anti-retrovirais, o que acarreta em implicações
diretas sobre a administração, o sucesso e o monitoramento do tratamento, ao longo
da infecção”, comenta a bióloga.

Observação de genes do hospedeiro pode auxiliar o controle de epidemia de **HIV**-
1 
 A pesquisa de Sylvia também verificou possíveis associações entre variações 
nos aspectos genéticos de usuários e a susceptibilidade ao **HIV**-1. De acordo 
com ela, investigações de características do hospedeiro podem explicar diferenças
nas respostas imunes de indivíduos a diversas doenças, como a **Aids**, e representam
uma vasta área ainda a ser explorada.  “O processo de infecção da célula pelo **
HIV**-1 compreende um mecanismo complexo que envolve a interação de proteínas virais
e do hospedeiro”, explica a pesquisadora.

“Pode-se inferir que polimorfismos genéticos nos genes do hospedeiro que participam
do ciclo replicativo viral podem resultar em diferenças nos níveis de expressão 
ou em diferenças funcionais em variantes destas proteínas que, conseqüentemente,
teriam o potencial de gerar diferenças na permissividade celular à infecção pelo**
HIV**-1.”

Os fatores genéticos estudados por Sylvia não apresentaram nenhuma ligação com a
susceptibilidade ou resistência ao patógeno. Mas a bióloga destaca: “a descrição
de marcadores genéticos pode dar origem a novas idéias e estratégias terapêuticas
e vacinais, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos atingidos por este mal
e prevenindo novas infecções, e até mesmo auxiliando no controle desta epidemia,
de abrangência mundial.

## Leia também

 * [Sem eles não há avanço](https://soropositivo.org/sem-eles-nao-ha-avanco/)
 * [Para ONG, falta articulação nas políticas públicas para portadores do HIV](https://soropositivo.org/para-ong-falta-articulacao-nas-politicas-publicas-para-portadores-do-hiv/)
 * [Segue distribuição de kits a usuários de drogas](https://soropositivo.org/segue-distribuicao-de-kits-a-usuarios-de-drogas/)

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