# Pesquisador da fsp debate AIDS no país e fala em epidemia silenciosa

- Link: https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/
- Published: 2012-09-18T20:53:11-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

[⌊Luta contra a AIDS não é batalha vencida!⌉⌊Luta contra a AIDS não é batalha vencida
!⌉[

Muito grave a maneira como Governo tem lidado com a Apidemia de AIDS no Brasil que,
muito longe de estar controlada, começa a ganhar tamanho…

Pesquisadores negam que AIDS já seja batalha vencida…

### Table Of Content

 * [Análise](https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/#analise)
 * [Do contágio ao tratamento](https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/#do-contagio-ao-tratamento)
 * [Perspectiva para o futuro](https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/#perspectiva-para-o-futuro)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/pesquisador-da-fsp-debate-aids-no-pais-e-fala-em-epidemia-silenciosa/#relacionado)

No mês passado, foi lançado o manifesto O que nos tira o sono, assinado por 54 docentes,
pesquisadores e ativistas da sociedade civil, sobre a presença de uma epidemia relativa
de AIDS no Brasil. O documento faz referência à declaração de dirigentes do Ministério
da Saúde do país, durante a 19ª edição da C_onferência Internacional de AIDS_, realizada
no mês de julho, em Washington (Estados Unidos), em que afirmaram que no Brasil,
nada em relação à  AIDS tira o sono deles, considerando que o problema está controlado
no país.

Um dos responsáveis pelo documento é o professor Ivan França Junior, chefe do Departamento
de Saúde Materno-Infantil, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Em entrevista
recente à Rádio CBN, ele já havia afirmado a opinião de que existe uma resposta 
inadequada aos casos da doença por parte dos programas de tratamento, nas esferas
federal, estaduais e municipais, pois eles apresentam defasagem.

Também membro do [Núcleo de Estudos para a Prevenção da AIDS](http://nepaids.vitis.uspnet.usp.br/page_id=30)(
NepAIDS), que funciona na USP há mais de 20 anos, o professor conta os fatores que
levaram à criação do manifesto.Primeiramente, já havia 22 anos desde a última conferência
como esta nos Estados Unidos, por causa da proibição da entrada de pessoas portadoras
do vírus HIV no país. Mas o que chamou mais atenção foi a interpretação apenas parcial,
por parte do Ministério da Saúde, dos dados que vem sendo obtidos.

Em nota divulgada à imprensa em resposta ao [Manifesto](http://oquenostiraosono.tumblr.com/manifesto),
o Ministério argumenta que tem investido na ampliação do diagnóstico precoce do 
vírus da AIDS. Em sete anos, o número de testes rápidos anti-HIV distribuídos aos
serviços de saúde em todo o país mais que dobrou. Passou de 528 mil unidades, em
2005, para 1,2 milhão, de janeiro a junho de 2012, diz o relato, acrescentando que
o investimento na atenção à saúde de quem vive com HIV/AIDS se reflete na estabilidade
da média de notificação de casos da doença. Em 2010 foram notificados 34 mil casos
novos de AIDS no Brasil (com taxa de incidência de 17,9 casos por 100 mil habitantes).
Há sete anos (2005), a notificação era de 33 mil novos casos, com taxa de incidência
de 18 casos por 100 mil habitantes. Mesmo assim, o órgão reconhece que ainda há 
vários desafios a superar. (_Leia [nesta página](http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.phpid=19547)
a nota na íntegra_).

## Análise

Desde 2001, é apresentado pelo Governo Federal um boletim epidemiológico anual (
disponível na [página eletrônica](http://www.aids.gov.br/pagina/2010/36374) do Programa),
em que são mostradas informações, por exemplo, de coeficiente de casos de AIDS, 
de óbitos decorrentes da doença, entre outros. Esses dados são filtrados por critérios
como região do país, sexo, faixa etária e raça da população, e são exatamente estes
filtros que podem, na opinião de França Júnior, gerar uma sensação imprecisa de 
situação de controle, conforme a figura abaixo:

[⌊Infográfico AIDS / Brasil⌉⌊Infográfico AIDS / Brasil⌉[

Coeficiente padronizado de mortalidade por AIDS (por 100.000 hab.) por região de
residência e ano do óbito. Brasil, 2000 a 2010 | Imagem: Ministério da Saúde

O pesquisador explica como os dados foram analisados. De fato, este gráfico de coeficiente
de mortalidade por ano e região, mostra que desde o ano 2000, houve uma ligeira 
queda no número de óbitos por AIDS no Brasil, a cada 100 mil habitantes de quase
6,5 para menos de 6. A falha está justamente em não percebermos que se trata de 
um coeficiente, ou seja, os números são diretamente ligados à quantidade de habitantes
do país. Como podemos perceber, a região que puxa para baixo o índice é a Sudeste,
que de longe é mais populosa do Brasil. Nas demais regiões, há estabilidade no Centro-
Oeste, mas aumento dos óbitos no Sul, Nordeste e também no Norte, onde o índice 
praticamente dobrou. É o que chamamos de uma epidemia silenciosa.

Segundo o especialista, houve importantes adesões ao manifesto. Além dos ativistas
da sociedade civil, dos estudiosos e profissionais da saúde, também assinaram o 
documento várias associações e ONGs.

## Do contágio ao tratamento

França Júnior comenta que diversas áreas de estudo estão presentes no NepAIDS. Temos
os professores da USP Alessandro Santos e Vera Paiva, do IP [_Instituto de Psicologi_a],
Aluísio Segurado e José Ricardo Ayres, da FMUSP [_Faculdade de Medicina_], Gustavo
Venturi, da FFLCH [_Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas_], além de
Cássia Maria Buchalla e eu, da FSP.

Por conta desta variedade, são desenvolvidas pesquisas a respeito de todos os estágios
da doença, desde a prevenção, para que não haja transmissão do vírus, até os momentos
de suspeitas, negação de testes, descoberta da doença e início e sequência de tratamentos.
O que buscamos principalmente é esclarecer os [aspectos psico-sociais da AIDS](http://soropositivo.net.br/hiv-aids-hpv-hepatite/category/aids-2/c17-aspectos-psicologicos-e-psiquiatricos/)
no país. Ainda é muito complicado para um indivíduo que teme ter sido contaminado
admitir este risco, procurar ajuda, suportar os vários momentos difíceis que se 
seguem, esclarece o professor.

> Ainda é muito complicado para um indivíduo que teme
>  ter sido contaminado admitir
> este risco, procurar ajuda, suportar os vários momentos difíceis que se seguem.

Apesar destas dificuldades, o docente revela que comumente há boa aceitação das 
pessoas para participarem deste estudos. O brasileiro é um povo receptivo, solidário,
mas infelizmente outra causa para eles aceitarem conversar conosco é o modo como
são vistos pelo resto da sociedade. Existe ainda muita discriminação e estigmatização
de soropositivos [_portadores do vírus HIV_], so_bretudo profissionais do sexo, 
homossexuais, que se sentem envergonhados e humilhados perante os demais, e muitas
vezes escondem sua situação._

Os pesquisadores e alunos que ingressam no NepAIDS recebem treinamento para lidarem
com os indivíduos, além de realizarem reuniões posteriores à divulgação dos resultados
finais, para debater outras maneiras de melhorar e facilitar o contato, ainda mais
por conta dos temas delicados que o grupo aborda, como sexualidade, uso de drogas,
orfandade o que, de acordo com o especialista, inibe um pouco mais a população mais
jovem.

## Perspectiva para o futuro

Atualmente, segundo o professor, não é possível afirmar que a AIDS está próxima 
da erradicação, no Brasil ou em qualquer parte do mundo.  França  Júnior afirma,
porém, que é possível pensar em impedir completamente a transmissão do vírus. Já
existem diferentes métodos para se impossibilitar a transmissão, como o conhecido
uso do preservativo, mas também por controle sanguíneo e tratamento de carga viral,
por exemplo.

O professor ressalta a importância do trabalho das universidades como um todo. Se
estes trabalhos ocorrerem no sentido de identificar os maiores focos do problema,
e os governos direcionarem o investimento, poderemos interromper a difusão do HIV,
e a partir de 50, 60 anos [_expectativa de vida de um soropositivo, se tratado precocemente_]
depois, acabar de vez com a AIDS.

Fonte: [USP](http://www.usp.br/)

## Leia também

 * [AIDS no Brasil: Epidemia Silenciosa](https://soropositivo.org/aids-no-brasil-epidemia-silenciosa/)
 * [ tudo](https://soropositivo.org/a-verdade-sobre-preservativos/)
 * [E quanto a nós, mulheres… Estamos PrEParadas? Em que termos](https://soropositivo.org/e-quanto-a-nos-mulheres-estamos-preparadas-em-que-termos/)

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