# Polêmica sobre políticas de redução de danos é destaque na abertura do 11º Educaids

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- Published: 2009-06-19T22:45:42-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**21/JUNHO/07**

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21/6/2007 – 01h30

A recente polêmica de uma cartilha de redução de danos produzida e, depois, suspensa
pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo foi o tema de destaque na
noite desta quarta-feira (20) na abertura da 11ª edição do Educ**aids**, na capital
paulista. A organizadora do evento e presidente da APTA (Associação para Prevenção
e Tratamento da **Aids**), Teresinha Pinto, afirmou que a medida reduz os surtos
de **hepatite**s B e C e é o grande sucesso brasileiro no enfrentamento da epidemia
de **Aids**. “Devemos combater a onda de conservadorismo que atinge o Estado de 
São Paulo”, pediu aos participantes. Ainda de acordo com ela, o evento este ano 
deverá ser mais polêmico por tratar de violência, religião, drogas, aborto, entre
outros assuntos.

“Devemos lembrar que esse país e, especialmente, as ONGs de redução de danos realizam
um trabalho exemplar. Por isso, peço solidariedade ao Programa Estadual e peço que
o Fórum de ONG/**Aids** também apóie a iniciativa”, ressaltou Teresinha.

Caio Westin, diretor do Núcleo de Populações Mais Vulneráveis do Programa Estadual
de **DST**/**Aids** do Estado de São Paulo fez um breve comentário que a política
não foi compreendida. “Educar [sobre redução de danos] é ensinar. A interpretação
maléfica é um contrasenso”, disse.

No último feriado prolongado, dias antes da Parada do Orgulho Gay, o jornal Folha
de S.Paulo divulgou matéria afirmando que cartilha ensinava pessoas a cheirar cocaína(
leia).

Cássio Rodrigo, coordenador da Cads (Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual)
disse que é um privilégio participar do evento e também criticou a forma como o 
assunto foi tratado. “A mídia deseduca. Os resultados recentes comprovam”, comentou.

Em entrevista para a Agência de Notícias da **Aids**, Teresinha disse que o jornal
é um reflexo do jornalismo brasileiro. “A Folha de S.Paulo demite um Aureliano Biancarelli,
um jornalista formado, com anos de estrada, e coloca uma pessoa no lugar que não
tem informação sobre o que vai escrever”, comentou.

“O pior mesmo é a posição da polícia, que chega batendo, que arranca a identificação
para chegar nos lugares públicos, reprimindo com bomba. A gente está num Estado 
que a redução de danos é legalizada e ela não sabe disso”, acrescentou.

Ela classificou que o assunto trouxe “uma onda de conservadorismo” e pressão contra
as polítcas de redução de danos.

Polêmicas

A organizadora do Educ**aids** prometeu uma edição mais polêmica por tratar de assuntos
diversos como violência, religião, drogas, aborto. Segundo ela, o evento terá a 
participação de uma muçulmana.

No início da atividade, o vídeo “Bagagem das Mulheres da Floresta”, produzido pelo
Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), foi exibido, apenas um trecho, e obteve
aplausos de um pouco mais de 150 pessoas. A presidente de honra do CNS, Raimunda
Gomes da Silva, 67 anos, foi elogiada por falar no vídeo forma simples e fácil sobre**
camisinha**s e homossexualidade de homens.

“Acho que deveria parar de estudar para ser menos complexo e me fazer entender mais”,
brincou Caio Westin.

Durante a abertura, estiveram presentes representantes do Programas Nacional, Estadual
e Municipal, Secretaria Estadual de Ensino, a Cads (Coordenadoria de Assuntos de
Diversidade Sexual), Fórum de ONG/**Aids** de São Paulo e Unesco.

O Educ**aids** prossegue até o próximo domingo com um documento de recomendações
para o governo sobre os assuntos abordados e o prêmio Paulo Freire.

 

Rodrigo Vasconcellos

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