# Preconceito e emprego são desafios para jovens com HIV

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- Published: 2009-06-19T22:43:44-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 25 dias.

**O Brasil tem hoje a primeira geração de adolescentes que nasceram com o HIV e 
que sobreviveram principalmente graças ao tratamento com antiretrovirais, que é 
gratuito no país.**

Para especialistas, esse jovens hoje praticamente levam uma vida normal e enfrentam
os dramas típicos da idade: a iniciação sexual, as crises de auto-estima e a indefinição
do futuro profissional, por exemplo.

É o caso de Daniela*, de 15 anos, que mora na zona norte de São Paulo com a avó.
Os pais eram usuários de drogas injetáveis, mas só descobriram que estavam contaminados
depois que ela nasceu.

⌊Veja⌉⌊Veja⌉Clique para assistir ao depoimento de Daniela.

 

“Eu tomo 17 comprimidos por dia e me cuido bastante, porque tenho mais risco de 
ficar doente. Vou ao médico todo mês. Mas, fora isso, não faz diferença para mim
ter o HIV. Não sou diferente dos outros”, conta.

Aluna do 1º ano do ensino médio, Daniela gosta de ouvir música, bater papo com os
amigos pela internet e sair para dançar. “Meu sonho é ser DJ, porque eu adoro me
juntar com a turminha e inventar uns passos.”

A maioria dos amigos, no entanto, não sabe que ela tem o vírus. “As pessoas ainda
têm muito preconceito, então não dá para confiar. Uma vez fiquei com um menino em
um baile, mas uma garota que me conhecia desde pequena contou do meu problema para
ele. Acho que a gente não namorou por isso. Mas ele continuou me tratando normalmente
e nossa amizade continua até hoje.”

**Trabalho**

Além do preconceito e da insegurança nos relacionamentos, outro grande desafio para
o adolescente portador do HIV é a perspectiva de inserção no mercado de trabalho.

A exigência de exames clínicos para se detectar o vírus é proibida, mas muitas empresas
desrespeitam a lei e rejeitam o candidato soropositivo.

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 O jovem com HIV tem o direito de aspirar a um futuro. Afinal, ele batalhou a vida inteira para estar vivo.

 

Marinella della Negra, infectologista do Instituto Emílio Ribas

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“Infelizmente, o Brasil é um país discriminatório no ambiente de trabalho. E o jovem
portador do vírus da Aids enfrenta os mesmos obstáculos que negros ou pessoas de
origem humilde”, afirma Pedro Américo Furtado de Oliveira, da Organização Internacional
do Trabalho (OIT). “Essas pessoas têm que ter uma estrutura emocional muito consolidada
para enfrentar essa situação.”

Com o objetivo de aumentar a auto-estima desses adolescentes, em outubro, ONGs de
todo o Brasil realizaram o primeiro encontro nacional de jovens soropositivos.

“Foi uma iniciativa fundamental para eles perceberem que não estão sozinhos, para
conhecerem seus direitos e para, juntos, se fortalecerem”, diz Elisabeth Bahia, 
diretora no Brasil da ONG suíça FXB.

Mas para Marinella della Negra, infectologista do Instituto Emílio Ribas e presidente
da Associação de Apoio à Criança Portadora do HIV (AACPHIV), ainda é necessária 
uma ação mais efetiva na conscientização dos empregadores.

“Eles têm que entender que esse jovem é produtivo e disciplinado. E que ele tem 
o direito de aspirar a um futuro. Afinal, ele batalhou a vida inteira para estar
vivo”, afirma.

“Como todo jovem dessa idade, o portador do HIV também é contestador. Por isso, 
muitos questionam seu tratamento. E a maneira de ele não abandonar os remédios é
fazer ele perceber que tem perspectiva”, diz Della Negra.

**Informação**

Jovens portadores do HIV também se mostram preocupados em informar os outros sobre
a doença.

“Sempre falo para os meus amigos tomarem cuidado, usarem camisinha, não se meterem
com drogas”, conta Roberto*, de 15 anos, que mora no interior de São Paulo com os
pais, também soropostivos, e dois irmãos que não têm o vírus.

Segundo o Programa Nacional DST/Aids, a taxa de transmissão de mãe para filho caiu
em 51,5% entre 1996 e 2005, quando 530 casos foram registrados.

No entanto, a contaminação do HIV através de relações sexuais e uso de drogas injetáveis
é apontada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como uma das grandes
ameaças ao adolescente no Brasil, no relatório “Situação Mundial da Infância”, de
2005.

_*Os nomes dos entrevistados foram modificados para proteger sua identidade._

## Leia também

 * [Prevenção e tratamento da AIDS/HIV são desafios no Nordeste](https://soropositivo.org/prevencao-e-tratamento-da-aids-hiv-sao-desafios-no-nordeste/)
 * [Serviços de Saúde Amigáveis: Vital para Jovens com HIV](https://soropositivo.org/desafios-do-hiv-em-jovens-entenda-e-aja/)
 * [Dengue, AIDS e mortalidade infantil são desafios para governo de SP](https://soropositivo.org/dengue-aids-e-mortalidade-infantil-sao-desafios-para-governo-de-sp/)

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