# Preconceito impede que crianças órfãs com HIV frequentem escola no Vietnã, publica Folha de S.Paulo

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- Published: 2009-10-27T12:12:37-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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26/10/2009 – 11h

 

Crianças órfãs com **HIV** conquistaram o direito de frequentar a escola no Vietnã.
Mas um outro motivo as impede de ir à aula: o preconceito dos pais dos outros alunos.
As informações são do New York Times, publicadas na Folha de S. Paulo. Leia a matéria
a seguir.

 

Órfãos portadores de **HIV** aprendem lição amarga no Vietnã

 

 

Por SETH MYDANS

 

AN NHON TAY, Vietnã – O primeiro dia de aula, em setembro, era um dia especial para
as 15 crianças do orfanato Mai Hoa, em An Nhon Tay. Elas são portadoras do **HIV**,
o vírus causador da **Aids**, e pela primeira vez seriam autorizadas a frequentar
a escola primária local.

 

“As crianças estavam tão empolgadas”, disse a irmã Nguyen Thi Bao, que dirige o 
orfanato vietnamita e lutava havia três anos para matricular os órfãos na escola
pública local. “Elas não viam a hora de esse dia chegar.”

 

Quando chegaram à escola, entretanto, deram de cara com uma revolta por parte dos
pais de outros alunos, que se negaram a deixar seus filhos entrarem na sala de aula
junto com os órfãos soropositivos. Alguns dos pais recuaram apressadamente quando
os órfãos passaram ao lado deles.

 

Depois de um breve impasse, o diretor da escola, que tinha concordado em aceitar
os órfãos, disse à irmã Bao que os documentos deles não estavam em ordem e que eles
não poderiam ficar.

 

As crianças voltaram ao orfanato, a curta distância a pé por uma estrada rural. “
Eu estava tão feliz por poder ir à escola”, disse uma menina de 12 anos cujo nome
a irmã Bao insistiu em que não fosse divulgado, para preservá-la. “Mas, então, vi
que alguns pais não iam deixar seus filhos irem ao colégio comigo, porque têm medo
de minha doença.”

 

A garota disse que entendia a reação dos pais. “Se eu fosse uma criança normal, 
também teria medo, porque eu não entenderia”, disse ela. “Eu me sentiria do mesmo
jeito. Mas eu não teria agido como eles agiram.”

 

Desde então, a irmã Bao e autoridades do distrito e da Escola Primária An Nhon Dong
fizeram reuniões com pais de alunos, mas estes permanecerem irredutíveis. “Não quero
que meu filho conviva com as crianças com **Aids**“, disse Nguyen Thi Thuy, 36, 
quando levou seu filho de oito anos ao colégio outro dia. “Ele pode se machucar,
e é fácil transmitir a doença pelo sangue. E, uma vez que a pessoa é contaminada,
fica difícil ser uma pessoa normal outra vez.”

 

Um a um, pais que chegavam com seus filhos manifestaram sua concordância com Thuy.
Se os órfãos voltassem, disse um homem que se identificou apenas como Tao, ele prometeu
tirar a tirar seu filho da escola.

 

Para Eamonn Murphy, diretor para o Vietnã da Un**Aids**, a agência das Nações Unidas
de combate à **AIDS**, a história não surpreende. “Basta ir a qualquer ambiente 
rural na Ásia, e você verá reações semelhantes”, disse ele. “A falta geral de informações
leva a essa reação e a esse medo injustificados.”

 

A maioria dos pais em An Nhon Tay é formada por camponeses com pouca instrução, 
mas o preconceito parece estender-se também à população urbana.

 

“Não sei por que não isolamos as pessoas que vivem com **Aids**“, comentou um funcionário
público em Ho Chi Minh, a cerca de 30 quilômetros a sudeste do vilarejo. “Mesmo 
no caso de gripe suína isolamos os doentes, e a **Aids** é muito mais perigosa.”

 

De acordo com Murphy, esses receios são infundados. “O **HIV** não se contrai em
contatos comunitários, mesmo que você compartilhe xícaras e pires com pessoas que
vivem com **Aids*** e coma de um prato comum. Não se contrai o **HIV** dessa maneira.”

 

O Centro Mai Hoa de **Aids**, com sua área verde e tranquila, foi fundado em 2003
por uma ordem religiosa católica para cuidar de pessoas com **Aids** nos estágios
finais da doença. O orfanato foi criado depois, para cuidar dos filhos de pessoas
que morreram no local.

 

As crianças também são soropositivas, disse a irmã Bao, mas tomam medicação antirretroviral.
Assim, os órfãos de Mai Hoa vivem suspensos entre a morte que ocupa o espaço atrás
de suas salas de aula e a vida de um mundo que está quase ao lado, mas que os rejeita.

 

“As crianças dizem que querem ir à outra escola porque querem ter amigos”, disse
a irmã Bao. Mas a menina de 12 anos, que está na quarta série, parece ter mudado
de ideia. “Não quero mais ir àquela escola”, disse ela. “Já tenho amigos suficientes
aqui.”

 

 

 

 

Fonte: New York Times / Folha de S.Paulo

 

 

*A Agência de Notícias da **Aids** substituiu o termo ‘aidético’, utilizado na matéria
pelo jornalista Seth Mydans, por ‘**Aids**‘ ou ‘pessoas que vivem com ‘**Aids**’.
Entendemos que aquela expressão é pejorativa. Saiba mais acessando a coluna Dicionário.

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## **AGÊNCIA AIDS**** **

  |   **Editoria:**  |   **Pág.**  |   **Dia / Mês/Ano:**  |  
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**27/OUTUBRO/09**

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## Leia também

 * [Folha de S.Paulo publica editorial e artigo sobre o SUS](https://soropositivo.org/folha-de-s-paulo-publica-editorial-e-artigo-sobre-o-sus/)
 * [HIV é um dos temas mais pesquisados na área de ciências da saúde, destaca Folha de S.Paulo](https://soropositivo.org/hiv-e-um-dos-temas-mais-pesquisados-na-area-de-ciencias-da-saude-destaca-folha-de-s-paulo/)
 * [A ética da adoção](https://soropositivo.org/a-etica-da-adocao/)

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