# Presença do tipo 2 do HIV no país provoca alerta entre as autoridades Prevenção volta a ser recomendada mesmo aos portadores

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- Published: 2010-09-13T14:23:50-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**CORREIO BRAZILIENSE ONLINE | **

AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | ANTICONCEPCIONAIS | CONTRACEPTIVOS | [ANTIRRETROVIRAIS](https://soropositivo.org/antirretrovirais-de-a-a-z/)

12/09/2010

![virushiv2](images/stories/videos/09-2010/13-09-2010/virushiv2.jpg "virushiv2")

Carolina Khodr

 

Uma variação do vírus da **AIDS** descoberta no Senegal foi identificada em 15 amostras de pacientes soropositivos de diversos estados brasileiros, e uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, provou que o vírus **HIV**-2 já circula, ainda que timidamente, no Brasil. De acordo com os pesquisadores, o estudo reforça a importância do uso de **[PRESERVATIVO](https://soropositivo.org/eficiencia-do-preservativo-pode-ter-sido-subestimada/)** também na relação sexual entre pessoas que vivem com a mesma doença. A coinfecção dos dois tipos virais pode fazer com que o quadro de imunodeficiência se agrave deixando o paciente mais exposto a [infecções oportunistas](https://soropositivo.org/infeccoes-oportunistas/). A pesquisa também constatou que o vírus do tipo 2 é resistente a alguns medicamentos do coquetel anti-**AIDS**.

Ouça trechos da entrevista com o infectologista Edimilson Migowski

A síndrome da imunodeficiência adquirida (**AIDS**) é normalmente causada pelo retrovírus humano tipo 1 (**HIV**-1). Mas em alguns países da África Ocidental há também incidências de **AIDS** causadas por outro retrovírus, o **HIV**-2. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a epidemia do **HIV**-1 é responsável pela infecção de 34 milhões de pessoas, enquanto o **HIV**-2 atinge dois milhões de pacientes. Os dois tipos de vírus apresentam diferenças entre seus genomas e biologia. Tanto que, quando comparada ao tipo 1, a infecção causada pela segunda variação faz com que a evolução do quadro clínico da doença seja mais lenta. Também a transmissão, tanto gestacional quanto sexual, é menos eficiente quando comparada à forma mais comum da doença. Por outro lado, o **HIV**-2 é mais resistente aos **ANTIRRETROVIRAIS** – medicamentos que atuam contra o retrovírus – do tipo não nucleosídeos. “A resistência desse vírus possibilita a evolução de quadros mais graves da doença, e mais mortes”, alerta Edimilson Migowski, infectologista e professor da UFRJ.

Estratégias

Além das diferenças entre os vírus causadores da **AIDS**, a coinfecção, ou seja, quando uma mesma pessoa é infectada pelo **HIV**-1 e pelo **HIV**-2, pode prejudicar ainda mais o sistema imunológico. Segundo Migowski, o paciente terá de testar drogas diferentes até chegar a uma combinação que responda melhor ao tratamento. “Um vírus mais resistente baixa ainda mais a imunidade da pessoa e segue à revelia o tratamento que está sendo feito.”

Diretor do **DEPARTAMENTO DE DST**, **AIDS** e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, afirma que o número de casos constatados pela pesquisa ainda é muito pequeno para ditar novas estratégias no tratamento da doença. Greco tranquiliza a população e diz que os exames de diagnóstico realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são capazes de identificar os dois tipos virais e acredita que a pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz, que teve apoio do Ministério, veio para a alertar a população para a importância do uso de **PRESERVATIVOS**. “Até mesmo aquelas pessoas que compartilham a mesma doença devem se prevenir”, alerta. Migowski concorda com o apelo e completa: “Mesmo que os parceiros tenham o mesmo tipo de vírus, esses podem ter perfis de resistência diferentes, e o tratamento pode ser prejudicado”.

A presença do vírus tipo 2 no Brasil é investigada desde 1987, mas o estudo da Fiocruz foi o que apresentou resultados mais precisos devido aos novos reagentes utilizados no estudo. Nas amostras onde foi identificado o vírus **HIV**-2 constava também a presença do vírus **HIV**-1, ou seja, em todos os casos ocorria coinfecção.

NAS CASAS NOTURNAS

A região Sul do país concentra a maior incidência de casos de **AIDS** no país. De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pelo **DEPARTAMENTO DE DST**, **AIDS** e Hepatite Viral, Rio Grande do Sul e Santa Catarina lideram a lista de municípios com pior índice de incidência da doença. E na maioria dos casos os resultados dos três últimos anos foram piores que a realidade cinco anos atrás. Para proteger a população local, a Secretaria Municipal de Lages (SC) criou o programa Previna, voltado para profissionais do sexo que trabalham na cidade. Agentes de saúde visitam casas noturnas da cidade e oferecem orientações sobre doenças transmissíveis, gravidez indesejada e violência contra mulher. Também são realizados testes periódicos e gratuitos de **HIV**, exames preventivos de colo do útero e mama e são distribuídos **PRESERVATIVOS** e **ANTICONCEPCIONAIS**.

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 * [Soropositivos morrem mais de doença do coração do que de AIDS](https://soropositivo.org/soropositivos-morrem-mais-de-doenca-do-coracao-do-que-de-aids/)
 * [Duas vezes afetado pela Aids](https://soropositivo.org/duas-vezes-afetado-pela-aids/)

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