# Preservativos, um breve perfil

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- Published: 2017-04-16T00:00:32-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### Por que usar Preservativos?

⌊Sextreff Blind Date⌉⌊Sextreff Blind Date⌉Enquanto o preservativo feminino foi recentemente
desenvolvido, o masculino (ou camisinha), tem registros que remontam desde o antigo
Egito até as memórias do notório Casanova. A origem de “condon” (palavra em inglês
para preservativo) provavelmente vem do vocábulo latino condus (receptáculo), que
deriva do persa kondu, literalmente “vaso comprido de armazenamento, feito do intestino
de um animal”. O seu primeiro registro escrito aparece em 1564, quando Fallopio 
recomendava o uso de um envoltório de linho sobre o pênis para impedir a disseminação
de doenças.

### Table Of Content

 * [Por que usar Preservativos?](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#por-que-usar-preservativos)
 * [Como são Fabricados e controlada a qualidade dos Preservativos Masculinos?](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#como-sao-fabricados-e-controlada-a-qualidade-dos-preservativos-masculinos)
 * [Eventuais Problemas](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#eventuais-problemas)
 * [E o Preservativo Feminino?](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#e-o-preservativo-feminino)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/preservativos-um-breve-perfil/#relacionado)

Apesar de existir há muito tempo durante o qual o seu uso era como método contraceptivo–
o preservativo assumiu seu papel preventivo recentemente, com a ameaça causada pelas
DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e pelo HIV – sua utilização foi então estudada
e recomendada pelas diversas agências e ministérios relacionados com a área de saúde
pública. As suas propriedades profiláticas e contraceptivas – além da quase completa
ausência de [efeitos colaterais](https://soropositivo.org/filhos-da-aids/) – foram
comprovadas, e, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde),

### Como são Fabricados e controlada a qualidade dos Preservativos Masculinos?

![aids-camisinha-e-efeito-domino](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2012/
12/aids-camisinha-e-efeito-domino2.jpg)

Os preservativos são fabricados respondendo a um procedimento padrão fiscalizado
pela ISO 4074 (ISO – International Organization for Standardization, ou Organização
Internacional para Padronização), uma diretriz específica para preservativos de 
látex. Este documento foi desenvolvido por um comitê técnico (ISO/TC/157) e está
sob constante e extensiva revisão. Os preservativos, após sua manufatura, são submetidos
a um processo conhecido como “Pré-qualificação”, designado para testar a habilidade
do fornecedor em produzir lotes homogêneos de preservativos  de boa qualidade em
uma base contínua, e de excluir antes ou durante o processo de confecção as unidades
defeituosas. Os três passos no procedimento de pré-qualificação são:

1) exame das evidências em documentação apresentadas pelo fornecedor;

2) teste dos preservativos manufaturados;

3) quando apropriado, inspeção das fábricas nas quais o preservativo é produzido,
executado por especialistas treinados em administração de qualidade.

Além da pré-qualificação, outros testes são realizados, como a análise de adesão
ao produto, para determinar a adequação do produto ao mercado. Uma vez aprovado,
o preservativo é distribuído no mercado, com o selo de aprovação em sua embalagem.
No Brasil, este selo é responsabilidade do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial), que desenvolveu o RTQ-9 (Regulamento Técnico
de Qualidade Nº 9), correspondente nacional da ISO 4047. Além dos procedimentos 
de testagem descritos, o RTQ-9 também previa uma bateria de testes microbiológicos
que acabou sendo abandonada, uma vez que o preservativo de látex não é (e nem precisa
ser, segundo especialistas) estéril. Os padrões testados na norma do INMETRO e da
ISO 4047 são:

–  comprimento e largura      4,0%* º
 –  verificação de vazamento     0,4%* –  
capacidade volumétrica e pressão de estouro   1,5%*? –  estabilidade da cor     
4,0%*, ** –  resistência à traição      2,5%* –  embalagem e rotulagem     1,0%*

* percentuais máximos aceitáveis de preservativos não conformes por lote – desde
lotes de 35.000 a 150.000, com   alguns lotes excepcionais de 500.000 – segundo 
o RQT-9 e a ISO 4047.
 ** Padrão estabelecido apenas pelo RQT-9 º Percentuais de
NQA aceitáveis para cada parâmetro, individualmente

Além destas baterias de teste, as empresas realizam exames adicionais em cada lote,
para assegurar a qualidade de seu produto. Entre estes, encontramos testes microbiológicos,
testes de envelhecimento (exposição durante 7 dias a 70 graus), testes de insuflação
de ar (visando provocar um esforço sobre toda extensão do produto muito superior
à resistência normal necessária), e testes de água, para detectar e visualizar eventuais
desvios de qualidade na membrana do látex.

Diversas outras medidas são recomendadas pela OMS para se assegurar uma qualidade
ótima do preservativo – como cuidados com a embalagem e medidas para impedir o crescimento
de bactérias nas embalagens. Tais fatores são importantes indicadores de eficácia
do produto, e a indústria brasileira conta com o serviço do INMETRO para a garantia
deste procedimento. Apesar de tudo, ainda é função do consumidor exigir o selo de
garantia na compra do produto.

### Eventuais Problemas

Apesar de todos os testes de qualidade e das preocupações associadas à produção 
e distribuição dos preservativos masculinos, ainda há casos nos quais ocorrem acidentes
que comprometem a eficácia do produto. Geralmente estes problemas acontecem por 
inexperiência do usuário, ou por uma falha no processo de colocação do preservativo.
Uma pesquisa realizada pela Family Health International (FHI) mostra que o rompimento
dos preservativos não está distribuído ao acaso em populações estudadas – ou seja,
algumas pessoas relatam taxas de rompimento em proporções muito maiores do que outras:
geralmente casais mais jovens ou que estejam utilizando o preservativo há pouco 
tempo ou de maneira incorreta.  Outros fatores que podem prejudicar o desempenho
também estão relacionados com a prática, ou com a quantidade de informações do usuário–
o fato de utilizar tesouras, objetos cortantes ou até mesmo os dentes para abrir
as embalagens, expor as embalagens ao sol e não seguir o procedimento correto de
colocação do preservativo são exemplos de erros possíveis que comprometem sua eficiência.

Uma pesquisa realizada mostra que as principais preocupações que surgem entre os
consumidores são a questão de um possível vazamento da camisinha, a possibilidade
de rompimento durante a relação sexual e a possibilidade do preservativo escorregar
Quanto ao vazamento eventual durante a utilização de preservativos, pesquisas demonstram
que nas marcas de maior circulação não existem poros nos produtos.  Embora estes
estudos tenham sido realizados nos Estados Unidos, pode-se estabelecer um paralelo
no Brasil, uma vez que o INMETRO utiliza os mesmos parâmetros de pesquisa. Portanto,
em caso de porosidade no preservativo, deve-se suspeitar de uma eventual falha no
estoque, como a exposição ao sol ou algum dano mecânico no produto durante sua colocação.

O rompimento do preservativo provavelmente é a maior preocupação do consumidor. 
Um grande número de estudos sobre o rompimento de camisinhas relata taxas que variam
de menos de 1% a⌊collage condoms⌉ mais de 10%.  Esta alta variação se deve à falta
de homogeneidade na amostra consultada – foram pesquisados tanto grupos que utilizavam
preservativos de primeira linha como grupos que só tinham acesso a preservativos
de qualidade inferior, além do contraste entre usuários mais experientes em relação
a outros menos. Entretanto, a chance de rompimento varia bastante de acordo com 
a realização de certos procedimentos que favorecem a deterioração do produto: a 
utilização de lubrificantes oleosos  (como vaselina, óleo de bebê, margarina e óleo
de cozinha, como relatado) e até mesmo água favorecem ou em certos casos, provocam
o rompimento do preservativo. A OMS, em consenso com as outras organizações que 
promovem testes, recomendam o uso estrito de lubrificantes à base de água, produzidos
especialmente para este caso específico, que são totalmente inofensivos ao preservativo.
Outros estudos mostram, ainda, que o rompimento do preservativo está associado ainda
a certas práticas sexuais diferentes do coito vaginal, como o sexo anal.

A possibilidade do preservativo escorregar existe, mas representa um evento muito
menos freqüente e menos relatado nas pesquisas. A OMS associa tais casos isolados
a problemas na escolha do diâmetro do preservativo utilizado; é fato que existem
marcas de tamanhos diferentes à disposição no mercado, e na maioria dos casos, o
deslizamento (slip-down) ou a queda (slip-off) do preservativo estão associados 
a utilização errônea do mesmo, como o atraso na retirada do pênis após a ejaculação.

### E o Preservativo Feminino?

![Préservatifs féminins](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2009/06/camisinha-
feminina.jpg)

Segundo a OMS e a UNAIDS, o preservativo é uma camada forte e transparente feita
de poliuretano e funciona para a prevenção da gravidez indesejada e DST, inclusive
o HIV.  A membrana possui um formato similar ao do preservativo masculino, com um
anel flexível em cada ponta – o anel menor situa-se do lado fechado do preservativo
e é utilizado para a inserção no canal vaginal e ajuda manter o preservativo na 
parte superior da vagina (tal anel é removível). O anel maior e mais fino fica do
lado de fora da vagina quando o preservativo é inserido e ancora o mesmo, garantindo
que a genitália externa da mulher e a base do pênis estejam protegidos durante a
relação sexual. O produto é pré-lubrificado com um gel a base de silicone e permite
a utilização de outros tipos em sua face interna, como os baseados em água, descritos
anteriormente. O preservativo é inserido manualmente na vagina e isto pode ser feito
horas antes do ato sexual e pode ser retirado depois deste, ao contrário do masculino.

⌊camisinha-feminina-0255933 (1)⌉⌊camisinha-feminina-0255933 (1)⌉Além da vantagem
óbvia que o preservativo feminino oferece por ser mais uma ferramenta na prevenção
de uma gravidez indesejada, da contração de uma DST ou do próprio HIV, apresenta
ainda diversos pontos fortes. Estudos ainda não comprovaram totalmente, mas há hipóteses
de que o produto pode ser reutilizado algumas vezes se tratado da forma correta,
além da versatilidade de poder ser posicionado horas antes da relação sexual. Contudo,
o mais importante benefício trazido com o produto é de caráter psicossocial: o preservativo
feminino permite que as mulheres tenham maior participação no planejamento familiar
e no cuidado à sua saúde, além de permitir aos próprios homens uma maior liberdade
de escolha na prática sexual. O preservativo feminino é uma importante ferramenta
no processo da negociação do uso do preservativo – trabalhadoras do sexo, por exemplo,
podem dispor de maior proteção e evitam a possibilidade de uma eventual recusa por
parte do parceiro em utilizar o preservativo masculino. Inclusive, além de todas
estas vantagens, o poliuretano é mais resistente do que o látex, diminuindo a chance
de rompimento quando comparado ao preservativo masculino.

Se, por um lado, o preservativo feminino apresenta, como maior vantagem, a possibilidade
de escolha por parte da mulher quanto à preservação de sua própria saúde, a maior
desvantagem deste produto é severa: o seu custo. Pesquisas demonstram que o custo
do preservativo feminino costuma ser maior do que o esperado na maioria das pesquisas
realizadas com o público.  Contudo, a OMS propões saídas para este problema; além
de sugerir que empresas privadas ou órgão do governo subsidiem a produção do preservativo
e permitam que seu preço de venda seja menor, a Organização argumenta que, caso 
a demanda do preservativo cresça, seu custo eventualmente vai diminuir tanto pela
concorrência quanto pela economia de escala.

Diversos estudos comprovam que apesar da pandemia de AIDS ter atingido as proporções
atuais e continuar a afetar a população, temos em nossas mãos ferramentas eficazes
contra este vírus. O preservativo masculino mostra-se bastante eficaz se utilizado
corretamente, e novas descobertas estão a caminho – camisinhas feitos de materiais
de compostos de elastômeros sintéticos podem substituir o látex, por serem mais 
resistentes e com maior capacidade de elongação, por exemplo. Estes elastômeros 
sintéticos tendem a ser mais fortes do que o látex, inodoros, não deterioram em 
contato com lubrificantes oleosos e são mais confortáveis, promovendo uma maior 
sensibilidade durante a relação sexual.

 

![Contraception method - female condom.](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/
2016/10/53_mtg4x2nvbnryywnlchrpb25fcy0wmg.jpg)

Contraception method – female condom. Woman contraceptive icons set. Safe sex. Disease
prevention and birth control. Planning pregnancy. Flat vector illustration isolated
on white background

Embora ainda seja necessária a realização de alguns estudos elucidativos sobre o
preservativo feminino, o produto já demonstra a sua eficiência em muitas áreas nas
quais um instrumento deste tipo se fazia necessário há muito tempo. Ainda resta 
um intenso trabalho na promoção e divulgação do preservativo, além da educação e
estímulo do uso a ser realizado com as populações que estão mais expostas ao risco
e com menos chance de negociação do uso do preservativo masculino. O preservativo
feminino é mais do que um produto que previne o HIV, DST em geral e uma eventual
gravidez indesejada; é um instrumento de expressão e força da mulher e de sua sexualidade.

Produzido por: Francisco A. de Moura
 Revisão Técnica: Profa.Dra. Vera Paiva e Ana
Maria Aratangy

Sobre prevenção de AIDS

Quem disse?

1.  Preservativo Masculino: Hoje mais necessário do que nunca! Brasília. Ministério
da Saúde, 1997.

2  POTTS, M e DIGGORY, P. Contraceptive Practice. New York, Cambridge University
Press, 1982, p.21.

3 World Health Organization (WHO) Specifications and Guidelines for Condom Procurement.
Genebra, 1998.

4 Ibid.

5 INMETRO. Regulamento Técnico – Preservativo Masculino de Borracha . Rio de Janeiro,
1995 (mimeo)

6 Johnson & Johnson. Prospecto fornecido pela acessoria de imprensa. São Paulo, 
Julho de 1997.

7 In, World Health Organization. The Male Latex Condom – Fact Sheet 1:Scientific
Facts on the Male Natural Rubber Latex Condom. Genebra, 1999.

8 Center for Disease Control and Prevention (CDC). Condoms for Prevention of Sexually
Transmitted Diseases. Morbidity and Mortality Weekly Report. 37:133-137, 1988.

9 The Consumers Union. Can You Rely on Condoms? Consumer Reports 54(3):134-141, 
1989.

10 In, World Health Organization. The Male Latex Condom – Fact Sheet 1:Scientific
Facts on the Male Natural Rubber Latex Condom. Genebra, 1999.

11 ELIAS, M. Correct Use of Condoms is Rare. USA Today. December 13, 1991.

12 WELLINGS, K. AIDS and the Condom. Britanic of Medicine Journal. 293:1.259-1.260,1986.

13 World Health Organization. The Male Latex Condom – Factsheet 9: Male and Female
Synthetic Condoms. Genebra, 1999.

14 BLOGG, J e BLOGG, S. Acceptability of the female condom (Femidon) within a population
of commercial sex workers and couples in Salima and Nkhotakota, Malawi. 1994 (Não
publicado)

15 World Health Organization. The Female Condom: A Review. Genebra, 1997.

{flv}camsinha_case_se_com_esta_ideia{/flv}

## Leia também

 * [Falta preservativo feminino](https://soropositivo.org/falta-preservativo-feminino/)
 * [Mulheres, HIV, outras DST’s e AIDS](https://soropositivo.org/mulheres-hiv-outras-dsts-e-aids/)
 * [Levantamento feito em São Paulo aponta mudanças no perfil da Aids](https://soropositivo.org/levantamento-feito-em-sao-paulo-aponta-mudancas-no-perfil-da-aids/)

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